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Summary and presentation of hypotheses

Neste capítulo serão apresentados os dados obtidos a partir da inserção das variáveis de entrada das peças de reposição do ônibus. Dados estes que possibilitarão a análise adequada para a tomada de decisão acerca do que comprar e do que manter em estoque relativo aos itens sobressalentes.

A manipulação dos dados das peças de reposição de ônibus pode ser entendida como um típico problema inserido na Pesquisa Operacional, pois visa perseguir um objetivo sujeito à restrições do processo. Para o caso em estudo, reforçando-se o já exposto pelas Expressões 17, 18 e 19 e podendo estender um pouco mais, dispõe-se do seguinte:

I. Problemas:

 Minimizar o custo de estoque (inventário) de peças de reposição e/ou,

 Maximizar o nível de serviço aumentando a disponibilidade de peças de reposição em estoque.

II. Restrições:

 Sujeito a um orçamento fixado, limitado a um valor previamente estabelecido (ressalte-se que neste estudo não foi determinado tal valor, deixando-o em aberto);

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 Sujeito a um nível de serviço final igual ou maior que 90% para os itens críticos e de 50% para os itens não-críticos, desde que não ultrapasse o orçamento fixado.

Para ilustrar a aplicação do comando POISSON da planilha MS-Excel neste estudo, apresenta-se o Quadro 11 com os dados de entrada dispostos no Quadro 9 já tratados pela função. Neste caso, para as primeiras oito peças do Quadro 9, ou seja, P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7 e P8 tem-se as probabilidades mostradas a seguir.

P1 P2 P3 P4 P7 P8 (λ = 0,636) (λ = 0,364) (λ = 0,727) (λ = 1,0) (λ = 2,273) (λ = 2,727) X P1(x) P2(x) = P6(x) P3(x) P4(x) = P5(x) P7(x) P8(x) 0 52,9% 69,5% 48,3% 36,8% 10,3% 6,5% 1 86,6% 94,8% 83,5% 73,6% 33,7% 24,4% 2 97,3% 99,4% 96,2% 92,0% 60,3% 48,7% 3 99,6% 99,9% 99,3% 98,1% 80,5% 70,8% 4 99,9% 100,0% 99,9% 99,6% 91,9% 85,9% 5 100,0% 100,0% 99,9% 97,1% 94,1% 6 100,0% 99,1% 97,8% 7 99,8% 99,3% 8 99,9% 99,8% 9 100,0% 99,9% 10 100,0%

Quadro 11 - Uso da função Poisson na determinação da probabilidade de não faltar a peça. Fonte: Elaboração própria.

O Quadro 11 com a aplicação da função POISSON mostra as probabilidades de não haver falta de peças em estoque dado que há uma quantidade “x” em estoque, ou seja, mede o nível de serviço. O “x”, que no quadro está variando de 0 a 10 unidades, representa a quantidade em estoque ou o consumo de peças nos próximos 30 dias (dado que a taxa de consumo histórico “λ” está mensalizada). A análise do Quadro 11 permite concluir:

o Para a peça P1 que apresenta taxa de consumo histórico mensal λ1 = 0,636, a probabilidade de não haver falta de peça tendo nenhuma (zero) peça em estoque é de 52,9%. Isso também quer dizer que a probabilidade de haver falta de peça com estoque zero de P1 é de 47,1% (complemento de 52,9%, ou seja, 100% menos 52,9%). Caso seja adquirida uma peça, mantendo-a em estoque, a mesma probabilidade salta para 86,6%, o que

