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Supersymmetric field theories

In document Chasing SUSY Through Parameter Space (sider 20-26)

Em Walter Benjamim (1994), a narrativa é a expressão da experiência: “o narrador retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros” (p. 201). Por apresentar características de oralidade, a narrativa mantém as tradições e as conserva diferentemente do romance que trata do sentido da vida, encerrando sempre a história com um final que é imposto ao leitor. Assim, para Benjamin (1994), a narrativa seria a forma de comunicação mais adequada ao ser humano já que reflete a experiência humana.

Narrar alguma coisa consiste, segundo Benjamin (1984), na “faculdade de intercambiar experiência” (p. 213), uma vez que ela reconstrói à medida que é narrada. Em seu texto sobre “O Narrador”, o autor afirma que “a narrativa contempla a experiência contada pelo narrador e ouvida pelo ouvinte, que por sua vez, ao contar aquilo que ouviu, transforma-se ele mesmo em narrador por já ter amalgamado à sua experiência a história ouvida”.

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A união entre experiência e narrativa como expressão, tem sido bastante utilizada como técnica metodológica de pesquisa nos meios acadêmicos. Pela narrativa é possível se aproximar da experiência, tal como ela é vivida pelo narrador.

Essa é a concepção de Clandinin e Connnely (2011) ao desenvolver estudos que têm como foco a compreensão de como os indivíduos ensinam e aprendem. O objetivo dos autores é identificar como a temporalidade se conecta com as transformações e a aprendizagem. Como pesquisadores narrativos, defendem que o objeto de estudo é a própria educação como forma de experiência que acontece narrativamente. Os autores partem da compreensão de experiência como histórias vividas e narradas, sendo a pesquisa narrativa o método utilizado para compreender e interpretar as dimensões pessoais e humanas para além de esquemas fechados, recortados e quantificáveis. Segundo os autores, a narrativa pode ser um instrumento de pesquisa, mas também um método, já que possibilita ao pesquisador apreender a experiência humana. Para os autores a investigação narrativa:

É uma forma de compreender a experiência. É um tipo de colaboração entre pesquisador e participante, ao longo de um tempo, em um lugar ou série de lugares, e em interação com milieus. Um pesquisador entra nessa matriz no durante e progride no mesmo espírito, concluindo a pesquisa ainda no meio do viver e do contar, do reviver e recontar, as histórias de experiências que compuseram as vidas das pessoas, em ambas perspectivas: individual e social (CLANDININ e CONNELLY, 2011, p. 51).

Nessa perspectiva, os autores entendem a pesquisa narrativa como alternativa para a compreensão das histórias vividas e narradas como possibilidade de interpretar as dimensões pessoais e humanas além de esquemas fechados, recortados e quantificáveis.

Esse também é o entendimento construído por Josso (2010) ao propor um trabalho de pesquisa a partir da narração das histórias de vida. Entretanto, esta narrativa proposta por Christine Josso é uma reflexão de si mesmo: as heranças, continuidades, rupturas, projetos de vida, aquisições de experiência, dentre outros que permitem perceber as mutações sociais e culturais na vida singular e sua relação como os contextos da vida escolar e social.

Na verdade, a abordagem autobiográfica é um processo de investigação dos diferentes momentos de si mesmo, configura-se por vincular a produção de conhecimentos dos sujeitos adultos. Levando-os a tomar consciência de si e de suas aprendizagens experienciais, vivendo o papel de ator e investigador da sua própria história.

Para Josso (2007), nessa autobiografia o sujeito se desloca numa análise entre o papel vivido de ator e autor de suas próprias experiências, que se intercruzam com as histórias coletivas e permitem as pessoas compreenderem a sua vida cotidiana, suas dificuldades e

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contrações, as tensões e problemas que esta lhes impõe ao mesmo tempo traduz as estruturas micro sociais. Segundo a autora:

Falar de recordações-referências é dizer, de imediato, que elas são simbólicas do que o autor compreende como elementos constitutivos da sua formação. A recordação- referência significa, ao mesmo tempo, uma dimensão concreta ou visível, que apela para as nossas percepções ou para as imagens sociais, e uma dimensão invisível, que apela para emoções, sentimentos, sentidos e valores. [...] São as experiências que podemos utilizar como ilustração numa história para descrever uma transformação, um estado de coisas, um complexo afetivo, uma ideia, como também uma situação, um acontecimento, uma atividade ou um encontro. E essa história me apresenta ao outro em formas sócio-culturais, em representações, conhecimentos e valorizações, que são diferentes formas de falar de mim, das minhas identidades e da minha subjetividade. Assim, a construção da narrativa de formação de cada individuo conduz a uma reflexão antropológica, ontológica e axiológica. (JOSSO, 2004, p. 40- 41).

