• No results found

– Sviing som skjøtselsmetode, inkl. retningslinjer for sviing

Aos biofilmes estão associados um grande número de problemas de saúde, tais como as endocardites microbianas, otite média, prostatite crônica bacteriana, fibrose cística, periodontite entre outros (DONLAN; COSTERTON, 2002). As infecções de implantes artificiais permanentes ou temporários representam um segundo grupo de infecções onde o papel dos biofilmes microbianos na infecção é notório (COSTERTON; STEWART; GREENBERG, 1999).

Os biofilmes presentes em dispositivos médicos são geralmente uma fonte de infecções crônicas e recorrentes, que são notoriamente mais difíceis de erradicar

(Figura 9) (DOUGLAS, 2003; SIMÕES; SIMÕES; VIEIRA, 2010). Dependendo do dispositivo e seu tempo de permanência no paciente, os biofilmes podem ser formados por uma única ou ainda por várias espécies de micro-organismos (DONLAN, 2001; KOKARE et al., 2009). Estes biofilmes em dispositivos médicos podem ser colonizados tanto por leveduras como por bactérias, ou ainda pela associação entre elas (DONLAN, 2001). Assim, devido à dificuldade no tratamento de infecções associadas aos biofilmes, estes representam altas taxas de mortalidade (GUALTIERI et al., 2006; QUAVE et al., 2008).

São inúmeras as infecções crônicas humanas que envolvem biofilmes. Segundo Mah e O´toole (2001) estima-se que os biofilmes estejam associados a 65% das infecções nosocomiais e crônicas, e que o tratamento destas infecções ultrapasse o custo anual de um bilhão de dólares. The National Institutes of Health (NIH) sugere que 80% das doenças infecciosas sejam causadas por biofilmes (WIDGEROW, 2008). De acordo com Wolcott e colaboradores (2010), o número de infecções por biofilmes nos Estados Unidos da América (EUA) é semelhante à taxa de mortalidade pelo câncer, onde, por ano, cerca de 14 milhões de infecções são causadas por biofilmes, resultando em mais de 350.000 mortes.

Figura 9 – Esquema demostrando três possíveis locais de formação de biofilmes causadores de infecções: cateteres, implantes médicos e doença periodontal (HALL- STOODLEY; COSTERTON; STOODLEY, 2004).

A formação de biofilmes por micro-organismos patogênicos, tais como C. albicans, C. glabrata, C. tropicalis, E. coli, Klebsiella oxytoca, P. aeruginosa, S. aureus e S. epidermidis, acarreta graves implicações clínicas, uma vez que os micro- organismos organizados em biofilmes apresentam, de um modo geral, maior resistência aos antibióticos e proteção contra o sistema de defesa do hospedeiro.

Algumas espécies de Candida, como C. albicans, C. tropicalis e C. glabrata, estão frequentemente associadas a infecções hospitalares e especialmente em pacientes imunocomprometidos (CHAFFIN et al., 1998). Candida albicans é a principal levedura patogênica encontrada em seres humanos, sendo responsável por infecções nos tecidos, mucosas profundas, pele, cavidade oral, trato gastrointestinal, sistema vascular dos seres humanos e associada a infecções vaginais (CALDERONE; FONZI, 2001; SOBEL, 2006). Candida tropicalis também está associada a infecções, sendo a principal causa de infecções no trato urinário e corrente sanguínea, especialmente em pacientes hospitalizados (NEGRI et al., 2010). É considerada uma espécie altamente virulenta e uma importante causa de infecções em pacientes com câncer, especialmente leucemia (PFALLER; PAPPAS; WINGARD, 2006; SOBEL 2006; NEGRI et al., 2010). Alguns estudos consideravam Candida glabrata como uma espécie saprófita, presente na flora normal de pessoas saudáveis, não apresentando patogenicidade e não sendo associada a sérias infecções como é o caso de C. albicans e C. tropicalis. No entanto, segundo Da Silva e colaboradores (2011) esta espécie pode ser a causa de infecções que se disseminam rapidamente por todo o corpo dos pacientes acometidos por esta espécie. As infecções causadas por esta levedura estão associadas a uma alta taxa de mortalidade (DA SILVA et al., 2011).

Com relação às bactérias, E. coli normalmente coloniza o trato gastrointestinal dos seres humanos, compondo a microbiota normal do local, estabelecendo uma relação mutuamente benéfica com o hospedeiro, no entanto, existem algumas estirpes virulentas e capazes de causar doenças graves (NASCIMENTO; STAMFORD, 2000). Segundo Johnson (1991) algumas estirpes de E. coli estão diretamente envolvidas em infecções do trato gastrintestinal e urinário de humanos. Outras bactérias clinicamente importantes são as pertencentes ao gênero Klebsiella. Infecções por Klebsiella são, essencialmente, associadas a unidades de terapia intensiva (UTIs). Klebsiella oxytoca é considerada um patógeno oportunista, sendo a causa frequente de doenças graves, tais como infecções do trato urinário e pneumonias. (PODSCHUN; ULLMANN, 1998; SARDAN et al., 2004).

Pseudomonas aeruginosa destaca-se por ser um micro-organismo altamente adaptável, o qual pode crescer em uma ampla gama de substratos, além de alterar suas propriedades em resposta a mudanças no ambiente onde encontra-se inserida (LAMBERT, 2002). Dados do Sistema de Vigilância de Infecções Nosocomias mostram que, de 1992 a 1997, P. aeruginosa foi responsável por 21% das pneumonias, 10% das infecções do trato gênito-urinário, 3% das infecções generalizadas e 13% das infecções nos olhos, ouvidos, nariz e garganta de pacientes internados em UTIs nos EUA (LISTER; WOLTER; HANSON, 2009). Essa bactéria encontra-se envolvida no desenvolvimento de biofilme em infecções crônicas nos pulmões de pacientes que sofrem de fibrose cística (BJARNSHOLT et al., 2009). Devido à associação desta bactéria na forma de biofilme, a fibrose cística se torna uma infecção crônica, sem cura e eventualmente resulta na morte dos pacientes (KOCH; HOIBY, 1993).

Staphylococcus aureus é o principal agente etiológico de numerosas infecções da pele e tecidos moles, também sendo considerado como um dos principais patógenos causador de infecções nosocomiais, que normalmente estão associadas à alta taxa de mortalidade (SAGINUR; SUTH, 2008). É uma espécie resistente a meticilina (MRSA), que apresenta uma ameaça significativa para a saúde pública (AKIYAMA et al., 2000; GADEPALLI et al., 2009). Staphylococcus epidermidis é uma bactéria comensal da pele e um agente patogénico oportunista, sendo frequentemente isolada a partir de dispositivos médicos infectados por micro-organismos, tais como cateteres (GOTZ, 2002; MACKINTOSH et al., 2006). A disseminação dessa bactéria a partir de biofilmes formados em cateteres apresenta a fonte mais comum de infecções graves, como sepses (ROGERS; FEY; RUPP, 2009). Especialmente em neonatos, infecções generalizadas causadas por S. epidermidis são uma causa comum de morte hospitalar, principalmente em crianças de baixo peso (STOLL et al., 2002; WANG et al., 2011).