RESUMO
ANDRADE, I.R.A. Análise econômica e de investimentos do confinamento de ovinos utilizando diferentes fontes protéicas na ração concentrada. Fortaleza: UFC, 2011. 90f. (Dissertação, Mestrado em Zootecnia) – Universidade Federal do Ceará, Brasil.
O estudo foi conduzido com o objetivo de avaliar as respostas econômicas e efetuar uma análise de investimento do confinamento de borregos mestiços Morada Nova alimentados com diferentes fontes protéicas alternativas na ração concentrada em substituição ao farelo de soja: feno do folíolo da leucena (FFL), uréia (ambas substituindo 100% do farelo de soja) e torta de algodão (substituindo em 51,8%, com base na matéria seca). As análises econômicas dos diferentes sistemas foram realizadas com base em simulações utilizando um número de duzentos borregos por lote. O maior valor de manutenção da atividade foi observado no sistema onde os borregos foram alimentados com dieta contendo torta de algodão. No que diz respeito aos indicadores econômicos, o lucro da atividade em R$/kg PV foi maior no confinamento que utilizou a torta de algodão como fonte protéica na ração concentrada (R$ 0,76/kg PV), seguido pelos que utilizaram farelo de soja (R$ 0,64/kg PV), uréia (R$ 0,33/kg PV) e feno do folíolo da leucena (R$ 0,21/kg PV). De acordo com as diferentes análises econômicas e de investimentos realizadas, pode-se concluir que a torta de algodão substituindo o farelo de soja em 51,8% é a alternativa alimentar mais atrativa, pois permite uma maior oscilação do preço de venda do quilograma do peso vivo do borrego em relação às demais fontes protéicas analisadas, o que permite ao produtor se adequar a uma maior elasticidade do preço de venda deste produto no mercado sem causar prejuízos ao produtor.
Palavras-chave: análise econômica, Leucaena leucocephala, Morada Nova, Pennisetum
ABSTRACT
ANDRADE, I.R.A. Economic analysis and of investments the confinement of sheep using different protein sources in concentrate.Fortaleza: UFC, 2011. 90f. (Dissertation, Master in Animal Science) – Federal University of Ceara, Brazil.
To evaluate the economic performance and of investment the confinements using Morada Nova crossbred sheep fed with different alternative protein sources in the concentrate in replacing soybean meal, this study was conducted. Three different protein replacers of soybean meal were evaluated: Leucaena leucocephala leaflet hay (HLL), urea (replacing both 100% of soybean meal) and cottonseed cake, replacing in 51.8% (on a dry matter basis). The economic analyses of the different systems were conducted based on simulations using a number of two hundred animals per batch. The highest of maintenance of activity was observed in the system where animals were fed with diet containing cottonseed meal. Regarding to economic indicators, the profit activity in R$/kg PV was higher in the confinement that used cottonseed meal showed as protein source in the concentrate (R$ 0.76/kg PV), followed by those who used soybean meal (R$ 0.64/kg PV), urea (R$ 0.33/kg PV) and hay of leaves of leucaena (R$ 0.21/kg PV). According to the different economic analysis and of investments conducted, can conclude that the cottonseed meal replacing soybean meal in 51.8% was the production system which was more attractive, it allows a greater swing of the selling price of kilograms of live weight of lamb compared to other protein sources studied, which allows the producer to suit a greater elasticity of sales price this product in the market without causing damages to producer.
Keywords: cottonseed cake, economic analysis, Leucaena leucocephala, Morada Nova,
INTRODUÇÃO
A ovinocultura no Nordeste do Brasil é uma atividade de grande importância econômico-social, explorada principalmente para a produção de carne e pele. Nessa mesma região, o rebanho de ovinos cresceu de modo global e tem apresentado índices de crescimento com taxas mais elevadas às de outras regiões (Carvalho et al., 2006). O Semiárido brasileiro ocupa 86% da região Nordeste e caracteriza-se por apresentar um período chuvoso, no qual o alimento nas pastagens é abundante e de boa qualidade nutritiva. Todavia, à medida que a seca progride, ocorre uma redução na capacidade de suporte das pastagens, em virtude não só da redução na disponibilidade, mas, também, da qualidade da forragem, decorrente de sua lignificação (Araújo Filho et al., 1998).
