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Os resultados validados dos relatórios existentes foram divididos em ensaios triaxiais (Rsat, Rbarra Sat e Cusat) e ensaios de cisalhamento direto (natural e inundado), seus resultados em termos de tensões efetivas foram divididos em valores baixos, altos e todos os valores.

Esse grupamento foi tabulado e lançado no programa Rocdata (RocScience) de modo a se obter, utilizando o critério de Mohr Coulomb, os valores médios de c (coesão) e φ (ângulo de atrito) e a proporcionar uma avaliação dos parâmetros de deformabilidade do MHF. 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 DENS_NATURAL HM friável 0.00 0.05 0.10 0.15 Nb Samples: 149 Minimum: 2.11 Maximum: 3.93 Mean: 3.24 Std. Dev.: 0.38 Frequenci es 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 DENS_NATURAL HM friável 0.00 0.05 0.10 0.15 Nb Samples: 149 Minimum: 2.11 Maximum: 3.93 Mean: 3.24 Std. Dev.: 0.38 Frequenci es

Optou-se pela utilização do critério de ruptura de Mohr Coulomb, mesmo que esse seja limitado a ruptura por cisalhamento na resistência de pico e que suas envoltórias sejam lineares para pequenas faixas de tensão. Porém, esse critério representa muito bem as condições de resistência residual e ao cisalhamento das descontinuidades, fato que vai ao encontro das expectativas dos modelos do problema a ser avaliado. Também o critério de Hoek e Brown foi avaliado, para se obterem os parâmetros dos maciços rochosos envolvidos nessas análises.

5. 2. 1. Cisalhamento Direto (CD)

Os resultados dos ensaios foram lançados no programa Rocdata e divididos, pelo valor da mediana do conjunto de dados, em 3 subconjuntos: Tensão cisalhante (

σ

c)

1 MPa;

σ

c

>

1 MPa e todos os ensaios utilizados, denominado “

σ

c total”. A tabela 5.2 mostra a lista dos valores utilizados.

Tabela 5.2 – Lista dos valores de

σ

c e

σ

N: resultados dos ensaios de cisalhamento direto.

Figura 5.4 - Gráficos dos ensaios CD (critérios de Mohr Coulomb) para

σ

c ≤ 1 MPa;

σ

c > 1 MPa e “σc total”.

A tabela 5.3 apresenta os valores dos parâmetros de resistência para o critério de Mohr Coulomb.

Tabela 5.3 – Quadro resumo dos parâmetros de resistência obtidos no programa Rocdata.

Ensaios CD

(Critério de Mohr Coulomb)

Coesão (Mpa) Ângulo de atrito (º) Número de ensaios

σ

c

>

1 MPa 0,512 29 5

σ

c

1 MPa 0 45 5

σ

c total 0,268 31 10

Embora o número de ensaios seja reduzido pode-se notar que a média dos valores para

σ

c ≤ 1 MPa resultam em baixos valores de “c” e altos valores φ enquanto para

σ

c > 1 MPa ocorre o inverso, baixos valores de φ e altos valores de “c”. Essa é uma tendência bem conhecida: pra baixos níveis de tensão normal, coesão baixa e alto ângulo de atrito e para altos níveis de tensão normal o inverso.

Quanto ao valor de “c” igual a zero, deve-se à influência dos ensaios realizados em direção paralela às descontinuidades. Portanto, os valores

c

=0 e φ=45º. Esses valores

foram interpretados como sendo os parâmetros de resistência das descontinuidades.

Devido ao pequeno número de amostras, a natureza dos ensaios e o desconhecimento das direções ensaiadas, esses resultados não foram incluídos nas avaliações e análises presentes nessa dissertação, optando-se pela utilização apenas dos ensaios triaxiais, mais numerosos, e com melhor caracterização do material ensaiado.

5. 2. 2. Compressão Triaxial.

Foram agrupados os ensaios triaxiais dos tipos CUSAT, Řsat e Ř, que utilizam os procedimentos contidos em HEAD (1986), realizados nas direções perpendicular, paralela e obliqua à principal direção de anisotropia do MHF e vários níveis de tensão.

Além da avaliação da curva tensão versus deformação no qual se pode observar o comportamento do MHF, os resultados obtidos nos ensaios foram tabulados e lançados no programa Rocdata (versão 3.0) de modo a se obter, utilizando-se os critérios de Mohr Coulomb e Hoek e Brown, os parâmetros de resistência e de deformabilidade do MHF.

De modo a facilitar o entendimento da resistência do MHF em vários níveis de tensão confinante e devido à diversidade de tamanhos dos Corpos de Prova (CP), os valores

obtidos foram divididos e avaliados separadamente em:

σ

3´< 0,5 MPa;

σ

3´> 0,5 MPa; e todos os

σ

3´. O valor de

σ

3´ = 0,5 MPa foi utilizado por ser considerado a mediana dos valores de tensão confinante dos ensaios utilizados.

