As concentrações de lipídios totais foram observadas em vários tecidos de armazenamento ao longo do ciclo reprodutivo, como fígado, musculatura esquelética branca e vermelha e na ventrecha (musculatura ventral armazenadora de lipídios). Além desses tecidos, foram analisadas também as concentrações de lipídios nas gônadas e no plasma.
Na tabela 02 observa-se que, a ventrecha é o tecido de maior concentração de lipídios em todas as fases reprodutivas, seguido do músculo vermelho e branco, evidenciando que, dentre os diferentes tipos musculares, a
ventrecha é a região preferencial de armazenamento de lipídios. A ventrecha
apresentou os maiores valores de lipídios na fase madura (221,87 ± 21,62 mg/g), sendo maior estatisticamente entre todas as fases reprodutivas: repouso (P=0,038), maturação (P<0,001), regressão (P<0,001) e imaturo (P<0,001). Durante o repouso, observou-se também uma alta concentração lipídica (171,18 ± 40,77 mg/g) que foi maior estatisticamente em relação à maturação (P=0,010), regressão (P=0,010) e imaturo (P=0,008).
Da mesma forma, o músculo vermelho apresentou os maiores valores de lipídios também na fase madura (82,19 ± 10,47 mg/g), sendo diferente estatisticamente da fase de maturação (P<0,05). O músculo branco foi o tecido de menor concentração de lipídios em relação às outras musculaturas e não apresentou variações ao longo do ciclo reprodutivo. De forma geral, nota-se que nas fêmeas, a ventrecha e o músculo vermelho tendem a acumular mais lipídio em relação ao músculo branco, principalmente na fase madura do ciclo reprodutivo.
Em relação às proteínas totais (tabela 02), em fêmeas, o maior valor obtido foi para a ventrecha no animal imaturo (182,64 ± 9,38 mg/g) que foi maior estatisticamente em relação às demais fases do ciclo: repouso (P=0,008), maturação (P=0,002), maduro (P<0,001) e regressão (P=0,030), demonstrando que os animais jovens armazenam mais proteínas nesse tecido em relação aos adultos que necessitam de uma disponibilidade maior desse substrato para a
reprodução. Considerando-se o ciclo reprodutivo, a menor concentração de proteínas na ventrecha ocorreu na fase madura (23,56 ± 3,95 mg/g) que diferiu estatisticamente das demais fases: repouso (P=0,025), maturação (P=0,002) e regressão (P=0,028).
Semelhante à ventrecha, a musculatura branca também demonstrou uma maior concentração de proteínas em indivíduos imaturos em relação aos adultos da fase madura do ciclo reprodutivo (P<0,05), mas sem diferença estatística para os demais estádios. Já o músculo vermelho não apresentou diferença estatística entre os animais imaturos e os adultos dentro do ciclo reprodutivo.
Observando as concentrações lipídicas gonadais (tabela 03), verifica-se que ocorre, de uma forma geral, um aumento na concentração lipídica a medida que o ciclo reprodutivo avança, alcançando a concentração máxima na fase madura (133,06 ± 8,7 mg/g). Após essa fase, observa-se que a concentração lipídica decai no estádio de regressão (36,98 ± 11,55 mg/g), uma vez que nesta fase o substrato depositado nos oócitos na forma de vitelogenina começa a ser reabsorvido do ovário. A fase madura foi estatisticamente maior em relação aos demais estádios reprodutivos: repouso (P<0,001), maturação (P<0,001), regressão (P<0,001) e dos animais imaturos (P<0,001).
Com relação à concentração de lipídios totais hepáticos (tabela 03), o maior valor encontrado foi na fase de regressão (33,19 ± 2,97 mg/g), que diferiu estatisticamente em relação ao repouso (P=0,002), maturação (P<0,001) e dos animais imaturos (P=0,019). A fase madura também demonstrou uma alta concentração desse substrato (31,59 ± 3,30 mg/g) diferindo estatisticamente em relação ao repouso (P=0,019), maturação (P=0,002) e dos animais imaturos (P=0,005).
Nos machos, as análises das concentrações de proteínas e lipídios totais foram realizadas também em diferentes tecidos e os resultados encontram-se nas tabelas 04 e 05.
Dentre as diferentes regiões de músculos estudados, assim como nas fêmeas, a ventrecha foi o tecido de maior concentração lipídica, seguido do
músculo vermelho e branco para os dois grupos estudados. Já para as proteínas totais, em ambos os grupos (1 e 2), o tecido de maior concentração foi o músculo branco em relação a ventrecha e ao músculo vermelho. Não houve diferença estatística para as proteínas e lipídios do músculo branco, vermelho e ventrecha entre o grupo 1 e 2. Esses resultados demonstram que, nos machos, a musculatura branca é o principal tecido armazenador de proteínas e a ventrecha para os lipídios, independente do grupo experimental (1 e 2).
Os lipídios totais hepáticos assim como as proteínas nos machos (tabela 05) não apresentaram diferença estatística significativa entre os grupos. Para os testículos de A. gigas, esse mesmo resultado foi observado, demonstrando concentrações homogêneas de proteínas e lipídios entre os grupos.
Considerando-se as concentrações lipídicas no plasma das fêmeas (tabela 06), o maior valor absoluto foi encontrado nos animais imaturos que, comparando com os adultos, foi maior estatisticamente em relação à fase madura (P<0,05). Entre os animais adultos, as maiores concentrações foram encontradas na maturação, que novamente foi maior estatisticamente em relação à fase madura (P<0,05). Já a menor concentração de lipídio plasmático foi encontrada na fase madura, sugerindo que todo o lipídio circulante na fase anterior foi absorvido ou pelo ovário ou até mesmo por algum órgão de armazenamento, como o fígado e/ou músculo, pois todos eles demonstraram um aumento da concentração lipídica da fase de maturação para madura.
O colesterol plasmático não apresentou diferença estatística nas fêmeas entre os estádios reprodutivos. Isso evidencia que as altas concentrações lipídicas plasmáticas observadas no estádio imaturo e maduro em fêmeas não são devido à presença do colesterol. Da mesma forma, as concentrações de proteínas totais plasmáticas mantiveram-se equivalentes ao longo do ciclo reprodutivo em fêmeas, não apresentando diferença estatística entre os estádios.
Com relação aos machos, as concentrações de lipídios, proteínas e colesterol plasmático não apresentaram diferença estatística entre os grupos 1 e 2 (tabela 07).