Uma alternativa viável para a ovinocultura nesta região é o confinamento dos borregos na época da recria, fornecendo aos mesmos uma ração balanceada que atenda suas necessidades e permitam ganhos médios diário de peso vivo satisfatórios, permitindo uma boa rotatividade do sistema produtivo da carne ovina. Esta rotatividade irá suprir uma maior parte da demanda interna da carne ovina no Nordeste, pois segundo Oliveira (1999) apesar do reconhecido potencial ovino para produção de carne na região, existe uma elevada demanda ainda não atendida, especialmente nos grandes centros urbanos, o que estimulou a implantação de uma estrutura agroindustrial para abate de pequenos ruminantes, a qual opera com elevada capacidade ociosa.
De acordo com Alves et al. (2003), tem-se notado interesse em intensificar a terminação de ovinos em confinamento, objetivando rapidez para a comercialização, sobretudo na época da entressafra. Para que isto ocorra, é necessária uma suplementação com concentrados, que, normalmente, têm preço elevado, aumentando o custo de produção (Véras et, al., 2005).
Várias fontes de proteína estão disponíveis no mercado, destacando-se o farelo de soja, um dos principais alimentos protéicos disponíveis para a alimentação de ruminantes, com excelente composição e sem restrição de uso. Porém um dos principais entraves na utilização do farelo de soja é o alto preço, implicando em aumento no custo de produção (Torres, et al., 2003).
Dessa forma, torna-se indispensável à busca por alimentos alternativos, que permitam a elaboração de rações nutricionalmente adequadas com baixo custo. Diversas são as fontes protéicas alternativas encontradas no Semiárido nordestino que podem vir a substituir o farelo de soja na ração concentrada, entre estas fontes merece destaque o feno do folíolo da leucena (Leucaena leucocephala), que de acordo com Barros et al. (2003) possui
valores médios de 25,9% de proteína bruta. Assim como a leucena, a torta de algodão também merece um destaque especial, de acordo com Braga et al. (2009), esta fonte protéica possui 25,77% de proteína bruta, valor similar ao encontrado no folíolo da leucena.
A uréia também é bastante utilizada, segundo Torres, et al. (2003) ela é uma fonte de nitrogênio não protéico, largamente utilizada na alimentação de ruminantes, a grande vantagem de sua utilização advém do fato de que o ruminante, através dos microrganismos do rúmen, pode satisfazer suas exigências em proteína a partir do nitrogênio não protéico, quando o nível de produção é moderado.
Portanto, este estudo foi conduzido com o objetivo de avaliar o desempenho econômico e realizar uma análise de investimento do confinamento de ovinos mestiços Morada Nova alimentados com diferentes fontes protéicas na ração concentrada em substituição ao farelo de soja.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi conduzido no Núcleo de Ensino e Estudos em Forragicultura- NEEF/DZ/CCA/UFC (www.neef.ufc.br) em Fortaleza, Ceará, no período de janeiro a abril de 2010. O município de Fortaleza situa-se na zona litorânea a 15,49 m de altitude, 30º43’02” de latitude sul, e 38º32’35” de longitude oeste.
Os animais experimentais foram 20 borregos mestiços de Morada Nova, machos, não castrados, provenientes de um mesmo reprodutor, com peso vivo inicial de 18,4 ± 1,04 kg e idade de aproximadamente quatro meses. Antes do início do experimento os animais selecionados foram vermifugados e receberam suplementação injetável subcutânea de vitaminas A, D e E. Os mesmos foram confinados em baias coletivas de alvenaria, providas de comedouros e bebedouros, distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado, alocando-se cinco animais por baia, onde cada animal representa uma repetição e cada baia representa um tratamento.
As rações experimentais foram formuladas visando a atender as exigências dos borregos, de acordo com o NRC (2007) para ganho médio diário (GMD) aproximado de 100 g, valor considerado baixo, mas compatível com uma ração com relação volumoso:concentrado de 50:50 e com o volumoso utilizado, que apresentava um baixo valor nutritivo (Tabela 1). As rações foram formuladas mantendo as características isoprotéicas e isoenergéticas.
