Parameter 6 og 7: Nærhet til andre kulturmarker/omkringliggende
A- svært viktig- Høy vekt på minst 3 parametere i tabell 2, eller middels vekt på to parametere (deriblandt tilstand) og høy vekt på to andre parametere
Pode ousar dizer-se que as ideias inerentes à Aprendizagem Cooperativa já estão presentes no Antigo Testamento da Bíblia, na seguinte passagem
“É melhor serem dois do que um só, obterão mais rendimento no seu trabalho. Se um cair, o outro levanta-o. Mas ai do Homem que está só: se cair não há ninguém para o levantar! (…) Se um dominar outro que está sozinho, dois resistem-lhe: o cordel triplicado não se rompe facilmente” (Eclesiastes; 4, 9-12, cit. por Lopes e Silva, 2009).
De acordo com Lopes e Silva (2009), no Talmude que é uma obra de recompilação das interpretações mais autorizadas da lei de Moisés (realizadas desde o século III a. C. ao séc. V d.C.), “estabelece-se que para aprender se deve ter um companheiro que facilite a aprendizagem e que por sua vez facilite a aprendizagem do outro” (p. 7).
No primeiro século da nossa era, Marco Fábio Quintiliano, na sua eloquência de filósofo e professor reflexivo, entre outras chamadas de atenção, já alertava para a necessidade de se reconhecer as diferenças individuais das crianças e de se adoptar
95 diferentes formas de procedimento perante elas. De acordo com Jonhson, Jonhson e Smith (1998), Quintiliano defendia que os discípulos poderiam beneficiar-se se ensinassem uns aos outros, advogando que “Qui docet discet” (“Aquele que ensina
aprende”). Após deixar o ensino, Quintiliano redige a obra De Institutione Oratoria, de
doze volumes, que é uma verdadeiro tratado de educação intelectual e moral, no qual descreve os benefícios que advêm dos alunos se ensinarem reciprocamente.
Se em termos de evolução diacrónica, reportarmos a historicidade da Aprendizagem Cooperativa ao Renascimento, há indícios desta prática associados ao pedagogo Johann Amos Comenius (1592-1670), entre outros, que acreditava que os alunos se desenvolviam ao ensinarem-se uns aos outros. Para ele, os alunos beneficiam-se tanto
ensinando uns aos outros como sendo ensinados uns pelos outros (Jonhson et al., 2008).
Mais tarde, o pedagogo britânico Andrew Bell (1753-1832) publicou, no final do século XVIII, uma importante obra sobre o método “self-tuition” (auto-aprendizagem), de ensino mútuo no qual os alunos que sabiam mais ensinavam aos outros colegas. Este sistema tinha sido implementado com sucesso, por ele, num colégio de órfãos na Índia, com crianças que se mostravam renitentes em aprender (Gordon e Gordon, 1990). Convicto de que uma criança aprende melhor se for outra a ensiná-la, Joseph Lancaster (1778-1838), compatriota de Bell, completou o seu trabalho generalizando, em Inglaterra, o sistema de ensino mútuo. De acordo com Lopes e Silva (2009), esta forma de trabalhar “foi exportada para os Estado Unidos da América (EUA), quando em Nova York (…) se abriu uma escola lancasteriana e a Aprendizagem Cooperativa se instala, assim, na América com o Common School Movement” (p. 9).
Na mesma época, no final do Séc. XIX, eram difundidas ideias de importantes pedagogos como Joan Henrique Pestalozzi (1746-1827), Johann Friedrich Herbart
96 (1766-1841) e Friedrich Fröebel (1782-1852), os quais foram importantes para o desenvolvimento de pensamentos pedagógicos que vão ao encontro dos princípios que regem a Aprendizagem Cooperativa.
Por sua vez como superintendente das escolas públicas de Quincy, o coronel Francis Parker (1875-1880) proporcionou o uso de métodos de ensino cooperativo nas escolas que tinha a seu cargo. Para Parker, esta metodologia era uma forma de contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade democrática e verdadeiramente cooperativa (Lopes e Silva, 2009).
Dando continuidade ao trabalho iniciado por Parker, no início da década de 1900, John Dewey (1859-1952), numa acérrima crítica ao uso da competição na educação dos Estados Unidos da América, deu corpo à concepção de que a educação deveria ser perspectivada como um todo e que a sala de aula deveria ser tida como um laboratório da aprendizagem da vida real (Arends, 1995).
Deste modo, com a sua determinação, Dewey escreveu a obra Democracy and
education e conseguiu, através dos seus princípios, encorajar inúmeros professores a
estruturarem a escola como uma comunidade democrática. Assim, os docentes, seguidores desta metodologia, organizavam os alunos em pequenos grupos de resolução de problemas sociais e interpessoais relevantes, levando-os a “vivenciar” os princípios democráticos. Nessa época, esta metodologia teve um êxito enorme junto dos professores e não só, levando a que milhares de alunos, ao interagiam em cooperação com os colegas de grupo (na procura das respostas a esses problemas), interiorizassem e reforçassem princípios básicos da vida democrática.
