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The supremacy of Union law

5. CITIZENSHIP AS MEMBERSHIP

5.2 Union citizenship’s impact on the loss and acquisition of nationality

5.2.4 The supremacy of Union law

Juliana Gusman - Curso de Nutrição, Centro UniversitárioFranciscano, Rua Silva Jardim, 1175, Centro, CEP: 97010-491, Santa Maria, RS. E-mail:[email protected] Camila Maziero - Curso de Nutrição, Centro UniversitárioFranciscano

Shaiana Deolindo - Curso de Nutrição, Centro UniversitárioFranciscano Valquiria Oliveira - Curso de Nutrição, Centro UniversitárioFranciscano Cátia Regina Storck - Curso de Nutrição, Centro UniversitárioFranciscano

Resumo: Este trabalho tem por objetivo verificar a relação entre o tipo de refeição servida na escola e a aceitabilidade por alunos de escolas públicas da cidade de Santa Maria (RS). O trabalho possui delineamento transversal e foi realizado em todas as turmas de 2° Ano de 5 escolas públicas A coleta dos dados foi realizada em cinco dias consecutivos, totalizando 294 alunos de ambos os sexos, com idade média de 7,6 anos. Todos os alunos responderam a um questionário de escala hedônica facial após o consumo da alimentação escolar. A analise dos resultados indica que nos dias em que foram ofertadas as preparações salgadas, 82% dos escolares gostaram, 8,2% foram indiferentes e 9,8% não gostaram. As preparações doces tiveram seu consumo e aceitabilidade equiparando-se a ofertada de preparações salgadas. As frutas e fruta e doces, foram pouco ofertadas nas escolas, no entanto dos alunos que comeram 85% gostaram de fruta e 100% gostaram de frutas + doce. Diante dos resultados conclui-se que a alimentação escolar é bem aceita pelos alunos. A oferta de frutas está abaixo do recomendado, evidenciando a necessidade de reavaliar aspectos do programa de alimentação escolar como a estrutura do cardápio, para que haja incentivo do consumo de frutas e da educação nutricional no ambiente escolar.

Palavras chave: alimentação escolar; intervenção nutricional, hábitos alimentares. Introdução

A escola, local onde as crianças passam grande parte de sua vida, atua de maneira significativa na formação de opiniões e na construção de conceitos, sendo um local de referência para a implementação de qualquer programa que vise à educação do indivíduo1. Implementado em 1955 e considerado um dos maiores programas do mundo na área de alimentação escolar, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) tem como objetivo “atender às necessidades nutricionais dos alunos durante sua permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como a formação de hábitos alimentares saudáveis”2.

As mudanças no padrão alimentar ocorrido nas últimas décadas podem ser a causa da ocorrência da alta prevalência de excesso de peso e obesidade nessa população. Os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 mostram prevalência de excesso de peso de 27,6% e obesidade de 7,5% entre as crianças de cinco a nove anos. Isso pode estar associado ao consumo excessivo de alimentos industrializados, pois nas últimas três décadas, o consumo desses alimentos tem aumentado tanto de forma global e em populações de baixa e alta renda, apresentando mais açúcar, gordura saturada, sódio, e menos fibras, além de alta densidade calórica3.

A alimentação escolar representa um atrativo para a permanência dos alunos nas escolas públicas brasileiras. A aceitação de um alimento pelo aluno é um dos fatores analisados para determinar a qualidade do serviço prestado pelas escolas, no tocante ao

fornecimento da merenda escolar. Para averiguar a aceitação de determinado alimento, a pesquisa de preferência e aceitação da merenda escolar é um instrumento fundamental, pois é de fácil execução e permite verificar a preferência média dos alimentos oferecidos4.

Este trabalho tem por objetivo verificar a relação entre o tipo de refeição servida na escola e a aceitabilidade por alunos de escolas públicas da cidade de Santa Maria (RS). Metodologia

O presente trabalho possui delineamento transversal e foi realizado em todas as turmas de 2° Ano de 5 escolas públicas do município de Santa Maria (RS) indicadas pela 8ª Coordenadoria Regional de Educação e Secretaria Municipal de Educação para o Estágio Obrigatório em Alimentação Escolar realizado junto aos alunos do 5º semestre do Curso de Nutrição. As atividades foram autorizadas pelos responsáveis de cada escola, no período de abril de 2012, obtiveram a aprovação das professoras e alunos envolvidos.

A coleta dos dados foi realizada em cinco dias consecutivos, totalizando 294 alunos de ambos os sexos, com idade média de 7,6 anos. Em cada dia de avaliação foi anotada a preparação que foi servida. Após o consumo da alimentação escolar os alunos responderam a um questionário de escala hedônica facial, indicando o grau que gostou ou desgostou do cardápio servido na escola. Anteriormente foi explicado como deveriam proceder para responder os questionários enfatizando-se a importância das crianças fornecerem respostas verdadeiras e não interferirem nas respostas dos colegas.

Após a coleta de dados, foi realizada a tabulação dos dados na planilha eletrônica do programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 18.0. Os resultados estão apresentados em frequência absoluta e relativas, a diferença entre as variáveis categóricas foi utilizado o teste qui-quadrado, considerou-se estatisticamente significativo p<0,05.

