5. VALG AV METODE OG DESIGN
5.3 G JENNOMFØRING AV STUDIEN
5.3.1 Svarprosent
Optamos pelas atividades interpretativas da etnografia em sala de aula para melhor descrevermos os acontecimentos escolares e também pela sensibilidade em analisar os significados de nossas ações em sociedade.
A pesquisa etnográfica que será utilizada neste trabalho tem por finalidade observar a natureza da sala de aula como um ambiente social, favorável à construção do conhecimento daqueles envolvidos na instituição.
A construção do conhecimento entre as crianças nas escolas observadas se beneficia da etnografia em sala de aula para compreendermos os acontecimentos e suas significações. Seguindo a metodologia interpretativa iremos explicar a construção do saber das crianças envolvidas em seu cotidiano nas duas instituições escolares investigadas.
Enfim, a escola é o espaço provedor de subsídios para compreender o mundo
das crianças e seu desenvolvimento cognitivo. Como conferem Kleiman e Matêncio (2005.p.07), “A sala de aula é um lugar de mudança em que as práticas discursivas,
sociais e de letramento ocorrem com o objetivo de ensino e de aprendizagem.” Mas, acima de tudo o ambiente ideal para encontrarmos as respostas às indagações acerca da construção do conhecimento.
4.2. OS SUJEITOS PARTICIPANTES DA PESQUISA
O primeiro contato com as professoras foi feito pessoalmente momento em que nos apresentamos e expusemos em conversa informal o projeto de pesquisa. Preferimos detalhar o nosso objeto de estudo para que não se sentissem observadas e confrontadas e deixamos as professoras sempre muito à vontade. Tais palavras permitiram nossa presença dando-nos a oportunidade de conseguir as gravações a partir da qual orientamos nossa análise como foi feito no decorrer da pesquisa.
As professoras responsáveis pelas crianças do 1º ano fundamental encontravam- se numa faixa de 40 a 45 anos e atuavam há muito tempo na educação de crianças. Em nossa percepção as três apresentam uma formação profissional bem semelhante. Vale salientar que cada escola apresentava apenas uma professora do 1º ano. Em nosso caso tivemos três professoras por que a professora P1 afastou-se por motivos de ordem
familiar e foi substituída em 2009 por outra efetiva. A partir de então serão denominadas de P1, a professora referente a escola da rede municipal em 2008, P2 da mesma escola da rede municipal em 2009, e P3 referente a escola da rede estadual em 2009 . Todas exercem a profissão em apenas uma escola em um único expediente. Segundo as mesmas, no turno da tarde se ocupavam das tarefas do lar e na preparação de aulas. Não havia conhecimento ou interação entre as professoras da rede estadual e a municipal.
P1 trabalha na escola há 20 anos e P2 já atua há 28 anos. As professoras P1 e P2 fazem parte do grupo efetivo da escola, mas não fizeram concurso, pois na época da efetivação não era necessário. P3 é contratada e a mais jovem do grupo.
As crianças, segundo informações das mesmas, confirmadas pelas professoras tem 6 ou 7 anos de idade e moram na redondeza.
4.3. CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS ADOTADAS
Uma vez explicitado a fundamentação teórica que alicerça nossa investigação ao longo da primeira parte do trabalho, apresentaremos de uma maneira sistemática a nossa metodologia a ser aplicada nas análises sem perder de vista nosso questionamento principal:
a) Como as crianças em processo de alfabetização desenvolvem a construção do conhecimento em sala de aula?
b) Na aula de alfabetização quais as atividades interacionais mais frequentes que lidam com o desenvolvimento das capacidades cognitivas?
Para responder a essas perguntas partimos da pesquisa etnográfica reconhecida por diferentes denominações, entre eles: método qualitativo, participativo, observacional, simbólico, interacional, construtivista e interpretativo. Os dados referentes à nossa pesquisa são etnográficos, fundamentados em constatar o que ocorre em sala de aula, os dramas, o cotidiano de seus participantes e a negociação de seus significados. Essa investigação envolveu anotações em um diário com o cuidado de revelar dados do ambiente pesquisado. A observadora teve o papel de fazer uma coleta
de dados voltada à realidade do ensino nas duas escolas públicas e manter alguns contatos com as professoras.
