3.4 KJENNETEGN SOM IDENTITETSFORMIDLER
3.4.3 Symboler
Labov (2008, p. 63) argumenta que “os meios empregados para coletar dados interferem nos dados a serem coletados”. Como as crianças de 12 a 15 anos ficaram com o aparelho de MP4 para realizar as gravações, tais gravações se mostraram adequadamente casuais.
A instrução da pesquisadora para com os informantes foi de fazer gravações ocultas. Assim, o informante faria a gravação de uma conversa com os amigos e depois
revelaria a eles que a conversa havia sido gravada. Em seguida, pediria a autorização de seus interlocutores para a utilização dos dados ali coletados. Caso algum amigo não autorizasse, a instrução era de apagar a gravação. Nenhum informante, porém, seguiu essas instruções. Ao longo da escuta das gravações, ficou patente que todos os colaboradores, em todas as gravações, estavam cientes de estarem sendo gravados desde o início das gravações. Não houve, também, indícios de que algum colaborador tenha solicitado a destruição da gravação por motivos de manutenção de privacidade. Vejamos, a seguir, um trecho de transcrição em que o informante demonstra que a gravação não era oculta:
B: {init.} Pô, valeu, de... Dezesseis minutos estragado agora por causa que vocês falaram “é um mp4” P: Não, não vou fazer tudo de novo não, véi
B: dezesseis minutos enrolando, sem assunto, e eu fazendo um assunto, dezesseis minutos de trabalho *: deleta!
B: eu não sei deletar *: {init.}
B: vou tentar disfarçar aqui
Outra instrução era de que os amigos procurassem brincar, jogar ou ensinar algo uns para os outros durante as gravações. O intuito dessa instrução era de que houvesse maior descontração e, portanto, mais probabilidade de a gravação ficar boa, em estilo casual, o que aumentaria a probabilidade dos dados relevantes para a análise surgirem. Essa instrução foi parcialmente seguida. É perceptível que, na maioria das gravações utilizadas, houve a tentativa de seguir tais instruções. Constatamos, porém, que a gravação ficava menos casual quando os informantes claramente tentavam seguir as instruções para que ficasse casual, entretanto, a gravação ficava mais casual à medida que os interlocutores esqueciam as instruções.
É importante informar que nem sempre as gravações ficavam boas. De fato, a maioria das gravações realizadas foi descartada. Os problemas mais comuns que levaram a esse descarte foram: 1) inibição intensa – muitas crianças ficavam mudas ou monossilábicas durante longos períodos nas gravações: houve uma gravação, por exemplo, em que só se escutava “vai”, “é sua vez” e o barulho do arrastar das pedras de um jogo de xadrez; 2) crianças brincando de entrevistar e/ou representando personagens; 3) nível alto de ruídos, inclusive de televisão. Só foram utilizadas, portanto, as
gravações que passavam por um controle de qualidade em que faziam parte os critérios: boa ou razoável possibilidade de audição; razoável nível de espontaneidade e diálogos.
As gravações realizadas com a presença da pesquisadora com crianças de 7 a 12 anos presumivelmente não são tão casuais quanto as anteriormente explicadas. Como já dissemos, os grupos (pesquisadora + crianças ou pesquisadora + filha – menina de 10 anos que participou da maioria das gravações + demais crianças) iam para uma sala reservada, dentro da escola, onde a pesquisadora (ou a filha) lia um livro. O livro era discutido pelo grupo e depois as crianças ficavam à vontade para conversar sobre outros assuntos. Assim, em boa parte do tempo as conversas não assumem o estilo casual. Na última fase do encontro que surgia a conversa no estilo casual e, consequentemente, os dados. Mesmo percebendo que sobrava pouco tempo para conversas casuais (os alunos podiam ficar com a pesquisadora em torno de 40 minutos) não poderíamos deixar de ler a historinha que, em um só tempo, tornava os alunos mais próximos à pesquisadora e colaborava para o crescimento intelectual deles. Nessas gravações, também foram enfrentados problemas, tais como: difícil acesso às crianças; alto nível de ruídos (já que as gravações eram realizadas dentro da escola) e, algumas vezes, não chegava a haver conversas casuais. Quando ocorria algum desses problemas, a gravação também era descartada.
Já no terceiro tipo de gravação, com as crianças não pertencentes à comunidade da Vila Planalto, não houve a pretensão de que as gravações fossem ocultas. Era colocado um gravador perto das crianças ou elas mesmas ligavam o gravador enquanto conversavam. Foram quatro gravações dessa natureza e todas elas foram realizadas nas casas dos informantes: em duas os interlocutores eram irmãos e nas outras duas os interlocutores eram amigos (nesses casos, a casa era de apenas um dos informantes, naturalmente).
É importante lembrar que, embora a amostra seja representativa das comunidades de fala, esta não foi aleatória num sentido amplo; as gravações não foram realizadas todas do mesmo jeito e nem na mesma comunidade de fala. Por um lado, há um grupo de gravações que são mais espontâneas (no sentido lato), de crianças de 12 a 15 anos e, por outro lado, com crianças mais novas, há gravações maximamente espontâneas (no sentido lato) no contexto de pesquisador presente (entre outras limitações): essas duas na localidade Vila Planalto. E, ainda, há gravações de conversas espontâneas realizadas nas casas dos colaboradores, em um ambiente familiar, mas em outras localidades (Asa Norte, Sudoeste e Jardim Botânico – Lago Sul). Ao total, foram
11 horas e 24 minutos de gravação, sendo 43 informantes. Destes, 25 são do sexo feminino e 18 do masculino, sendo 9 informantes não pertencentes à comunidade da Vila Planalto. Houve, nas gravações, os informantes que, apesar de não terem o perfil descrito, fazem parte da amostra. São eles: duas mães, um rapaz de vinte anos e uma menina de cinco anos. As gravações desses informantes foram, grosso modo, incidentais. No entanto, a única fala incidental que interessa à presente investigação é a fala da menina de 5 anos, que entrou para a análise dos dados.
Depois das gravações e do controle de qualidade, essas gravações foram transcritas e, em seguida, houve a identificação dos dados relevantes à presente pesquisa. Cada dado identificado foi codificado a partir de um grupo de fatores ou variável independente que, em princípio, pode influenciar a variação. Esse arquivo se encontra no apêndice do presente trabalho. Depois de codificados, os dados foram submetidos ao pacote de programas GoldvarbX 2001 e Varbrul 1988/1989. A rodada final também se encontra em apêndice. Os resultados alcançados são evidências estatísticas do que realmente influencia e o que não influencia a variação. A partir daí, podemos fazer inferências, tirar conclusões, enfim, interpretar os resultados. As possibilidades de aprofundamento da análise são diretamente proporcionais ao amadurecimento científico do pesquisador, uma vez que as ferramentas utilizadas possibilitam infinitas combinações e refinamentos de análises.