Tabela 1 - Composição químico-bromatológica do volumoso e dos concentrados experimentais (% MS) Rações MS MM PB EE FDN FDA NDT LEU100 88,063 5,15 12,67 4,00 40,48 7,62 74,12 TA 51,8 88,43 4,96 14,11 3,31 42,37 8,97 72,94 SOJ100 87,91 3,86 14,39 3,82 31,89 4,12 80,74 UR100 86,64 3,75 14,29 3,27 31,76 3,00 80,18 Capim elefante 85,51 7,37 5,89 1,15 85,52 50,29 45,49
LEU100: feno do folíolo da leucena (100% substituindo o farelo de soja), TA51,8: torta de algodão (51,8% substituindo o farelo de soja), SOJ100 (100% de farelo de soja como fonte protéica), UR100 (100% substituindo o farelo de soja), MS (matéria seca), MM (matéria mineral), PB (proteína bruta), EE (extrato etéreo), FDN (fibra em detergente neutro), FDA (fibra em detergente ácido), NDT (nutrientes digestíveis totais).
Foram avaliadas três diferentes fontes protéicas na ração concentrada em substituição à fonte protéica padrão, que era o farelo de soja (SOJ100), são elas: feno do folíolo da leucena (LEU100), uréia (UR100), ambas substituindo 100% do farelo de soja na matéria natural e torta de algodão (TA51,8), substituindo em 51,8% do farelo de soja na matéria natural, sendo o máximo de substituição alcançada para que não afetasse a composição químico-bromatológica da ração, mantendo a relação volumoso:concentrado adotada.
O alimento foi fornecido, ad libitium, diariamente em duas refeições, às 8 h (40% do total ofertado ao dia) e outra às 17 h (60% do total ofertado ao dia), coletando-se no dia seguinte as sobras, que foram pesadas, mantendo-as em torno de 10%. Durante o período experimental os borregos foram pesados semanalmente. O ganho médio diário, o consumo médio de matéria seca (CMS) e o número de dias para que os borregos alcançassem o peso final de abate (30 kg) foram obtidos no final do período de confinamento. A composição centesimal, preço dos ingredientes e custo total para produção das diferentes rações concentradas estão apresentados na tabela 2.
As análises econômicas e de investimentos dos diferentes sistemas foram realizadas com base em simulações utilizando um número de duzentos borregos por lote, devido este ser o número máximo de borregos manejados por um único funcionário, número adotado pelo grupo de estudo. O custo das instalações foi calculado como sendo currais de madeira com comedouros, bebedouros e áreas de sombra, obedecendo a uma área de 0,8 m²/animal, onde os borregos eram mantidos em sistema intensivo de confinamento.
Utilizou-se na simulação o GMD obtido pelos diferentes lotes durante o ensaio de desempenho. Foi determinado o preço de compra para os borregos que seriam confinados de R$ 3,20 kg/PV, valor de mercado observado na região.
Tabela 2 - Composição centesimal, preço dos ingredientes e custo total para produção das diferentes rações concentradas
Ingredientes R$/kg
Composição Centesimal Preço do concentrado (R$/100 kg)
SOJ100 LEU100 UR100 TA51,8 SOJ100 LEU100 UR100 TA51,8 Farelo de milho 0,57 86,40 75,65 95,66 79,70 49,25 43,12 54,53 45,43 Farelo de soja 0,80 11,20 - - 5,40 8,96 - - 4,32 Uréia 1,10 - - 1,79 - - - 1,97 - Feno Fol. Leucena 0,90 - 22,03 - - - 19,83 - - Torta de Algodão 0,90 - - - 12,48 - - - 11,23 Calcário Calcítico 0,17 0,20 - 0,12 0,19 0,03 - 0,02 0,03 Fosfato bicálcico 1,20 0,20 0,46 0,44 0,37 0,24 0,55 0,53 0,44 Premix Mineral¹ 1,32 2,00 1,86 1,99 1,86 2,64 2,46 2,63 2,46 Total 100 100 100 100 61,12 65,95 59,67 63,91 LEU100: feno do folíolo da leucena (100% substituindo o farelo de soja), TA51,8: torta de algodão (51,8% substituindo o farelo de soja), SOJ100 (100% de farelo de soja como fonte protéica), UR100 (100% substituindo o farelo de soja). 1Composição: fosfato, 65,0g; cálcio, 160,0g; enxofre, 15,0g; magnésio, 6,5g; sódio, 150,0g; cobalto, 0,125g; zinco, 4,5g; ferro, 1,7g; manganês, 4,5g; iodo, 0,06g; selênio, 0,03g; flúor, 0,95g; veículo, 1000g .
