3. SENTRALE TEORETISKE PERSPEKTIV
3.5 Sykepleiens praktiske kunnskapsutvikling
Feita esta introdução, passar-se-á para a observação das estimativas produzidas pela inteligência estadunidense sobre o assunto em questão. Para isso, volta-se no tempo para perceber qual era a percepção da inteligência a partir de 1960.
Em estimativa do dia 22 de março de 1960, a inteligência estadunidense avaliou que Cuba ainda não estava sobre total controle do comunismo internacional, pois, “sobre as presentes circunstâncias o Comunismo Internacional não deseja ver uma situação surgir em que poderia ser claramente demonstrado que o regime em Cuba estava sobre sua dominação” (DCI, 1960a, p. 3, tradução nossa100).
Tal conclusão é refinada em termos que apontam a hesitação da União Soviética em elevar o risco das relações com os Estados Unidos para proteger o regime de Fidel Castro.
Fosse o regime de Castro ameaçado, a URSS poderia provavelmente fazer algo para apoiá-lo. Entretanto, a URSS não hesitaria em desprezar o regime de Castro antes de se envolver diretamente numa confrontação militar direta com os EUA em Cuba, ou, pelo menos durante o estado presente da Política Soviética, numa maior crise diplomática com os Estados Unidos (DCI, 1960a, p. 3-4, tradução nossa101).
Cerca de três meses depois, em 14 de junho de 1960, uma nova estimativa foi elaborada com o objetivo de avaliar os prospectos da situação cubana para os seis meses seguintes. Em linhas gerais, conclui-se sobre a tendência de
99 Office of National Estimates.
100 Under present circumstances International Communism does not desire to see a situation arise in which it could be clearly demonstrated that the regime in Cuba was under its domination.
101 Should the Castro regime be threatened, the USSR would probably do what it could to support it. However, the USSR would not hesitate to write off the Castro regime before involving itself in a direct military confrontation with the US over Cuba, or, at least during the present state of Soviet Policy, in a major diplomatic crisis with the US.
Cuba se aproximar do bloco comunista, entretanto, nos mesmos moldes acima, afirma que parecia “improvável que os comunistas vão ter o desejo de fazer uma oferta aberta de poder ou a necessária força” (DCI, 1960b, p. 02, tradução nossa102) para manter o regime cubano. A ajuda estaria restrita ao fornecimento de limitado material militar e apoio econômico (DCI, 1960b).
No segundo semestre de 1960 a União Soviética e a China passaram a fornecer suporte econômico e militar para Cuba, sendo que deste segundo tipo, se resumiu ao provimento de armas de pequeno porte e instrutores. Isto foi identificado pela estimativa de 07 de fevereiro de 1961 com a constatação de que o bloco comunista já tinha entregado cerca de 30.000 toneladas de material deste tipo, tais como armas de pequeno porte, trinta tanques, e material de artilharia. Entretanto, avaliava-se que dificilmente armamentos tecnologicamente avançados ou armas nucleares soviéticas seriam alocados em Cuba e também não se tinha a previsão de que tropas armadas estariam presentes. Na mesma linha de pensamento da estimativa anterior, afirmava-se que o bloco comunista não se comprometeria em defender Cuba com receio de elevar os riscos de um conflito militar com os Estados Unidos numa localização geográfica extremamente desvantajosa.
Nenhum país do bloco Sino-Soviético provavelmente concluirá um acordo formal de defesa mútua com Cuba se comprometendo para ativa participação em operações militares na defesa daquele país, ou para estabelecer bases militares lá. Discursos de Khrushchev implicando apoio militar Soviético para Cuba no caso um ataque militar dos EUA tem sido qualificado e foram calculados para criar a crença de intenções soviéticas mais que um atual comprometimento. Ao mesmo tempo, estes discursos abrem o caminho para a União Soviética chamar para si o crédito de conter um ataque das forças Anti-Castro. Nós acreditamos que é altamente improvável que a URSS poderia considerar a sobrevivência do regime de Castro tão importante de modo a requerer cursos de ação que poderiam levar ao risco da guerra com os EUA (DCI, 1961, p. 01-02, tradução nossa103).
