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Chapter 5: Conclusion

5.1 Summary

Após as etapas de planejamento e elaboração do projeto, passa-se à fase de construção, que deve ser estabelecida em sequência criteriosa e ordenada (Figura 2.9), envolvendo os seguintes aspectos:

 Preparação da Fundação; Controle da Água Superficial; Metodologia Construtiva;

Operação e Interação entre Projeto e Construção.

26 2.4.1 Preparação da Fundação

Os tratamentos de fundações previstos e descritos abaixo deverão ser executados à medida que a pilha é construída, para que não se exponha toda a área, em caso de encostas íngremes, aos efeitos da erosão:

Desmatamento com retirada da massa vegetal, sem destocamento generalizado, ocorrendo tal necessidade somente nos espaldares do dreno principal;

Limpeza de materiais inconsistentes eventualmente encontrados no fundo do vale, de madeiras etc, quando ocorrerem sob drenos, com remoção para fora da área ou confinados no interior de zonas resistentes da pilha;

Limpeza da cobertura vegetal, caso a pilha seja construída em área de mata densa ou floresta (NBR 13029, 2006).

De acordo com Eaton et al. (2005), depósitos de solos orgânicos ou turfosos na fundação devem ser removidos (ou previamente estabilizados), de forma a garantir a estabilidade da pilha, evitando-se uma possível mobilização de mecanismos de ruptura envolvendo o corpo da pilha e o terreno de fundação. A formação de um aterro para adensar o solo de fundação é uma outra alternativa à remoção e à drenagem de solos frágeis e saturados.

Drenos de areia e/ou pedregulhos podem ser uma alternativa viável nos casos de áreas com surgências ou solos úmidos, direcionando as águas para uma vala coletora. Os drenos de fundo podem consistir em colchões ou valas preenchidas de pedregulhos e, no caso de grandes vazões, tubos perfurados podem ser instalados no núcleo destes dispositivos drenantes. Em qualquer caso, os benefícios e o desempenho dos drenos devem ser avaliados, sempre que possível, e acompanhados no tempo por meio de monitoramento sistemático.

2.4.2 Controle da Água Superficial

Dependendo das características do local onde se encontra instalada a pilha (vales, junto a encostas ou a vertentes, etc), o sistema de drenagem superficial deve contemplar a execução de canais periféricos visando à interceptação das águas pluviais oriundas das vizinhanças

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externas da pilha e o redirecionamento das mesmas até o sistema extravassor final. Como exposto previamente, as canaletas das bermas devem apresentar caimento de 1% na direção longitudinal e de 3% na direção transversal.

Segundo McCarter (1990), as pilhas de estéreis frequentemente cobrem grandes áreas e certos cuidados precisam ser estabelecidos no sentido de controlar a água superficial. A água superficial deve ser manejada de modo a impedir a saturação dos taludes expostos, prevenindo o desenvolvimento de superfície freática dentro da pilha, protegendo a estrutura contra a perda de finos por piping, além de minimizar erosões superficiais que, em estágios avançados, podem mobilizar ou induzir mecanismos de ruptura ao longo das superfícies dos taludes.

Drenos de fundo de enrocamento constituem uma alternativa viável e econômica frente a canais de desvios de superfície, que constituem, por sua vez, construções caras e de difícil manutenção. Estes drenos de enrocamento são aplicáveis para vazões de até 20 m3/s (Eaton et al., 2005).

2.4.3 Operação da Pilha

A disposição do estéril deve ser feita preferencialmente ao longo do comprimento da crista, de modo a fazer desta a mais longa possível, minimizando a taxa de avanço de elevação do aterro, o que favorece a estabilidade. A disposição deve ser planejada de modo a tirar o máximo proveito das condições geomorfológicas do terreno, particularmente onde o avanço da disposição ocorre sobre terrenos muito íngremes. No desenvolvimento de uma pilha, a disposição deve ser feita em vários setores, não sendo concentrada em um único local (BCRC, 1991).

Algumas restrições de operação devem ser obedecidas no desenvolvimento da pilha. O desempenho da estrutura deve ser monitorado visualmente em todo o tempo e por meio de instrumentos. Em caso de eventuais anormalidades, medidas preventivas devem ser tomadas, incluindo-se a própria suspensão de disposição, redução na taxa de disposição ou lançamento de camadas de material grosso selecionado (Eaton et al., 2005).

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Materiais rochosos mais grossos devem ser colocados em ravinas e gargantas, no leito de cursos d’água bem definidos e diretamente sobre terrenos íngremes. Isto aumentará a resistência ao cisalhamento do contato e permitirá uma drenagem de fundo. Os materiais de baixa qualidade, friáveis e finos, devem ser colocados nas porções mais elevadas da pilha, mas fora de zonas de escoamento superficial. Outra maneira de trabalhar com os materiais de qualidade ruim é dispô-los em células de uma maneira organizada, de modo a não formar uma zona favorável de ruptura.

Nos locais onde a estabilidade da pilha é difícil de ser prevista, a disposição inicial deve ser realizada como um teste, de forma a permitir verificações das hipóteses de projeto. A geração de poropressões e taxas de dissipação são muito difíceis de serem previstas de forma acurada, com base apenas em ensaios de laboratório. Portanto, medidores de poropressões devem ser instalados em fundações problemáticas de modo a permitir a preparação de um modelo de desenvolvimento que reflita as medidas de campo.

A pilha deve ser projetada considerando também os objetivos de longo prazo a serem exigidos pela reabilitação. Isso pode reduzir os custos, aumentar a estabilidade de curto prazo na construção e proporcionar menores problemas operacionais. Os objetivos da reabilitação devem incluir a garantia da estabilidade e o controle de erosões a longo prazo, de tal forma que a água liberada pela pilha ao meio ambiente local seja de uma qualidade aceitável e possibilite um uso futuro adequado para as áreas afetadas (Bohnet e Kunze, 1990).

2.4.4 Interação entre Projeto e Construção

O projeto de uma pilha deverá ser adaptado em campo quando necessário, pois as informações fornecidas pelo cliente nem sempre tendem a expressar com rigor a realidade do empreendimento, devido a diversos fatores, particularmente no caso de pilhas de grande porte. Portanto, é importante o acompanhamento de todo o processo construtivo da pilha de estéril por uma equipe técnica qualificada.

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