COPING WITH THE CHALLENGE OF CHANGE
5. Surgutneftegas: quiet conservative
Constatámos que todos os participantes do estudo deram uma definição do conceito de consentimento informado, referindo, que o mesmo é bastante importante pois ao transmitir informação, permite estabelecer uma relação de confiança, levando assim a uma maior colaboração das pessoas idosas: “quando não o pedimos isso estraga a relação de confiança que se poderia estabelecer com o doente. A pessoa deixa de ser simpática, pois o enfermeiro chega ali faz o que tem de fazer e vai-se embora” E5. Quanto ao pedido de consentimento informado alguns enfermeiros referiram que o pediam, no entanto nem sempre o procedimento era o mais correcto, pois: informavam à medida que executavam os cuidados; a privacidade era muito pouca (cortinas e falar mais baixo; pedir para famílias saírem da sala), em que poucas vezes se conseguia (ou levava) as pessoas para um compartimento mais resguardado; as pessoas implicadas seriam o doente, enfermeiro e família se o doente estivesse desorientado, ou assim quisesse; a linguagem é preferencialmente acessível e de acordo com conhecimentos da pessoa; doseiam a informação transmitida mas que por vezes se omitem informações; e a decisão das pessoas idosas muitas vezes não é respeitada. Outros enfermeiros referiram que normalmente não pedem o consentimento informado, pelas rotinas instaladas, pelo hábito, esquecimento e pela dependência e muitas vezes desorientação acrescida das pessoas, referindo ainda que têm menos respeito pelas decisões da pessoa idosa, questionando-a mais relativamente às mesmas, tentando fazê-las mudar de decisão, quando não concordam com a mesma; que muitas vezes se informa mais a família do que ao próprio doente; e que à maioria dos doentes não se pede consentimento, informa-se acerca do que se vai realizar.
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Quadro 7 – Autonomia da Pessoa Idosa Hospitalizada
Categoria Subcategoria Sub-subcategoria Consentimento informado nos cuidados de enfermagem à pessoa idosa hospitalizada Definição
Importância Maior colaboração; Informação; Confiança
Pedido
consentimento
Procedimento (maioria das vezes, vamos informando à medida que vou executando a actividade); Privacidade (é pouca, fechar cortinas, falar mais baixo, pedir outras famílias saírem, ir para um lugar resguardado); Pessoas implicadas (Doente e enfermeiro, família se doente for desorientado ou se assim preferir); Linguagem (acessível, peço que questionem, de acordo com conhecimentos pessoa); Informação (doseada de preferência); Decisão (tentamos respeitar, mas muitas vezes não é respeitada).
Não é Pedido consentimento
Motivo – Dependência, Desorientação, Rotina, Habito, Esquecimento. Decisões - Menos respeito pela decisão pessoa idosa, questionando-a; Estratégias para a convencer; Não são questionados; Não se aguarda uma resposta; questiona-se família em vez do doente; Informa-se não se pede consentimento informado.
Promoção da Autonomia da pessoa idosa hospitalizada nos cuidados de enfermagem Promoção da autonomia
Envolver a pessoa Idosa nas decisões relativas aos cuidados de enfermagem - Pequenas questões, Informar doente, Deixar pessoa decidir, Nem sempre – peco por defeito, vou tentando.
Todas as pessoas mesmo as dependentes fisicamente têm capacidade de decisão Motivo – Respeito; Confiança e segurança colabora mais; Valorização
Não Promoção da autonomia
Motivo - Imagem que temos do nosso trabalho; Perde-se mais tempo; Desorientados; Confronto ideias; Rotina; Não reflectir sobre isso;, Passividade doente/Não reacção resposta implícita que sim aceitam sem o dizerem
Factores que promovam autonomia
Profissionais – Conhecimentos adquiridos; Estabelecer relação empática; Avaliação do doente e estabelecer um plano de cuidados, ter menos doentes e mais tempo para os cuidados.
Pessoais - Estabelecer uma relação de ajuda com pessoa (empatia, escuta activa); Disponibilidade mental e psicológica; Persistência; Limpar estereótipos; Respeito pela individualidade e decisão da pessoa; Perseverança; Reflexão sobre estas questões.