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denota um incremento significativo de 33,7% no nível de serviço, já que a probabilidade de faltar a peça baixou de 47,1% (100% - 52,9%) para 13,4% (100% - 86,6%). Situações como esta são impositivas para decidir-se pela compra de uma peça e sua manutenção no inventário, já que mesmo com o aumento do custo, há o benefício da variação positiva do nível de serviço (o que aqui pode-se simbolizar por ΔNS). Caso compre-se mais uma peça (somando duas no estoque), a probabilidade de não haver falta chega a 97,3%, variando 10,7% em relação a anterior. Note-se aqui que tal variação já não é tão vultosa como a anterior, o que incorre novamente em ponderar se vale a pena crescer mais o custo para obter um benefício menor. Além disso, muitas empresas consideram ser bastante satisfatório um nível de serviço próximo a 90% (relembrando: a empresa de ônibus avaliada neste estudo tem como meta um nível de serviço de 90%), o que no caso de P1, atinge-se tendo uma unidade em estoque. Comprar e manter três ou quatro peças em estoque redunda em ganho no nível de serviço menor ainda (2,3% e 0,3%, respectivamente) que os anteriores, o que na maioria dos casos, não vale a pena fazer, dado o alto custo. Vale notar que, para P1 com esta taxa de consumo histórica, se a empresa quiser ter um nível de serviço de 100%, deve comprar e manter cinco unidades em estoque (custo unitário igual a R$ 168,00, então tem-se: 5 x 168,00 = R$ 840,00), devendo aí, certamente, ponderar se o custo mais alto deste procedimento realmente compensa o fato de não correr o risco de faltar a peça quando esta for requisitada.

o Para as peças P2 e P6 que apresentam taxas de consumo histórico mensal iguais (λ2 = λ6= 0,364), a probabilidade de não haver falta de peça tendo

nenhuma (zero) peça em estoque é de 69,5%. Isso também quer dizer que a probabilidade de haver falta de peça com estoque zero de P2 (e P6) é de 30,5% (complemento de 69,5%, ou seja, 100% menos 69,5%). Observe- se que, como λ2 é menor que λ1 (0,364 contra 0,636), naturalmente a

probabilidade de não haver falta de peça com estoque zero é maior em P2. Com a compra de uma unidade, mantendo-a em estoque, a mesma probabilidade salta para 94,8%, ou seja, há uma variação de 25,3%, que é bastante significativa no nível de serviço, pois reduz a probabilidade de faltar a peça para apenas 5,2% (100% - 94,8%). Para P2 também tem-se,

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então, uma situação preponderante para decidir-se pela compra de uma unidade e sua manutenção no inventário, já que o aumento do custo parece ser plenamente compensado pelo benefício da variação bastante positiva do nível de serviço, além do que já atinge-se um nível de serviço superior a 90%, que como já exposto, é o que normalmente as empresas têm como mínimo aceitável para o nível de serviço e é a meta da empresa em estudo. Com mais uma peça (somando duas no estoque), a probabilidade de não haver falta chega a 99,4%, variando apenas 4,6% em relação a anterior, o que já se mostra não tão atrativo, considerando- se também que o patamar anterior (94,8% com 1 unidade em estoque) pode ser reconhecido como satisfatório. Comprar e manter três ou quatro unidades em estoque repercute em menores variações do nível de serviço (0,5% e 0,1%, respectivamente) que os anteriores, o que pode não ser viável dado o incremento no custo. Frise-se que, para P2 com a taxa de consumo histórica igual a 0,364, se a empresa quiser ter um nível de serviço de 100%, deve comprar e manter quatro peças em estoque (custo unitário igual a R$ 660,00, então tem-se: 4 x 660,00 = R$ 2.640,00), devendo aí, certamente, pesar se o custo mais alto deste procedimento realmente compensa. No caso da peça P6, embora o custo seja menor (4 unidades x R$ 23,00 = R$ 92,00), vale a mesma ponderação.

o Para a peça P3 que apresenta taxa de consumo histórico mensal λ3 = 0,727, a probabilidade de não haver falta de peça tendo nenhuma (zero) peça em estoque cai para 48,3%. Isso também quer dizer que a probabilidade de haver falta de peça com estoque zero de P3 é de 51,7%. Dado que λ3 é maior que λ2 e λ1, é esperado que a probabilidade de não

haver falta de peça com estoque zero seja realmente menor em P3. Novamente chamam a atenção os incrementos iniciais no nível de serviço com a compra de uma unidade (probabilidade de não faltar pula para 83,5%, com variação de 35,1%), e de duas unidades (probabilidade de não faltar chega a 96,2%, com variação de 12,7%), que neste caso, supera o nível de serviço normalmente aceitável de 90%. Para as próximas aquisições (três a cinco unidades), as variações do nível de serviço são menores. Para a empresa obter um nível de serviço de 100% com a P3, deve comprar e manter cinco unidades em estoque (custo