Para a autora, as recordações e as referências constitutivas da formação quando narradas e centradas na análise e interpretação das histórias de vidas escritas, permitem colocar em evidência a pluralidade, a fragilidade e a mobilidade de nossas identidades ao longo da vida.

Cunha (1997) defende as narrativas como produtoras de conhecimentos que, ao mesmo tempo em de fazem veículos, constroem os condutores, visto que ao narrar, o ser humano simultaneamente produz e compartilha novos conhecimentos com seus interlocutores. Ao falar e escrever sobre si, o narrador estabelece uma forma de comunicação que transita entre dois mundos inseparáveis: o individual e o coletivo, pois a dualidade “eu” e “outro” está impressa tanto no contador de histórias, quanto no ouvinte das histórias.

A palavra narrativa do étimo latino narrare significa relatar, contar uma história, combinar histórias de vida a contextos sócios históricos. Ao mesmo tempo em que as narrativas revelam experiências individuais, elas podem lançar luz sobre as identidades dos indivíduos e as imagens que eles têm de si mesmo. Elas também são constitutivas de fenômenos sócios históricos específicos nos quais as biografias se enraízam.

Como observam Bauer e Gaskell (2002), o objetivo das narrativas não é apenas reconstruir a história de vida do informante, mas compreender os contextos em que essas biografias foram construídas e os fatores que produzem mudanças e motivam ações. Os autores advertem que nas entrevistas narrativas a memória é seletiva, onde nem todos os eventos são lembrados, alguns são esquecidos deliberada ou inconscientemente. Neste sentido, o importante é o que a pessoa registrou de sua história, o que experimentou o que é real para ela e não os fatos em si. Para os autores as narrativas são representações ou interpretações do mundo e, por isso não estão abertas a comprovação e não podem ser

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julgadas como verdadeiras ou falsas, pois expressam a verdade de um ponto de vista em determinado tempo e espaço, em um contexto sócio e histórico. Não se tem acesso direto às experiências dos outros, se lida com representações dessas experiências ao interpretá-las a partir da interação estabelecida.

Para Martins e Tourinho (2009), a pesquisa narrativa se debruça sobre questões epistemológicas que ajudam a compreender e explicar como práticas culturais, sociais e visuais que marcam a trajetória e a subjetividade dos indivíduos, seus modos de perceber, interpretar e narrar. Preocupam-se também, com a compreensão de como essas práticas configuram ideias, conceitos e representações do nosso cotidiano.

Em Martins (2009), narrar é contar algo sobre o mundo, sobre a existência, sobre o outro ou sobre si mesmo.

É uma maneira de descrever cenários, reinventar a vida, recriar histórias, mas, sobretudo, de recontar eventos, realidades, conflitos, problemas, dúvidas e sentimentos que revelam diferentes versões e perspectivas dos seres humanos. Romances, crônicas, novelas televisivas, ensaios, histórias em quadrinho, tirinhas, fotografias de família, filmes, canções, piadas e até mesmo fatos nas páginas policiais são maneiras de contar, são ações ou acontecimentos que o narrador, ao registrá-los, pode torná-los focos de interesse para posterioridade (MARTINS, 2009, p. 33).

Para o autor as narrativas são revelações orais, escritas, sonoras e visuais que se articulam a partir de vários acontecimentos ou eventos de interesse humano que se unem em uma mesma ação. Uma teia de ideias engendradas por meio de palavras ou escritas e/ou som e imagens são as condições para que as revelações sejam reconhecidas como narrativa.

Como enfatiza Assis (2015, p. 119), a narrativa é um tecido feito de memórias de experiências vividas que revelam dimensões cognitivas, sensíveis e epistemológicas que ajudam na reelaboração dos desejos, dos sonhos e das necessidades; tecidas no interior das práticas e dos discursos culturais institucionalizados, como a família, a escola, a profissão, a religião, elas expõem os modos, os sentidos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo.

Sabemos que a narrativa pode ser sustentada pela linguagem articulada, oral ou escrita, pela imagem fixa ou móvel, pelo gesto ou pela mistura ordenada de todas essas substâncias. Nesse aspecto, o ponto fundamental da pesquisa é o entendimento das narrativas como espaço investigativo e a possibilidade da imagem se apresentar como narrativa visual, podendo significar a partir de sua própria estrutura e tornando-se capaz de problematizar a multivivência humana.

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Nesta perspectiva, os desenhos, colagens, mensagens de WhatsApp e outras linguagens visuais produzidas pelos alunos de EJA, permitiram construir e reconstruir, com entrecruzamento, percepções e novas significações sobre os temas levantados. Assim, cada visualidade produzida pelos alunos se tornaram ferramentas de reflexão tanto da trajetória da pesquisa quanto dos códigos da nossa visualidade cotidiana.

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