Esta seção relata a aula expositiva voluntária ministrada pelo pesquisador, com acompanhamento e participação do docente responsável pela disciplina Projeto de Edificações IV, do sexto período do CAU da UFPB.
Objetivo
Expor os alunos a novos processos de desenvolvimento das fases iniciais do projeto a partir de uma nova ferramenta BIM (Revit), proporcionando desenvolvimento de projeto conceitual com estudo formal e de massas (Nível de desenvolvimento LOD-100), integrando a concepção estrutural através de discussão de modulação, vãos, balanços, sistema construtivo e lançamento estrutural. Desta forma a aula se configura como uma opção de processo de desenvolvimento do projeto integrado. Assim, o professor responsável ofereceu um ponto (1,0) na nota da unidade para os alunos que se disporem voluntariamente a utilizar esses processos fornecendo dados para a presente pesquisa através dos modelos gerados.
Método
A aula expositiva prática teve como recursos didáticos a utilização de microcomputador com software em versão estudantil instalado e Datashow para exposição do processo aos alunos. Os alunos utilizaram seus computadores pessoais e foram previamente avisados para instalarem os programas e utilizarem na aula. A didática utilizada na aula aconteceu de forma que o ministrante apresentava as ferramentas e os processos para utiliza- las. Os alunos concentravam sua atenção para depois colocar em prática, quando se concediam pausas com média de 10 em 10 cliques por operação.
Alunos participantes
A aula teve a presença de dez alunos, sendo oito de graduação e dois de pós- graduação, em um dia facultativo de presença. Dos oito alunos matriculados na disciplina de graduação, seis ficaram dispostos a contribuir com a pesquisa acatando a utilização do método, com a condição oferecida pelo professor de esclarecer eventuais dúvidas geradas na falta de domínio da ferramenta.
Processo de Modelagem e projeto conceitual
O aplicativo BIM utilizado oferece um ambiente de massa conceitual (figura 47), ou seja, uma interface própria para essa fase do projeto. Esta interface simplifica e auxilia a elaboração de projetos de viabilidade e do estudo formal da edificação projetada, através de ferramentas de modelagem que seguem princípios de extrusão de sólidos, extrusão orientada por percursos e junção de formas. Desta forma os estudantes podem explorar formas fora do convencional potencializando o estudo formal do seu projeto, sem prejudicar a lógica construtiva, ou seja, explorar formas simples ou complexas considerando as questões construtivas, uma construção possível.
Figura 47 - Modelo de massa conceitual.
Fonte: Elaboração do autor (2014).
Implantação e massas
Para a implantação e orientação do projeto (figura 48), foi importado um arquivo CAD com o entorno do terreno trabalhado, localizado no campus da UFPB. Assim, foi possível orientar o projeto em relação aos pontos cardeais, considerar as questões de insolação e ventilação e levantar massas no entorno para estudar da relação com o mesmo. A utilização de arquivo CAD existente facilitou o trabalho do entorno, de forma que se possibilita o desenvolvimento das massas tornando a relação com o entorno mais próxima da realidade.
Figura 48 - Implantação do modelo conceitual com entorno da UFPB, onde se situa o terreno.
Fonte: Elaboração do autor (2014).
Modulação
A definição da modulação utilizada fica a critério do aluno, considerando os materiais e sistemas construtivos utilizados, além das questões programático-funcionais para definição dos módulos ideais em seus projetos. O sistema de eixos (figura 49) do aplicativo permite que os elementos sejam vinculados ao mesmo, de forma que em caso de mudança, pode-se deslocar apenas os eixos que também moverão os elementos vinculados ao mesmo. Os eixos também funcionam como referência no lançamento.
Figura 49 - Grids de modulação.
Fonte: Elaboração do autor.
O projeto formal/ conceitual apoia o estudo da tipologia do bloco projetado. Com a ferramenta Revit também é possível, neste momento, realizar o estudo do envelope (figura
50). Desta forma é possível experimentar várias soluções para o invólucro do projeto de forma rápida e prática.
Envelope
Figura 50 - Estudo do envelope.
Fonte: Elaboração do autor (2014).
O estudo da tipologia pode ainda ser aliado ao estudo do envelope, de forma que se pode explorar várias formas e invólucros de forma prática.
Extração de quantitativos (TI)
A tabela 2 mostra os quantitativos de lajes extraídos do modelo elaborado em sala de aula. Este quadro pode, entre outras coisas, facilitar o estudo de viabilidade reunindo as informações das áreas de lajes, níveis em que se encontram, volume de lajes, perímetro e quantidade, assim como áreas e volumes totais, apoiando a tomada de decisões de projeto. Estas informações são importantes para que se tenha noção em relação à construção de forma fácil e prática, mesmo que se trabalhe com formas mais complexas ou menos ortogonais e que todas as lajes tenham tamanhos diferentes, o aplicativo automatiza a extração dessas informações de acordo com o modelo elaborado, além de que, com a alteração do modelo a atualização das informações acontece em tempo real.
Tabela 2 - Lista de quantitativos de lajes com areas, níveis, volume e perímetro de cada laje.
Fonte: Elaboração do autor (2014).
Verificou-se que as áreas ficaram superdimensionadas porque foram contabilizadas as áreas de pavimentos das massas do entorno, que foram modeladas no mesmo arquivo do estudo formal, sendo desta forma, necessária a modelagem isolada das delas para que se possam ter as áreas precisas de cada edificação. Dada essa observação, pode-se supor que a qualidade dos dados obtidos depende diretamente da qualidade da modelagem feita, então, quanto mais próximo da realidade for esta tem maior capacidade de gerar informações precisas.
Lançamento Estrutural
A utilização do Grid facilita os procedimentos para lançar os pilares, levando em consideração o Aplicativo Revit que utiliza restrições agregando os componentes à modulação de acordo com a vontade do usuário. Assim pode-se mover todos os elementos de uma vez só a partir da mudança do grid (figura 51).
Os elementos estruturais são definidos previamente, normalmente já estão no próprio
template que fornece várias pré-configurações. Neste caso foi utilizado o mesmo template
desenvolvido na Superintendência de Infraestrutura da UFRN, que conta com vários tipos de lajes prontas. As lajes são colocadas em referência aos níveis definidos. Para lançamento dos pilares de forma prática utiliza-se os grids de referencia, como dito, selecionando as interseções desejadas nos grids. Para o lançamento das vigas de forma prática, faz-se primeiro no pavimento superior e depois é possível copiar e colar alinhados nos pavimentos subsequentes, em caso de pavimentos uniformes.
Figura 51 - Planta com grids de modulação e referências para elementos construtivos (a) e Renderização básica do modelo conceitual (b).
(a) (b)
Fonte: Ateliê de Projeto IV 2014.2.
Depois de desenvolver a tipologia, modulação e lançar a estrutura é possível renderizar (Figura 52) o modelo para ter uma ideia melhor da volumetria com incidência de luz, destacando o modelo conceitual criado.
4.2.4 Discussão dos resultados
Os resultados esperados eram que os alunos não se arriscassem muito, visto que não cursam disciplina instrumental de BIM obrigatória. Percebe-se a necessidade de um maior esforço do departamento para uma implantação efetiva de BIM no curso e propõem-se outras ações como pesquisas para estimular a discussão dentro da instituição.