A proposta que aqui se apresenta resulta de uma observação do espaço e das plantas que tivemos acesso, com o objectivo de encontrar as melhores soluções espaciais para optimizar a actividade do Museu Nacional do Traje.
Conscientes que um projecto desta natureza necessita de um estudo arquitectónico mais aprofundado, atrevemo-nos, ainda assim, a delinear um esboço do que seria o edifício ideal, identificando áreas públicas e privadas com e sem colecções, assim como os acessos e percursos internos, em função das necessidades identificadas no ponto 4.1. do nosso trabalho de projecto.
O ponto de partida para esta viagem virtual é o pátio principal do Museu. Deste ponto nevrálgico pode aceder-se ao Museu, com os serviços de acolhimento, ao Parque Botânico (1) e aos edifícios anexos.
Uma das necessidades identificadas é a instalação de uma cafetaria que complementasse o serviço de restaurante já existente. Após uma reflexão sobre o local estratégico para a sua instalação e relacionando os restantes espaços com as necessidades internas, sugere-se que a cafetaria passe a funcionar numa das pequenas salas situadas junto ao portão principal da propriedade (2). A escolha deste local foi motivada, primeiramente, por estar no percurso natural de visita e, depois, por se poder criar um espaço de esplanada, potenciando o próprio pátio.
Dadas as características do edifício, a construção de um auditório é praticamente impossível. A solução passará por adaptar um dos espaços existentes, que assuma um carácter versátil, podendo até, instalar-se um palco amovível. Considera-se, igualmente, que este espaço possa funcionar de forma independente do Museu, podendo realizar-se os mais diferentes eventos fora do horário oficial da instituição. Acreditamos que o local indicado para assumir esta função é o anexo, onde actualmente funciona a bilheteira e a loja (3). Quando observado mais ao pormenor surge a questão dos pilares existentes no centro deste espaço. No entanto, os mesmos poderão ser contornados com a colocação do dito palco no centro, dispondo-se as cadeiras, a toda a volta, em forma de U.
Uma vez que a loja e bilheteira deixariam de funcionar neste local, é importante encontrar um local mais estratégico. A loja deveria localizar-se num espaço mais próximo da saída natural dos visitantes, de modo a que os mesmos sejam estimulados a adquirir os produtos disponíveis. A bilheteira, que funcionaria como local de acolhimento ao público,
deveria, igualmente, situar-se num local estratégico, onde os visitantes pudessem ser convenientemente encaminhados para os locais de exposição – de longa duração e temporárias – ou para qualquer outro serviço disponibilizado pelo Museu, como a biblioteca, salas de oficinas ou cursos. Assim, sugere-se que estes serviços passem a localizar-se nas duas salas existentes junto ao guarda-vento do palácio. A loja (4) ficaria na sala do lado esquerdo e a bilheteira (5) na do lado direito, a actual Sala Destaca.
Desde a bilheteira é possível criar acessos aos serviços existentes no rés-do-chão, construindo um ponto de ligação entre esta sala e o local onde actualmente funciona o pbx (6), para a área das exposições temporárias (7) e exposição de longa duração, localizada no 1º piso, através da adaptação de uma sala, que presentemente serve para arrumos, a bengaleiro (8) e da introdução de um elevador (9), pelo qual se acede directamente às salas de exposição de longa duração. Este acesso foi pensado para se poder criar um percurso expositivo mais fluido, utilizando todas as salas disponíveis do andar nobre, mas, também, para dotar o museu de melhores acessibilidades para pessoas portadoras de deficiência física.