Foram utilizados 35 ensaios dos tipos adensados drenados (CD) e não drenados (CU), ou Ř e Řsat (nomenclatura antiga que aparece nos relatórios), que adotaram os procedimentos contidos em Head (1988), realizados nas direções perpendicular, paralela e obliqua à principal direção de descontinuidade e tensões variadas, permitindo a avaliação do MHF, tanto nas condições drenadas quanto não drenadas.

Os valores de

σ

1´ e

σ

3´ dos ensaios triaxiais utilizados podem ser vistos na Tabela 5.4.

Tabela 5.4- Lista dos valores de

σ

1

´

e

σ

3´, resultados dos ensaios triaxiais.

Devido ao pequeno número e a falta de informações nos relatórios, não foram avaliados separadamente as direções de anisotropia, as tensões de adensamento ou o tamanho dos CP´s para o tratamento dos dados.

Os gráficos da Figura 5.5 mostram os resultados obtidos para os três conjuntos de ensaios separadamente, utilizando-se o critério de Mohr Coulomb.

Figura 5.5 - Ajuste dos resultados de ensaios triaxiais para o critério de Mohr Coulomb: para

σ

3´< 0,5 MPa;

σ

3´> 0,5 MPa; e todos os

σ

3´, da esquerda para a direita. A Tabela 5.5 resume os resultados obtidos para critério de Mohr Coulomb com os ajustes acima apresentados.

Tabela 5.5 - Quadro resumo dos parâmetros obtidos para o critério de Mohr Coulomb no programa Rocdata. Ensaios triaxiais (Critério de Mohr Coulomb) Coesão (MPa) (c) Ângulo de atrito (º) (φ) Número de ensaios σ3´< 0,5 MPa 0,070 33 16 σ3´> 0,5 MPa 0,092 33 19 Todos os σ3´ 0,065 34 35

Nota-se que para

σ

3´> 0,5 MPa o ajuste forneceu um valor mais alto de “c”, como era de se esperar devido ao ajuste da reta de Coulomb. Não obstante, o valor de

φ

foi o mesmo para

σ

3´ maior ou menor que 2 MPa, quando a tendência teórica seria que

φ

diminuísse com o aumento de

σ

3. Nota-se, ainda, uma maior dispersão para os valores de “c” em relação aos valores obtidos para

φ

.

Efetuando-se o ajuste dos pontos obtidos para o critério de Hoek e Brown (1980), podem-se obter os parâmetros de resistência para maciços rochosos compostos de MHF. Embora esse critério seja indicado para maciços isotrópicos, o que não é esperado para os maciços compostos por MHF, e dados as limitações encontradas nos ensaios, esse foi adotados de modo a obter parâmetros de resistência a serem comparados com os parâmetros utilizados em trabalhos anteriores.

Os gráficos da Figura 5.6 mostram o ajuste da nuvem de pontos para todos os

σ

3´, utilizando o critério de Hoek e Brown.

Figura 5.6 - Ajuste dos resultados de ensaios triaxiais para o critério de Hoek e Brown, para todos os

σ

3´.

O ajuste obtido para o critério de Hoek e Brown permite definir os valores dos parâmetros de resistência e também alguns de deformabilidade, que são mostrados na Tabela 5.6.

Tabela 5.6 - Quadro resumo dos principais parâmetros obtidos para o critério de Hoek e Brown para o MHF. Ensaios triaxiais Critério de Hoek e Brown GSI mi mb s a δ (MPa) σN (MPa) E (MPa) Todos σ3´ 35 23 0,6 08x10 -5 0,5 -6x10-4 0,04 612,9

A partir das curvas tensão versus deformação resultante dos ensaios avaliados pode-se verificar algumas características do comportamento do MHF, como mostrado na Figura 5.7.

Figura 5.7 - Resultados tensão versus deformação do MHF, em que (a) apresenta ensaios com CP´s moldados, com anisotropia paralela à direção do ensaio, e (b) com

anisotropia perpendicular à direção do ensaio.

Algumas curvas observadas nos gráficos da Figura 5.7 apresentam pico de ruptura e perda de resistência, no pós pico, típicos de materiais frágeis. Essa característica é mais bem observada nas curvas para maior tensão confinante, acima de 400 KPa. Isso pode representar uma diminuição do índice de vazios (como citado ao final do item 5.1) com o aumento da tensão confinante e, por conseqüência, o comportamento tornou-se frágil a partir daí. Tal tendência é típica de materiais arenosos. Percebe-se um comportamento frágil em areias compactas (com um baixo índice de vazios associado a altas tensões confinantes) e dúcteis para areias fofas (com um alto índice de vazios associado a baixas tensões confinantes) – Sousa Pinto (2000).

Esperam-se esse tipo de comportamento para os MHF Brechados e Bandados devido, principalmente , pela composição areno siltosa e alto níveis de porosidade observados.