A ocorrência e propagação dos incêndios florestais em uma região dependem de vários fatores associados ao fenômeno da combustão. Esses fatores, por sua vez, variam em função do ambiente, influenciando de maneira distinta a combustão, resultando numa diversificação da ocorrência e propagação dos incêndios, de acordo com as características do ambiente.
De uma maneira bem simplificada pode-se dizer que a probabilidade de um incêndio ocorrer e se propagar em um determinado local é função da probabilidade de haver uma fonte de fogo e da probabilidade de haver condições favoráveis para esse fogo se propagar (SOARES, 2001). A análise criteriosa desses dois grupos de fatores – fonte de ignição e condições favoráveis de propagação – possibilita avaliar o potencial de risco de incêndios de uma região, isto é, permite estabelecer potencialmente aonde e como o fogo vai se propagar.
No grupo denominado fontes de fogo estão incluídas as atividades que geram a faísca ou a chama inicial para desencadear o processo de combustão. As condições favoráveis de propagação representam todos os fatores do ambiente que influenciam direta ou indiretamente o desenvolvimento do fogo em uma determinada região.
A análise das causas dos incêndios, através dos registros de ocorrência de incêndios florestais, é uma forma simples e prática de avaliar o grau de risco em função das principais fontes fogo. De acordo com a FAO (citada em BATISTA, 2000), as principais causas dos incêndios que ocorrem no mundo podem ser agrupadas nas seguintes categorias: raios,
incendiários, queimas para limpeza, operações florestais, fumantes, fogos de recreação, estradas de ferro e diversos. Pode-se observar que apenas o grupo de causas “raios” não é de responsabilidade humana. Todas as demais decorrem de atividades humanas. As estatísticas mais recentes sobre incêndios florestais no Brasil indicam que, de acordo com a classificação da FAO, as principais causas dos incêndios florestais são “queimas para limpeza” e “incendiários” (SOARES, 2001).
A ocorrência de incêndios florestais no território do Distrito Federal constitui-se em uma preocupação que, a cada ano, mobiliza uma grande soma de esforços e recursos do setor público nas operações de prevenção e combate. A dimensão desse fato está associada às condições climáticas da região do Cerrado, caracterizada por um longo período de estiagem, que favorecem a disseminação dos incêndios (MESQUITA, 2003).
Para proteger o ecossistema do Cerrado e combater com mais eficiência qualquer foco de queimada que aparecer, é necessária uma política de prevenção de combate a incêndios junto à população. Pois, há incêndios que são considerados naturais e os incêndios florestais que são causados pelas ações humanas.
Os incêndios causados pela ação do homem, em grande parte a fim de realizar queimadas para devastar área para plantação, quando encontra material combustível fino, tais como: folhas, galhos e gravetos secos, figura (4), pode se tornar um evento incontrolável, porque sai da zona de controle e pode entrar pela floresta e causar danos imensos à floresta e outros ecossistemas que alcançar.
Figura 4 – Material combustível fino
Entre as possíveis causas não-humanas de queimadas na vegetação, os raios são as mais comuns. Os incêndios provocados por raios são bastante conhecidos e documentados em vários ecossistemas do mundo, como nas florestas boreais e temperadas. No Canadá as queimadas atingem 2,5 milhões de hectares anualmente, e 8,5% dessa área decorrem de incêndios iniciados por raios. No Brasil, por outro lado, pouco se sabe sobre incêndios originados por raios, pois com raras exceções, eles não foram cientificamente estudados (FRANÇA et al., 2004).
No Brasil, são pouco comuns os incêndios iniciados por raios, além de serem menos preocupantes, já que, normalmente, ocorrem em época de chuva e, quando chegam a avançar, são contidos com relativa facilidade em razão da alta umidade presente no ar e nos combustíveis. Um estudo realizado no Parque Nacional das Emas por França et al. (2004) constatou que em 2002 e 2003 os incêndios originados de raios abrangeram uma área de 347 km2, correspondente cerca de 28% da área do parque.
O que mais preocupa são os incêndios causados pela ação do homem, pois ele é o principal causador dos incêndios florestais, já que a grande maioria deles é iniciada em decorrência de algum tipo de atividade humana. Segundo a SEMARH (2004), as mais freqüentes causas antrópicas ou humanas são:
Uso do fogo para fins agropastoris – prática bastante comum pela qual o homem, utilizando o fogo, limpa terrenos para fins florestais, agrícolas ou pecuários ou para controle de pragas e ervas daninhas sem as precauções devidas.
Fogueiras – comumente usadas por excursionistas, caçadores, pescadores, aventureiros e trabalhadores rurais, são utilizadas e abandonadas sem os devidos cuidados, provocando incêndios.
Incendiarismo – este desvio de conduta parece ser muito mais comum do que se supõe. Muitos incendiários são motivados por vingança, outros usam o incêndio para ocultar ou dificultar a elucidação de crimes e alguns ateia fogo por mero vandalismo.
Fumantes – pontas de cigarros ou fósforos lançados na vegetação seca, por pura displicência ou falta de conscientização, podem causar incêndios.
Linhas elétricas – linhas de transmissão de energia elétrica sobre as áreas de florestas estão sujeitas à ocorrência de curtos-circuitos, quedas e outros acidentes que produzem faíscas ou lançam metais em fusão (derretidos) sobre a cobertura vegetal iniciando os incêndios. Uma boa manutenção dessas redes de energia e medidas de proteção da vegetação abaixo delas podem reduzir a possibilidade de incêndios.
Linhas férreas (estradas de ferro) – em estradas de ferro sem a devida manutenção, onde a vegetação se aproxima do leito da ferrovia, o próprio atrito das rodas dos trens com os trilhos pode ocasionar incêndios. Embora raros, podem também ocorrer incêndios pelo lançamento de fagulhas pelos potentes motores das locomotivas.
Carvoarias – atividade que, por sua natureza, requer medidas especiais de proteção contra incêndios. Os fornos, quando não apagados por completo, podem propiciar o início de incêndios.
Velas – é comum a prática religiosa de acender velas próximo às áreas verdes, o que pode provocar incêndios.
Queima de lixo – o uso do fogo para eliminar o lixo é uma prática agressiva ao meio ambiente, além de poder provocar incêndios.
Causas acidentais – tais causas normalmente são o resultado de fatos que ocorrem independentemente da vontade do homem. Os acidentes ou “fatalidades” são provocados por mau funcionamento de equipamentos ou falha humana. Por exemplo, a queda de uma aeronave pode resultar em incêndio.
Além disso, um incêndio pode começar com a colocação de fogo na beira da estrada para desobstruir a visão, jogando-se tocos de cigarros acessos em vegetação rasteira seca, com queimadas sem controle ou queimadas sem prevenir o vizinho, pois o fogo pode se alastrar, invadir outras propriedades e tornar-se maior que o pretendido.
Se houver a necessidade de fazer queimada, que ela seja vistoriada por um número grande de pessoas a fim de evitar que o fogo se espalhe; quando o fogo acabar, deve-se apagar os pequenos focos e as brasas que restarem. Somente assim, é possível evitar que o fogo se alastre e cause destruição à natureza.
O Distrito Federal, apesar de ser uma área pequena, também sofre com a ação destrutiva dos incêndios. Sendo assim, o que se precisa fazer para que os incêndios florestais diminuam, é a conscientização intensiva da população sobre ações preventivas. Esse tipo de ação poderá diminuir a incidência, principalmente, de incêndios acidentais. Por isso, é preciso conscientizar a população de que o fogo deve ser controlado a fim de evitar incêndios.