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unitário igual a R$ 2.700,00, então tem-se: 5 x 2.700,00 = R$ 13.500,00), devendo aí, certamente, pesar se o custo mais alto deste procedimento realmente compensa.

o Para as peças P4, P5, P7 e P8 (e para as demais peças relacionadas no Quadro 9; da 9ª à 33ª não estão representadas no Quadro 11), a análise segue o mesmo raciocínio, valendo destacar no Quadro 11, os números de P4, P7 e P8 que possuem λ4, λ7 e λ8 respectivamente iguais a 1,0,

2,273 e 2,727. Com maiores taxas de consumo histórico (“lambdas – λ”), esperadamente apresentam probabilidades de não haver faltas bem menores quando há estoques reduzidos. Para estoque zero, tais probabilidades são para P4, P7 e P8, respectivamente iguais a 36,8%, 10,3% e 6,5%. Com a compra de peças, os ganhos no nível de serviço vão se somando, embora de forma mais lenta (o que também é esperado), do que o ocorrido com as peças P1, P2, P3 e P6. De forma que para a peça P4, atinge-se o nível de serviço superior a 90% com duas unidades em estoque (valor exato igual a 92%); para a peça P7, tal índice é conseguido com quatro unidades em inventário (NS = 91,9%); e para P8, com 5 unidades tem-se 94,1% de nível de serviço. Para ter 100% no nível de serviço, deve-se manter seis unidades de P4, nove unidades de P7 e dez de P6 em estoque, o que neste caso, remontam num custo de R$ 11.058,00 para P4 (6 x 1.843,00), R$ 7.938,00 para P7 (9 x 882,00) e R$ 11.760,00 para P8 (10 x 1.176,00). Com estes relevantes valores, deve-se verificar com atenção o custo-benefício da relação entre carregar mais estoque versus obter maior nível de serviço.

o Ainda com relação aos números do Quadro 11, permitiu-se através deles, estimar o estoque inicial de cada peça através de uma probabilidade mínima de não haver falta de produto. Para este estudo considerou-se então que o nível mínimo de serviço é de 10%, sendo a partir dele correlacionada a quantidade inicial de estoque de cada peça. Desta forma, com base nos dados do Quadro 11 e extrapolando-se o mesmo procedimento para as demais peças (da 9ª à 33ª), tem-se para as peças P1 a P33 os estoques iniciais conforme Quadros 12 e 13, onde dividiu-se nas mesmas os itens críticos (Quadro 12) e os não-críticos (Quadro 13). Evidencie-se que este nível mínimo de serviço de 10% pode ser arbitrado

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livremente pela empresa sempre quando esta for executar o programa, podendo ela própria, e até de maneira mais simples e direta, adotar o estoque final de cada peça do mês anterior ao mês em que se deseja fazer a análise. O tratamento diferenciado possibilitado pelo modelo para os itens críticos e não-críticos, permite à empresa usuária do programa, uma maneira de melhor gerir o inventário de sobressalentes, estabelecendo inclusive, níveis de serviço e orçamentos em separado para cada um dos tipos conforme sua criticidade.

Estoque Estoque Estoque

Peça Inicial NS Peça inicial NS Peça Inicial NS

P1 0 52,9% P7 0 10,3% P22 4 12,2%

P2 0 69,5% P8 1 24,4% P23 74 11,6%

P3 0 48,3% P9 0 25,6% P27 0 28,0%

P4 0 36,8% P14 0 40,3% P33 1 19,9%

P6 0 69,5% P16 13 14,3%

Quadro 12 - Estoques iniciais por peça (itens críticos) para um nível de serviço mínimo de 10%. Fonte: Elaboração própria.

