I. l Terms ofReference
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De acordo com Oliveira-Formosinho et al. (2011), a pedagogia “sustenta-se, numa ação fecundada na teoria e sustentada num sistema de crenças” (p.98). Nesta perspetiva, a pedagogia coloca a sua ênfase nos saberes que se edificam na prática diária, num processo de constante relação entre crenças e teorias.
Apesar da escola democrática para todos ter surgido a partir da década de 70, o modelo da pedagogia transmissiva continuou a ser o modelo seguido pelas instituições escolares, centrando-se numa pedagogia do tipo bancária, em que o aluno era encarado como um “recipiente vazio” a ser “preenchido” e o professor era tido como o detentor e depositário dos conhecimentos (Freire, 2012).
De acordo com a Delors et al. (1998), a educação deve basear-se em quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, reclamando deste modo uma pedagogia participativa e democrática onde o aluno tenha um papel ativo e criativo na construção das suas aprendizagens. Assim, as transformações que a escola sofreu durante o século passado trouxeram mudanças que por si mesmas implicaram a própria maneira de conceber o ato educativo, aclamando uma nova pedagogia onde a criança passa a ser o centro de todo o processo educativo.
Nesta linha de pensamento, foi fundamental a contribuição de muitos teóricos construtivistas e socioconstrutivistas no campo da Pedagogia. Piaget, Vygotsky e Bruner são alguns aos quais faço referência neste trabalho porque, ao fim de contas, os
modelos teóricos favoreceram a orientação da ação pedagógica, segundo a conceção construtivista da aprendizagem.
1.3.1 Jean Piaget.
O psicólogo Jean Piaget (1896-1980) preconiza uma teoria explicativa do desenvolvimento cognitivo das crianças. De acordo com a sua teoria é através da aprendizagem pela ação que a criança adquire um papel decisivo na construção do seu conhecimento, sendo que para isso necessita de interagir com o meio envolvente (Hohmann & Weikart, 2007).
A teoria piagetiana estabelece que o desenvolvimento cognitivo da criança se realiza através de estádios consecutivos que têm início desde o momento do nascimento da criança até ao período da adolescência.
O estádio sensório-motor está compreendido entre os 0 e os 2 anos; o estádio pré-
operatório ocorre entre os 2 e os 7 anos; o estádio das operações concretas vai desde os
7 aos 11 anos e, por fim, o estádio das operações formais verifica-se entre os 11 e os 16 anos de idade (Fernandes, 2010).
Cada estádio obedece a características distintas, seguindo uma sequência invariável, visto que os indivíduos passam pelos mesmos estádios segundo a mesma ordem. Em relação às diferenças entre cada estádio, estas são marcadamente qualitativas, pois ao transitar para um novo estádio os indivíduos alteram, essencialmente, a maneira como constroem e interpretam o mundo (Pocinho, 2004).
O conhecimento vai resultar da interação sujeito-meio, sendo que o meio vai propiciar uma adaptação dos esquemas e estruturas do indivíduo ao ambiente, mediante um processo de acomodação e equilíbrio.
A aprendizagem vai depender do estádio de desenvolvimento cognitivo em que os indivíduos se encontrem, precedendo assim ao desenvolvimento intelectual.
A assimilação e a acomodação correspondem a mecanismos que permitem fazer a passagem de um patamar para outro mais complexo. O desenvolvimento cognitivo ocorre de forma gradual, por estádios de desenvolvimento de acordo com a evolução cognitiva (Papalia, Olds & Feldman, 2001).
No que concerne à turma onde se efetuou a intervenção pedagógica, os alunos têm idades iguais e/ou superiores a sete anos, pelo que se encontram, de acordo com esta teoria, no estádio das operações concretas.
1.3.2 Lev Vygotsky.
Lev Vygostky, tal como Piaget, preconiza a aprendizagem pela ação, no entanto, este vai mais longe que Piaget ao sustentar a importância das interações sociais para a compreensão do desenvolvimento e aprendizagem das crianças. Isto significa que, para Vygostky, o desenvolvimento da criança resulta de um processo cultural, social e histórico, onde a linguagem atua como um mediador, atribuindo significado às ações dos indivíduos.
Apoiando-se no facto de que todo o processo de aprendizagem está centrado no homem e na sua inserção na sociedade, concebe a aprendizagem como o resultado do contacto permanente dos indivíduos com ambientes estimulantes, reconhecendo a importância da socialização e das relações com os pares (Oliveira, 1996).
Ao expor o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP), o pedagogo assume a existência de uma ligação entre aprendizagem e o desenvolvimento das crianças. Este conceito é uma ferramenta de extrema importância para o sucesso do ato educativo, pois uma vez que ao se aperceber daquilo que o aluno já sabe, o docente pode intervir orientando ou promovendo momentos de interação com os pares, de forma a promover a aprendizagem. Ao conseguir realizar algo com apoio, a criança estará apta, mais tarde, a conseguir fazê-lo sozinha (idem, ibidem).
1.3.3 Jerome Bruner.
Jerome Bruner defende, tal como os teóricos anteriores, o princípio da aprendizagem ativa para a construção dos conhecimentos. Para o autor, a aprendizagem deve ser encarada pelo aluno como um ato prazeroso e cada momento de aprendizagem deve ser entendido como algo com aplicabilidade no futuro (Fernandes, 2010).
Este considera a organização em espiral do currículo, ressaltando a abordagem periódica dos diferentes temas de forma a aprofundar e a promover a sua aprendizagem (Bruner, 1998).
Já no que diz respeito ao entendimento do processo educativo, este é encarado como uma forma de desenvolvimento das capacidades cognitivas e humanas. Como tal, afirma ser decisivo partir dos interesses e motivações das crianças.
A realização de atividades que pressupõem a observação, pesquisa e relação de conceitos adquiridos à priori, permitem uma apropriação gradual e crescente dos conhecimentos (Tavares & Alarcão, 2002). Deste modo, Bruner entende que as crianças
aprendem de uma forma mais significativa quando estão envolvidas num contexto que estimule a descoberta e a resolução de problemas, sendo que para isso muito contribui o papel exercido pela comunidade educativa (Bruner, 1998).