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Permitirá que outros sejam grande e a ti te conservarás pequeno

(VIEIRA, 1995, p. 222).

A figura de Guilherme Stein Junior vem mostrar um perfil diferente daquele desenvolvido pelos imigrantes estabelecidos no Vale do Paraíba, que apresentavam idéias tradicionalistas e de escravocratas. A região de Piracicaba, e mais precisamente a Fazenda São Lourenço, é palco para a chegada da família Krähenbühl, emigrados da Suíça, onde, mais tarde se entrelaça com a família de Guilherme Stein Junior.

Vieira (1995) confronta as cartas da família Krähenbühl enviadas aos parentes da Suíça com outras pesquisas e traça certa evidência de choque cultural advinda da chegada dos emigrantes ao Brasil. Países como a Suíça e os EUA utilizavam conhecimentos tecnológicos e educacionais que o Brasil ainda desconhecia. A adaptação ao ambiente novo era difícil e demorada, sendo que a via utilizada para amenizar a situação era a do trabalho e a do envolvimento com a igreja da qual faziam parte.

O período de meio século coberto pelas cartas estende-se de 1857 a 1906 e abrange exatamente a época das grandes transformações experimentadas pela sociedade brasileira. Com o advento da agricultura extensiva, da expansão das fronteiras agrícolas, da implantação das vias de comunicação e transporte, da abolição da escravatura, da Proclamação da República, e da promulgação de uma nova Constituição com a separação da Igreja e do Estado e garantia de liberdade religiosa. (VIEIRA, 1995, p. 26).

A liberdade religiosa existia, porém orientava-se que as igrejas protestantes não construíssem prédios que se assemelhassem aos da Igreja Oficial Católica, deviam assemelhar-se a casas de moradia, sem torres que confundissem os cidadãos.

Enquanto não havia igreja para determinados grupos religiosos, estes e seus familiares congregavam nas igrejas protestantes da sua circunvizinhança ou faziam seus cultos nos lares, convidando vizinhos a participarem.

Guilherme Stein Júnior conheceu a Igreja Adventista por meio de um livro editado pela casa publicadora de Battle Creeck, em alemão, interessou-se pela literatura encomendando outros livros. Sendo, posteriormente, também um representante de vendas dessa mesma editora.

Em 1895, o pastor F. H. Westphal desembarca no Rio de Janeiro e segue para Piracicaba, pela ferrovia, encontrando-se com Guilherme Stein Junior, batizando-o em abril do mesmo ano.

O casamento de Guilherme Stein Junior, com Maria Krähenbühl, auxiliou na ampliação da cultura devido às trocas de experiências vividas pelas duas famílias no processo de migração para o Brasil. A chegada dos familiares no porto de Santos, subindo para a sua região de moradia, Piracicaba, iniciando um modo de vida de aventuras, fragilidade na saúde e necessidades de adaptação a cada mudança de cidade e de profissão, são apenas algumas das trocas culturais que enriqueceram a vida intelectual do casal. Logo após seu casamento, trabalhou na oficina da família Krähenbühl ampliando o relacionamento com diferentes pessoas da região.

Autodidata, estudava muito durante as horas de folga de modo a desenvolver habilidades linguísticas em várias línguas, dentre elas, o alemão, a língua dos seus familiares, a língua portuguesa, o inglês e o hebraico.

Em 1896 dedica-se, com sua família, tempo integral para trabalhar nos setores que a igreja precisasse. Como os passos dados para o início do trabalho era a venda de literatura. Guilherme se propôs a trabalhar com as colônias americanas oferecendo literaturas em inglês. Conforme descreve Vieira (1995), o único livro editado em português apresentava um tradução muito ruim e a arte toda foi produzida nos Estados unidos. Daí a preferência por material de melhor tradução e com mais títulos para ajudar na sua subsistência.

A vivência de quem iniciava o trabalho consistia em viagens feitas a cavalo, devido à pequena quantidade de carroças, sendo que durante o período de chuvas

as estradas tornavam-se intransitáveis. Rios transbordavam facilmente e os viajantes perdiam muitos dias de trabalho efetivo.

Quando saímos de nossos escritórios para o trabalho nas colônias de imigrantes geralmente levamos uma mula carregada com livros para economizarmos tempo e dinheiro na viagem das cidades para as colônias, pois nossas despesas são bem menores se nos hospedarmos nas colônias. (VIEIRA, 1995, p. 144).

A região de Santa Bárbara, desde 1835, com o impulso da indústria açucareira, que, devido à recessão apresentava seus preços de mercado muito baixo inviabilizando muitos fazendeiros de manterem suas terras e impulsionando-os a seguirem outros rumos de trabalho. Esse contexto trouxe para o Brasil cerca de 2,700 cidadãos norte-americanos, somente em 1868. Guilherme trabalhou nessa região e desenvolveu sua linguagem em inglês na comunicação com a colônia e missionários americanos com os quais se relacionava no trabalho de vendas.

Ainda em 1896, Guilherme Stein Junior muda-se com a família para trabalhar em Curitiba, na primeira Escola Adventista organizada por iniciativa particular. Os desafios o levaram a trabalhar, também, na primeira Escola Adventista Oficial em Gaspar Alto-SC, em 1897, seguindo para Santos em 1899, como obreiro bíblico e evangelista.

Suas experiências formaram sua multiculturalidade, de modo que em 1900 seus conhecimentos foram aproveitados no Rio de Janeiro, onde iniciou a publicação do primeiro periódico missionário para o Brasil, na Casa Publicadora Brasileira, denominada de Sociedade de Tratados. Ali ele trabalhou como tradutor até a sua aposentadoria. Ele foi editor, autor de diversos livros e artigos e tradutor de livros e hinos evangélicos. Seu livro O Tupi, apresenta um estudo das línguas e tradições dos povos, com base nas suas leituras e aprendizagens com diferentes formas de exprimir ideias (VIEIRA, 1995).

No mês de maio de 2009 o GEPEA reuniu-se em Curitiba-PR, a fim de revisar a história do pensamento educacional adventista, analisar as contribuições culturais e avaliar as necessidades de desenvolvimento. O Grupo de estudos levantou a questão histórica e percebeu necessidade de rever o programa oferecido, considerando que as diferentes denominações adentraram ao Brasil com propostas que pretendiam hegemonia cultural, sendo que as técnicas para alcance da meta passavam pela perseguição e discriminação das outras culturas. Na busca de

esclarecimentos, concluiu-se que a globalização difundiu pesquisas e contribuiu para a percepção das diferenças, do respeito ao diferente e da organização de um programa pedagógico com os valores defendidos pela igreja, sem, no entanto, discriminar os diferentes modos de ser e estar dos estudantes.

4 CHEGAM OS LIVROS E AS CASAS PUBLICADORAS MULTIPLICAM OS