5.1 G OALS , I NCENTIVE S TRUCTURES AND S USTAINABILITY
5.1.2 Sustainability of Electricity Sector Reform
Ao pensar em indicação geográfica é impossível não se lembrar da identidade do produto ou serviço que possui ou pretende garantir o reconhecimento pelo selo, uma vez que, a lugares com características peculiares são atribuídos o reconhecimento da origem que indicam reputação, qualidade e procedência e remete-se imediatamente no imaginário pessoal ao local de sua origem (BRUCH, 2008). Dessa forma, procuramos conhecer a percepção dos produtores da cachaça da região do Brejo sobre a importância do território e da identidade da cachaça e se eles repassam isso aos seus consumidores. Houve algumas opiniões diferentes, como veremos a seguir:
“A cachaça do Brejo... de Areia, ela tem um conceito maior, a gente percebe que da pra se explorar isso. A gente não tem como dizer que não, a gente usa disso. Quando você aborda um cliente e diz que é de
“A gente passa de uma forma assim... quando a gente conta a história, quando a gente diz que já tá lá, que tem aquela tradição da produção.
É uma forma de valorizar” (E3).
“Claro, claro. E muitos consumidores quando diz „é do Brejo, né?‟, então ele já tem essa coisa na cabeça deles, que o Brejo é um lugar
bom de produzir cachaça” (E5).
Tais afirmativas demonstram que as características citadas pelos produtores são essenciais no reconhecimento da indicação geográfica, uma vez que, de acordo com a Lei 9.279/96 que rege a propriedade industrial, em seu art. 176, indicação geográfica é a indicação de procedência ou a denominação de origem. No art. 177 considera-se indicação de procedência o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. E no art. 178 considera-se denominação de origem o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos (BRASIL, 1996). Já os produtores E4 e E6 possuem um posicionamento diferente, conforme opiniões:
“Do Brejo não, eu passo (a identidade) da minha cachaça” (E4).
“[...] se eu tiver passando isso eu vou tá sendo medíocre de tá dando informação errada. Valorizando um local... tem seus valores, mas não tem a diferença porque é feita no Brejo” (E6).
Como podemos observar, alguns produtores percebem que o reconhecimento do território e da cachaça produzida na região é de suma importância na divulgação e na valorização do produto. Já outros não concordam com a ideia de reconhecer o valor do território para a produção e transferir isso aos consumidores, preferem divulgar sua cachaça de forma individual, sem repassar a história, os valores e a identidade que a região tem.
Em oposição a esse ponto de vista de não exaltar a importância do território e da identidade da cachaça, foram desenvolvidas várias iniciativas de divulgação dessa cultura, como é o caso do roteiro Caminhos dos Engenhos, cruzando antigos casarões e engenhos de
cana-de-açúcar da microrregião do Brejo paraibano que abrem suas portas para acolher visitantes que queiram conhecer a produção de cachaça e rapadura artesanal, caminho trilhado pelos amantes da cachaça (VIAGEM LIVRE, 2014). Na Figura 8 mostramos a sinalização para a rota dos engenhos que participam do roteiro Caminhos dos Engenhos.
Figura 8: Caminhos dos Engenhos
Fonte: Brasil Rural (2015)
Outro evento que favorece a difusão da história e da cultura da cachaça é a Rota Cultural Caminhos do Frio, que acontece nas cidades do Brejo paraibano e atrai visitantes para participarem do turismo de experiência, permitindo presenciar o processo de produção, passeios pela área rural e degustação de cachaça (G1 PARAÍBA, 2014). O roteiro acontece entre os meses de julho e agosto e os visitantes podem participar de atividades como exposições de artesanato, apresentações de dança e de grupos folclóricos, shows de artistas nacionais e locais, oficinas culturais, feiras, passeios como trilhas e visitas aos engenhos locais (VESSONI, 2012). A proposta do evento é divulgar a cultura, a arte, as belezas naturais, o patrimônio histórico, artesanato e gastronomia da região (MARQUES, 2015). Entre tais características do Brejo paraibano, a cachaça tem destaque, o banner de divulgação do evento, representado na Figura 9, dá ênfase ao produto.
Figura 9: Rota Cultural Caminhos do Frio
Dentre as oito cidades que compõem o Brejo paraibano, apenas a cidade de Matinhas não faz parte do roteiro do Caminhos do Frio, como ilustrado no mapa representado na Figura 10. A rota é composta pelas cidades de Alagoa Nova, Alagoa Grande, Areia, Pilões Serraria, Bananeiras, Borborema e Solânea, a última não faz parte da região do Brejo, mas localiza-se próximo e possui clima e características peculiares a região.
Figura 10: Mapa da Rota Cultural Caminhos do Frio
Fonte: Paraíba Criativa (2015)
O desenvolvimento turístico da região fortalece cada vez mais a produção e aumenta a visibilidade da cachaça do Brejo. A cidade de Areia, famosa por compreender a grande maioria dos engenhos de cachaça e rapadura da microrregião do Brejo paraibano, realiza o Festival Brasileiro da Cachaça e da Rapadura, conhecido por Bregareia, tradicional festival de música brega, representado na Figura 11. O evento conta com atrações musicais, gincana da cachaça artesanal de alambique e show de calouros brega. Segundo a prefeitura, a cidade tem trinta engenhos em atividade, com sua economia voltada para a produção dos produtos derivados da cana-de-açúcar (PARAÍBA JÁ, 2014).
Figura 11: Bregareia
Fonte: Bregareia (201-?)
Também o Festival Sons e Sabores, exibido na Figura 12, é realizado no Brejo paraibano. O evento tem como proposta apresentar os potenciais turísticos e culturais da região (G1 PARAÍBA, 2015) e incrementar a cadeia produtiva, com shows musicais, oficinas
gastronômicas, apresentação de novos pratos. Dentre a gastronomia regional, diversas vezes são apresentados pratos que resgatam as raízes do Brejo, com ingredientes como a rapadura e a cachaça, que é o caso do pudim embriagado.
Figura 12: Festival Sons e Sabores
Fonte: MADEIRA (2013)
Iniciativas como essa auxiliam a difusão dos roteiros turísticos da região, preservam a identidade e a história do território e valorizam a produção local, com o fortalecimento da cultura regional. Demonstrando o potencial do Brejo e o reconhecimento por parte de órgãos como: Fórum de Turismo do Brejo, prefeituras, Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), e SEBRAE.
O selo indicação geográfica também é uma importante ferramenta de empoderamento e fortalecimento da identidade cultural, conferindo qualidade ao produto ou serviço, diretamente relacionado à sua característica e origem.