Para garantir a qualidade de semeadura, a distribuição de sementes e de fertilizantes deve ser adequada em termos de dosagem e uniformidade de distribuição na linha e em profundidade.
Kurachi et al. (1986) relataram que as semeadoras-adubadoras fabricadas em diferentes tipos e modelos no mercado brasileiro devem ter sua eficiência avaliada por dois parâmetros principais com relação à distribuição longitudinal de sementes, sendo eles a porcentagem de espaçamentos aceitáveis e o coeficiente de variação geral da população de espaçamentos.
Segundo Kurachi et al. (1989), estudos apontaram a uniformidade de distribuição longitudinal de sementes como uma das características que mais contribuem para a obtenção de um estande adequado de plantas e, conseqüentemente, de uma melhor produtividade da cultura. Os autores citaram normas da ABNT que estabelecem como espaçamentos aceitáveis os que se situam entre 0,5 e 1,5 vezes o espaçamento médio desejado. Os espaçamentos que se situam abaixo do limite inferior são considerados como múltiplos, e, os que estão acima do limite superior como espaçamentos falhos.
Segundo critérios estabelecidos por Tourino e Klingensteiner (1983) pode-se classificar o desempenho das semeadoras quanto à eficiência de distribuição longitudinal de sementes de acordo com o percentual de sementes distribuídas na faixa de espaçamentos aceitáveis, sendo considerado como desempenho ótimo com 90 a 100%, bom com 75 a 90%, regular com 50 a 75% e insatisfatório abaixo de 50% de sementes distribuídas na faixa desejada (0,5 a 1,5 vezes o espaçamento desejado).
Com objetivos de certificação de semeadoras-adubadoras, Coelho (1996) estabeleceu limites de porcentagem de espaçamentos aceitáveis entre sementes e coeficiente de variação considerando toda a população de espaçamentos, em função de diferentes mecanismos dosadores de sementes das semeadoras. Para o mecanismo dosador de sementes de disco horizontal perfurado, adotou como requisito para certificação, apresentar no mínimo de 60% de espaçamentos aceitáveis e, coeficiente de variação de no máximo 50%.
Trabalhando com velocidades de deslocamento de 4,5 e 8,0 km.h-1, Araújo et al. (1999), verificaram que houve boa uniformidade na profundidade de semeadura
de milho e soja em todas as linhas. Em relação à uniformidade de distribuição longitudinal de plantas de milho, para as duas velocidades de deslocamento obteve-se desempenho semelhante, com espaçamentos normais entre plantas superior a 60%. Os autores observaram também que com o aumento da velocidade houve redução nos espaçamentos normais e aumento nos duplos. Silva (2000), concluiu que a uniformidade de distribuição de sementes não foi influenciada pela velocidade de deslocamento na implantação de culturas de milho e soja.
Mahl et al. (2001) avaliaram em solo argiloso, três velocidades de deslocamento e dois mecanismos sulcadores na semeadura de milho. Os autores concluíram que com o aumento da velocidade de deslocamento da semeadora, houve redução no percentual de espaçamentos aceitáveis e conseqüente aumento no percentual de espaçamentos múltiplos e falhos; o sulcador para fertilizante do tipo haste propiciou maior profundidade de deposição de sementes em relação ao de discos duplos.
Avaliando uma semeadora-adubadora de plantio direto pneumática com diferentes mecanismos sulcadores e rodas compactadoras, Takahashi et al. (2001) detectaram que o mecanismo sulcador de hastes depositou o fertilizante e as sementes em profundidades maiores que o sulcador de discos e não encontraram diferenças significativas na distribuição longitudinal de sementes de milho.
Tourino (1993) afirmou que a distribuição espacial de plantas de milho pode ocasionar perdas de 15% ou mais na produtividade de grãos. Por outro lado, Rizzardi et al. (1994) estudando a desuniformidade de distribuição de plantas de milho na linha de semeadura, considerando espaçamentos entre linhas de 0,7 e 0,9 m, sob mesma densidade de semeadura, concluíram que a produtividade e os componentes de produção da cultura foram capazes de compensar os espaçamentos desuniformes da distribuição de sementes.
Mantovani et al. (1992) avaliaram em campo, o desempenho operacional de nove semeadoras-adubadoras de milho submetidas às velocidades de deslocamento de 5,0; 6,5 e 7,5 km.h-1. Os autores verificaram que o desempenho das mesmas diferiu em relação à porcentagem de espaçamentos aceitáveis entre sementes, ao estande de plantas, à distribuição de fertilizante e à profundidade de semeadura.