Na década dos anos vinte, na Alemanha, surge a teoria da interdependência social que aborda a cooperação como resultante da interdependência positiva entre indivíduos. Um
97 dos que contribuíram para a construção dessa teoria foi o psicólogo judeu alemão Kurt
Lewin (1890-1947) que iniciou a sua carreira estudando pequenos grupos com o intuito de investigar as relações humanas. Para ele, a formação do grupo baseava-se nas ideias de: consenso nas relações interpessoais e sobre os meios de alcançá-los, resultando, assim, a solidariedade grupal que iria beneficiar todos os seus membros. A este respeito, segundo Johnson, Johnson e Smith (1998) Kurt Lewin defendeu que a essência de um grupo reside na interdepêndencia dos seus membros.
Com o início dos anos trinta, devido à grande crise sócio-económica vivida na época (com níveis de desemprego elevados, pobreza e falências), começou a acreditar-se que a competição interpessoal é necessária para o sucesso individual. Começaram, assim, durante três décadas, a destacar-se o individualismo e a competição nas escolas públicas dos EUA e por todo o mundo ocidental, como forma de salvação da crise instaurada. Contudo, “houve sempre vozes dissidentes que, apesar da situação em que se vivia, se fizeram ouvir” (Lopes e Silva, 2009, p. 10), surgindo estudos a favor da cooperação, entre os quais se destacam os de Morton Deutsch, discípulo de Lewin.
Num volte-face, aliado às preocupações da sociedade americana com os direitos civis e com as relações inter-raciais, nos anos sessenta, os pressupostos inerentes à Aprendizagem Cooperativa revigoraram-se. Nesse período, surgiram movimentos, nalgumas universidades dos EUA, que conduziram ao reaparecimento de uma metodologia suportada por um conjunto de técnicas que valorizavam qualidades sociais, designadamente “ser capaz de negociar”, “partilhar responsabilidades” e “comunicar”, entre outras.
Nessa década de sessenta, Herbert Thelen (1913-2008), seguidor de Dewey, “desenvolveu procedimentos específicos com a finalidade de fomentar o estudo de
98 problemas interpessoais e sociais importantes. Os seus estudos forneceram a base conceptual para os desenvolvimentistas contemporâneos da Aprendizagem Cooperativa” (Santos, 2005, p. 41).
Continuando esta perspectiva, nos anos setenta, a Aprendizagem Cooperativa, mais uma vez, beneficiou dos trabalhos de Morton Deutsch que inicialmente formulou uma teoria da interdependência social, nos anos quarenta, constatando que esta pode ser positiva - cooperação; negativa - competição; não existente - esforços individualistas (Johnson, Johnson e Smith, 1998). Esta situção levou ao aparecimento de
“uma teoria motivacional acerca da cooperação e da competição em
que, como foi referido anteriormente, eram (…) [descritos] três tipos de estruturas de ensino-aprendizagem: competitiva, individualista e cooperativa de acordo com a qual pretendia explicar as relações entre as estruturas de incentivos e a cooperação para a aprendizagem” (Deutsch 1949, cit. por Bessa e Fontaine, 2002:29).
Em resultado desses estudos, Morton Deutsch definiu a “ interdependência como a
essência do grupo, fazendo assim depender dela a interacção do grupo e os resultados do seu trabalho” (Cochito, 2004, p. 171). Concluiu, também, Deutsch ser evidente haver maior produtividade quando os alunos são membros de um grupo cooperativo do que quando são competitivos nas suas inter-relações (Freitas e Freitas, 2003; Cochito, 2004).
Embora haja registos de experiências com grupos cooperativos noutros países, nomeadamente Canadá, Inglaterra, Israel e Austrália, são os Estados Unidos da América o país que mais recentemente tem contribuído para a difusão desta metodologia em todo o mundo. Os principais responsáveis por essa divulgação são os irmãos David e Roger
99 Johnson, ambos discípulos de Deutsch. Contudo, temos outros grandes impulsionadores da Aprendizagem Cooperativa, que desenvolveram métodos reconhecidos mundialmente, tais como Robert Slavin (Universidade de Minnesota), Elliot Aronson (Universidade de Califórnia, Santa Cruz), Elizabeth Cohen (Universidade de Standford), Spencer Kagan (Universidade de Califórnia, Riverside), Noreen Weeb (Universidade de Califórnia, Los Angels), Robert Putnam (Universidade de Harvard) e a israelita Shlomo Sharon (Universidade de Telavive), entre outros. Dos citados, destaco que Spencer Kagan e a sua equipa desenvolveram um conjunto de materiais de apoio aos professores que querem implementar a Aprendizagem Cooperativa nas suas aulas. Esses materiais são de fácil aquisição através da internet.
Foram, então, a partir dos anos sessenta, desenvolvidas e aperfeiçoadas várias perspectivas teóricas e abordagens de aprendizagem no âmbito do Trabalho Cooperativo, como veremos no ponto que se segue.