CHAPTER 2 THEORY
2.6 C HEMICAL WAX PREVENTION
2.6.4 Surfactants
A educação não é um destino, mas uma construção social.
Antônio Nóvoa.
Neste capítulo, vamos voltar ao início da nossa história com este tema – monografia e dissertação, para que, através da retomada dos objetivos e de algumas considerações acerca desses dois trabalhos, possamos refazer a nossa trajetória com a temática em questão, buscando elementos que nos ajudem na construção/sistematização da experiência que nos propomos a vivenciar agora, cientes de que educar-se e educar, são construções sociais que existem e se renovam constantemente.
1.1 – Refletindo sobre a monografia
Na nossa monografia, realizada como já explicitamos numa creche vinculada a Secretaria Municipal do Trabalho e Ação Social - SEMTAS, o nosso objetivo foi
Identificar a possibilidade de existir uma relação entre família e Instituição de Educação Infantil, em prol do desenvolvimento da criança. Foi uma pesquisa de
natureza exploratória, onde através de observações assistemáticas e entrevistas semi-estruturadas com coordenadora, professoras, funcionários e famílias, nós procuramos atingir o objetivo proposto.
Foi um trabalho muito produtivo na medida em que nos possibilitou perceber o enorme campo de investigação que se abria a nossa frente sobre a temática, bem como a relevância da mesma para todos os envolvidos na desafiante tarefa de formar as crianças da Educação Infantil. Esta relevância pode ser observada através de alguns depoimentos de professores, funcionários e famílias da creche campo do nosso estágio, apresentadas na introdução deste trabalho.
Nossas observações, e as análises das entrevistas com os sujeitos da pesquisa nos indicaram que, embora todos os envolvidos pontuem e reconheçam a
relevância de uma parceria entre a família e a I.E.I, como importantes para o trabalho educativo que precisam realizar com a criança, cada um coloca essa parceria e essa participação, a partir do seu próprio ponto de vista:
9 Participam. Alguns pais, quando chegam mais cedo, ajudam na cozinha, nas salas-de-aula, trazem material que a Creche necessita para doação, outros participam na manutenção hidráulica e elétrica, nos serviços gerais e outras coisas que precisa. ( coordenadora da creche)
9 Os meninos que dão mais trabalho são os que os pais vem menos, os que os pais participam mais, são menos trabalhosos. Era bom que todos os pais viessem, para saber o que a creche faz com os filhos. ( Professora da creche)
9 Eles (os pais, no sentido masculino do termo) não participam não, quem participa são as mães, elas participam, elas colaboram nas brincadeiras, nas festas.( funcionária da creche)
9 Acho muito boa ( a creche). Nestes três anos foi o que ajudou bastante a gente. Não tenho família perto e não tinha com quem deixar o menino. ( mãe de aluno da creche)
9 Eu sempre ajudo, coloco fechaduras nas portas, tudo que a coordenadora pede eu faço. ( pai de aluno da creche)
Na época em que fizemos a análise das respostas da coordenadora, dos professores, funcionários e pais à entrevista realizada na creche, com o objetivo de, como já dissemos, “Identificar a possibilidade de existir uma relação entre família e Instituição de Educação Infantil, em prol do desenvolvimento da criança”, as considerações a que conseguimos chegar foram as seguintes:
Um primeiro fato que nos animou muito nos dados coletados, foi a comprovação de que todos os professores, funcionários e pais entrevistados entendem que a participação dos pais é fundamental naquela instituição de Educação Infantil. Outro fato relevante é que todos os entrevistados também colocaram que realmente os pais das crianças dessa instituição participam do dia-a- dia da mesma, embora cada um coloque essa participação como sendo mais efetiva no âmbito específico no qual trabalha, ou pelo qual são responsáveis de forma mais direta. Por exemplo; a coordenadora ressalta mais a participação dos pais no que
diz respeito a manutenção física da creche e aos eventos realizados de forma mais pontual; já as professoras valorizam mais o fato da participação dos pais melhorar o comportamento das crianças e a relação professor-aluno; os pais já ressaltam a participação deles da forma como percebem que atuam mais: uns contribuindo com a manutenção da instituição, outros estando sempre presentes para trazer e levar os filhos, outros na sala-de-aula, outros nas datas festivas e outros até se esquivando pela falta de tempo, enfim, cada um destacando a participação de acordo com a própria atuação e entendimento.
Entendemos que os dados colhidos na Creche foram fundamentais para a nossa pesquisa, porque foi através deles que podemos perceber que uma parceria com esse objetivo: o de contribuir para o desenvolvimento da criança pequena, precisa ser muito bem discutida junto a pais e escola para que possa surtir os efeitos esperados.
No nosso entendimento, a Creche estudada, ainda não conseguiu pontuar muito bem esta questão e por isso fica complicado perceber nesta instituição que contribuições efetivas a participação dos pais, que é inegável neste local, traz para o desenvolvimento da criança, de maneira bem específica
Por outro lado, percebe-se que a instituição possui realmente um diferencial, um ponto de partida que pode propiciar um trabalho desse jaez que é este fato da maioria dos pais estarem sempre presentes na mesma, colaborando com a manutenção da creche, mesmo que seja apenas quando a coordenadora solicita, além do fato de realizar também programações sistemáticas tentando envolver os pais. Entendemos que este é um primeiro passo porque em muitas instituições não existe nem esta participação que nós vamos denominar de pontual. Outro ponto que consideramos fundamental para iniciar o estabelecimento de uma parceria é o fato de ambas as instituições, (família e creche), se mostrarem cientes da importância dessa parceria. Nas entrevistas, tanto a coordenadora, como os pais, professores e funcionários da creche, reconheceram a importância de um bom relacionamento entre eles.
