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Svovelavgift (kap. 5543 post 71)

In document Statsbudsjettet for 2011 (sider 114-155)

Kapittel 7 - Forskriftskompetanse mv

B. Svovelavgift (kap. 5543 post 71)

Dina: A minha relação com Vila do Conde vem muito pelo festival, porque eu não sou de

cá. Eu sou do Porto. Foi lá que fiz um curso de gestão e produção no Fórum Dança e foi lá que conheci o Paulo, que também participou no curso. Projectámos um espectáculo de dança side-specific e a partir daí começámos a trabalhar mais juntos porque havia interesses em comum, nomeadamente na dança, nas artes performativas em geral. Decidimos apresentar esta ideia de um festival de artes performativas à DGArtes e tivemos apoio desde a primeira edição. Portanto a minha ligação com a cidade vem um bocado por via profissional, embora já conhecesse a cidade. Sempre foi a cultura que me trouxe mais aqui – as curtas-metragens... O porquê de Vila do Conde vem mais do Paulo.

Paulo: Eu sou mesmo natural de Vila do Conde. Estudei aqui, licenciei-me no Porto na

Faculdade de Letras em História de Arte e conheço a Dina do curso de Produção do Fórum Dança. Nessa altura, quer eu quer a Dina, já desenvolvíamos alguma actividade semi- profissional ou profissionalizante: a Dina em Braga, nos Encontros da Imagem, eu na própria Faculdade de Letras. Entretanto, surgem também algumas experiencias profissionais. Eu fiz coincidir o último ano de curso com o curso do Fórum Dança. Havia um gosto por arte contemporânea da minha parte, tanto que estagiei no serviço de artes performativas em Serralves, e em particular pelas artes performativas (pela dança, pela performance) e obviamente tinha vontade de fazer alguma coisa em Vila do Conde que era a minha cidade e com a qual sempre estabeleci uma relação de grande afectividade. Essencialmente por me sentir bem aqui e por uma vontade de fazer acontecer e pôr em prática a minha prática profissional em Vila do Conde, depois das experiências que já havia iniciado no Porto.

2 - O Circular assume, desde a primeira edição, uma forte ligação com o seu contexto local e comunidade e objectivos concretos de aproximar o público à criação contemporânea. Como é que isto surgiu e em que medida Vila do Conde precisava de um festival de artes performativas com estas especificidades, com esta componente tão forte de aproximação a comunidade?

Paulo: Vila do Conde já havia tido, alguns anos antes, um ciclo que se chamava

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que trabalha agora connosco. Esse ciclo foi interrompido no final da década de 90 e entre a interrupção desse ciclo e o Circular que tem a primeira edição em 2005 havia realmente um vazio na cidade no que respeitava à apresentação de artes performativas. Houve um período, a meados dos anos 90, no qual o IPAE propiciava através de um programa de difusão nacional que as Câmaras Municipais pudessem apresentar trabalhos. Nessa altura, tive oportunidade de ver em Vila do Conde, ainda no Auditório Municipal, trabalhos como Vera Mantero, com a qual estamos muito ligados. Portanto, quando nos conhecemos e sentíamos uma afinidade na área da dança contemporânea e performance, achámos que fazia sentido fazer acontecer em Vila do Conde, o Circular. Havia realmente esse espaço a preencher ao nível da programação cultural na cidade. Isto tendo em conta que já existia o festival de curtas de Vila do Conde, outras iniciativas da academia de música (cursos de aperfeiçoamento musical, ciclo de concertos). A música clássica, o cinema, as artes plásticas,   a   literatura…   Vila   do   Conde   é   uma   cidade   que   esteve   muito   ligada   à   cultura.   Ainda assim, havia esse espaço e, por isso, decidimos começar o Circular aqui.

A componente de aproximação à comunidade advém também um pouco da nossa formação. Nós tínhamos acabado de nos formar a nível de gestão de artes do espectáculo e havíamos tido um contacto com uma série de excelentes formadores que nos abriram os olhos para as preocupações daquilo que é gerir, produzir e programar.

Dina: E do impacto que tem programar.

Paulo: Nós tivemos contacto com uma série de programadores. Qualquer actividade deve

preocupar-se em aproximar-se do seu contexto, porque ela faz sentido no seu contexto. Ao mesmo tempo, a própria criação artística e a arte contemporânea trabalhavam e trabalham nesse sentido, mas muito em especial as práticas das artes performativas. No momento em que iniciávamos o projecto também se desenvolviam muitos trabalhos a partir de pesquisa

side specific. Há aqui uma relação que advém das próprias linguagens artísticas que nos

interessaram e portanto logo no primeiro festival convidámos uma serie de artistas par a desenvolverem side specific, para desenvolverem trabalhos com a comunidade e isto foi sempre tido como uma preocupação nossa.

Dina: Sim, esse factor conjuga estas várias vertentes. Nós desde a primeira edição que

pensamos em vários criadores/artistas nos quais tínhamos plena confiança; demos uma espécie de carta-branca para desenvolverem localmente as suas propostas. Isso acontece desde a primeira edição, estas encomendas a artistas. Na primeira edição tivemos várias propostas que envolveram a participação de amadores e grupos de teatro de Vila do Conde

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ou  que  envolveram  o   espaço  público…  Esses  convites  acabam  por  ter   impactos  diferentes,   dependendo daquilo que o criador deseja desenvolver no seu trabalho artístico.

Paulo: Eu acho importante pegar nesta ideia da carta-branca. Se no primeiro festival, nas

primeiras edições ainda havia uma certa vontade de desenvolver um certo trabalho com a participação da comunidade ou desenvolver um trabalho para um espaço público, viemo - nos a aperceber que talvez fizesse mais sentido que a carta-branca fosse mais importante: nós convidamos-te para desenvolver um trabalho e tu decides se queres fazer um trabalho com  a  comunidade.  Obviamente  que  o  perfil  dos  artistas  …

Dina: Eles vão assumindo as suas próprias direcções, não impostas por nós. Há iniciativas

mais dirigidas e outras mais abertas.

Paulo: No trabalho com a Margarida Mestre houve uma intenção e havia um desejo mútuo

de desenvolver um trabalho com a comunidade. Houve outros projectos que envolviam a comunidade por inerência, mas que não foram feitos com esse propósito: são trabalhos que têm depois resultados muito diferentes. Faz-nos pensar sobre como é que a comunidade se relaciona quando é convocada, na relação que é estabelecida pela própria produção artística. Há  artistas  que  pelo  seu  próprio  trabalho  artístico,  já  sabemos  que  eles  podem  ir  por  ali…

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