3 Method section
3.4 Support Vector machine
Para efeito deste estudo, selecionamos como campo da pesquisa uma unidade básica de saúde pertencente a Regional III22, partindo-se para tanto de alguns critérios previamente estabelecidos que contemplassem:
I. Centros de Saúde/Equipe de Saúde da Família que estivessem funcionando com equipes completas, segundo definição do Ministério23;
II. Centros de Saúde/Equipe de Saúde da Família em funcionamento a, no mínimo, dois anos.
III. Centros de saúde/Equipe de Saúde da Família que possuíssem equipe NASF vinculada;
IV. Centros de Saúde/Equipe de Saúde da Família onde os profissionais da ESF e do NASF desenvolvessem ações no âmbito da saúde mental.
Por se tratar da compreensão de uma proposta recente, visto os primeiros NASF terem sido implantados apenas em 2009 no município, consideramos importante o contato com profissionais da equipe SF com trajetória de pelo menos 2 (dois) anos na atenção básica, conforme aludido na introdução deste trabalho.
Tal delimitação de tempo se deu mediante o entendimento das pesquisadoras de que, para que possam avaliar o papel da inserção de mais um agente (nesse caso, o NASF) na conjuntura de suas ações, as equipes de Saúde da Família, necessitam compreender minimamente o arranjo do qual fazem parte. Admitimos, portanto, a arbitrariedade inerente ao recorte temporal da pesquisa, todavia, ressaltamos que, com tal critério, não pretendemos privilegiar determinados centros ou equipes de saúde, o que consistiria um viés, mas sim estabelecer parâmetros de seleção que possibilitassem o desenvolvimento da pesquisa sem maiores comprometimentos.
22 Optamos por não mencionar diretamente o nome do serviço de saúde em virtude da necessidade de se manter
o anonimato dos entrevistados, já que trabalhamos apenas com uma instituição e, mais especificamente, com uma equipe de saúde atuante na mesma.
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São equipes de Saúde da Família compostas por: agentes comunitários de saúde, médico (a), enfermeiro (a), cirurgião (ã) dentista, auxiliar e/ou técnico de enfermagem, auxiliar em saúde bucal (ASB) e /ou técnico em saúde bucal (TSB) (BRASIL, 2011c).
No que se refere à etapa de definição da unidade, esta se fundamentou em uma estratégia de amostragem intencional, denominada “amostragem de caso crítico”. Segundo Flick (2009a, p. 125), parafraseando Patton, a “seleção de casos críticos visa àqueles casos nos quais as relações a serem estudadas tornam-se especialmente claras (por exemplo, na opinião de especialistas da área)”. Consonante com esta perspectiva, consultamos a opinião de diversos informantes chave a respeito de uma equipe SF considerada “modelo” no desenvolvimento de ações de saúde mental compartilhadas entre profissionais da equipe SF e equipe NASF.
Na etapa de sondagem consideramos informantes chave: Gestores ligados à atenção básica (Assessoria Técnica das ações de Atenção Básica), gestores do NASF (Assessoria Técnica das ações de Atenção Básica – NASF de Rua) e gestores da área técnica de saúde mental (Coordenação de Saúde Mental do município e Assessoria Técnica das ações de Saúde Mental). De posse das sugestões iniciais, sondamos ainda a opinião das coordenações distritais de saúde mental e do NASF das Regionais mais mencionadas pelos gestores listados acima, que foram as Regionais I, III e IV. Além disso, consultamos a opinião de alguns egressos da Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade e mestrandos com pesquisas em áreas afins no município de Fortaleza-CE.
A análise do conjunto de opiniões provenientes da sondagem permitiu identificar experiências consideradas “modelo” no âmbito do cuidado em saúde mental, compartilhadas entre profissionais da equipe SF e equipe NASF, nas seguintes Regionais do município de Fortaleza-CE: I, III, IV, VI. Cabe salientar que esta última Regional foi citada apenas por um dos gestores que fez menção ao trabalho desenvolvido na “Oca de saúde comunitária”24 como
uma experiência relevante no âmbito da saúde mental. Tendo em vista nem sempre estas ações serem executadas por profissionais de saúde (há participação ativa de membros da comunidade com formação específica para o trabalho), principalmente aqueles do nosso interesse, ou seja, pertencentes à equipe SF e NASF, optamos por não trabalhar com este contexto.
Assim, com o material da sondagem em mãos, analisamos detalhadamente as justificativas atribuídas pelos informantes na escolha de determinadas experiências, passando- se em seguida à visita das unidades mais recorrentes em suas falas. Esta etapa teve como objetivo verificar no cotidiano dos serviços como estava se processando o cuidado em saúde
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Espaço destinado à ampliação e articulação das práticas integrativas e complementares do município de Fortaleza-CE, contando, para tanto, com serviços de massoterapia, grupos de resgate de autoestima, terapias comunitárias, SPA de massagem antiestresse com argila e banho ofurô (FORTALEZA, 2008).
mental desenvolvido por equipe SF e NASF, uma vez que algumas falas não apresentaram argumentos consistentes que esclarecessem a preferência por determinada experiência, principalmente entre os informantes gestores.
Realizadas as visitas nos centros de saúde das regionais I, III e IV, finalmente decidimos pela unidade de saúde da Regional III, a qual cumpria todos os critérios acima estabelecidos para a escolha do cenário de estudo. Aliada a estes, a equipe NASF desta unidade contava ainda com profissionais da área de saúde mental, bem como com ações de apoio matricial em saúde mental com periodicidade mensal, situação esta não encontrada nos centros de saúde da regional I e IV25.
No que se refere à caracterização do centro de saúde selecionado, este conta com 3 (três) equipes de SF, sendo duas delas completas e uma não. Tomando como base os critérios acima, com a entrada no campo passamos a nos preocupar com a escolha da equipe completa com qual iríamos trabalhar. Para tanto, analisamos questões tais como maior número de funcionários ativos no momento da pesquisa, acesso aos membros da equipe e interesse da equipe em participar da mesma.
Tendo em vista a enfermeira de uma das equipes se encontrar de férias (o que comprometeria a articulação dos ACS’s), acabamos por escolher a equipe denominada, a partir de então, A, em funcionamento na unidade desde 2006 e composta por 1 médica, 1 enfermeira, 1 auxiliar de enfermagem e 7 ACS’s26. A equipe B, que também estava completa
na ocasião da pesquisa, chegou a ser contatada em alguns momentos, entretanto, encontramos dificuldades em articular os seus membros, tanto em virtude de alguns se encontrarem de férias (situação da enfermeira e de um ACS), como também por haver a recusa de alguns profissionais contatados em participar do estudo.
Além da composição acima detalhada, a equipe SF selecionada conta ainda com o apoio de uma equipe NASF, desde 2009, formada por 2 (duas) fisioterapeutas, 1 (uma) fonoaudióloga, 1 (uma) assistente social, 1 (uma) nutricionista e 1 (uma) psicóloga. A unidade pesquisada funciona como sede da equipe de NASF a ela vinculada, contando com a presença
25 Foram visitados dois Centros de Saúde pertencentes a cada uma dessas Regionais. A opção de não trabalhar
com as equipes de saúde da Regional I encontra-se justificada nos seguintes fatos: em uma das unidades a equipe NASF não contava com profissionais de saúde mental há, aproximadamente, 6 (seis) meses, já na outra unidade o NASF se encontrava em etapa de estruturação, tendo iniciado as suas atividades há menos de 1 (um) ano. No que se refere aos Centros de Saúde da Regional IV, estes não contavam com a atividade de Apoio Matricial no período da pesquisa, tendo em vista a falta do profissional do CAPS para realização da atividade nas unidades.
26 A não inclusão das categorias de cirurgião (ã) dentista e auxiliar em saúde bucal (ASB) e /ou técnico em saúde
bucal (TSB), previstas também pelo Ministério da Saúde na composição da equipe mínima (BRASIL, 2011c), se justifica pelo fato de, na ocasião da pesquisa, não haver na instituição equipes de saúde bucal.
dos profissionais especialistas nas segundas, quartas e sextas pela manhã. Além desta unidade, a equipe NASF fornece apoio às equipes SF de mais dois centros de saúde localizados na Regional III, durante os demais turnos e dias remanescentes.