Entretanto, no que diz respeito ao preço de venda dos borregos na saída do lote, o mesmo foi determinado como sendo o valor mínimo para que o tratamento menos lucrativo tornasse rentável, que foi obtido quando o preço de venda simulado obteve o menor valor presente líquido (VPL) positivo, tornando o sistema economicamente viável, podendo assim fazer as comparações entre os tratamentos.
Os indicadores técnicos utilizados foram: produção diária (kg/PV), área utilizada para capineira (ha), área utilizável para currais e centro de manejo (ha), área total (ha), nº de borregos/lote, quantidade de trabalhador, fornecimento de concentrado para o rebanho (kgMN/mês) e capital total investido (R$) = despesas com instalações + máquinas + custos para formação da capineira e produção de feno.
• Produtividade (kg PV/animal x dia) = produção diária em kg PV do lote/número de borregos;
• Produtividade da terra (kg PV/ha x mês) = produção anual em kg PV/área utilizada;
• Produtividade da mão-de-obra (kg PV/dia-homem/mês) = produção mensal em kg PV/total de mão-de-obra mensal;
• Produtividade do concentrado (kg PV/kg de matéria natural do concentrado/mês) = produção mensal em kg PV/fornecimento mensal de concentrado para o lote;
A metodologia de cálculo de custo se baseou nos métodos de custo operacional e de custo total (Hoffman et al., 1987).
Para o levantamento dos custos, consideraram-se as despesas de custeio (mão-de- obra familiar, alimentação dos borregos, manutenção e combustível de máquinas e equipamentos, medicamentos, energia elétrica, assistência técnica, manutenção das instalações e despesas com compra de borregos), despesas com investimentos (instalações, máquina forrageira, formação de capineira e equipamentos), depreciação das instalações, máquinas e equipamentos, além da remuneração do capital investido, obtendo assim as despesas totais do sistema. O horizonte de análise foi de 10 anos, período utilizado na análise de depreciação das instalações. Para o cálculo da depreciação, utilizou-se o método linear ou das cotas fixas, que proporciona uma depreciação constante. Os custos com as rações foram orçados através da compra de sacos de 60 kg dos ingredientes utilizados. No tocante aos custos com a produção de volumosos os mesmos foram calculados através do custo de implantação de uma capineira de 1,0 hectare. Foi determinado o custo de mão-de-obra como sendo um salário mínimo vigente no ano de 2010 (R$ 510,00), pagando todos os encargos sociais.
Na presente pesquisa foi utilizada a mesma composição de custos observada no Sistema Integrado de Custos Agropecuários (Custagri), desenvolvido pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática para a Agricultura (CNPTIA/Embrapa), para a produção dos custos operacionais e custo total.
Os indicadores econômicos e financeiros analisados foram:
• Renda bruta da atividade – RBA (R$/mês) = produção total em kg PV x preço de venda no mercado (Carvalho, 2000);
• Custo operacional efetivo da atividade – COE (R$/mês) = despesas com operações (manutenção de instalações e máquinas) + despesas com mão-de-obra contratada + despesas com insumos (alimentação, medicamentos, energia);
• Custo operacional total da atividade – COT (R$/mês) = COE + outros custos operacionais (mão-de-obra familiar, depreciação de instalações e máquinas) – para o cálculo da depreciação, foi utilizado o método linear (Hoffman et al., 1987)
• Custo total da atividade – CT (R$/ano) = COT + outros custos fixos (remuneração do capital investido em borregos, instalações, máquinas e terras) – para o cálculo da remuneração do capital investido, adotou-se taxa de juros de 6,87% sobre o valor médio do capital empatado, referente à remuneração anual (nominal descontada a inflação) da caderneta de poupança no ano de 2010;
• Participação do custo com volumoso no COE (%) = custo mensal com volumoso/COE x 100;
• Participação do custo com concentrado no custo operacional efetivo (%) = custo mensal com concentrado/COE x 100;
• Participação do custo com medicamentos no COE (%) = custo mensal com medicamentos/COE x 100;
• Margem bruta da atividade – MB (R$/mês) = RBA - COE;
• Margem líquida da atividade – ML (R$/mês) = RBA - COT;
• Lucro da atividade (R$/mês) = RBA - CT;
• Custo operacional efetivo (R$/kg PV/mês) = (COE x (RBL/RBA x 100))/produção mensal em kg;
• Custo operacional total (R$/kg PV/mês) = (COT x (RBL/RBA x 100))/produção mensal em kg;
• Custo total (R$/kg PV/mês) = (CT x (RBL/RBA x 100))/produção mensal em kg;
• Margem bruta (R$/kg PV/mês) = preço do kg PV - COE;
• Margem líquida (R$/kg PV/mês) = preço do kg PV - COT;
• Lucro (R$/kg PV/mês) = preço do kg PV - CT;
• Gasto com concentrado em relação ao valor da produção (%) = gasto mensal com concentrado/RBL x 100;
• Gasto com mão-de-obra em relação ao valor da produção (%) = gasto mensal com mão-de-obra/RBL x 100;
• Participação do COE na RBA (%) = COE/RBA x 100;
• Participação do COT na RBA (%) = COT/RBA x 100;
• Taxa de remuneração do capital investido (% a.m) = ML/(instalações + máquinas + capineiras + terras);
• Capital total investido em relação à produção (R$/kg PV/mês) = (capital investido em instalações + máquinas + forrageiras não-anuais + terras)/produção diária em kg.
A receita bruta (RB) foi calculada pelo produto resultante da produção em quilograma de peso vivo pelo preço do produto a ser comercializado. A receita líquida (RL) foi obtida pela diferença entre a receita bruta (RB) e as despesas ou gastos despendidos pelo sistema durante o processo produtivo.
Foi utilizada como medida de eficiência a relação benefício/custo (B/C), que expressa o desempenho global de todos os fatores de produção.
Onde,
R = receita no ano 0 até o ano i; Ci = custos no ano 0 até o ano i; I = investimento
Foi determinado o valor presente líquido (VPL), que leva em consideração o efeito do tempo sobre os valores monetários (valores reais) utilizando-se a taxa média de juros do mercado (custo de oportunidade do capital). O VPL é a soma de todas as receitas líquidas atualizadas a uma taxa de desconto adequada.
Onde,
j = taxa de desconto;
Bi e Ci = fluxos de benefício e custo no período.
Para cada tratamento, foi calculada a taxa interna de retorno (TIR), que é o percentual de retorno obtido sobre o saldo investido e ainda não recuperado em um projeto de investimento, ou seja, é o percentual que expressa a rentabilidade (retorno) anual média do capital alocado no projeto, durante todo o horizonte de análise do projeto. Matematicamente a TIR é a taxa de juros que torna o valor presente das entradas de caixa igual ao valor presente
das saídas de caixa do projeto de investimento, ou seja, é aquela taxa de juros que torna o valor presente líquido igual a zero.
Onde,
j = taxa de desconto;
Bi e Ci = fluxos de benefício e custo no período.
A Taxa Interna de Retorno de um investimento pode ser:
• Maior do que a Taxa Mínima de Atratividade: significa que o investimento é economicamente atrativo.
• Igual à Taxa Mínima de Atratividade: o investimento está economicamente numa situação de indiferença.
• Menor do que a Taxa Mínima de Atratividade: o investimento não é economicamente atrativo, pois, seu retorno é superado pelo retorno de um investimento sem risco.
