5. KONKLUSJON: FORSKNINGSFUNN OG EGNE BETRAKTNINGER
5.3 U TFORMING OG MENGDE AV REGULERING
5.3.2 Syn på endringene av reguleringstilnærming
Winnicott (1997, p. 59) coloca que: “Não haveria nada de novo em afirmar que a família é um dado essencial de nossa civilização”. Esse dado essencial é que possibilita ao sujeito tornar-se sujeito, tornar-se distinto da sua própria mãe, um indivíduo separado, singular, inteiro.
Para Winnicott (1994), a família tem importância crucial pois, através dela, a criança passa a ser protegida do mundo quando ainda é completamente incapaz de se defender sozinha, ao mesmo tempo que a estrutura familiar vai gradativamente dando-lhe condições de inserção social. Rizzini (1997) ratifica a lógica winnicottiana de que a família assume fundamental importância para o desenvolvimento da criança, em especial no que diz respeito à função de atuar como instituição privada de proteção social e base do sentimento de pertença social.
Lidar com uma criança portadora de grave sofrimento psíquico pode ser um fardo muito pesado para muitas famílias, em especial as desprovidas de recursos financeiros satisfatórios ou, pior ainda, desprovidas dos mínimos sociais. A história de famílias pobres
vem sendo percebida, segundo Del Priore (2000), desde a origem do processo de colonização brasileira. Era muito comum a prática de abandono de crianças em instituições como as Santas Casas de Misericórdia (com as suas Rodas de Expostos) e doação para terceiros, devido à precariedade financeira de muitas famílias ou de mães solteiras e, em menor grau, devido ao rígido moralismo da época. Essa prática, diferentemente do infanticídio e do aborto, não era considerada crime.
Nos dias atuais, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (2005) e o ECA (1990), a criança precisa ter como garantia de manutenção da sua sobrevivência, uma família (ou, na impossibilidade desta, um órgão governamental) que a acolha e lhe garanta condições de suprir suas demandas fisiológicas e estar inserida em sua comunidade de origem.
O sofrimento psíquico, seja qual for a maneira como ele se apresenta para o sujeito, impactua no seu estado emocional, afetando não apenas o portador, como também os responsáveis e cuidadores, conforme exposto em Soares et al. (2005). Este padecimento expõe além das crianças, os pais e cuidadores a vivências estressantes por natureza, gerando sentimentos de frustração frente às limitações da criança, quando comparada com outras sem afetação de qualquer ordem psíquica.
É comprometedor quando a família (que essencialmente deveria ser o suporte emocional e material de um sujeito) passa a ser duramente afetada pelo sofrimento psíquico deste. Em relação aos cuidadores, Soares et al. (2005) apontam várias dificuldades colocadas pelos responsáveis como: todo o tempo dispensado para a criança (muitas vezes em detrimento da atenção aos outros filhos), despesas específicas com a busca de serviços públicos e impossibilidade temporal ou permanente de desenvolver atividades remuneradas, entre outros fatores.
Segundo Böing e Crepaldi (2004), o cuidador não apenas é alguém de cuida da criança, mas (ultrapassando esse conceito) é a pessoa que vai estar sintonizada à criança de maneira especial, a ponto de perceber e prover suas necessidades de desenvolvimento. Uma vez havendo falha neste processo, o bebê perceberá o impacto de forma muitas vezes
limitante, segundo Winnicott (1997), na sua aquisição de integração. Em casos menos danosos, o bebê criará a estratégia de adaptar-se às falhas da mãe em não suprir as demandas do mesmo e com isso, não terá a espontaneidade de criar o seu próprio self.
Em um quadro ainda mais comprometedor, nem sempre o cuidador da criança (muitas vezes personificado na figura materna) pode agregar valor significativo, pelo fato de também possuir comprometimento de ordem emocional em maior ou menor grau. Um exemplo disso pode ser explicitado no discurso de Najmam et al. apud Lyra (2009, p. 235), que aponta: “[...] mães com dificuldades emocionais tendem a superestimar os problemas de comportamento de seus filhos; mães que não são comprometidas emocionalmente podem subestimar os problemas de comportamentos das crianças”. Como habilidade desenvolvida no decurso da gestação e mantida ainda nos primórdios da vida do bebê, a preocupação materna primária, segundo Winnicott (1994), deixa de ser um processo natural e saudável para tornar- se um processo patológico quando a mãe passa a absorver todas as demandas do bebê de modo simbiótico, não dando a condição do bebê ter suas próprias vivências ou quando a mãe é negligente no cuidado do ser em desenvolvimento.
Segundo Beck e Lopes (2007), quando uma doença surge com um membro familiar, acaba afetando e provocando alterações em toda a estrutura familiar (pelo menos no núcleo primário). No caso do sofrimento psíquico, muitas vezes patente na forma de transtorno mental, esta doença vem envolta no estigma de ser vergonhosa para o portador e seus familiares, por trazer consigo, muitas vezes, a perda do autocontrole e de comportamentos conscientes. O caráter quase sempre crônico de tal adoecimento causa muito desgaste para os cuidadores, pais e/ou responsáveis, por ser algo que demanda muito tempo, esforço e que, com uma nova crise, pode aniquilar todo o sacrifício destinado em favor da criança.
Muitas vezes este cuidador precisa de apoio para lidar com a cronicidade da doença e com a agudização de crises. Nem sempre poderá, de fato, contribuir para minimizar os efeitos deletérios do sofrimento psíquico da criança, uma vez que também encontra-se vulnerabilizado e tendo que lidar com seus próprios conflitos internos. Lidar com este fator é algo que gera muito desgaste no cuidador. Beck e Lopes (2007, p.145) descrevem esse
desgaste como sendo “[...] alterações orgânicas e psíquicas que o indivíduo pode apresentar em consequência da idade fisiológica e/ou de fatores externos que possam precipitar ou antecipar esse desgaste como as doenças físicas e psíquicas”.
Não são raras as queixas somatizadas dos cuidadores frente à sensação de finitude e impotência causada pelo comprometimento da criança, gerando sentimentos ansiosos e/ou depressivos. O discurso sobre doença de nervos, conforme Yépez e Medeiros (2004), coloca que o sofrer dos nervos assume uma função de extravasamento de angústias e preocupações não elaboradas. O corpo torna-se palco destas expressões por ser nele que as frustrações e conflitos são depositados. Mais ainda:
[...] são frequentemente usados nos serviços de saúde pública, e referem-se normalmente a um problema que se caracteriza por múltiplas queixas, como dores generalizadas e sensações corporais diversas, além de sintomas de depressão e/ou ansiedade [...] Frente à ausência de uma etiologia orgânica correspondente, é comum que o médico associe o termo à crise nervosa e ao “piti”, desconsiderando a complexidade do problema, e tratando-o com um certo desdém (Ribeiro, 1996). Assim, a intervenção, quando existe, tende a ser inadequada (YÉPEZ; MEDEIROS, 2004, p. 96).