Entendemos que esta breve retomada deste nosso primeiro trabalho realizado sobre a temática da relação da família com a escola, nos permite compreender que esta é uma das formas pelas quais esta relação se estabelece – em prol da manutenção do espaço físico, onde cada um contribui como pode, dentro das
limitações e possibilidades que o entendimento que possuem acerca da mesma possibilita.
Como já dissemos anteriormente, essa é uma das formas como a relação da família com a instituição de Educação Infantil pode se apresentar em alguns momentos e algumas realidades. Sabendo que este tipo de relação é fruto de um contexto e de uma contigência, que tem as suas nuances individuais, sociais, econômicas, políticas, ideológicas e histórico-culturais, não nos cabe julgar ou classificar, apenas analisar, a partir de outros pontos de vista, de outros olhares, buscando contribuir com a ampliação da mesma, na medida das nossas possibilidades.
1.2 - Refletindo sobre a dissertação
No nosso segundo trabalho sobre a temática, que teve como objetivo refletir
sobre ações e estratégias realizadas pela escola, que possam contribuir para o fortalecimento da relação desta Instituição com a família do aluno,
entrevistando também gestoras, professoras, pais e funcionários, conseguimos perceber igualmente, a unanimidade de todos em relação á relevância da relação família e instituição de Educação Infantil, embora haja algumas diferenças na forma como compreendem a mesma. Vejamos o que dizem gestoras e professoras:
9 Entendemos que a participação dos pais tem muito a contribuir para que o aluno aprenda mais. Para que o professor e o aluno façam um trabalho melhor. A parceria maior é a aprendizagem, não apenas a limpeza da escola. No momento que o pai conhece a proposta, ele pode ajudar em casa.
9 EXEMPLO: Uma dificuldade que os pais tem é com relação a leitura e a escrita. Colocamos a alfabetização dos pais como uma proposta. Uma professora já se propôs a dar aula aos pais. Não descartamos o pai ajudar na limpeza da escola, porém quando o pai se propõe a ajudar ao aluno, o desempenho dele é melhor.( Gestora da pré-escola)
9 como estamos dando prioridade a aprendizagem, os pais estão mais interessados na aprendizagem da criança. Um exemplo disso são as atividades de casa: antes era o pai ou o irmão que fazia, agora os pais estão deixando a criança fazer e estão nos dizendo que deixam que a criança faça. Porque agora
sabem que a criança faz do jeito dela, que é diferente do jeito dos pais. ( Gestora da pré-escola)
9 Uma boa relação família e escola é fundamental para ajudar nos processos de aprendizagem e desenvolvimento do aluno. ( professora da pré-escola)
No tocante aos pais, todos reconheceram que a escola foi importante e ensinou algo aos filhos, bem como a importância de participar das reuniões:
9 Muito boa, porque elas ensinam muito, tanto ensina pras crianças, como pra gente também nas reuniões. ( mãe de aluno da pré-escola)
9 -Eu acho muito importante né? Porque é essa relação que tem que haver mesmo, porque eu não vou deixar meu filho aqui ao léu. Pronto, se eu for deixar ele na casa de um parente, eu vou perguntar se ele arengou, se brigou, o que fez de errado, o que fez certo. Do mesmo jeito tem que ser na escola.Assim, porque o pedaço que ele fica em casa eu sei: toma café, assiste televisão, depois toma banho, almoça para vir pró colégio, aí eu tenho que vir saber o que ele está fazendo aqui também. Na reunião é que a gente discute, acho muito interessante as reuniões, e acho importante todos os pais comparecer. (mãe de aluno da pré- escola)
9 Elas são bastante assim, conversam muito com as mães, elas, até os problema da escola passam tudo pra gente.( mãe de aluno da pré-escola)
Em relação a este segundo trabalho, nossas considerações finais foram as seguintes:
O nosso objetivo, conforme já foi explicitado, foi refletir sobre ações e estratégias realizadas pela escola que possam contribuir para o fortalecimento da relação dessa instituição com a família do aluno e, para isso, foi preciso também discutir a relevância de um trabalho educativo integrado entre escola e família, principalmente na Educação Infantil, bem como refletir sobre a família e a escola no atual contexto sócio-econômico-cultural, buscando caminhos que se tornem viáveis para fortalecer a integração dessas duas instituições.
A experiência no Centro Municipal de Educação Pré-escolar, subsidiou toda a nossa reflexão na medida em que apontou caminhos para viabilizar o fortalecimento dessa relação, nos mostrando que a mesma é possível. Acreditamos que essa
experiência, poderá servir de estímulo á outras instituições que queiram, também, encarar esse desafio de fortalecer sua relação com a família dos alunos.
Antes de especificarmos melhor esses caminhos apontados pela experiência do Centro de Educação Pré-Escolar, entendemos pertinente dizer que, para nós, a importância maior desse trabalho está na própria temática que ele traz a tona, suscitando a oportunidade de maiores estudos e reflexões sobre a relevância do estabelecimento/fortalecimento da relação entre duas instituições tão vitais para a sociedade, em todos os seus momentos históricos, tais quais a família e a escola, como também possibilitar esse estímulo a outras instituições educativas, sem contudo ser uma receita, ou um modelo a ser seguido.
Só para retomar, as questões que nortearam esse nosso trabalho, e para as quais buscamos algumas respostas, mesmo que provisórias, foram: