Anemia en la enfermedad renal
D.1. Suplementos de hierro:
O Colibri de Outeiro é o espaço da Associação Cultural Colibri de Outeiro, composto por um Pássaro Junino, um Cordão de Pássaro, um ponto de cultura e um infocentro, onde são desenvolvidas atividades com a comunidade do entorno, voltadas para práticas de formação, intervenção e circulação de manifestações artísticas da cultura popular. O cordão de Pássaro Colibri tem 44 anos de existência e é formado por brincantes que vem de famílias carentes, entre eles jovens e adolescentes da periferia de Outeiro. Além de produzirem oficinas que ajudam na confecção das roupas e adereços desse Melodrama-Fantasia, o Colibri de Outeiro realiza exibições de cinema para crianças e formação básica em informática com acesso gratuito à internet.
Pássaro Junino > Cordão de Bichos > Infocentro > Ponto de Cultura > Confecação de figurinos > Confecção de adereços >
MESTRA-GESTORA
Laurene Ataide (Associação Cultural Colibri de Outeiro)
Os bumbas, os cordões de pássaros e os pássaros juninos, como expressão do mais autêntico teatro popular, mantiveram-se em grande atividade em Belém entre 1990 e 1950. Resistiram à repressão policial, às críticas da imprensa e à indiferença da elite.
O Colibri nasceu lá em Icoaraci com o nome de Beija flor em 1971 com a minha mãe. A minha mãe sempre foi apaixonada pela brincadeira de cordão de Pássaro, eu tava com quatorze anos de idade, hoje eu tenho cinquenta e oito, e ela decidiu montar um cordão de pássaro. E ela chamou toda a vizinhança, toda a criançada, toda a juventude, todos os adolescentes de lá, e formamos um grupo. Era um grupo muito grande, tinha mais de cinquenta pessoas no Beija Flor, e montamos a primeira peça dela era, que chama OS poderes de uma feiticeira, que era a primeira peça que foi montada pela comunidade. Quando a minha mãe estava no leito de morte, eu já morava aqui no Outeiro, o Beija Flor se apresentava em Icoaraci, e ela me pediu que eu não deixasse morrer a brincadeira dela. E aí, eu to aqui!
O Pássaro junino é uma brincadeira popular genuinamente paraense que ocorre em diversos períodos, com predominância em época de festas juninas. Se manifesta enquanto expressão artística desde 1900, surgindo como uma ramificação dos Cordões de Bichos. São também conhecidos como Melodrama-Fantasia pela presença marcante do melodrama na sua estrutura dramatúrgica e cênica, alternando momentos com a dança e comicidade dos matutos. A música é tocada ao vivo com o guardião ou proprietário no vocal acompanhado de uma banda. Suas narrativas são compostas pelos seguintes personagens: nobres (princesas, príncipes, marquesas e marqueses, condes e condessas), matutos, índios, feiticeiras, fadas, mãe de santo, caçador e o próprio pássaro. Todos caracterizados com indumentárias construídas pelos próprios brincantes como parte do processo criativo.
A estrutura de um pássaro contava com uma madrinha, responsável pelo figurino do porta-pássaro, um padrinho, pelos trâmites burocráticos, o apadrinhamento, que geralmente era um órgão público, e a diretoria, composta pela guardiã e os brincantes. Aos padrinhos cabem, também, a missão de evitar a morte dos pássaros.
Um pássaro só morre por decisão de seu proprietário. E dentro dessa simbologia popular, ele pode morrer tanto num sentido emblemático, ao ser trocado por outro bicho, como no sentido literal, deixar de existir enquanto manifestação artística. “Morre porque o proprietário, por dificuldades econômicas, cansaço, desilusão, doença ou mudança pra outra localidade, resolve não dar sequência à tradição. Morre o pássaro na memória das gentes, mas não morre no coração dos brincantes” (MOURA, 2011, p. 368). Outras ações do pássaro são usadas como metáforas de resistência: a fuga, que causa um sentimento de alegria significando que ele voltará e, portanto, que continuará, e a revoada, cerimônia coletiva que reúne todos os cordões da cidade. Hoje, há cerca de 22 Pássaros em atividade em Belém, que teimosamente resiste pelo esforço e dedicação de seus guardiões, ensaiadores e brincantes.
O período de apogeu do pássaro, em Belém, estendeu-se do final da década de 1940 ao início da década de 1970. Os pássaros juninos e os cordões de pássaros passaram a depender cada vez mais da ação do Estado, através de suas agências, que lhe proporcionam subvenções (parcimoniosas), instituem concursos ou campeonatos e principalmente oferecem espaços para os grupos se apresentarem, o que é fundamental, dada a extinção gradual dos locais onde tradicionalmente eram vistos (arraiais juninos e pequenos teatros de bairro.
(MOURA, 1997, p. 353)
Com a criação do Centur, meados de 1980, e do Projeto Preamar, no período de 1986 a 1990, duas grandes mostras da cultura popular, incluindo os Pássaros, Cordões de Pássaros, grupos de dança parafolclóricos, quadrilhas e boi-bumbás, aconteciam em Belém na época da quadra junina e do Círio de Nazaré.
Manifestações como o Pássaro Junino e Cordão de bichos, correm o risco de extinção nos dias de hoje, na medida em que se vê mal assistida pelo poder público, que não investe de modo regular nesse tipo de prática e, tampouco, oferta espaço
para apresentação de seus brincantes, que se restrigem aos folguedos juninos. No entanto, o trabalho que um mestra e guardião de um grupo de Pássaro realiza, vai muito além de uma finalidade estética, pois intervém com força nos caminhos e escolhas da juventude e infância de comunidades invizibilizadas pelos dispositivos de poder.
Diferente do que as pessoas dizem, o cordão de pássaro vai pra além do contexto da cultura, né?! Os jovens, as crianças que participam aqui, elas aprendem a ter uma outra visão de mundo, né. E a possibilidade do circuito, ele traz muito mais a cultura, a história do lugar pra eles um pouco fazerem esse contexto, dessa vivência e conhecer outras culturas, vê com elas funcionam, que isso tem a ver dessa história da valorização da cultura, da nossa cultura, e de valorizar as culturas como um todo.