Estoque Estoque Estoque

Peça Inicial NS Peça inicial NS Peça Inicial NS

P5 0 36,8% P18 4 11,6% P28 0 19,5% P10 0 76,1% P19 3 21,8% P29 0 40,3% P11 0 28,0% P20 3 12,8% P30 0 19,5% P12 0 16,2% P21 1 18,6% P31 2.577 10,3% P13 0 28,0% P24 58 11,0% P32 1.234 10,4% P15 21 11,9% P25 53 10,5% P17 3 12,2% P26 85 11,1%

Quadro 13 - Estoques iniciais por peça (itens não-críticos) para um nível de serviço mínimo de 10%. Fonte: Elaboração própria.

Analisando-se os dados do Quadro 12, verifica-se que, para os itens críticos, 9 peças (64% das 14 peças) partindo de um estoque inicial igual a zero (P1, P2, P3, etc.), já oferecem um nível de serviço maior que 10% (com estoque inicial zero, por exemplo, a peça P7 mostra um nível de serviço igual a 10,3%, enquanto a peça P1 demonstra um nível de serviço de 52,9%). De maneira esperada, as peças P16 e P23, por possuírem as taxas de consumo históricas mais altas (λ16=18 e λ23=85,45) sugerem os estoques

iniciais mais elevados (13 e 74, respectivamente), que superam por pouco o nível mínimo de serviço de 10%. O estoque inicial sugerido para a peça P16 e o seu alto custo

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unitário, evidenciam mais ainda a sua criticidade no inventário. Também pelo alto estoque inicial indicado, a peça P23 demanda atenção similar, embora apresente menor custo de aquisição.

Sobre o Quadro 13 dos itens não-críticos, pode-se fazer uma análise parecida, pois 8 peças (42% das 19) partem de um estoque igual a zero, mas com nível de serviço superior aos 10% mínimos. Destaque-se o estoque inicial sugerido para os itens P31 e P32, com 2.577 e 1.234 unidades, respectivamente, devido às suas maiores taxas de consumo (λ31=2.642 e λ32=1.249), o que não repercute tanto no custo do inventário,

dado que tais peças têm preço unitário baixo (iguais a R$ 0,45 e R$ 0,54, respectivamente).

De posse deste tratamento inicial, construiu-se a planilha no MS-Excel fazendo- se uso da função POISSON apresentada nos Quadros 14 (itens críticos) e 15 (não- críticos). Os dados de cada peça apresentados em cada coluna da planilha são os seguintes:

 Taxa de consumo histórico “λ” mensal;

 Custo unitário da peça (C), que será o único custo considerado neste estudo (outros custos relacionados ao estoque, como custo financeiro e custo do pedido e outros mais, podem ser apurados e incluídos no modelo);

 Estoque inicial (definido com base nos Quadros 12 e 13);

 Nível de serviço (NS) representado pela probabilidade de não haver falta de peça dado que há “x” no estoque inicial (definido com base na função POISSON e extraído dos Quadros 12 e 13);

 Variação do nível de serviço (ΔNS) que mostra, por peça, o incremento possível com a aquisição de mais uma unidade (estoque inicial mais um). Assim, por exemplo, para a peça P1, tem-se um ΔNS de 33,7% comprando-se mais uma unidade (e tornando o estoque, que era zero, igual a 1); para a peça P2, o ΔNS é de 25,3%, e assim por diante.

 Custo-benefício (CB) que é exatamente o parâmetro decisório da planilha, cujo cálculo resulta da divisão do custo (C) pela variação do nível de serviço (ΔNS).

