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3. Metode

3.3 Kvalitativ studie

3.3.5 Svakheter ved intervju som metode

Pode-se argumentar que a perspectiva da retomada de subsídios à mão-de-obra era a de se obter trabalhadores para atividades agrícolas, mantendo, portanto a estratégia agrarista desse empreendimento. Nesse momento, contudo, como procuramos indicar anteriormente, a agricultura passava por um processo de reestruturação, isto é, estava deixando de ser a atividade principal da geração da renda interna, começando a se constituir como elemento fundamental para a garantia de importações de bens de capital e intermediários e também para a garantia de abastecimento das indústrias e dos trabalhadores urbanos, atividades essas ligadas efetivamente com a problemática da acumulação do capital industrial210.

Tal situação pode ser evidenciada pelos quadros e afirmações abaixo, pois demonstram o maior dinamismo da produção industrial frente à agricultura e o crescimento da produção agrícola voltada ao abastecimento interno:

QUADRO 5

TAXAS MÉDIAS DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA 1920-1945 1920-29 (%) 1929-33 (%) 1933-39 (%) 1940/45 (%) A - Setores Produtivos a – Produção Agrícola 4,1 2,4 2,0 1,7 a1 – Agricultura de Exportação 7,5 3,1 1,2 b – Produção Industrial 2,8 1,3 11,2 5,4 c - Produto Físico 4,4 1,4 5,0 3,2

B – Composição do Produto Físico 100 100 100

Agricultura 79 57 55

Indústria 21 43 45

Fonte: SUZIGAN, Wilson; VILELA, Aníbal V. Política do governo e crescimento da economia brasileira (1889 – 1945). Rio de Janeiro: IPEA/INPES, p. 180.e GRAHAM, Douglas H.; HOLLANDA FILHO, Sérgio Buarque de. Migrações internas no Brasil (1872-1970). São Paulo, SP: Instituto de Pesquisas Econômicas; [Brasília]: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 1984, p. 57

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QUADRO 6

VALOR DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA – PRINCIPAIS CULTURAS

Produtos Percentagem Média dos Períodos

1925/29 1932/36 1939/43

Algodão (em caroço) 5,9 14,0 21,6

Arroz 5,2 6,7 11,0 Cacau 1,4 1,8 2,2 Café 48,0 29,5 16,1 Cana-de-açúcar 3,5 5,7 7,5 Feijão 5,4 3,8 5,5 Fumo 2,8 2,6 2,2 Mandioca 4,7 6,8 7,0 Milho 16,3 15,9 16,0 Trigo 0,9 0,8 1,3 Outros 5,8 12,4 9,6 Total 100,0 100,0 100,0

Fonte: SUZIGAN, Wilson; VILELA, Aníbal V. Política do governo e crescimento da economia brasileira (1889 – 1945). Rio de Janeiro: IPEA/INPES, p. 189.

“Nos anos 1933-1939, i. e., no período pós-depressão até a II Guerra Mundial, a renda per capita do país manteve-se praticamente estagnada, ao nível de 1928[...]. Se a produção industrial não tivesse substituído a agricultura de exportação como o setor dinâmico da economia teria havido queda da renda per capita ao invés de apenas estagnação. [...] Nota-se, pois que no final da década dos 30, apesar de

agricultura ainda representar cerca de 57% do produto físico, o setor industrial ganhara bastante importância” 211.

“O surgimento do algodão como o segundo principal produto de exportação reduziu os efeitos da crise cafeeira sobre o comércio exterior.[...]Nesse período (também) ocorreu um aumento extraordinário na importância relativa das culturas para o mercado interno (arroz, feijão, cana-de-açúcar, mandioca, milho, trigo, etc.) que passaram a representar 58% do valor das lavouras”212.

Por outro lado, é notório que atração de trabalhadores agrícolas de outros estados nacionais, principalmente do Nordeste e de Minas Gerais, vinha ao encontro da necessidade de resolver o problema das migrações intra-estaduais que se ampliava bastante nesse momento. Muitos dos trabalhadores agrícolas do interior do Estado de São Paulo, principalmente de suas regiões Nordeste e Central (a antiga região cafeeira: eixo Campinas- Ribeirão Preto- Araraquara) estavam sendo atraídos pelo acelerado crescimento industrial da capital paulista e do seu entorno213. Outro aspecto importante é que a abertura da frente pioneira do Norte do Paraná também atraiu uma boa quantidade de trabalhadores rurais, principalmente, dessas mesmas regiões. Devemos acrescentar ainda, nesse sentido, que o “boom” algodoeiro ocorrido no interior paulista intensificou a necessidade de força de trabalho.

Há que se considerar, ainda, que se o encaminhamento tomado pela agricultura, notadamente a paulista, foi o da diversificação da produção, objetivando a manutenção da capacidade de importação, o abastecimento de matérias-primas para as indústrias em crescimento e da população urbana de gêneros de primeira necessidade, o preço das mercadorias agrícolas, cuja produção se expandia, foi mantido em bases reduzidas graças, entre outros fatores, à continua oferta de mão-de-obra. Como afirma Richard Dulley:

“ nesse período (de 1930 ao fim da II Guerra Mundial) o referencial de preços dos produtos agrícolas ao agricultor era dado pelo mercado, exceto nos casos do café e da cana-de-açúcar. Para compensar as flutuações desses preços. Os agricultores desfrutavam de uma série de condições favoráveis: a possibilidade de redução de custos operacionais, seja pela manutenção do relativo baixo nível dos salários, devido à facilidade existentes para o constante crescimento da oferta de mão-de- obra, seja pela não obrigatoriedade de pagamento em dinheiro dos salários, via

211 SUZIGAN, Wilson; VILELA, Aníbal V. Política do governo e crescimento da economia brasileira (1889

- 1945). Rio de Janeiro: IPEA/INPES, p. 180. Vemos nos dados acima que a participação da indústria na economia mais que dobrou no período. A importância setorial da indústria continuaria a aumentar em virtude do seu crescimento muito mais acelerado em comparação com a agricultura.

