4. FISlffiRIES AND STOCKS IN Tlffi NORTH-EAST ATLANTIC COMMISSION AREA
4.2 Homewater fisheries in the North-East Atlantic Commission area
4.3.5 Summary of Status of Stocks in the North-East Atlantic Commission Area .................................................... ll
Em 2009, o Setor de Capacitação e Treinamento do Grupo X foi destacado da Divisão de Recursos Humanos. Um coordenador e duas auxiliares são responsáveis pela elaboração e
implementação de programas de qualificação e capacitação profissional, direcionados a todos os postos de trabalho das usinas sucroalcooleiras pertencentes ao Grupo X e localizadas em Minas Gerais. O setor está subordinado, diretamente, à diretoria da usina A e a ele são destinados cerca de R$ 3 milhões a cada um ano e meio para subsidiar projetos. De acordo com o coordenador, um conjunto de fatores favoreceu o destacamento do Setor de Capacitação e Treinamento: a retomada de crescimento após a crise de 2008, a demanda pelos principais produtos (açúcar, etanol e bioeletricidade), o estabelecimento do Protocolo Ambiental, a possibilidade de crescimento da empresa e a indisponibilidade de profissionais qualificados. Para ele, em razão desse cenário, a qualificação profissional passou a ser uma ação fundamental para o grupo.
O foco dos programas incide nas áreas: gerencial, administrativa, técnica e operacional. Em relação à área gerencial, os programas visam melhorar o desempenho profissional e as estratégias de sobrevivência da empresa no mercado. Nesta lógica, em 2011, o Setor de Capacitação e Treinamento implementou um programa que capacitou 340 líderes. O programa foi chamado de “Academia de Líderes”. Segundo o coordenador, “o treinamento
comportamental de lideranças objetivou construir a base, dar suporte aos colaboradores e nivelar o comportamento”.
Graças a esse sentido compartilhado, ao qual todos aderem, cada um sabe aquilo que deve fazer sem que ninguém precise mandar. Imprime-se com firmeza uma direção, sem ser preciso recorrer a ordens, e o pessoal pode continuar a autogerir-se. Nada lhe é imposto, pois ele adere ao projeto. O ponto fundamental desse dispositivo é o líder, precisamente aquele que sabe ter uma visão, transmiti-la e obter adesão dos outros (BOLTANSKI e CHIAPELLO, 2009, p.105 [grifos dos autores]).
Aos funcionários da área administrativa são direcionados programas de capacitação e não de qualificação profissional, visto que o objetivo é o aperfeiçoamento desse contingente que, em geral, possui formação superior. A capacitação consiste na participação em cursos rápidos e palestras que abordam temas como: imagem corporativa, comunicação interna, trabalho coletivo, relação de confiança entre os funcionários, retenção de talentos, exploração das oportunidades, sistemas de avaliação de cargos, competências, liderança, engajamento e entusiasmo 28.
Para os níveis técnico e operacional são desenvolvidos programas de capacitação e de qualificação profissional visando a melhoria do processo produtivo. Os programas de capacitação consistem no aperfeiçoamento, em curto ou longo prazo, de um saber que o
28 Estes elementos foram recorrentes no I Seminário de Gestão de Pessoas do Setor Sucroalcooleiro, realizado
trabalhador já possui, podendo ser realizados in job ou virtualmente. Já os programas de qualificação profissional, acontecem em parceria com instituições profissionalizantes, como o Senai, e têm duração aproximada de oito meses. Esta pesquisa trata, especificamente, desta última modalidade.
3.3. O Programa Y
O Programa Y foi implementado pelo Setor de Capacitação e Treinamento do Grupo
X, em 2010 e 2011. Ele foi realizado em parceria com o Senai e direcionado a dois grupos distintos. O primeiro foi formado por jovens com idade entre 18 e 24 anos e que residiam nos municípios onde as usinas do grupo estão localizadas. Esses jovens aprendizes foram inseridos na modalidade “Aprendizagem Industrial Básica”. O segundo foi formado por jovens com idade entre 18 e 25 anos, integrados na modalidade “Qualificação Profissional Básica” e que já trabalhavam nas usinas do grupo como trabalhadores rurais e como mecânicos-auxiliares de máquinas agrícolas.
De acordo com a classificação do Senai, “Aprendizagem Industrial Básica” é definida como a formação técnico-profissional voltada para jovens de 14 a 24 e que, ao final do curso, recebem o certificado de qualificação profissional. Quando alguns cursos apresentam considerável grau de periculosidade, os jovens precisam ter, no mínimo, 18 anos de idade para cursar essa modalidade. Quanto à “Qualificação Profissional Básica”, de acordo com as definições do Senai trata-se de um “[...] processo de formação e desenvolvimento de
competências de um determinado perfil profissional definido no mercado de trabalho [...]”
(Senai/DN, 2009, p. 12). Quando concluem, aos jovens também é conferido o certificado de qualificação profissional.
QUADRO 5 – Distribuição da quantidade de jovens qualificados pelo Programa Y, em 2010 e 2011, segundo a classificação atribuída pelo Senai.
Classificação 2010 2011 Total
Aprendizagem Industrial Básica
(Qualificação realizada nas usinas sucroalcooleiras do Grupo X)
40 40 80
Qualificação Profissional Básica
(Qualificação realizada no Senai de Uberaba) 25 25 50 Fonte: Recursos Humanos do Grupo X.
Os jovens aprendizes e os jovens trabalhadores fizeram o curso de “Mecânico de máquinas agrícolas” e “Eletricista automotivo”, com duração aproximada de oito meses e carga horária de 880 horas.
A maneira como o curso desenvolveu-se, também distingue-se em relação a cada grupo de jovens. Os aprendizes realizaram o curso, em tempo integral, nas dependências da
usina A e da usina B. De segunda a sexta-feira, os jovens aprendizes eram transportados de ônibus até as usinas, onde realizavam aulas teóricas com um instrutor do Senai e aulas práticas na oficina mecânica das usinas, sob a supervisão de um funcionário e do instrutor.
Os jovens trabalhadores inseridos na modalidade “Qualificação profissional básica” viajavam toda segunda-feira para a cidade de Uberaba, onde realizavam o curso, também em tempo integral. Eles permaneciam em hotéis até a sexta-feira, quando retornavam para os municípios em que residiam. O Grupo X, portanto, era responsável pelas despesas com o curso29, alimentação e transporte, além de continuar remunerando os jovens trabalhadores em um salário correspondente ao que recebiam na última atividade que exerciam nas usinas sucroalcooleiras.
Considerando que a problemática que perpassa as discussões neste estudo, diz respeito à intensificação do processo de mecanização da lavoura canavieira e o consequente desemprego dos trabalhadores empregados em atividades manuais nessa cultura, além da busca das empresas por um perfil de trabalhador mais qualificado, optou-se por investigar o processo de implementação do programa de qualificação profissional direcionado ao segundo grupo mencionado, a saber, os jovens trabalhadores. Vale ressaltar que, a pesquisa de campo foi realizada com o grupo de jovens trabalhadores que se qualificaram em 2011.
Em relação ao contexto no qual esse programa de qualificação profissional insere-se, o coordenador do Setor de Capacitação e Treinamento relatou:
Quando começou a mecanizar, nós, praticamente, triplicamos a quantidade de equipamentos no campo e, automaticamente, necessitávamos de força de trabalho para operar e fazer manutenção diária, preventiva ou corretiva, desses equipamentos. Nessa região têm culturas de soja, milho, sorgo e pecuária. Culturas que são extensivas, mas com mecanização intensiva. A cana usa quantidades muito maiores de equipamentos do que essas outras culturas. Tínhamos também um núcleo urbano sem pessoas, praticamente. Então, nós fizemos a qualificação das pessoas que estavam ligadas à empresa.
No relato do coordenador é possível identificar uma característica inerente aos processos de reestruturação produtiva: a “destruição criadora”. O impacto da eliminação de
postos de trabalho pretende ser amenizado com o argumento sobre a “criação de novos postos” e a consequente qualificação dos trabalhadores que seriam dispensados. Neste sentido, a qualificação profissional é vista como panaceia ao desemprego.
Outro elemento importante encontrado no relato do coordenador refere-se ao perfil selecionado para qualificar-se: “Como pré-requisito, tinha que ser aqueles que quisessem permanecer na empresa ou na região”. Esta é uma característica que vem marcando o
processo de reestruturação nas usinas sucroalcooleiras, na qual a tendência é a criação de um quadro fixo de funcionários em contraposição à contratação de trabalhadores migrantes volantes.