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Os Quadros 14 e 15 estão apresentados a seguir, com os dados iniciais (estoque inicial, nível de serviço inicial, etc.) de cada peça, que representa o ponto de partida da análise. Peça λ Custo unitário (C) Estoque inicial NS ΔNS Custo benefício (CB) P1 0,636 168,00 0 52,9% 33,7% 499 P2 0,364 660,00 0 69,5% 25,3% 2.611 P3 0,727 2.700,00 0 48,3% 35,1% 7.683 P4 1,0 1.843,00 0 36,8% 36,8% 5.010 P6 0,364 23,00 0 69,5% 25,3% 91 P7 2,273 882,00 0 10,3% 23,4% 3.767 P8 2,727 1.176,00 1 24,4% 24,3% 4.835 P9 1,364 136,00 0 25,6% 34,9% 390 P14 0,909 200,00 0 40,3% 36,6% 546 P16 18,0 1.180,00 13 14,3% 6,5% 18.021 P22 7,636 380,00 4 12,2% 10,4% 3.639 P23 85,455 14,49 74 11,6% 2,4% 614 P27 1,273 268,00 0 28,0% 35,6% 752 P33 3,0 30,00 1 19,9% 22,4% 134

Quadro 14 - Dados iniciais dos itens críticos: estoque inicial, nível de serviço inicial, etc. Fonte: Elaboração própria.

79 Peça λ Custo unitário (C) Estoque inicial NS ΔNS Custo benefício (CB) P5 1,0 229,00 0 36,8% 36,8% 622 P10 0,273 168,00 0 76,1% 20,8% 809 P11 1,273 197,00 0 28,0% 35,6% 553 P12 1,818 129,00 0 16,2% 29,5% 437 P13 1,273 70,00 0 28,0% 35,6% 196 P15 27,636 12,97 21 11,9% 4,6% 284 P17 6,364 1,25 3 12,2% 11,8% 11 P18 7,727 8,90 4 11,6% 10,1% 88 P19 5,364 1,25 3 21,8% 16,2% 8 P20 6,273 0,77 3 12,8% 12,2% 6 P21 3,091 134,00 1 18,6% 21,7% 617 P24 68,545 14,10 58 11,0% 2,6% 546 P25 63,364 16,65 53 10,5% 2,6% 637 P26 97,455 18,21 85 11,1% 2,1% 854 P28 1,636 279,00 0 19,5% 31,9% 876 P29 0,909 265,00 0 40,3% 36,6% 724 P30 1,636 76,31 0 19,5% 31,9% 240 P31 2.642,4 0,45 2.577 10,3% 0,4% 126 P32 1.279,4 0,54 1.234 10,4% 0,5% 104

Quadro 15 - Dados iniciais dos itens não-críticos: estoque inicial, nível de serviço inicial, etc. Fonte: Elaboração própria.

Acerca da coluna “Custo benefício” (CB), como já mencionado, trata-se do parâmetro decisório da planilha, cujo cálculo resulta da divisão do custo (C) pela variação do nível de serviço (ΔNS). Sendo assim, para definir qual peça comprar e manter no estoque, usa-se técnica similar à escolha do caminho crítico (ou menos crítico, nesse caso – ver “árvore do caminho crítico” na Figura 12), optando-se por aquele item que apresentar o menor índice custo-benefício “CB”, pois o que interessa é que o custo total (no numerador da fração ou divisão) seja o menor entre todas as possibilidades e que a variação do nível de serviço (o “benefício” ΔNS, que fica no denominador da fração) seja a maior entre todas as peças. Na situação inicial da planilha apresentada no Quadro 14, a peça P6 é a que possui o menor índice “CB”, igual a 91 (com C = 23 e ΔNS = 25,3%, tem-se CB = 23 ÷ 25,3% ≈ 91), sendo então tal peça escolhida para se comprar mais uma unidade, passando o seu estoque de 0 para 1 unidade ao custo de mais R$ 23,00. No caso do Quadro 15 (itens não-críticos), a peça P20 apresenta o menor CB (igual a 6) e é a eleita para a primeira compra. É o que

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define-se resumidamente nos Quadros 16 e 17, disponibilizados no modelo, que auxiliam na tomada de decisão de qual peça deve ser comprada.

