As Oficinas de Bairro, segundo a definição apresentada pela coordenação do plano, seriam:
Eventos de mobilização e participação social para a elaboração do PLANO SALVADOR 500 e a revisão do PDDU e da LOUOS. Nas oficinas a população é informada sobre conceitos e as etapas do processo de planejamento estratégico e a Prefeitura ouve a população sobre as leituras e expectativas a respeito do seu bairro e da cidade" (grifos nossos) (COORDENAÇÃO, 2014a).
Elas estavam previstas como uma das estratégias de mobilização e participação social do plano e na definição da sua coordenação seria, entre as diversas formas de participação possíveis, "(...) a forma mais direta de participação, aquela que coloca a população próxima à equipe técnica e lhe dá a oportunidade de falar
abertamente." (Trecho extraído de documento entregue pela equipe do plano no 1º Ciclo de Oficinas de Bairro) (COORDENAÇÃO, 2014c). (Conferir ANEXO I- Documento 01)
A prefeitura municipal realizou dois ciclos de oficinas nos bairros de Salvador. O primeiro entre os meses de novembro e dezembro de 2014 e o segundo no mês de julho de 2015. As oficinas eram designadas territorialmente, a partir da delimitação das prefeituras-bairro44. No primeiro ciclo, ocorrido no segundo semestre de 2014, foram realizadas 17 oficinas. Segundo a coordenação do Plano Salvador 500, as oficinas pretendiam contribuir para a realização de um diagnóstico e prognóstico acerca da cidade de Salvador. Diagnóstico e prognóstico estes que seriam incorporados ao Plano juntamente com os posteriores estudos técnicos e contribuições de outras fases do processo (como os fóruns temáticos), delineando um cenário da Salvador atual e do seu prognóstico de crescimento.
A metodologia dessas oficinas foi estruturada em 3 fases.
A primeira fase era uma fase de apresentação geral executada pelos técnicos da Fundação Mario Leal e da SUCOM. Era exposta a ideia geral do Plano Salvador 500 e introduzidas algumas noções acerca de planejamento urbano e da legislação urbanística, como o que significava PDDU- Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e LOUOS- Lei de Ordenamento de Uso e Ocupação do Solo. Também nesse momento eram apresentadas quais as correlações que se estabeleceriam entre o Plano Salvador 500 e a produção da legislação urbanística, quais eram as etapas previstas ("Salvador é", "Salvador será" e a "Salvador que queremos") e como seria possível para os cidadãos participassem deste processo. Também neste momento era apresentado o roteiro e a metodologia da oficina, seus objetivos, conceitos básicos e como funcionariam os grupos de trabalho.
Na segunda fase, os participantes eram divididos em grupos de forma aleatória. Em cada grupo foram entregues também questionários individuais (Conferir ANEXO J- Documento 02). Um dos questionários trazia perguntas sobre sexo, faixa etária, emprego, nível de escolaridade e avaliação de alguns serviços públicos; o outro era um questionário de avaliação da metodologia da oficina.
44Prefeituras-bairro são uma nova proposta de divisão administrativa implantadas na gestão do prefeito
ACM Neto durante o ano de 2013. Seus efeitos sobre o desenrolar da atividade participativa das oficinas de bairro devem ser explicitados em próximo ponto.
Em seguida, era iniciada uma coleta das impressões dos participantes acerca da realidade da cidade ("Salvador é"). Foi utilizada a metodologia do FOFA (análise SWOT45), na qual os participantes deveriam apontar Fortalezas, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças detectadas em seu bairro e região. As contribuições e análises, realizadas sempre de forma individual, deveriam versar acerca dos seguintes temas: 1) Serviços e equipamentos públicos; 2)Espaços públicos e Segurança; 3) Emprego e Renda; 4) Habitação e Saneamento; 5) Ambiente e Cultura; e 6) Transporte e Mobilidade.
Como a intervenção era individual e meramente enunciativa, não se debatia o conteúdo das análises havia apenas o levantamento, era possível a existência de análises conflitantes ou excludentes entre si. Assim, se um participante ao ser questionado sobre espaços públicos colocasse, por exemplo, que havia ausência de praças no seu bairro, e outro participante morador do mesmo bairro entendesse que o número de praças existentes era suficiente, ambas as proposições seriam tabuladas e incluídas no relatório final. Sobre este ponto, a facilitação colocava que a intenção da oficina não era chegar a um consenso, e sim levantar o maior número de análises/opiniões/diagnósticos possível.46
Posteriormente, os participantes também eram chamados a se manifestar sobre o prognóstico que tinham sobre a cidade. Eles deveriam responder a pergunta: "Caso nenhuma alteração seja realizada, como Salvador será daqui a trinta e cinco anos?". As intervenções também eram feitas de forma individual e se referiam as temáticas elencadas acima.
Tabuladas as análises, tanto de diagnóstico ("Salvador é") quanto de prognóstico ("Salvador será"), eram entregues questionários de avaliação da metodologia, e a terceira fase era a de apresentação por um representante da produção de cada grupo para os demais.
45"A matriz SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de cenário (ou análise de ambiente),
sendo usada como base para gestão e planejamento estratégico de uma corporação ou empresa (...)A técnica é creditada a Albert Humphrey, que liderou um projeto de pesquisa na Universidade de Stanford nas décadas de 1960 e 1970, usando dados da revista Fortune das 500 maiores corporações". Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1lise_SWOT>.
46Interessante relacionar a previsão do Plano de Mobilização e Participação Social, que prevê: "As
estratégias do Plano Salvador 500 envolvem conteúdos técnicos e interesses políticos. A confrontação entre essas duas dimensões intrínsecas, frequentemente, resulta em obstáculos e paralisações do
processo. Quando bem encaminhados, processos de aprendizagem sobre conteúdos, pontos de conflito,
estratégias de negociação e pactos favorecem a implementação do Plano, informando estratégias de negociação e mitigando conflitos." (COORDENAÇÃO,2014d) (grifos nossos)