Boltanski e Chiapello (2009) encontraram na literatura de gestão empresarial, elementos que integram o conjunto de ideias do que denominaram ser o “novo espírito do capitalismo”. Para os autores, a literatura de gestão empresarial apresenta-se “[...] como
sistematização e inscrição de práticas forjadas no âmbito das empresas em regras de conduta de caráter geral [...]” (p.85). Esta sistematização esteve presente na literatura de gestão
empresarial desde sua origem e, após a crise dos anos 1930, permitiu, gradativamente, a profissionalização dos cargos executivos. Salvo alguns elementos explicativos, a análise realizada pelos autores permite compreender a difusão de determinadas ideias e práticas no interior das agroindústrias sucroalcooleiras pertencentes ao Grupo X.
O processo de reestruturação produtiva em curso no Brasil desde a década de 1980 tem introduzido mais que tecnologias de ponta. Tem minado também, diferentes práticas e representações laborais em comparação ao modelo produtivo anterior a esse processo. Boltanski e Chiapello (2009, p.91) afirmam que “a imposição de uma nova norma de gestão
empresarial quase sempre é acompanhada pela crítica a um estado anterior do capitalismo”.
Para estes autores, ainda, sendo difuso e geral,
[...] o espírito do capitalismo tem, em princípio, a capacidade de permear o conjunto das representações mentais próprias de determinada época, de infiltrar-se nos discursos políticos e sindicais, de fornecer representações legítimas e esquemas de pensamento [...] (p.84).
Se tais imagens estiveram, outrora, muito associadas ao trabalho industrial urbano, já há algum tempo as empresas sucroalcooleiras vêm demonstrando tê-las incorporado, se não no “chão de fábrica”, nas práticas administrativas, inicialmente. A partir deste estudo de caso, observou-se a presença, mas também algumas limitações no que diz respeito à propagação de práticas e regras de conduta que permeiam o “novo” modelo produtivo. Com isso, tem-se uma combinação de princípios taylorista/fordistas com elementos que integram o modelo de
“acumulação flexível”. Como exemplo dessa combinação, estão as exigências para desempenhar o cargo de mecânico de máquinas agrícolas e eletricista automotivo. Segundo o coordenador do Setor de Capacitação e Treinamento do Grupo X, espera-se desse trabalhador um saber técnico, ligado ao seu posto de trabalho, além de “[...] uma competência comportamental, que é a atitude, o engajamento, a comunicação e um bom relacionamento”.
Para Kober (2004, p. 26), acresceu-se às exigências pela educação formal, um conjunto de habilidades relacionadas ao manejo das “novas” tecnologias, bem como atitudes e comportamentos.
3.3.1. Perfil dos jovens trabalhadores.
Para fins de apresentar o perfil dos jovens trabalhadores que se qualificaram no Senai de Uberaba e identificar os elementos que fizeram parte desse processo, algumas informações e relatos coletados por meio do questionário e entrevista semiestruturada, foram organizados em quadros e esquemas (Apêndice). Nos quadros são dispostas informações sobre a faixa etária, a naturalidade, a mobilidade espacial, o grau de escolaridade e a trajetória ocupacional. Já os esquemas elaborados, organizam os relatos dos jovens trabalhadores sobre sua trajetória laboral e o processo de qualificação e reinserção nas usinas sucroalcooleiras do Grupo X.
Os quadros apresentam as informações coletadas por meio de um questionário que foi preenchido pelos próprios trabalhadores. A partir dos esquemas, expõem-se os relatos de quatro jovens trabalhadores, obtidos a partir de entrevistas semiestruturadas no período em que os jovens já haviam sido reinseridos30 na usina.
Abaixo encontra-se o quadro com informações sobre os jovens trabalhadores:
QUADRO 6 – Características dos jovens trabalhadores do Grupo X, segundo idade, naturalidade, estado civil, filhos, locais onde moraram e por quanto tempo.
Nome* Idade Naturalidade Estado civil Filhos Cidade e Unidade Federativa onde morou e por quanto tempo.
Alexandre 21 Matão - SP Casado 1 - Araraquara/SP, por 3 anos;