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A cobertura vegetal é considerada um dos mais importantes fatores de proteção do solo contra a ação hídrica, por constituir a proteção natural do solo contraa erosão. De um modo geral, quanto mais protegida pela cobertura vegetal estiver a superfície do solo contra a ação da chuva, menor será sua suscetibilidade à erosão. Comentando o papel que a cobertura vegetal exerce na proteção dos solos, Pruski (2000) destaca o aumento da capacidade de água interceptada, o amortecimento da energia de impacto das gotas de chuva, a redução da destruição dos agregados responsáveis pela obstrução dos poros e selamento superficial do solo e a redução da velocidade do escoamento superficial em virtude do aumento da rugosidade hidráulica.

Na Equação Universal das Perdas de Solo (USLE), o fator C quantiica o efeito combinado de cobertura e manejo do solo, sendo deinido como a relação esperada entre as perdas de solo em um ter- reno cultivado em determinadas condições de cobertura e as perdas correspondentes de um terreno mantido continuamente descoberto.

Associado ao fator C, deve-se considerar também o fator P (Práticas Conservacionistas), outro componente da USLE diretamente relacio- nado ao manejo da cobertura vegetal em um determinado tipo de solo. O fator P, por sua vez, expressa a relação entre as perdas de solo em um terreno cultivado sob determinada prática conservacionista (terracea- mento, cobertura morta, plantio direto etc) e as perdas de solo quando o plantio é feito sem nenhuma técnica de conservação (BERTONI; LOMBARDI NETO, 1990; PRUSKI, 2000).

Para Pruski (2000), como o fator C, o fator P inluencia a inter- ceptação das chuvas, a resistência ao escoamento supericial, a inil- tração da água no solo, o armazenamento supericial e o comprimento e direcionamento do escoamento supericial.

Especiicamente na relação entre cobertura vegetal e solos, Stocking (1994) considera que os principais processos interativos dos solos com a vegetação que afetam a erosão incluem a ligação física do solo com o caule das plantas e as raízes, as ligações químicas de substâncias eletroquímicas e nutrientes entre as raízes e o solo, a in- terrupção do escoamento pelos caules e matéria orgânica, o aumento da iniltração ao longo dos canais das raízes e a maior incorporação de matéria orgânica dentro do solo, que resulta em melhor estrutura e qualidade de conservação da água e no aumento da atividade biológica, levando à melhoria da estrutura do solo.

Na USLE, o fator C é considerado e contabilizado com origem nas taxas médias de perda de solo (SLR) em uma dada condição num determinado período. A determinação das taxas de perdas de solos é feita empregando-se a equação a seguir descrita.

SLR = PLU x CC x SC x SR x SM onde: SLR é a taxa de perda de solo para dadas condições;

PLU é o subfator de uso anterior da terra; CC é o subfator cobertura da copa;

SC é o subfator de cobertura da superfície; SR é o subfator rugosidade da superfície; SM é o subfator umidade do solo.

Segundo (YODER, et al., 1997 apud AQUINO, 2002), o sub- fator PLU expressa os efeitos residuais das culturas anteriormente desenvolvidas na erosão dos solos; o subfator CC representa a ei- cácia da copa das plantas na redução da energia da precipitação que atinge o solo; o subfator SC corresponde à cobertura supericial re- presentada pelos resíduos de outras culturas, aloramentos rochosos e outros materiais não erodíveis que estejam recobrindo a superfície, atuando na diminuição do escoamento e permitindo a deposição de material; a rugosidade ou aspereza do terreno é contabilizada no sub- fator SR, tendo no seu aumento a redução da velocidade do escoa- mento; e, inalmente, o subfator SM corresponde à umidade preexis- tente no solo de modo que, quanto mais úmido o solo menor será a capacidade de absorção, intensiicando o volume de água disponível para o escoamento supericial.

Neste estudo, a exemplo de Aquino (2002), dada a inexistência de dados básicos e a impossibilidade de gerá-los, optou-se por trabalhar apenas como subfator CC, que corresponde estritamente à proteção que a vegetação oferece na redução da energia da precipitação.

Para o fator CC, Crepani et al. (2000), no roteiro metodológico proposto para o Zoneamento Ecológico e Econômico do Brasil, indi- caram os níveis de proteção do solo contra a erosão pelos diferentes tipos de cobertura encontrados nos estudos de Radambrasil, relatados para o município de Irauçuba em (BRASIL, 1981). Nessa proposta metodológica, Crepani et al. (2000) consideraram a densidade da co- bertura vegetal como o parâmetro a ser deinido, por ser este o fator de proteção do solo contra os processos morfogenéticos que corres- pondem aos níveis de proteção contra a erosão. Esses autores atribu- íram valores para os níveis de proteção do solo pela vegetação, numa escala que varia de próximo a 1,0 para as altas densidades de cober- tura, 2,0 para as densidades intermediárias e 3,0 para as baixas densi- dades de cobertura vegetal.

Assim, para os tipos de vegetação descritos no Brasil (1981) para o município de Irauçuba (Tabela 6, Figura 6), foram considerados ní- veis de proteção aos quais foram atribuídos pesos, conforme consta na Tabela 5 e na Figura 6.

Tabela 6 – Tipos de vegetação no município de Irauçuba, níveis de proteção por eles oferecidos e pesos atribuídos

Fonte: (BRASIL, 1981).

Os resultados referentes aos níveis de proteção da cobertura ve- getal, apresentados na Figura 6, indicam que 91,1%, 8,16% e 0,68% da área do município de Irauçuba têm, respectivamente, proteção média, baixa e alta da cobertura vegetal contra a erosão.

Figura 6 – Tipos de cobertura vegetal do município de Irauçuba Fonte: (BRASIL, 1981).

Categoria* Descrição Nível de Proteção** Pesos**

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