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4. RESEARCH METHODOLOGY

4.2 OPERATIONALIZATION

4.2.6 Control variables

O movimento ambiental brasileiro tem sido entendido como sendo fruto do processo de reação de parcela da sociedade civil que almejava a ruptura do modelo de desenvolvimento imposto ao país. Esse modelo levou aos fatores estruturais da crise econômica, cujas conseqüências mais visíveis são o desemprego em massa, as altas taxas de juros, os problemas de infra-estrutura urbana, aliados aos impactos ambientais negativos que se tornam cada vez mais evidentes, exemplificados pela poluição hídrica e atmosférica, pelo inchaço urbano, pelos riscos tecnológicos, entre outros. Essas seriam as principais razões pelas quais o movimento ambiental no Brasil teve, basicamente, como celeiro os grandes centros urbanos.

Sobre o surgimento e evolução do movimento ambiental global e, particularmente no Brasil, destacamos autores como E. J. Viola; H. Leis e P. F. Vieira que levantam o debate de que este, inicialmente, transitou por alguns poucos segmentos da sociedade civil, passando, posteriormente, a sofrer modificações e a ampliar seu diálogo com um número maior de segmentos da sociedade. Com suas idéias iniciais restritas a uma oposição genérica à sociedade injusta, desigual, predatória e imediatista, posteriormente passa a propor um novo projeto de sociedade, por isso, o consideramos um NMS, principalmente por conter características comuns aos outros movimentos como sua atuação descentralizada

e multiforme, heterogeneidade em sua constituição, voltada para um trabalho em rede e pulverizada pelo mundo.

A parcela do movimento que evoluiu dessa forma é cada dia mais significativa, com grande visibilidade pública e influência crescente sobre seus parceiros, pois se reconhece como um sujeito social, portador de um projeto de sociedade. Tal promessa de universalidade o transforma em um movimento multissetorial que penetra o governo, a academia, o empresariado, além de outros NMS (LEIS, 1999; LEIS & VIOLA, 1996).

Assentimos com o debate de E. J. Viola; H. Leis e P. F. Vieira, onde essa singularidade só é possível, porque as próprias questões ambientais pedem a sua existência, haja vista que envolvem trocas e negociações entre dimensões e sujeitos diferentes, ou seja, implica a tomada de decisões em contextos que envolvem problemáticas, paradigmas e conceitos que, por vezes, parecem contraditórios. As questões ambientais são complexas, assim, para sua discussão e resolução, é imprescindível o sincretismo e o encontro entre a ciência, a religião, a arte, a filosofia e a sabedoria popular. Da mesma forma, a ação política no interior do movimento ambiental, é complexa, com incertezas, antagonismos e/ou parcerias, trocas, negociações, possibilitada pelo seu próprio caráter heterogêneo, pois, por um lado, comporta em seu interior propósitos conservadores e, por outro, revolucionários.

Observamos também a tendência de análise de E. J. Viola; H. Leis e P. F. Vieira de que essa é uma característica única, ou seja, um movimento social em cujo interior se encontra a diversidade de segmentos sociais, políticos e culturais e que trabalham por um objetivo comum, explicando o fato de casos em que: (a) alguns valores orientam a ação para conservar a diversidade biológica e nossas heranças culturais; (b) outros a orientam para revolucionar as relações sociais e políticas existentes. Essa via de mão dupla, por onde se caminha para conservar ou revolucionar, é uma contradição, se observada do ponto de vista racional instrumental. Todavia, a complexidade das questões ambientais pede numerosas trocas e negociações entre os diversos sujeitos sociais e políticos envolvidos. Do ponto de vista de LEIS (1999), as finalidades da política ambiental, que pedem para conservar algumas coisas e ao mesmo tempo revolucionar outras, orientam para a necessidade da negociação, através do diálogo e não apenas da usual forma instrumental. Por conseguinte, é natural que as políticas do movimento ambiental combinem orientações, tanto a favor de privatizações quanto de nacionalizações. Do mesmo modo, sejam

favoráveis a aumentar as despesas do Estado em algumas áreas e diminuí-las em outras, ou de liberar o mercado para alguns produtos e regulá-lo para outros.

Consideramos que essa característica singular do movimento ambiental explica-se não somente pela heterogeneidade político-social-cultural de sua composição, como também pelas características holísticas das questões ambientais. Particularidades que levaram o movimento ambiental a ir gradativamente evoluindo em seu discurso e ações, a interessar-se não somente pelos seus temas específicos, como também pelo conjunto dos problemas sociopolíticos atuais.

Assim, corroboramos com a tendência de debate de E. J. Viola; H. Leis e P. F. Vieira de que a política do movimento ambiental não deve ser entendida como restrita a determinados objetivos, pois a complexidade, tanto fruto da diversidade de sua composição como de suas questões, levou os sujeitos participantes a terem que se envolver também na produção dos meios técnicos, políticos e culturais, em sentido amplo para sua realização. Decidir sobre uma política ambiental supõe também a imposição de certos valores e idéias sobre o que está certo e errado. Uma política destinada a enfrentar um problema de poluição leva, por exemplo, a ter que decidir sobre complexos temas político-éticos de justiça distributiva.

Essa tendência de abordagem da questão ambiental necessita da contenção de suas causas estruturais, envolvendo mudanças de mentalidades, valores e atitudes, para além do processo científico, de políticas preventivas e da institucionalização de espaços públicos de discussão e deliberação. Entendemos também que esta seria uma das razões de grande parte dos sujeitos atuantes no movimento ambiental fazer uma clara opção a favor da democracia. Nesse caso, à democracia participativa, ao exercício da cidadania ativa, onde se efetiva o processo de formação de vontade pública consistente e efetiva, a partir de uma participação política de tipo horizontal.