Para o cálculo da depreciação, utilizou-se o método linear ou das cotas fixas, que proporciona depreciação constante, cujo valor é determinado através da seguinte fórmula:
Onde,
d = depreciação; vi = valor inicial; vf = valor final;
n = número de anos de duração do capital (vida útil).
Todos os custos utilizados na simulação foram orçados de acordo com os preços encontrados no mercado de Fortaleza-CE. A avaliação dos dados foi realizada através de análises descritivas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os indicadores técnicos obtidos durante a simulação podem ser observados na Tabela 3. No tocante a produção diária de quilograma de peso vivo (kg PV), pode-se verificar que a mesma foi maior nos borregos alimentados com a ração TA51,8 em relação as demais rações, necessitando de uma menor área para capineira (ha) e de um menor fornecimento de
concentrado para o rebanho, mostrando assim uma melhor eficiência alimentar destes borregos proporcionada pela ração utilizada.
A área total utilizada no confinamento foi maior nos sistemas de confinamento que necessitaram de uma maior capineira, como é o caso do UR100 e LEU100, visto que as demais instalações como centro de manejo e currais e a mão-de-obra obedeceram a um mesmo dimensionamento para os lotes que receberam as diferentes dietas, onde os currais possuíam uma área média de 0,8 m²/animal, em cada lote eram confinados 200 borregos e considerou-se a capacidade de um homem realizar o manejo de todo o lote.
Tabela 3 - Indicadores técnicos e zootécnicos da produção de borregos em confinamento alimentados com diferentes fontes protéicas na ração concentrada
Indicadores SOJ100 TA51,8 UR100 LEU100
Indicadores técnicos
Produção diária de kg PV 27,66 30,71 22,72 22,54
Área utilizada para capineira (ha) 0,99 0,99 1,01 1,03
Área utilizável (ha) 0,02 0,02 0,02 0,02
Área total 1,01 1,01 1,04 1,05
Fornecimento de concentrado para o rebanho (kg MN/mês) 2559,40 2506,79 2704,46 2698,66
Indicadores zootécnicos
Ganho Médio Diário (kg/anim x dia) 0,138 0,154 0,113 0,114
Produtividade da terra (kg/ha x mês) 848,17 945,02 667,07 681,53
Produtividade da MO (kg/dia-homem) 3,69 4,10 3,01 3,03
Produtividade do concentrado (kg PV/kg de MN) 0,33 0,37 0,25 0,26
LEU100: feno do folíolo da leucena (100% substituindo o farelo de soja), TA51,8: torta de algodão (51,8% substituindo o farelo de soja), SOJ100 (100% de farelo de soja como fonte protéica), UR100 (100% substituindo o farelo de soja)
No tocante aos indicadores zootécnicos (Tabela 3) o melhor ganho médio diário (kg/animal x dia) foi observado no TA51,8 tendo um ganho de 0,154 kg/animal x dia, ocasionando uma maior produtividade da terra, da mão-de-obra e do concentrado. Em todos os sistemas de confinamento obteve-se um ganho médio diário superior ao preconizada para o experimento, que era para um ganho de 100 g diários.
A estimativa de custos de implantação do sistema para todos os sistemas de confinamento podem ser observados na Tabela 4. Pode-se verificar que no sistema que utilizou o LEU100 como fonte protéica alternativa na ração concentrada necessita-se um maior custo de implantação total, devido a uma maior área de capineira necessária para a produção de volumosos, podendo ser explicado devido a uma maior necessidade de consumo de alimentos para que os borregos alcancem o peso ideal de venda neste tratamento, todavia ao analisar os custos de implantação em R$/kg PV pode-se observar um menor custo no confinamento que utilizou a torta de algodão como fonte protéica (R$ 0,124/PV), seguido pela
soja (R$ 0,136/PV), uréia (R$ 0,163/PV) e feno do folíolo da leucena (R$ 0,165/PV), este comportamento deve-se principalmente a uma maior diluição dos custos de investimento ocasionado pela maior produção em kg/PV do cordeiro no confinamento que utilizou a torta de algodão como fonte protéica durante o período de análise.
Tabela 4 - Custos de implantação de sistemas de confinamento de borregos alimentados com diferentes fontes protéicas na ração concentrada