Em estudos realizados por Casão Júnior et al. (2001), verificou-se que houve variação na distribuição de fertilizante de até 12% em semeadoras-adubadoras de
precisão para uma regulagem de 200 kg.ha-1 de fertilizante. Quanto à distribuição de sementes, os autores observaram variações médias inferiores a 7% da dosagem regulada de sementes.
Analisando o desempenho de uma semeadora-adubadora, na implantação da cultura do milho, Silva et al. (2000) classificaram a uniformidade de espaçamentos entre sementes como excelente, na velocidade de deslocamento de 3,0 km.h-1; regular para 6,0 e 9,0 km.h-1; e, insatisfatória na velocidade de 11,2 km.h-1. Estudando também a variação de profundidade de deposição de fertilizante (5 e 10 cm), os autores observaram que a adubação realizada na profundidade de 10 cm, associada à velocidade de deslocamento de até 6 km.h-1, proporcionou maiores estandes de plantas, número de espigas e rendimentos de grãos de milho. A profundidade média de semeadura não foi alterada pela variação de velocidade de deslocamento e profundidade de adubação.
Pacheco et al. (1996) avaliaram em laboratório a distribuição das sementes de milho de uma semeadora, testando diferentes alturas de queda das sementes (400, 300 e 200 mm) e posição de saída das mesmas em diferentes velocidades de deslocamento e conformação do tubo condutor. Os autores concluíram que os tratamentos não interferiram na uniformidade de distribuição longitudinal de sementes e que o aumento da velocidade de deslocamento prejudicou o desempenho da semeadora, classificando-o como bom, regular e insatisfatório nas velocidades de deslocamento de 5,0; 7,0 e 9,3 km.h-1, respectivamente.
Na operação de semeadura de milho com variação de velocidade de 4,5 e 8,0 km.h-1, Casão Júnior et al. (2000a) detectaram que 1,4 e 3,4% das sementes ficaram expostas nas respectivas velocidades. A semeadora-adubadora apresentou desempenho aceitável quanto à distribuição longitudinal de sementes (67% de espaçamentos aceitáveis) na velocidade de deslocamento de 4,5 km.h-1. Entretanto, aumentando-se a velocidade, houve
redução significativa no percentual de espaçamentos normais e aumento de espaçamentos múltiplos e falhos. Os autores observaram alta variabilidade na profundidade das sementes em cada linha de semeadura isoladamente (coeficiente de variação de 26 a 40%).
Oliveira (1997) avaliou o desempenho operacional de uma semeadora- adubadora, submetida à variação de velocidade de deslocamento em solos Podzólicos Vermelho-Amarelo câmbico e Latossolo Vermelho-Amarelo, com coberturas vegetais de milho, labe-labe e vegetação espontânea. O autor concluiu que o número de sementes distribuídas e o estande final de plantas não foram influenciados pelos tratamentos estudados.
Também não detectou variação significativa do efeito dos tratamentos sobre o percentual de espaçamentos aceitáveis, múltiplos e falhos, bem como do coeficiente de variação dos espaçamentos entre sementes.
Santos et al. (2000) avaliaram a distribuição longitudinal de plantas de milho quando semeadas por uma semeadora-adubadora com mecanismo dosador pneumático, com seis unidades de semeadura, espaçadas de 0,8 m, nas velocidades de deslocamento de 5,0; 7,0 e 9,0 km.h-1. Os autores concluíram que o aumento da velocidade de deslocamento na
semeadura influenciou linearmente os espaçamentos aceitáveis e falhos entre as plantas de milho. Por outro lado, Andersson (2001) detectou aumento da presença de espaçamentos duplos em decorrência do aumento da velocidade de deslocamento, quando utilizou mecanismo dosador de discos horizontais perfurados.
Analisando três profundidades de deposição de sementes de milho (4, 6 e 8 cm) Özmerzi et al. (2002) obtiveram melhor uniformidade na profundidade de semeadura de 6 cm, a qual foi avaliada pelo menor coeficiente de variação. Por outro lado, a variação na profundidade de deposição de sementes não interferiu na uniformidade de distribuição longitudinal das mesmas (espaçamentos normais, múltiplos e falhos) mas interferiu de forma significativa no índice de emergência (maior índice nas profundidades de 4 e 6 cm) e no número médio de dias para emergência (menor na profundidade de 4 cm).