• No results found

Summary: Possible Characteristics of the Experience of BED

O processo de capital de risco tem origens bem distantes das atuais. Talvez a proposta de exemplificar o processo com a história do navegador Cristóvão Colombo e a descoberta da América possa auxiliar no entendimento do papel do empreendedor e do capital de risco associado (Pavani, 2003, modificado pelo autor). Para que se possa ilustrar bem a natureza empreendedora de negócios que atraem o Capital de Risco, antes de zarpar em 1492 da Espanha no comando da sua frota de três embarcações, Colombo vivenciou um dilema, pois tinha um grande projeto em mãos, mas não detinha o capital necessário para financiá-lo. Como não detinha bens suficientes a serem dados em garantia, a única coisa que poderia dar em troca para os investidores era compartilhar os resultados do seu projeto, que é claro, tinha vários riscos associados. Como não teve apoio para o seu projeto em Portugal, dirigiu-se à Espanha e convenceu a rainha católica Isabel a apoiá-lo.

Além disso, Colombo não podia se comprometer com o pagamento de juros no negócio, pois não se tratava de empréstimo, mas sim, de compartilhar parte do resultado do negócio com os investidores, no caso os Reis. Isso significa que ao retornar, caso não houvesse conseguido nada de retorno, os investidores apenas iriam dividir o resultado dos investimentos iniciais, no caso os navios, sem a cobrança de resultados e muito menos juros de Colombo.

A natureza do projeto de Cristóvão Colombo era eminentemente empreendedora e, portanto, a participação dos investidores e sócios no negócio tinha participação minoritária. No entanto, como prêmio pela participação minoritária, pela falta de garantias e pela não cobrança de juros, Colombo precisou oferecer uma parte substancial de retorno sobre os investimentos, que se daria a partir das riquezas trazidas quando do seu retorno da América. Colombo detinha ainda a expertise necessária para concluir o seu projeto, pois ele era um dos melhores navegantes da época e utilizava o que existia de melhor no ponto de vista tecnológico para a execução da sua expedição.

À época, a sua proposta foi inovadora e atraente, pois ter a oportunidade de participar com os investimentos na expedição, com risco limitado, mas com retornos

vantajosos era algo ainda incomum no modelo de financiamento de expedições marítimas e exploratórias. Todas as características da expedição inicial de Colombo remetem aos conceitos de Venture Capital.

Essa é a essência do Capital de Risco, a busca por empreendedores que tenham projetos inovadores e capazes de possibilitar altos retornos associados. Na segunda viagem de Colombo, a sua frota era de 14 caravelas e três naus, com cerca de 1.500 pessoas. Essa fase posterior do projeto, a título de exemplificação, poderia ser atribuída ao Private Equity, dado ao aumento significativo do porte do negócio.

O capital de risco tem por natureza buscar empresas emergentes que tenham vantagens competitivas claras e, de preferência, possam se posicionar em mercados com rápido crescimento.

Dentre as empresas que são foco do capital de risco podemos destacar aquelas que estão na fase de ampliação da sua base de clientes e/ou a penetração em novos mercados. O capital de risco também é atraído por empresas que estão buscando a otimização da sua base de capital, consolidação do mercado, com aquisições estratégicas para posicionamento privilegiado no mercado, dentre outras razões.

A busca por projetos inovadores tem por finalidade oferecer oportunidades que são únicas aos seus participantes. A motivação para buscar desbravar fronteiras desconhecidas no campo da ciência, por exemplo, traz incertezas e riscos associados, mas pode também trazer retornos e ganhos surpreendentes.

A iniciativa de participar de projetos audaciosos e inovadores tem por propósito participar de nichos de mercados ainda não explorados ou não devidamente explorados. Alguns estudos reportam a maior vinculação do processo de inovação às empresas de menor porte e de base tecnológica, que são aquelas cuja a tecnologia é imprescindível para a produção dos produtos e serviços.

Os conceitos a seguir também auxiliam no entendimento do que são os fundos de Private Equity e os de Venture Capital, cuja origem vem dos Estados Unidos (FINEP & ABVCAP, 2010).

O Private Equity (PE) - É o termo relacionado ao tipo de capital empregado nos fundos de PE, que em sua maioria são constituídos em acordos contratuais privados entre investidores

e gestores, não sendo oferecidos abertamente no mercado e sim através de colocação privada. Além disso, empresas tipicamente receptoras desse tipo de investimento ainda não estão no estágio de acesso ao mercado público de capitais, ou seja, não são de capital aberto, tendo composição acionária normalmente em estrutura fechada.”

“Os Fundos de Private Equity (Fundos de Ativos Privados) são modalidades de fundos de investimentos que compram participação acionária em empresas. São direcionados para negócios que já funcionam e têm, em geral, boa geração de caixa. Tendem a investir em negócios mais maduros, como consolidação e reestruturação.”

