1. Introduction
1.3 Summary of chapters
Passados mais de três anos do desastre que culminou na mortandade de toneladas de animais no Estuário do Rio Potengi, pescadores ainda reclamam da escassez de pescado. Empresas e indústrias continuam se instalando naquela região, gerando grandes impactos e desequilíbrio àquele ecossistema. A imprensa potiguar realizou um importante papel como defensora dos interesses da sociedade, sempre na busca pelo agente causador e na sua punição nos termos da Lei. Entretanto, ficou caracterizado que a cobertura recebeu a atenção merecida apenas nas primeiras cinco semanas que sucederam o fato, quando foram publicados 86% dos 220 recortes jornalísticos usados na análise. Depois disso, outros acontecimentos foram ganhando mais destaque e o caso em estudo foi caindo no esquecimento, sendo lembrado em momentos esporádicos, como em reuniões, debates e datas “comemorativas” do acidente.
Essa parece ser a lógica da produção jornalística. Os profissionais responsáveis pelos processos produtivos nas redações – repórteres, pauteiros, editores e diretores, seguem certos critérios de noticiabilidade, visando selecionar os temas que despertam mais o interesse do público para virarem notícia. Quando algo já não repercute mais como antes, outros assuntos ganham prioridade. No caso em estudo, enquanto repercutiu, predominou uma cobertura denunciativa, muitas vezes sensacionalista, pouco aprofundamento dos dados científicos e poucas abordagens educativas, ou seja, uma cobertura que contribuiu pouco para a formação do senso crítico dos leitores. O embate entre os principais envolvidos expôs diversos pontos- de-vista. Mas o impacto causado à biodiversidade daquele rico ecossistema não recebeu a atenção devida. 12,20% 87,80% Aspectos Educativos/Formativos Abordagem Factual
A cobertura saiu em defesa das milhares de famílias ribeirinhas dos municípios de Natal, São Gonçalo do Amarante e Macaíba, apontados sempre como “as principais vítimas do desastre”, e desconsiderou os impactos resultantes da perda de diversidade biológica ou até mesmo a possibilidade de espécies serem localmente extintas. Isso representa uma abordagem predominantemente antropocêntrica, colocando o homem como um ser dominador da natureza e algo alheio ao meio ambiente. Além dos valores econômicos e sociais ligados às teorias da conservação da biodiversidade, há também as considerações éticas, que reforçam o direito de todas as espécies existirem, tanto quanto o ser humano.
Após mais de três anos da mortandade, as discussões a respeito dos culpados continuam. Promotores, advogados, políticos, cientistas, pescadores e empresários divergem. Não existe uma verdade absoluta sobre o caso. O fato é, que após mais de quatro séculos de ocupação, o estuário do Potengi sobrevive em sua capacidade limite de suporte. É preciso repensar o atual modelo de desenvolvimento da região, baseado na ocupação desordenada de áreas de mangue e na falta de tratamento dos efluentes jogados no rio.
Os meios de comunicação de massa desempenham um papel fundamental no estímulo ao manejo sustentável do ambiente natural. No Rio Grande do Norte, esse estímulo pode ser potencializado caso a imprensa aumente o rigor da apuração, intensifique a fiscalização das ações do poder público, denuncie sempre os crimes ambientais e priorize mais uma linguagem educativa, reflexiva e interpretativa, conectando as causas e conseqüências de modo mais bem fundamentado, sensibilizando os potiguares sobre a importância da manutenção da vida e da qualidade de vida, em todas as suas formas, no Estuário do Rio Potengi.
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CAPÍTULO 2
DESAFIOS DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM COBERTURA JORNALÍSTICA