O piso térreo, como abordado no ponto 4.1. do nosso trabalho, ficaria afecto, na sua maior parte, à área pública sem colecções. No entanto, considerando as propostas efectuadas no ponto 4.3., em que o programa de exposições deveria contemplar pequenas mostras de criadores contemporâneos, considera-se importante disponibilizar uma pequena área deste piso para este fim. Assim, as salas destinadas às pequenas exposições temporárias ocupariam as salas iniciais (10), por uma questão estratégica, evitando que os visitantes que apenas queiram ver as exposições percorram os corredores do palácio. As salas intermédias (11), passariam a ser as salas de leitura e pesquisa no Centro de Investigação de Indumentária e Moda; as duas salas seguintes ficariam afectas ao Serviço Educativo (12) e as últimas duas permaneceriam, com a mesma função que têm actualmente, como espaço de aluguer para actividades externas ao museu ou para o uso interno, como salas de reuniões ou de aula, onde se leccionariam os vários cursos disponibilizados pelo Museu (13).
A área onde funcionavam as antigas cozinhas do palácio (14) passaria a ser um espaço de convívio e refeitório para os funcionários, transferindo-se, assim, o já existente no andar nobre, libertando-o para outros fins, que mais adiante abordaremos.
A biblioteca manteria a mesma função, no entanto, seria um espaço reservado aos serviços e onde se localizaram as reservas bibliográficas e o centro de documentação. (15)
Ainda neste piso situa-se o acesso dos funcionários, através da antiga casa do caseiro (16). Deste ponto, utilizando já o espaço de cargas e descargas do restaurante do Museu, sugerimos
a instalação do monta-cargas (17) que acede directamente ao piso intermédio, onde já funcionam uma parte das reservas.
O primeiro piso ou andar nobre ficará destinado à área pública com colecções, por onde se desenvolve o percurso da exposição de longa duração (18). Como vimos, o acesso será feito, principalmente pelo elevador. Existe, ainda, a possibilidade de se aceder pela escadaria principal, mas apenas em último recurso, já que a mesma comunica directamente com a última sala de exposição.
A zona que actualmente é a cozinha dos guardas (19) e que já se relocalizou no rés-do- chão, ficaria para zona de armazém de material expositivo, visto estar mais próximo da área de exposição.
O sótão, como já referimos, manteria as mesmas funções de reserva, laboratórios de restauro e gabinetes técnicos. Os acessos internos manter-se-iam, apenas acrescentando o monta-cargas (17), enunciado como necessidade no programa arquitectónico. Apesar de não poder chegar até ao sótão, ele tem acesso ao piso intermédio (20), onde já se localizam uma parte das reservas. Aqui poderia ficar uma sala de acolhimento de material (21), onde seria examinado e documentado antes de seguir para o local correcto nas reservas.
Legenda:
1 – Entrada Parque Botânico
2 – Cafetaria
3 – Auditório
4 - Loja
5 - Bilheteira
6 – Acesso aos serviços do rés-do-chão
7 – Sala de Exposições Temporárias
8 – Bengaleiro
9 – Elevador de acesso à exposição de longa duração
Legenda:
1 – Entrada Parque Botânico
2 – Cafetaria
3 – Auditório
4 - Loja
5 - Bilheteira
6 – Acesso aos serviços do rés-do-chão
7 – Sala de Exposições Temporárias
8 – Bengaleiro
9 – Elevador de acesso à exposição de longa duração
10 – Salas para pequenas exposições temporárias
11 – Biblioteca - Salas de Leitura
12 – Serviço Educativo
13 – Sala dirigidas a actividades externas – aluguer
14 – Refeitório e sala de convívio – serviços internos
15 – Biblioteca - Reservas e centro de documentação
16 - Acesso dos funcionários
17 - Monta-cargas
Quanto às caves, para a sua melhor utilização, sugerimos que se crie um acesso maior, no parque, junto das janelas que, podendo este espaço ficar destinado a acolher o centro de interpretação do Palácio Angeja-Palmela e Parque Botânico do Monteiro- Mor (22), assim como algumas salas polivalentes (23).
Planta do Piso 1
Legenda:
18 – Salas de Exposição de Longa duração
19 – Armazém de material expositivo
17 – Monta-cargas
20 - Reservas do piso intermédio
21 - Sala de acolhimento de objectos.
Legenda:
22 – Centro de Interpretação Palácio Angeja e Parque Botânico
22 – Salas polivalentes