• No results found

Os edifícios analisados têm datas de construção desde a década de 70 até aos nossos dias (Figura 55) e correspondem a uma amostra bastante diversificada, abrangendo desde

Betão Armado Alvenaria Outros Tipo de

Estrutura Frequência % Frequência % Frequência % Total

An o d e C o n s tru ç ã o Anterior 0 0% 11018 99% 91 1% 11109 1919-1945 2657 16% 13596 83% 167 1% 16420 1946-1960 5403 31% 11855 68% 54 0% 17312 1961-1970 8360 48% 9091 52% 56 0% 17507 1971-1980 18995 63% 10894 36% 179 1% 30068 1981-1990 24758 72% 9246 27% 152 0% 34156 1991-1995 12585 73% 4514 26% 59 0% 17158 1996-2000 13455 72% 5000 27% 141 1% 18596 2001-2005 16357 77% 4766 22% 205 1% 21328 2006-2011 11618 76% 3426 22% 226 1% 15270 Total 114188 57% 83406 42% 1330 1% 198924

edifícios térreos até edifícios com 12 pisos, tanto de habitação como de comércio e serviços, além de edifícios localizados no litoral e no interior.

Nesta amostra, a maior percentagem de relatórios técnicos foi realizada sobre edifícios com data de construção entre o ano 2000 e 2009 (Figura 55). Verifica-se claramente a existência de uma maior percentagem de edifícios recentes a apresentar anomalias, relativamente a edifícios mais antigos, sendo que de acordo com as quatro categorias apresentadas, quanto mais recente a década de construção do edifício, maior é a percentagem de ocorrência de anomalias.

Figura 55 – Datas da construção dos edifícios

Sobre os edifícios que apresentaram degradação do betão armado, foram estabelecidas duas categorias relativamente à localização dos mesmos. Foi definida uma categoria para os edifícios localizados até uma distância de 1000m da água do mar, em que se considerou estarem diretamente e de forma mais agressiva expostos ao ataque por iões cloreto. Os edifícios que se localizam fora dessa faixa agrupam-se noutra categoria e considera-se que o efeito dos iões cloreto na degradação do betão armado é mais reduzido ou nulo.

A Figura 56 demonstra que a maioria dos edifícios analisados pelo DEC localizam-se em zona litoral, a uma distância de até 1000m da orla marítima o que comprova que nas proximidades do mar as condições ambientais são mais agressivas para os edifícios e geram mais ocorrência de degradação do betão armado.

O facto da maior concentração de edifícios de utilização sazonal localizar-se em zona litoral, também pode indiciar que, pelo facto de as habitações se encontrarem-se fechadas a maior parte do ano, não usufruindo de adequadas condições de ventilação e iluminação, promove também, o aparecimento de diversas anomalias como humidades e bolores, além da deteção tardia das mesmas.

11% 12% 27% 50% 1970-1979 1980-1989 1990-1999 2000-2009

Figura 56 – Distância dos edifícios à costa

A maioria dos edifícios localizados em zona costeira, até 1000m da costa, apresentaram de acordo com a Figura 57, a presença simultânea de fenómenos de carbonatação do betão e teor de cloretos superior ao limite. O transporte pelo ar de iões cloreto provenientes da água do mar, que se depositam nos edifícios, são bastante agressivos para as estruturas de betão armado (Capítulo 2.3.3), no entanto, a existência simultânea de carbonatação do betão, acelera ainda mais a penetração dos iões cloreto, visto serem fenómenos sinergéticos, e desta forma o início da corrosão das armaduras e degradação do betão armado ocorre e desenvolve-se de forma mais rápida.

Nos edifícios mais afastados da costa (mais de 1000m), em que se verificou a corrosão de armaduras e degradação do betão armado, apenas foi verificada a existência de carbonatação do betão, sendo que o teor de cloretos verificou-se sempre inferior ao limite regulamentar, conforme a classe de exposição de cada edifício (Tabela 1).

Figura 57 – Causas da degradação do betão armado em edifícios localizados em zona costeira

Dos edifícios que apresentaram degradação do betão armado por corrosão de armaduras, originada por carbonatação do betão e/ou presença de cloretos, verifica-se que os recobrimentos na grande maioria dos casos não cumpre o mínimo regulamentar à data da execução do projeto (Figura 58).

63% 37% até 1000m Mais de 1000m 39% 61% Carbonatação Carbonatação + Cloretos

Figura 58 – Conformidade da espessura de recobrimento com o exigível à data do projeto

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2011, no Algarve, cerca de 91% dos edifícios com estrutura em betão armado possuíam entre 1 e 3 pisos acima da cota de soleira [90]. Nos edifícios analisados também se verifica essa tendência, visto a maior percentagem corresponder a edifícios entre 1 e 3 pisos e assim, não é possível relacionar o número de pisos de um edifício com o desenvolvimento de patologia construtiva (Figura 59).

Figura 59 – Número de pisos por edifício

O tipo de cobertura dos edifícios analisados é, na sua grande maioria, cobertura mista (terraço e inclinada) e cobertura em terraço (Figura 60). Esta conclusão é contrária à situação no Algarve que, segundo dados do ano de 2011, cerca de 72% dos edifícios possuía cobertura inclinada e assim, seria expectável que a maioria dos edifícios alvo de peritagem possuísse também cobertura inclinada, facto que não se verificou [90].

Esta evidência poderá estar relacionada com o facto das coberturas em terraço necessitarem de soluções de impermeabilização próprias e mais sofisticadas em relação à generalidade das coberturas inclinadas, estando, possivelmente por isso, mais sujeitas a erros de conceção e execução que, depois, podem gerar infiltrações e, posteriormente, a ocorrência de anomalias. 18% 82% Regulamentar Insuficente 37% 31% 23% 9% 1 - 3 4 - 6 7 - 9 10 - 12

Figura 60 – Tipo de cobertura dos edifícios analisados

Como se pode verificar na Figura 61, a degradação do betão armado é a anomalia com mais ocorrências no universo de todas as peritagens analisadas. Este grupo de anomalias engloba a corrosão de armaduras, fissuração e delaminação do betão, sendo que a solicitação da peritagem aos edifícios foi requerida, na maioria dos casos, devido à existência de fenómenos de degradação do betão armado, tendo sido identificadas no decorrer das peritagens outras anomalias de menor relevo para o tema, como empolamento de pinturas, infiltrações, desenvolvimento de vegetação parasitária, entre outras.

Figura 61 – Tipos de anomalias detetadas

Em cada relatório de peritagem técnica, foi desvendada a causa ou as causas que originaram as anomalias reportadas pelos clientes. Na análise desses dados, decidiu-se agrupar essas causas em 4 categorias temporais, constatando-se claramente que, a maioria das anomalias identificadas tem origem em erros construtivos, ou seja, foram originadas na fase de execução e estão diretamente relacionadas com a qualidade da mão-de-obra (Figura 62).

68% 32% terraço inclinada 28% 37% 3% 32% Humidades

Degradação do betão armado Resistência insuficiente Outras

Figura 62 – Origem das patologias (Capítulo 2.1)

No Capítulo 2.1 encontram-se explicados os diversos tipos de origem de patologias.

23% 55% 22% 0% Congénitas Construtivas Adquiridas Acidentais

RELATERTE DOKUMENTER