CB Peça a ser comprada

90,99 P6

Qtde no Estoque NS Custo de aquisição

0 70% 23,00

Total

Gasto R$ 19.138,26 NS 33,12%

Quadro 16 - Resumo da situação inicial e definição da primeira peça a ser comprada (itens críticos). Fonte: Elaboração própria.

Detalhadamente, o Quadro 16, define então o seguinte:

 O item a ser adquirido na próxima compra é a peça P6;  A peça P6 está com estoque igual a zero no momento;

 O seu nível de serviço atual (com a quantidade que há em estoque) é de 70%;

 Seu custo de aquisição é de R$ 23,00;

 Seu custo-benefício atual (CB) é de 90,99 (≈ 91, que é o menor entre todos e daí ser o parâmetro que define que é a peça que será comprada);  O total gasto com o estoque inicial de todos os itens críticos é de R$

19.138,26. Este parâmetro é importante e deve ser observado a cada compra, já que uma das restrições do problema é a limitação a um orçamento pré-estabelecido, e o total gasto, portanto, não pode ultrapassar este valor.

 A média do nível de serviço de todas as peças na situação inicial é de 33,12%, o que aumentará à medida que mais itens sejam incorporados ao estoque. Para a empresa que persegue a meta de obter no mínimo um nível de serviço de 90% (sendo isto inclusive uma das restrições do problema), a monitoração da evolução deste índice a cada compra efetuada é importante para o sucesso da operação.

No caso dos itens não-críticos, tem-se a seguinte situação para a compra inicial conforme o Quadro 17.

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CB Peça a ser comprada

6,33 P20

Qtde no Estoque NS Custo de aquisição

3 13% 0,77

Total

Gasto R$ 5.525,89 NS 21,41%

Quadro 17 - Resumo da situação inicial e definição da primeira peça a ser comprada (itens não-críticos). Fonte: Elaboração própria.

Pode-se então, do Quadro 17, interpretar o seguinte:

 O item a ser adquirido na próxima compra é a peça P20;  A peça P20 possui no momento 3 unidades em estoque;  O seu nível de serviço atual é de 13%;

 Seu custo de aquisição é de R$ 0,77;

 Seu custo-benefício atual (CB) é de 6,33 (≈ 6, que é o menor entre todos e daí ser o parâmetro que define que é a peça que será comprada);

 O total gasto com o estoque inicial de todos os itens não-críticos é de R$ 5.525,89.

 A média do nível de serviço de todas as peças não-críticas na situação inicial é de 21,41%.

As compras seguintes continuam a ser determinadas pelo menor índice “CB”. O programa da planilha foi feito de forma que, uma vez iniciada a compra de um item, a aquisição do mesmo item pode ser feita desde que o seu índice “CB” continue sendo o menor entre todos os outros. Desta forma, dando-se o comando para executar na planilha a primeira compra, obtém-se como resultado o que está exposto a seguir nos Quadros 18 e 19 para os itens críticos.

Nº da compra Peça Quantidade no estoque Valor Investido Quantidade Comprada 1 P6 1 R$ 23,00 1

Quadro 18 - Dados da primeira compra efetuada para itens críticos. Fonte: Elaboração própria.

A análise do Quadro 18 permite constatar que para a primeira aquisição de itens críticos, o programa sugere comprar 1 unidade da peça P6, investindo-se um valor de

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R$ 23,00 (resultado de 1 unidade multiplicada pelo custo unitário de R$ 23,00), totalizando agora no estoque 1 unidade do referido item (o estoque inicial era zero). Importante destacar dois pontos relativos a esta operação e não mostrados explicitamente no Quadro 18:

 Com uma unidade em estoque da peça P6, supera-se a sua taxa de consumo histórica mensal “λ” que é de 0,364, mostrada no Quadro 14. Nesta fase de desenvolvimento inicial, o programa ainda não foi habilitado a comparar situações como esta e bloquear possíveis incrementos no estoque que superem a taxa de consumo histórica. Pode- se entender isto como uma limitação do programa, que pode ser melhorada em uma nova versão do mesmo. Como o horizonte de compra da empresa é mensal, o gestor do negócio pode constatar este adicional do estoque e frear novas aquisições deste item.