Parafraseando Erickson (1986, p. 82 e 83) existem algumas questões bastante pertinentes que irão orientar o pesquisador na análise dos dados coletados. Tais questões nos conduziram a um trabalho mais elucidativo e colaboraram a direcionar a pesquisadora na identificação dos contextos e na análise dos dados.
Achamos por bem mencioná-las:
1) O que está ocorrendo no contexto social em particular?
Nesta primeira questão a pesquisadora tentou observar o que acontecia de forma específica no contexto local situado, a disposição das crianças, da direção, das professoras envolvidas e quais as condições de trabalho e aprendizagem oferecidas.
2) O que tais ações significam para aqueles envolvidos no momento em que as ações ocorrem?
Toda ação exerce uma reação, fato visto e comprovado, pois de acordo com o comportamento das professoras e do andamento das aulas às vezes produtivas, outras não, as crianças apresentaram reações de motivação, curiosidade, ou desinteresse.
3) O que te motivou a fazer tal escolha?
A pesquisa pode oferecer informações elucidativas ao professor a respeito do seu ambiente de trabalho e de sua função na sociedade.
4) Como os acontecimentos são organizados em padrões de organização social, ou seja, como as pessoas são apresentadas umas as outras?
O que pudemos presenciar no trabalho de campo nos mostrou que não há uma organização, apresentação, ou seja, uma preparação de como as crianças devem se comportar em sala e o que acontecerá com suas vidas a partir daquele primeiro momento em uma escola. As crianças não foram apresentadas umas as outras e nem ao mundo escolar.
5) Como as formas da vida diária em tal contexto são organizadas se comparado com outros modos de organização social num espectro maior?
A sociedade moderna é letrada e enquanto vivemos nela temos acesso a cultura da escrita. Querendo ou não estamos inseridos em um mundo letrado, a vida diária das crianças está organizada dentro deste mundo cultural mas aparentemente alguns pais e filhos não se deram conta do fato.
Consideramos tais perguntas pertinentes para nossa pesquisa uma vez que colaboraram no direcionamento a ser tomado. De fato, essas perguntas nos ajudaram a percorrer e compreender o ambiente de sala de aula de forma mais microscópica aos detalhes que fogem aos olhos e evitou uma má condução de interpretações.
Contamos com uma participação efetiva, como observador-participante, respeitado no ambiente e na equipe de trabalho, interagindo com professoras, alunos, funcionários e direção a fim de criar um clima de confiança, amizade e alegria e consequentemente adquirir com maior transparência a real situação do ensino.
O nosso contato com este campo de trabalho deu-se devido a trabalhos anteriores já realizados em curso de capacitação docente. Explicamos à direção nossa presença e o interesse na natureza da sala de aula pela intenção de fazer uma pesquisa que forneça subsídios à construção do conhecimento no primeiro ano do ensino fundamental. Entendemos que o sucesso da pesquisa beneficiará a escola, alunos e professores.
Acreditamos que no nosso caso, a pesquisa etnográfica seja o caminho coerente por apresentar características adequadas a esse trabalho, pois estuda aspectos de grande relevância para a construção do conhecimento e da experiência humana, alicerçada na interação entre os seres humanos como fonte de informação necessária. Para melhor atuarmos em nossa discussão, consoante Erickson (1986, p. 81) optamos em nossa pesquisa seguir algumas das considerações etnográficas a seguir:
1- Procuramos apresentar uma participação assídua e ativa nos dois ambientes investigados. Nosso contato com as escolas foi intenso e em momentos diferentes. Nossa pesquisa foi desenvolvida no segundo semestre de 2008 e no ano de 2009, em turmas de primeiro ano do ensino fundamental, em uma escola pública estadual e outra municipal. O contato com a escola estadual deu-se devido a um trabalho anterior realizado no qual permaneceu o vinculo, quanto à escola municipal não houve um contato anterior. A coleta de dados entre 2008 e 2009 refere-se a investigação de uma realidade de ensino alfabetizador, na qual buscamos analisar o processo de aquisição da
escrita entre as crianças dessas duas redes de ensino diferentes. A participação da pesquisadora deu-se de forma frequente com gravações das aulas pertinentes ao assunto e alguns contatos com as professoras envolvidas. 2- Apresentar documentação cuidadosa dos acontecimentos seja através de
nossas anotações de campo e coleta de dados. Utilizamos um caderno para anotar o que ocorria no campo de trabalho tentando registrar evidências e possíveis questões, dúvidas a serem resolvidas. Este diário contém informações importantes das rotinas de sala de aula para ajudar na compreensão dos fatos cotidianos. Essas gravações foram armazenadas, ouvidas, selecionadas e estudadas dentro do que nos propomos a fazer.