Diante desta consideração e analisando-a conjuntamente com o acirramento das medidas de controle político tomadas pelo Estado cubano, a
102
Unlikely that the Communists will have the desire to make a bid for overt power or the necessary strength to maintain it. 103 No Sino-Soviet Bloc country is likely to conclude a formal mutual defense agreement with Cuba committing it to active participation in military operations in defense of that country, or to establish military bases there. Khrushchev’s statements implying Soviet military support for Cuba in the event of a US attack have been qualified and were calculated to create a presumption of Soviet intentions rather than an actual Soviet commitment. At the same time, these statements opened the way for the Soviet Union to claim credit for deterring an attack by anti-Castro forces. We believe it highly unlikely that the USSR would consider the survival of the Castro regime so important as to require it to pursue courses of action that would risk war with the US (DCI, 1961, p. 01-02).
estimativa toma que o único objetivo do fornecimento de equipamento militar é a autodefesa de Cuba às guerrilhas contrárias ao regime (DCI, 1961).
Cerca de dois meses depois, em abril de 1961, os Estados Unidos fomentaram uma invasão, sem o comprometimento de suas tropas, de refugiados cubanos na tentativa de derrubar o regime de Fidel Castro. Neste sentido, a inteligência apontou corretamente o cenário já que não houve uma participação efetiva da União Soviética na defesa de Cuba, sendo que o regime de Castro conseguiu repelir o ataque com suas próprias forças.
A partir desses fatos narrados, passar-se-á a verificar as estimativas produzidas em 1962, ano da crise dos mísseis de Cuba. O primeiro documento produzido foi finalizado no dia 17 de janeiro de 1962 e tinha como título A ameaça
aos interesses de segurança dos EUA na área caribenha104 no qual o lapso temporal
abrangia as próximas duas décadas. Sobre a instalação de uma base militar, o documento foi enfático:
Nós acreditamos que o estabelecimento de tais bases soviéticas é improvável por algum tempo. Seu valor militar e psicológico, aos olhos Soviéticos, poderia provavelmente não ser grande o suficiente para ultrapassar os riscos envolvidos (DCI, 1962a, p. 01, tradução nossa105).
O documento avalia que isto poderia ser revertido, caso o comunismo se alastrasse por outras áreas, e o poder global dos Estados Unidos diminuísse, de forma que os soviéticos procurariam se aproveitar da situação para diminuir ainda mais o prestígio dos EUA.
Porém, na visão da comunidade de inteligência, este ainda não seria momento, de forma que três meses depois, na estimativa de 21 de março de 1962, foi concluído que o regime comunista estava alcançando os passos históricos necessários para o controle da nação, entretanto, o bloco “tem evitado qualquer explícito comprometimento militar para defender Cuba” (DCI, 1962b, p. 01, tradução nossa106). Se o bloco comunista não desejava levantar os níveis de tensão, logo, a interpretação sobre o fornecimento de material para Cuba limitou-se a uma medida de contraguerrilha e para a defesa contra algum ataque externo.
104 The Threat to US security interests in the Caribbean area.
105 We believe the establishment of such Soviet bases is unlikely for some time to come. Their military and psychological value, in Soviet eyes, would probably not be great enough to override the risks involved.
As forças disponíveis ao regime para suprimir insurreição ou repelir invasão tem sido e continuam sendo enormemente melhoradas, com assistência substanciais do Bloco [comunista] através da provisão de material e instrução. [Premissa factual] Capacidades Militares Cubanas, entretanto, são essencialmente defensivas. [Conclusão 1] Nós acreditamos ser improvável que o Bloco vai fornecer Cuba com sistemas de armas estratégicas ou com capacidades navais e aéreas convenientes para maiores operações militares independentes em país estrangeiro. [Conclusão 2] Nós também acreditamos ser improvável que o Bloco vá estacionar em Cuba unidades de combate de qualquer descrição, pelo menos para o período desta estimativa. Esta atitude poderia não impedir o fornecimento de tais armas e equipamentos defensivos com mísseis terra-ar e radares, e melhoramento das facilidades de Cuba aéreas e navais que poderiam ser habilitadas para servir unidades Soviéticas (DCI, 1962b, p. 02, tradução nossa107).