“O Venture Capital (Capital de Risco) é uma forma de financiamento para estágio inicial de novos empreendimentos, novos produtos ou serviços. Já os Fundos de Capital de Risco são alternativas de investimentos financeiros em empresas nascentes com alto potencial de crescimento e em empresas de risco.”

No livro de Pavani (2003), apud Stratus (2001), define-se que:

“O termo venture capital é também largamente utilizado para definir o financiamento de novos negócios (start ups ou negócios ainda em fase de operação inicial) em transações que envolvem diretamente um grupo empreendedor, detentor de um projeto ou idéia, e um grupo provedor de capital. Esse emprego da expressão venture capital tem sido menos utilizado pelas publicações especializadas e pelas empresas mais tradiconais do setor, mas tem sido gradualmente mais utilizado pela imprensa e pela comunidade financeira em geral. No mesmo contexto, a expressão private equity tem sido aplicada para investimentos em empresas mais maduras (estágio imediatamente posterior ao venture”.

A Financiadora Nacional de Estudos e Projetos FINEP não diferencia o capital de risco nas fases Venture Capital e Private Equity e define que “O capital de risco

compreende as fases de capitalização que precedem a oferta pública de ações e idealmente acompanha as necessidades crescentes de recursos financeiros equilibrando risco e retorno” (FINEP, 2001).

As próprias empresas de consultorias internacionais, de reputação reconhecida, adotam conceitos distintos em seus trabalhos. A título de exemplo, a

PriceWaterhouse & Coopers, publicou um estudo, em abril de 2008, com título

“Private Equity e Venture Capital no Brasil”. No entanto, ao ler o relatório de 14 páginas, não se encontra nenhuma menção ao termo Venture Capital. A Deloitte, no relatório “Global trends in venture capital 2009 global report”, que aparentemente deveria focar em venture capital, utiliza dados consolidados de private equity e

venture capital, sem distinção. Para fechar, a KPMG também publicou trabalho

recente sobre o assunto, em setembro de 2009, juntamente com o Jornal Valor Econômico sob título “Private Equitye & Venture Capital – Cofres Cheios para a retomada”, onde mais uma vez os dados estão consolidados e não se diferencia o montante de recursos destinados a cada segmento.

O primeiro senso da Indústria de Private Equity e Venture Capital no Brasil (CARVALHO, RIBEIRO e FURTADO, 2006), trouxe riqueza de detalhes e muitas tabelas descritivas com dados minuciosos do seguimento no Brasil. No entanto, o estudo não faz distinção entre os números de PE e VC. Na mesma linha, conforme já foi comentado, as empresas de consultoria também têm publicado os seus trabalhos com dados e conceitos consolidados.

Talvez um dos pontos a serem aprimorados para que o segmento de capital de risco passe a receber mais atenção no Brasil seja a organização, transparência e comunicação das informações. É preciso incrementar os esforços para detalhar e divulgar as estatísticas de investimentos em Venture Capital e Private Equity detalhadamente no Brasil.

Essa dificuldade na obtenção dos dados certamente foi uma dos obstáculos iniciais para o estudo desse segmento, tendo em vista que a definição conceitual para a respectiva determinação do escopo do objeto de estudo é determinante para o sucesso do mesmo.

Para os objetivos propostos nesse trabalho, pretende-se seguir o conceito utilizado pela FINEP, definindo o capital de risco como um conceito que

engloba os estágios de investimento em Venture Capital e Private Equity (grifo

meu), uma vez que a linha divisória, tanto do ponto de vista conceitual quanto prático, ainda permanece indefinida para algumas empresas, organizações não governamentais e estudiosos do assunto, conforme pudemos verificar.

Além disso, apesar de não ser o propósito desse estudo estabelecer o divisor conceitual para o capital de risco, tudo indica que o termo Private Equity deriva da expressão Venture Capital, ou seja, o conceito de participação no risco do negócio em troca da possibilidade de usufruir de ganhos maiores, apesar de ter iniciado em empresas pequenas nos Estados Unidos, foi ampliado posteriormente para englobar o aporte de volume mais expressivo de recursos para a fase de expansão dos negócios e, logicamente, com grau de risco mais reduzido. Tal fato leva a considerarmos a hipótese de que o divisor de águas entre o Venture Capital e o

Private Equity possa ser o porte do negócio, identificado pelo faturamento das

empresas e pela respectiva necessidade de capital associado ao estágio de desenvolvimento da mesma.

A Comissão de Valores Mobiliários CVM utiliza esse mesmo mecanismo em suas resoluções para separar os investimentos em empresas emergentes daquelas em estágio mais avançado, ou seja, o volume de faturamento anual.

Uma vez definido o conceito de capital de risco que será utilizado nesse estudo, dar-se-á sequência ao trabalho identificando o papel que o capital de risco exerceu em outros países. Na próxima seção, será analisado o seu impacto na maior economia mundial e que também é o “berço” do capital de risco no mundo, Estados Unidos.