Nossa pesquisa voltada para uma abordagem sociocognitiva está dividida em duas atividades que sejam:
1) Atividades sociointerativas Î processos de sociabilização descritos: a) Aprendizagem ( letramento)
b) Atenção conjunta Î voltados para a construção do conhecimento nas cenas de ação e atenção conjuntas.
2) Atividades sociocognitivas Î processos cognitivos descritos:
a) Base do conhecimento prévio (categorização e conceptualização)
b) Inferências Î voltados para a construção do conhecimento em cenas de ação e atenção conjuntas.
Os aspectos acima nos permitirão traçar um caminho na análise dos fenômenos destacados em nosso corpus.
A criança vai à escola para se socializar e aprender entre outras coisas conceitos curriculares elaborados e que fazem parte da cultura. Desta forma, constrói-se sobre algo existente baseado nos conceitos atribuídos dentro do sentido. A aquisição da escrita pelas crianças é vista como um dos processos que a encaminhará à construção do saber, um saber compartilhado na qual estão envolvidos entre eles a atenção conjunta, a categorização e a conceptualização. Na atenção conjunta, a presença do professor e sua
atitude na forma de chamar a atenção e atrair o aluno para o contexto é de relevância para garantir o progresso do ensino. A categorização é vista como ferramenta essencial na organização de uma aula uma vez que através dela os assuntos são observáveis e encontrados na cultura local.
A abordagem sóciocognitiva permite-nos observar a inferência e o conhecimento prévio como elementos culturalmente aprendidos no sentido de reorientar e favorecer o aprendizado de um conteúdo seja no cotidiano ou no ambiente escolar, levando em conta os sujeitos falantes para justificar e compreender suas operações mentais.
No entanto, nossas categorias de análise precisam ser particularizadas através da conceptualização ou da categorização uma vez que os novos saberes são estruturados com a colaboração deles. A criança vai à escola para aprender entre outras coisas conceitos curriculares elaborados e que fazem parte da cultura. Desta forma, constrói-se sobre algo existente baseado nos conceitos atribuídos dentro do sentido.
Consideramos a categorização como elemento importante por ser visto em nosso estudo como uma forma de nos referirmos ao mundo e de permitir que organizemos as nossas experiências dentro do contexto sócio-cultural em que estamos inseridos. Visto nesta perspectiva, a ação categorial bem como a conceptualização é uma realidade evidente e exercida pelas crianças diariamente em sua alfabetização e na relação com o novo mundo da escrita.
Uma vez que nossa pesquisa trata da construção do conhecimento, as teorias e as categorias analíticas depreendidas na discussão teórica (conhecimento prévio e inferência) mostrarão sua importância por irem de encontro ao tema na qual também contribuirão com evidências a serem estudadas nos fragmentos coletados, o que facilita assim uma compreensão e melhor organização do nosso corpus.
A nossa hipótese de que a instituição escolar não tem estimulado as operações cognitivas de forma adequada a fim de favorecer a aquisição da escrita e opta por um caráter mais informativo e metódico merecerá atenção em nossa análise. Uma vez que teremos contato com alunos e professores diariamente nos propomos a investigar essa relação através das observações de campo.
Dito isto, nos preocuparemos no próximo capítulo em fazer uma análise de algumas aulas pertinentes com a nossa temática a fim de buscarmos explicações para as atividades cotidianas que envolvam a natureza da escrita tomando por base o suporte teórico previamente definido entre eles os pressupostos de atenção conjunta, categorização e conceptualização.