Segue abaixo figura que aponta a quantidade estimada de equipamentos recebidos por Cuba até aquele momento:
107 The forces available to the regime to suppress insurrection or repel invasion have been and are being greatly improved, with substantial Bloc assistance through the provision of materiel and instruction. Cuban Military capabilities, however, are essentially defensive. We believe it unlikely that the Bloc will provide Cuba with strategic weapon systems or with air and naval capabilities suitable for major independent military operations overseas. We also believe it unlikely that the Bloc will station in Cuba combat units of any description, at least for the period of this estimate. This attitude would not preclude the liberal provision of such defensive weapons and equipment as surface-to-air missiles and radars, and such improvement of Cuban naval and air facilities as would enable them to service Soviet units.
Figura 18: Quantidade estimada de material entregue para Cuba
FONTE: DCI, 1962b, p. 13.
A estimativa reconhece que as preocupações defensivas advinham de um suposto ataque dos Estados Unidos, porém, interessante notar, que a invasão fracassada ocorrida cerca de um ano antes não é citada no documento. Por sua vez, seguindo a linha de pensamento do ano anterior, o apoio soviético estaria limitado pelos riscos do uso da força pelos Estados Unidos. Neste sentido, “se a queda do regime estivesse seriamente ameaçada por forças externas ou internas, a URSS poderia quase certamente não intervir diretamente com suas próprias forças” (DCI, 1962b, p. 4, tradução nossa108), como ela realmente não fez nenhuma intervenção um ano antes. A ação da União Soviética, segundo a estimativa, ficaria restrita a vigorosas ações políticas, ameaças de retaliação, e referências ambíguas sobre o
108 If the overthrow of the regime should be seriously threatened by either external or internal forces, the USSR would almost certainly not intervene directly with its own forces.
poder nuclear soviético. “Todavia, A URSS quase certamente nunca comprometeria sua própria segurança por causa de Cuba” (DCI, 1962b, p. 4-5, tradução nossa109).
Em 1º de agosto de 1962, foi elaborada a última estimativa antes da intensificação dos embarques soviéticos e da instalação dos mísseis SA-2. As linhas gerais de suas conclusões permaneceram inalteradas em relação aos documentos anteriormente citados (DCI, 1962c; MCAULIFFE, 1992, p. 09-12)110.
Antes de avaliar especificamente a Estimativa Nacional de Inteligência de 19 de setembro de 1962, a última antes que os Estados Unidos descobrissem a existência dos mísseis ofensivos em Cuba, algumas considerações serão sintetizadas acerca das análises verificadas até o momento. Parte-se primeiramente da premissa factual: O bloco comunista não estaria disposto a aumentar os riscos de
tensão junto aos Estados Unidos.
Tal premissa está contida na dimensão cosmológica do paradigma da inteligência que foi explicado no subtítulo 4.2. Segundo este, a União Soviética só avançaria quando houvesse vácuo de ação dos Estados Unidos ou estivesse superior militarmente no balanço de forças global. Para a inteligência este não seria o caso em Cuba. Militarmente, a posição geográfica era extremamente vantajosa para os Estados Unidos sendo isso também verdadeiro com relação ao seu poderio militar global.
Porém, ficou evidenciado ao longo de 1960 e 1961, que o bloco comunista apoiava limitadamente o governo cubano com armas e pessoal de instrução. Deste modo, a premissa factual permaneceu inalterada sendo apenas geradas novas conclusões em consonância com ela:
a) As forças militares do regime eram aperfeiçoadas para fins defensivos e de contraguerrilha;
b) O emprego de armas de caracteres mais ofensivos sofreria objeção por parte dos Estados Unidos, logo seria improvável o seu uso;
c) As forças militares de Cuba não seriam capazes de deter um confronto direto com os Estados Unidos;
d) A União Soviética não defenderia Cuba caso acontecesse um ataque dos Estados Unidos.
109 Nevertheless, the USSR would almost certainly never intend to hazard its own safety for the sake of Cuba (DCI, 1962a, p. 4- 5).
110 Cita-se este documento através de duas fontes devido a uma peculiaridade. A fonte advinda da desclassificação do governo estadunidense apresenta diversos trechos apagados com fins de manter, ainda hoje, sigilo com determinados assuntos. Porém, a versão descrita em McAuliffe não apresenta estas extrações.