212 Fonte: SUZIGAN, Wilson; VILELA, Aníbal V. op. cit., p. 189-190. Todos esses produtos, embora com redução no ínicio dos anos de 1930 tiveram, com exceção do milho e do feijão, crescimento de sua produção na agricultura paulista. Conf. NEGRI, Barjas. op. cit., p. 74

todas as formas de meação ou cessão de terras para o plantio, ou plantio intercalar de culturas anuais de alimentação, nas culturas permanentes em formação”214. Talvez mais importante que tudo isso seja o fato de que não há garantias de que esses trabalhadores atraídos, inicialmente, para o trabalho agrícola tenham permanecido no meio rural. Aliás, é bem plausível que isso não tenha ocorrido. É possível que a experiência de atração de trabalhadores nacionais tenha reproduzido o que ocorreu com os estrangeiros na virada dos séculos XIX e XX, quando muitos trabalhadores após um estágio inicial em fazendas do interior passaram, na seqüência, a dirigir-se aos centros urbanos.

Neste sentido, o trabalho de Odair da Cruz Paiva nos é bastante revelador, pois ele demonstra que a documentação é omissa em relação aos migrantes nacionais após a sua chegada em São Paulo. Demonstra, ainda, por uma série de entrevistas realizadas com alguns migrantes que se empregaram na indústria Nitroquímica, localizada em São Miguel Paulista, que boa parte dele conheceu a trajetória de primeiro se empregar em fazendas do interior para depois se fixar em atividades industriais em São Paulo. Aliás, afirma, por meio da analise da dinâmica populacional do Estado, que havia uma grande instabilidade na fixação do migrante no interior paulista, o que se refletiu numa importante mobilidade da mão-de-obra e que o seu destino, em boa parte, foram as regiões mais industrializadas do Estado, concluindo que a dinâmica migratória do período não deve ser considerada apenas na vertente rural-rural, mas, também, no sentido rural-urbano:

“Percebemos que algumas regiões cuja evolução percentual [da população] foi bastante significativa – à exceção de Bauru e Araçatuba – foram aquelas mais próximas à Capital, como a Grande São Paulo, Santos e Campinas; regiões que tradicionalmente concentram boa parte do processo de industrialização no Estado. A questão da mobilidade da mão-de-obra migrante inserida no campo vem reforçar nosso argumento sobre a dinâmica do processo migratório que, em nosso ponto de vista, tinha dois aspectos interrelacionados: num primeiro momento ele porta uma dinâmica rural-rural e em seguida, na saturação ou na inviabilidade da continuidade no campo, estes trabalhadores migram para a cidade”215.

Outro elemento, a ser considerado nessa mesma direção, é ao aumento populacional significativo da Cidade de São Paulo, que passou de 570.000 habitantes em 1920, para 887.000 em 1930, 1.347.000 em 1940 e 2.227.560 em 1950. E na própria cidade de São Paulo é bastante significativo observar que o crescimento populacional explosivo de bairros e distritos até hoje identificados como local de estabelecimentos de migrantes, tais como São Miguel Paulista, Guaianases, Santo Amaro, Tucuruvi, Freguesia do Ó, Casa Verde. A

214 DULLEY, Richard Domingues. op. cit. P. 79

população dessas áreas cresceu entre 150% e 450% no período situado entre 1940 e 1950, sendo que os crescimentos mais expressivos, ocorreram em São Miguel Paulista, à época um distrito do Município de São Paulo, e na Casa Verde.

Assim, podemos concluir que boa parte da população migrante, embora tenha adentrado ao Estado para o trabalho agrícola, deslocou-se em seqüência para os centros urbanos, principalmente São Paulo, engrossando o contingente de trabalhadores urbanos. Sabemos, também, que a maior oferta de trabalhadores no mercado de trabalho urbano é um fator decisivo para a diminuição da taxa de salários pagos na indústria, o que contribui decisivamente para acelerar o seu processo de acumulação.

Portanto mesmo que, em princípio, a estratégia migrantista, baseada na retomada dos subsídios à vinda de mão-de-obra estivesse aparentemente voltada ao atendimento da agricultura, ela acabou por favorecer o processo de desenvolvimento industrial que tinha o mercado interno brasileiro como seu mercado cativo e como seu elemento dinâmico. Em reforço a isso podemos utilizar a afirmação:

“A efetivação da política migratória abriu-nos um amplo espectro de questões. [...] Também auxiliou na montagem de um processo de modernização conservadora, no qual a emergência do modelo de substituição de importações, como alternativa mais eficaz para a reprodução do capital no país, necessitou da arquitetura de uma complexa rede de relações políticas que adequassem antigos e novos interesses políticos e econômicos, como também mantivessem cativos ou sob controle a população trabalhadora no campo e na cidade.

O tema da industrialização surgiu com força no período, catalisando para a região centro-sul – particularmente São Paulo – a prerrogativa da modernização. Sua efetivação impulsionava novas necessidades, dentre elas a recomposição do perfil da mão-de-obra urbana” 216.

Seção 3 As políticas colonizadoras: a importância da fronteira econômica