Resultados e Discussão

As preparações foram divididas em salgadas, doces, frutas e frutas + doce. Foram consideradas preparações salgadas: arroz com guisado; sanduíche de pão de cachorro quente com queijo e presunto e café com leite e açúcar; risoto com alface; sopa de massa parafuso com caldo de feijão, batata e cenoura e meio pão; risoto com madioca frita; massa com molho de salsicha milho e ervilha; polenta com molho de salsicha; arroz com couve e carne moída com batata; carreteiro com guisado e repolho com cenoura; polenta com guizado, risoto e bolinho inglês.

Foram consideradas preparações doces: chocolate quente com açúcar e bolacha salgada; arroz de leite; pão com geleia e iogurte; bolacha doce e salgada; mingau de amido de milho; bolacha salgada e iogurte de morango; e chocolate quente.

As frutas ofertadas foram a banana e a maçã. E no grupo fruta + doce foram considerados um dia que foi servido banana ou maçã, leite achocolatado e bolacha doce ou salgada e outro dia que foi servido maçã, chocolate quente e bolinho inglês.

Os resultados das análises estão representados nas tabelas 1 e 2.

Tabela 1: Relação entre o tipo de refeição servida e o consumo da alimentação escolar.

Tipo de refeição Comeu Não comeu Total P*

Salgada 194(66) 100(34) 294

0,005

Doce 154(67,7) 113(42,3) 267

Fruta 40(45,5) 48(54,5) 88

Fruta + doce 22(55) 18(45) 40

Tabela 2: Aceitabilidade de diferentes tipos de preparação na alimentação escolar Tipo de refeição Gostou Indiferente Não Gostou Total P*

Salgada 159(82) 16(8,2) 19(9,8) 194

0,036

Doce 125(81,2) 23(14,9) 6(3,9) 154

Fruta 34(85) 3(7,5) 3(7,5) 40

Fruta + doce 22(100) 0(0) 0(0) 22

Valores apresentados em n(%); *Qui-quadrado; p<0,05

Nos dias em foram ofertadas as preparações salgadas, 66% dos alunos fizeram a refeição e entre estes houve grande aceitabilidade onde 82% gostaram, 8,2% indiferentes 9,8% não gostaram. Da mesma forma as preparações doces quando ofertadas tiveram seu consumo e sua aceitabilidade equiparando-se quando ofertada as preparações salgadas.

Das cinco escolas, nos cinco dias de avaliação que totalizaram 25 preparações avaliadas, somente em três escolas foram ofertadas frutas no cardápio da alimentação escolar uma vez na semana. Segundo PNAE5, os cardápios deverão oferecer, pelo menos, três porções de frutas e hortaliças por semana (200g/aluno/semana) nas refeições ofertadas.

As frutas e fruta e doces, foram pouco ofertadas nas escolas, por isso a baixa porcentagem de consumo. Além disso, nos dias em que foi ofertada a fruta, apenas 45,5% dos alunos fizeram a refeição. No entanto dos alunos que comeram 85% gostaram de fruta e 100% avaliaram que gostaram de frutas + doce. Sendo assim, um maior estimulo deveria ser feito para aumentar a oferta de frutas na alimentação do escolar.

O consumo insuficiente de frutas e hortaliças tem como resultado o aumento do risco de doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares e alguns tipos de câncer, e estão entre os 10 fatores de risco que mais causam mortes e doenças no mundo6, evidenciando assim a importância de fazer atividades relacionadas à educação nutricional no ambiente escolar. Pesquisas envolvendo crianças e adolescentes brasileiros revelam, que estes grupos etários consomem, de forma geral, quantidades reduzidas de frutas e hortaliças7. A escola pode ser considerada um espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações de desenvolvimento das condições de saúde e do estado nutricional das crianças e adolescentes, sendo um setor estratégico para concretização de iniciativas de promoção da saúde8.

Conclusão

Diante dos resultados obtidos conclui-se que a alimentação escolar é bem aceita pelos alunos, pois a recomendação do PNAE é que a aceitabilidade seja de 80% ou mais, e isso se evidencia nos resultados para todos os grupos de alimentos apresentados. Constatou-se que a oferta de frutas está abaixo do recomendado, evidenciando a necessidade de reavaliar aspectos do programa de alimentação escolar como a estrutura do cardápio, para que haja incentivo do consumo de frutas e da educação nutricional no ambiente escolar.

Referências

1. Campos J.A.D.B, Zuanon A.C.C. Merenda escolar e promoção da saúde. Ciênc Odont Bras. 2004;7(3):67-71.

2. Brasil. Resolução FNDE/CD/Nº 32/2006. Estabelecer normas para execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar, 2006.

3. Monteiro CA, Levy RB, Claro RM, de Castro IR, Cannon G. Increasing consumption of ultra-processed foods and likely impact on human health: evidence from Brazil. Public Health Nutr. 2011 Jan;14(1):5-13.

4. Flavio EF, Barcelos MFP, Lima AL. Avaliacao quimica e aceitacao da merenda escolar de uma escola estadual de Lavras – MG. Cienc Agrotec. 2004;28 (4): 840-7 5. Brasil. Ministério da Educação, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação,

Conselho Deliberativo. Resolução/FNDE/CD/N° 38, de 16 de julho de 2009. Estabelece as normas para a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE. Diário Oficial da União 2009.

6. Levy-Costa RB, Sichieri R, Pontes NS, Monteiro CA. Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil: distribuição e evolução (1974-2003). Rev Saude Publica. 2005;39(4):530-40.

7. Sanches M. Hortaliças: consumo e preferências escolares. Dissertação de Mestrado, Piracicaba, 2002.

8. Ramos M, Stein LM. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. J Pediatr (Rio J). 2000;76 Supl 3:S229-37