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2. Findings from the data collection – evaluation of methodology

2.9. Summary of the methodology evaluation

A indústria brasileira dos chamados Produtos de Madeira de Maior Valor Agregado (PMVA) ainda é bastante incipiente, sendo necessária a adoção de estratégias e ações para o seu adequado desenvolvimento. A importância das indústrias de PMVA está diretamente relacionada com a maior geração de renda e empregos e, consequentemente, com o crescimento e desenvolvimento do país. ANDRADE, et al (2012).

Produtos como portas, molduras e pisos de madeiras (sólidos e laminados) são alguns dos poucos produtos que podemos considerar que se enquadram na definição de PMVA. Em contrapartida existe uma gama de produtos aos quais podem-se agregar valor com inúmeras técnicas de processamento, diferentes níveis de tecnologia requeridos, aproveitando o potencial madeireiro da região onde a empresa está inserida.

De acordo com Jankowsky et al. (2004) apud Andrade e Takeshita (2012), os pisos de madeira apresentam uma agregação de valor superior à 190% em relação à madeira serrada bruta. Entretanto, atualmente, é pequena a produção e participação no mercado, considerando a grande vocação florestal do Brasil. Conforme Associação Nacional dos Produtores de Pisos de Madeira - ANPM (2011), países como China, Indonésia, Malásia e Áustria apresentam volumes de exportação bem superiores do que o Brasil. Em termos percentuais, o Brasil representa menos de 5% da produção mundial de pisos de madeira (sólidos e laminados).

2.5.1 Madeira Laminada Colada

A MLC destaca-se neste cenário para agregar valor à madeira proporcionando uma infinidade de produtos capazes de atender uma ampla gama de produtos, reduzir o impacto ambiental e elevar as ações de sustentabilidade, ampliar o horizonte de atuação mercadológica e criar novas fontes de receitas.

Devido a isto, produtos feitos com a técnica MLC tem um grande diferencial competitivo por esta técnica ainda ser considerada como novidade no mercado brasileiro, possui uma baixíssima concorrência, uma grande demanda por produtos inovadores que propiciem aos arquitetos e demais profissionais que ditam as tendências e novidades no mercado arquitetônico da construção civil.

Szücs (1992) denomina "Madeira Laminada Colada" – MLC como peças de madeira reconstituídas a partir de lâminas de madeira (tábuas), que são de dimensões relativamente reduzidas se comparadas às dimensões da peça final assim constituída.

Essas lâminas, que são unidas por colagem, ficam dispostas de tal maneira que as suas fibras ficam paralelas entre si, conforme visualizado na Figura 4.

Figura 4 - Esquema da formação de uma viga estrutural de MLC

Fonte: ZANGIÁCOMO (2003)

Essa técnica, que de alguma maneira surgiu também da necessidade de utilização da madeira de florestas plantadas, utilizou basicamente o Pinus que se apresentava em abundância nos países europeus.

Nestes países do hemisfério norte, a aplicação da MLC pode ser vista sob as mais variadas formas estruturais. O seu emprego vai desde pequenas passarelas, escadas e abrigos até grandes estruturas concebidas que cobrem vãos livres de até 100 metros. Como exemplo, pode-se citar a obra do “Hall de Tours”, na França, com 98 metros de vão livre; o “Palais d'Exposition d'Avignon”, também na França, que tem mais de 100 metros de vão livre. Outra estrutura arrojada em MLC é o Parlamento Europeu construído em Strasburgo na França. Uma estrutura em arcos, formando por um conjunto quase circular, que abriga os parlamentares representantes dos países da Comunidade Econômica Europeia (SZÜCS, 1992).

No Brasil, podem ser visualizadas na Figura 5, exemplos de empreendimentos que utilizaram a técnica da MLC.

Figura 5 - Estruturas em MLC: (a) Residência em Angra dos Reis – RJ; (b) Shopping em Fortaleza – CE; (c) e (d) Residência em Búzios – RJ; (e) Residência em Angra dos Reis – RJ e; (f) Ginásio em Lages/SC

(a) (b)

(c) (d)

(e) (f)

Fonte: On-line em Carpinteria, 2014 e ESMARA, 2014.

A escolha da madeira para as estruturas pode ser de fundamental importância, principalmente quando se tratar de estruturas que ficarão expostas a um meio corrosivo, ou então, quando existir o risco de incêndio.

Para Szücs (1992), além das vantagens naturais da madeira, como baixo peso próprio em relação à capacidade de

carga, a técnica MLC confere ainda às estruturas de madeira, as seguintes vantagens:

a) Em comparação com as estruturas de madeira feitas com peças maciças, os elementos concebidos em MLC exigem um número bem menor de ligações, uma vez que são previstos para grandes dimensões;

b) A possibilidade de realizar seções de peças, não limitadas pelas dimensões e geometria do tronco das árvores;

c) A possibilidade de fabricar peças de comprimento limitado apenas pelas circunstâncias de transporte;

d) A possibilidade de obter peças com raio de curvatura reduzido, variável e até mesmo em planos diferentes; e) A possibilidade de vencer grandes vãos livres;

f) A eliminação inicial de defeitos naturais, o que permite uma reconstituição que conduz a uma distribuição aleatória dos defeitos residuais, no interior do produto final;

g) Sob o ponto de vista "normalização" permite ainda a atribuição aos elementos estruturais de MLC, de uma tensão admissível ligeiramente superior às da madeira maciça de qualidade equivalente (cerca de 10%).

h) A vantagem da pré-fabricação, o que pode ser traduzido em racionalização da construção e ganho de tempo na montagem e entrega da obra;

i) É de uma qualidade estética indiscutível, o que pode ser largamente explorado pelos arquitetos e engenheiros, na composição de um conjunto agradável e perfeitamente integrado ao ambiente.

j) A leveza dessas estruturas oferece também maior facilidade de montagem, desmontagem e possibilidade de ampliação. Além disso, o peso sendo menor, se comparado com outros materiais, pode significar economia nas fundações.

2.5.1.1 O Mercado da Madeira Laminada Colada

Na França, existem hoje mais de 40 indústrias que trabalham na fabricação de estruturas de MLC e que estão distribuídas nas diversas regiões daquele país. Essas indústrias atendem ao mercado interno francês, mas também exportam para países como a Bélgica, Argélia, China (SZÜCS, 2006).

No Brasil, são poucas as empresas que produzem vigas em MLC. Estas indústrias se concentram nas regiões Sul e Sudeste (Viamão, RS; Curitiba, PR; Araucária, PR; São Paulo, SP). A primeira indústria brasileira de MLC foi fundada em Curitiba, PR em 1934 (CARRASCO e PAOLIELLO, 2004). As principais espécies utilizadas por elas são espécies exóticas oriundas de floresta plantada, dentre elas têm-se Eucalipto saligna, Eucalipto grandis, Pinus taeda e Pinus elliotti. Entretanto são poucas as pesquisas que avaliam o desempenho de espécies nativas de floresta plantada no Brasil quando empregadas como vigas de MLC.

2.6 PLANO DE NEGÓCIOS COMO FERRAMENTA PARA