 A mesma única unidade em estoque da peça P6 fornece agora um nível de serviço específico deste item de 94,79%, ou seja, com estoque igual a zero tinha-se um NS de 69,5% (vide Quadros 12 e 14) e houve, portanto, uma variação positiva de 25,29% com a compra de 1 unidade da P6, o que é bastante significativo para o nível de serviço, que assim, para esta peça P6 supera o índice mínimo necessário de 90%, podendo-se então considerar que não há necessidade de comprar mais peças P6 até que ocorra um novo consumo das mesmas. O programa nesta fase inicial também não está apto a comparar situações como esta e bloquear possíveis novas compras para itens que já superaram os 90% em nível de serviço. Isto também pode soar como uma limitação do programa, que pode ser melhorada em uma nova versão do mesmo.

A mesma sequência ocorre para os itens não-críticos, que, para não tornar-se repetitivo o relato, não são retratados aqui neste momento. Mais adiante, serão especificados os resultados para estas peças.

Seguindo então com as iterações do modelo, para os itens críticos, o Quadro 19, que é o mesmo modelo do Quadro 16, mostra em resumo o quadro geral do estoque após a primeira compra efetuada e já sugere a próxima (a segunda, no caso) indicação de compra.

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CB Peça a ser comprada

133,90 P33

Qtde no Estoque NS Custo de aquisição

1 20% 30,00

Total

Gasto R$ 19.161,26 NS 34,92%

Quadro 19 - Resumo do estoque após a 1ª compra e indicação da 2ª peça a ser comprada (itens críticos). Fonte: Elaboração própria.

Em detalhes, o Quadro 19, mostra então o seguinte:

 O item sugerido para a segunda compra é a peça P33;  A peça P33 possui no momento 1 unidade em estoque;

 O seu nível de serviço atual (com 1 unidade em estoque) é de 20%;  Seu custo de aquisição é de R$ 30,00;

 Seu custo-benefício atual (CB) é de 133,90 (que é o menor entre todos neste momento de decisão e daí ser o parâmetro que define que a P33 é a peça que será comprada);

 O total gasto com o estoque de todas as peças críticas é de R$ 19.161,26. Vale observar que antes da primeira compra, este valor era de R$ 19.138,26 e com a aquisição de 1 unidade da peça P6, somou-se a este montante inicial exatamente o valor de R$ 23,00, conforme já mencionado. Enfatize-se aqui, novamente, a importância deste parâmetro, que deve ser acompanhado a cada compra, a fim de que não se extrapole o limite estabelecido no orçamento.

 A média do nível de serviço de todas as peças após a primeira compra agora é de 34,92%, ou seja, a aquisição de 1 unidade da peça P6 fez a média variar 1,80% positivamente (na situação inicial era de 33,12%). Como já mencionado, este parâmetro também merece monitoramento freqüente, a fim de que o mesmo atinja o mínimo de 90% no nível de serviço.

Executada a segunda compra para os itens críticos, tem-se os resultados mostrados no Quadro 20.

84 Nº da compra Peça Quantidade no estoque Valor Investido Quantidade Comprada 1 P6 1 R$ 23,00 1 2 P33 5 R$ 120,00 4

Quadro 20 - Dados da segunda compra efetuada (itens críticos). Fonte: Elaboração própria.

A análise do Quadro 20 permite constatar que para a segunda aquisição, o programa sugere comprar 4 unidades da peça P33, investindo-se um valor de R$ 120,00 (resultado das 4 unidades multiplicadas pelo custo unitário de R$ 30,00), totalizando agora no estoque 5 unidades do referido item (o estoque inicial era de 1 unidade que foi somada às 4 peças adquiridas). Novamente aqui cumpre destacar dois pontos relativos a esta operação e não mostrados explicitamente no Quadro 20: