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As novas formas de comunicação, armazenagem e capacidade de recuperação do conhecimento são elementos essenciais proporcionados pela tecnologia da informação que vão transformar a educação superior. Segundo Miura (2006), no tocante aos professores, atualmente, existe uma sensível dependência dos recursos da internet para a realização de pesquisas e análises, além de auxiliar na disseminação dos trabalhos científicos. As bibliotecas deixam de ser simples depósitos de livros e jornais científicos e passam a se envolver com as novas formas de compartilhamento de informações, acesso a banco de dados e websites.

De acordo com Knight (2005), dentre as quatro razões para a internacionalização das IES se encontram a “pesquisa e produção do conhecimento”. Esta razão está relacionada com o aumento de interdependência entre as nações e o aumento das questões internacionais não resolvidas somente em âmbito nacional. A colaboração internacional e a interdisciplinaridade são uma resposta aos vários problemas relacionados ao meio ambiente, saúde, direitos humanos entre outros. Logo, esta talvez seja uma das principais razões que motivam as IES a incorporarem a dimensão internacional na pesquisa e na produção do conhecimento.

A literatura vislumbra várias mudanças para o processo de internacionalização do ensino superior em virtude do uso da tecnologia de informação. Os autores não chegam a conclusões precisas sobre as consequências e impactos para as diversas ações, tais como a mobilidade de estudantes e professores, projetos ou pesquisas conjuntas, entretanto, todos concordam no que se refere à ocorrência de fortes impactos nas futuras políticas de incentivo à internacionalização (MIURA, 2006).

Em outubro de 1998, a Conferência Mundial sobre o Ensino Superior ensejou a Declaração Mundial sobre Educação Superior no século XXI, cujo artigo 5º trata da

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“Promoção do saber mediante a pesquisa na ciência, na arte e nas ciências humanas e a divulgação de seus resultados.” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1999, p. 25).

No discurso de abertura da referida Conferência, Marco Antonio Rodrigues Dias, ex-diretor da Divisão de Educação Superior da UNESCO, ressalta que o projeto da Declaração apresenta elementos para uma nova visão do ensino superior, apresentando os seguintes conceitos:

− acesso com equidade;

− reforço da participação feminina;

− garantia do acesso a grupos especiais, como refugiados, deficientes e minorias diversas;

− estímulo ao progresso do conhecimento através da pesquisa e da publicação

de seus resultados;

− pertinência e orientação a longo prazo, levando em conta demandas sociais, em particular no relacionamento com o mercado de trabalho;

− diversificação para aumentar a igualdade de oportunidades;

− pessoal e estudantes: os principais protagonistas da educação superior. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1999, p. 63, grifo nosso).

O Documento de Trabalho da Conferência, no seu capítulo 5 – Cooperação e o Ensino Superior, seção 196 –, sobre a chegada das novas tecnologias da informação e da comunicação, ressalta que a sociedade do século XXI será uma sociedade da comunicação, que se tornou possível pelos progressos em diversos campos como: digitalização da informação, potência de estocagem, tecnologia de transferência da informação (redes de satélites e sua cobertura), estruturação em redes internacionais, desenvolvimento em mundos virtuais (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1999).

A chegada dessa sociedade da comunicação provoca inúmeras consequências no mundo. As novas tecnologias da informação e da comunicação permitem a consulta à distância de dados significativos. Os lugares de produção, distribuição e pesquisa estão cada vez mais separados espacialmente, mas interligados em rede (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1999).

As novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC), ao mesmo tempo, são um vetor de internalização da cultura e um instrumento de defesa das identidades culturais, desafio maior ao qual o ensino superior não pode ficar insensível. Nas diferentes missões de ensino, pesquisa e extensão, as instituições de ensino superior não podem, sob pena de contradição, permanecer afastadas das NTIC. Elas devem participar do seu desenvolvimento e

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prever o impacto de sua implantação nos diferentes setores e nelas próprias. Os impactos para o ensino superior são numerosos (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1999, p. 173).

De acordo com Miura (2006), a discussão sobre a internacionalização das instituições do ensino superior (IES) ganhou importância a partir da década de 1980. A busca pelo desenvolvimento científico passou a ser uma discussão além das barreiras nacionais, incorporando tendências internacionais. São argumentos para explicar a importância da internacionalização de IES:

a) exigências profissionais e acadêmicas para os graduados refletindo as demandas da economia, da sociedade e do mercado de trabalho globalizados;

b) esforços de colaboração e intensa cooperação internacional para potencializar

o nível de especialização em pesquisa, compartilhar custos em investimentos que são indispensáveis na pesquisa e desenvolvimento de áreas específicas do conhecimento;

c) recrutamento de estudantes estrangeiros para contribuir com as receitas da instituição;

d) intensificação do uso de novas tecnologias de informação e comunicação

facilitando a distribuição de programas educacionais via internet.

(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1999, p. 120, grifo nosso).

Foi no sentido de intensificar a comunicação e fazendo uso das novas tecnologias que surgiu a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, como já citado, um empreendimento de integração local, nacional e internacional, que tem por objetivo a disseminação da produção científica. De acordo com Vicentini (2006), um dos pontos relevantes da biblioteca digital é o acesso que, desde sua implantação, é universal e traz muitas vantagens em relação à organização, espaço físico, localização geográfica, preservação, dentre outras.

Esse caráter internacional da BDTD pressupõe o uso de normas internacionais que facilitem a comunicação científica. Os organismos internacionais de normalização manifestam-se com relação à importância de padrões.

A International Organization for Standardization (ISO) (2008), com relação às normas internacionais e educação, assevera que os padrões são o veículo para a partilha de conhecimentos, tecnologias e boas práticas, componentes essenciais do mundo industrial e pós-industrial com o objetivo de apoiar as atividades econômicas, sociais e necessidades mais equitativas de oportunidades, ou seja, o desenvolvimento sustentável. E acrescenta:

O papel das normas foi reconhecido, há muito tempo, na educação, no entanto, há um recente aumento da sensibilização das instituições de ensino em todo o mundo para a importância da padronização das atividades de um modo mais geral, para a contribuição que podem dar ao comércio de produtos e serviços, a promoção de

51 boas práticas empresariais e para fomentar a inovação tecnológica. (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2008, p. 1).

A International Organization for Standardization (2008) considera esta tendência importante e acredita na contribuição que a normalização pode dar à internacionalização do ensino e no que pode ser alcançado por meio dela. Está empenhada em apoiar estas