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O volume e a intensidade com que ocorre a formação de lixiviados dependem como referido no Capítulo 1, de um conjunto de factores, os quais introduzem elevada variabilidade e incerteza na estimativa associada à produção expectável.

Para a estimativa do caudal de lixiviados afluente à ETAL de Vila Ruiva foi utilizado o método do Balanço Hídrico, tendo sido igualmente verificada a consistência da aplicabilidade das fórmulas de Turc, no cálculo da evapotranspiração da região do Alvito e consequente determinação do caudal médio diário de lixiviados produzidos. Os valores de caudal estimados pela aplicação destas metodologias no âmbito do projecto da ETAL de Vila Ruiva foram respectivamente, 18,3 m3/dia e 13,4 m3/dia.

No entanto, a equipa responsável pelo projecto definiu como caudal de dimensionamento da ETAL, 50 m3/dia. A opção por este valor teve por base a elevada variabilidade das características quantitativas e qualitativas demonstradas pelos lixiviados, existindo a necessidade por parte dos projectistas em assegurar um grande factor de segurança no dimensionamento destas infra – estruturas.

De forma a quantificar o volume diário de lixiviados produzidos no ASIVR, a AMCAL instalou em 2005 um caudalímetro que monitoriza em contínuo os valores de entrada na estação.

No Quadro 6.1 sistematiza>se a informação relativa (i) os valores registados pelo caudalímetro relativos ao volume de lixiviados afluente à estação de tratamento (ii) o caudal máximo diário (iii) o caudal mínimo diário (iv) o caudal médio diário e o (v) número de dias com o volume superior ao de projecto (50 m3/dia) no período entre 2005 a 2008.

Quadro 6.1 – Sistematização da informação técnica relativa à produção de lixiviados pelo ASIVR.

ETAL DE VILA RUIVA

SISTEMATIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO TÉCNICA RELATIVA À PRODUÇÃO DE LIXIVIADOS PERÍODO DE ANÁLISE – 2005 A 2008

PÂRAMETRO 2005 2006 2007 2008

Caudal Total Anual (m3/ano) 1 921 1 976 3 646 4 951 Caudal Máximo Diário

Afluente (m3/dia) 111 46 79 91

Caudal Mínimo Diário

(m3/dia) 0,7 1,4 1,4 0,3

Caudal Médio Diário

(m3/dia) 6 8 11 14

Número de dias com caudal superior ao valor de projecto (50 m3/dia)

7 0 6 21

Os dados apresentados evidenciam um aumento gradual da produção de lixiviados a partir do ASIVR, facto que poderá estar associado à exploração do aterro, nomeadamente no que respeita à gestão das operações de compactação da massa de resíduos bem como o tipo e o nível da sua cobertura.

Observa>se ainda que os valores de caudal registados tendem a aproximar>se dos valores obtidos através da metodologia de cálculo aplicada na estimativa de produção de lixiviados, sendo no entanto muito distantes do valor considerado no dimensionamento da ETAL de Vila Ruiva.

Embora não existam valores reais relativos à afluência das águas de serviço, nomeadamente águas de lavagem e águas residuais sanitárias, apresenta>se no Quadro 7.2 uma estimativa relativa ao caudal afluente à lagoa de regularização destes efluentes, tendo por base os consumos de água da rede pública registados ao longo do período entre 2005 a 2008, e considerando um coeficiente de afluência à rede igual a 0,8.

Quadro 6.2 – Sistematização da informação técnica relativa à produção de águas de serviço afluentes à ETAL de Vila Ruiva.

ETAL DE VILA RUIVA

SISTEMATIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO TÉCNICA RELATIVA À PRODUÇÃO MÉDIA DE EFLUENTES DE SERVIÇO (m3/dia)

PERÍODO DE ANÁLISE – 2005 A 2008

2005 2006 2007 2008

4,4 3,2 5,1 7,2

Fonte: Relatório Ambiental Anual do ASIVR 2008

Assim, o caudal médio diário afluente ao sistema de tratamento corresponde ao somatório do caudal médio de lixiviados e dos efluentes de serviço, e que se apresenta no Quadro 6.3.

Quadro 6.3 – Sistematização da informação técnica relativa ao caudal afluente à ETAL de Vila Ruiva

ETAL DE VILA RUIVA

SISTEMATIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO TÉCNICA RELATIVA AO CAUDAL MÉDIO AFLUENTE À ETAL DE VILA RUIVA (m3/dia)

PERÍODO DE ANÁLISE – 2005 A 2008

ORIGEM 2005 % 2006 % 2007 % 2008 %

ATERRO SANITÁRIO 6 60 8 73 11 69 14 67

EFLUENTES DE SERVIÇO 4 40 3 27 5 31 7 33

TOTAL (m3/dia) 10 100 11 100 16 100 21 100

Os dados demonstram que os efluentes de serviço contribuem com cerca de 30% para o total do caudal afluente ao sistema de tratamento. Tal facto poderá contribuir para que o lixiviado monitorizado, não apresente de forma tão acentuada as características qualitativas típicas de um lixiviado proveniente de um aterro na fase de estabilização.

Apesar do nível de desempenho dos processos de tratamento biológico existentes não ser suficiente para alcançar os objectivos de qualidade desejados para o efluente final, seria expectável que este fosse ainda mais reduzido caso não se verificasse a mistura das águas lixiviantes com as águas de serviço.

Se por um lado, o facto do dimensionamento do sistema de tratamento ter admitido um volume afluente muito superior ao que na realidade se verifica, tem permitido uma maior flexibilidade na exploração da ETAL, particularmente no que respeita à capacidade de encaixe de afluências muito significativas no período de maior pluviosidade, por outro, tem consequências negativas ao nível dos processos de tratamento, nomeadamente no cumprimento dos tempos de retenção definidos para cada um dos órgãos existentes.

Em termos de estimativa de caudal afluente à ETAL de Vila Ruiva nos próximos anos, é previsível:

> Que ocorra um aumento do caudal nos próximos 3 a 4 anos, sobretudo motivado pela evolução dos consumos de água da rede pública para fins sanitários e de lavagens diversas, e a sua consequente afluência à estação; > Que ocorra uma estabilização do caudal nos anos seguintes, dado que o desvio

de resíduos urbanos do aterro para a futura estação de tratamento mecânico e biológico permitirá um melhor controlo das operações de exploração desta infra> estrutura, traduzindo>se possivelmente numa contínua redução da produção de lixiviados, o permitirá atenuar a tendência crescente de produção de efluentes de serviço.

Em termos globais, pode>se estimar que nos próximos anos o caudal médio diário afluente à ETAL tenderá a estabilizar em torno de valores no intervalo entre os 25 m3 e os 30 m3, sendo que a fracção de águas residuais de serviço tenderá a aproximar>se dos valores de lixiviado provenientes, podendo vir a representar entre 35% a 40% do total do caudal afluente ao sistema de tratamento.