Factores que dificultam promoção autonomia
Profissionais - Falta de tempo (timings diferentes); Rotinas; Mudança constante da vontade do doente; Doentes confusos e desorientados; Trabalho em equipa multidisciplinar; Falta de aprovação dos colegas; Desvalorização da enfermagem; Atitude dos profissionais; Prioridades tarefas do turno; Deficiente comunicação; Insatisfação; Carência enfermeiros.
Pessoais - Visão da pessoa – como idoso e incapaz; Aceitar a sua decisão; Ser autoritário; Valores e crenças diferentes da do profissional; Desmotivação; Cansaço; Excesso trabalho; Timidez; Dificuldade em criar proximidade; Ser negativa; Impaciência; Comodismo. Percepção que os Enfermeiros têm acerca da vontade de participação da pessoa idosa hospitalizada
Cuidados Sim - Doentes querem participar, Não lhes é dada oportunidade; Não - Saturados da sua situação doença
Decisões
Sim – Valorização, Interesse no seu processo de saúde/doença; Não - Um pouco ao nosso critério Imagem que têm dos profissionais Ou Imagem que eu tenho do que pensam, Não saberem, Mentalidade mais antiga Poder médico, Depressão, Negação revolta, Fim de vida.
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“São muito mais frequentes as vezes que não pergunto, e que nem me passou pela cabeça perguntar, eu vou admitir, ou eu não me lembro de ter perguntado muitas vezes se posso picar uma veia” E12; “Numa pessoa idosa questionamos mais o porquê de a pessoa idosa não querer, explicamos ao doente, à família, imensas vezes porque tem de ser feitas como queremos e achamos melhor, e quase sempre tentamos dar a volta ao doente idoso e à sua decisão inicial” E1. Um dos participantes também referiu que actualmente se procura maispedir o consentimento informado para a realização dos cuidados de enfermagem, e que antigamente não se falava tanto neste assunto (nem nas escolas de enfermagem). Os participantes acrescentam ainda que o pedido do consentimento nos cuidados de enfermagem é apenas realizado oralmente.
Constatámos que os enfermeiros valorizam o pedido de consentimento informado, pois é algo que respeita a individualidade da pessoa idosa, mas que no entanto nem sempre é pedido por questões inerentes à condição da pessoa idosa, e relacionadas com o profissional e a instituição hospitalar. O que é corroborado por MARTINS (2004), ao considerar que a prática do consentimento informado não é isenta de dificuldades, pelos vários aspectos específicos inerentes a cada pessoa, onde interferem factores psicológicos, culturais e biológicos. Sendo que, muitas vezes a ausência do pedido de consentimento informado, prende-se com questões relacionadas com crenças e atitudes que os profissionais de saúde têm para com os idosos, desvalorizando a sua condição de pessoa. É de referir ainda que a informação ao ser transmitida traz imensos benefícios para as pessoas idosas, que se manifestam numa prevenção, tratamento e recuperação da doença mais eficazes (MARTINS, 2004), melhoria das relações entre familiares (SANCHES, 2000), além de a participação da pessoa nas decisões e cuidados ser fortemente condicionada pela informação fornecida (SANCHEZ, 2001; cit. por MARTINS, 2004). Mas o pedido de consentimento informado é, segundo PINTO e SILVA (2004), muito pouco solicitado durante os cuidados de enfermagem, o que corrobora os resultados encontrados nesta pesquisa. Os mesmos autores referem, que um dos motivos de isso acontecer é o facto de os enfermeiros terem a perspicácia de, durante a realização dos cuidados, detectarem por gestos, expressões, atitudes, se o doente aceita ou não determinado procedimento. No entanto, isto não demite os profissionais de saúde de pedirem o consentimento informado aos seus utentes, pelo que se torna imprescindível que se estimule a promoção da autonomia da pessoa idosa por parte dos profissionais de saúde.
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2.4.2 Promoção da autonomia da pessoa idosa hospitalizada nos cuidados de