aksjeselskaper og likestilte selskaper
9. Subsidier og kompensasjon for merverdiavgift
Na narrativa, a intensidade do interesse de Jesus por Zaqueu pode ser evidenciada por alguns detalhes descritos por Lucas: pela atenção e valor que Jesus deu para a atitude de Zaqueu, “olhando para cima”; através da atitude de chamá-lo pelo nome; pela expressão de urgência “desce de pressa”; e por meio do autoconvite para ficar em sua casa naquele dia (Lc 19,5). Diante destas expressões
de valor ao seu interlocutor, Zaqueu responde proporcionalmente às palavras de Jesus, descendo depressa e recebendo-o com alegria em sua casa. Esta descrição elaborada por Lucas pode indicar que já havia em Zaqueu certo sentimento positivo a respeito de Jesus e de seus ensinos, ou seja, a curiosidade alimentada por vê-lo e a coragem de se expor ao ridículo tinha um fundamento baseado em uma autêntica admiração de Zaqueu por Jesus. “Descer a toda pressa” e “receber com alegria” são as expressões de Lucas desta relação que antecede ao encontro com Jesus.
Interessante nesta narrativa é que tanto o comportamento de Jesus como o de Zaqueu foi estranhado por aqueles que testemunharam o encontro. Lucas relata que “todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador” (Lc 19,7). Embora não seja possível detectar no texto quais pessoas ou grupos tenham feito esta observação, entretanto, considerando o conteúdo religioso da sentença “homem pecador” e a ideia de separação com este, é possível dizer que aqui tenhamos a ideologia tão presente nas pregações dos escribas e fariseus, conforme 1.3.2 Grupos Religiosos, os quais se consideravam melhores e mais puros que o restante da população judaica e com os quais Jesus teve fortes embates sobre este assunto (Lc 5, 17-26, 29-31; Lc 6,1-11 etc.).
Lucas intencionalmente narra este desconforto por parte de algumas pessoas com o objetivo de destacar os dois projetos éticos presentes no primeiro século. O primeiro diz respeito ao projeto preconceituoso e excludente dos fariseus e escribas, marcado por uma suposta superioridade espiritual destes sobre os demais judeus, que viviam sob as Leis que eles mesmos (escribas e fariseus) criavam, mas não praticavam estritamente. O segundo projeto é o projeto da ética do Reino de Deus anunciado por Jesus. Neste, não há soberba ou exclusão. Sua mensagem é singela, mas eticamente poderosa para transformar as pessoas, suas relações e a sociedade: O Filho de Deus veio ao mundo em uma humilde estrebaria e foi anunciado aos pastores (Lc 2), ele recebeu ao seu redor toda sorte de pessoas – crianças (Lc 18,15-17), mulheres (Lc 7,11-17), enfermos (Lc 8,42-48), pecadores (Lc 19,1-9) – e expôs os seus sermões éticos (Lc 6,20-49), com o objetivo de alcançar indivíduos para a vivência de um novo sistema social pautado nos valores éticos do Reino de Deus, por ele anunciado.
Em continuidade a sua narrativa, Lucas inicia o versículo 8 com a expressão “entrementes”, ou seja, “naquela ocasião”, “num determinado período de tempo”. O texto não esclarece o conteúdo da conversa de Jesus com Zaqueu em sua casa.
Entretanto, a descrição da reação de Zaqueu (“levantou e disse ao Senhor”) indica uma prontidão para o fazer, uma intenção por realizar, uma plena aceitação a respeito do que anteriormente havia sido ensinado.
As palavras de Jesus tocaram na consciência de Zaqueu ao ponto de fazê-lo levantar-se e declarar sua nova disposição perante os seus convidados e familiares. Em Lc 19,9 Jesus afirma que naquele momento ocorreu a salvação de Zaqueu. Segundo L’Eplattenier (1993, p. 177), “a salvação é também a mudança de vida que dela decorre, a ‘reviravolta’ de Zaqueu em sua relação com os outros, mudança essa atestada pela partilha dos bens”.
Esta narrativa não é um elemento estranho à intencionalidade geral de Lucas ao escrever o evangelho. Ela é mais um dos vários argumentos descritivos que evidenciam o que era a ética do Reino de Deus através das palavras e ações de Jesus. Na leitura do Evangelho de Lucas fica claro o seu esforço por destacar a visão que Jesus possuía sobre as questões sociais e as posses deste mundo. Ele apresenta as ações de misericórdia e compaixão de Jesus a favor dos injustiçados, dos pobres, das mulheres (Lc 12,33-34):
Lucas quer salientar que Jesus veio para eles, trazendo-lhes a justiça e a libertação, não para que eles simplesmente se encaixem na sociedade e na história que aí estão. Não. Jesus veio libertá-los para que eles construam uma nova sociedade e uma nova história, onde a justiça produz partilha e fraternidade, de modo que todos possam ter acesso à liberdade e à vida (STORNIOLO, 1992, p. 10)
Por isso, quando Zaqueu afirma: “senhor, resolvo dar aos pobres a metade de meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19,8), a temática da ética do Reino de Deus mais uma vez é reforçada no evangelho de Lucas, a qual ia além da norma rabínica (Lv 20,24) (LANCELLOTTI e BOCCALI, 1979, p. 178). Esta ética, ampla em seu alcance, também é recebida como padrão de conduta até mesmo por um publicano, pecador, impuro. A mensagem de Jesus era que a ética do Reino de Deus não havia sido revelada apenas aos excluídos e explorados da sociedade, mas também àqueles que eram a força motriz deste sistema.
Isto pode significar que Jesus não tinha a intenção de trazer um discurso espiritualista/teórico acerca do mundo, mas proclamar um discurso ético que produzisse transformações significativas a partir das condições históricas de suas
origens. Ou seja, o seu plano de implantação do Reino de Deus considerava a necessidade de se evangelizar também aqueles que contribuíam para origem e manutenção de sistemas injustos. No caso de Zaqueu, o anúncio da ética do Reino de Deus em sua casa desencadeou a necessidade profunda de se estabelecer novas relações com os seus semelhantes.
Sua inclusão no Reino resultou em percepções e disposições novas em relação ao próximo. Isto fica bem evidente, quando Lucas narra as primeiras palavras de Zaqueu para Jesus: “resolvo dar aos pobres” (Lc 19,8). A anterior invisibilidade do pobre é substituída pela percepção de sua clara existência e necessidades urgentes. Comprometido com a ética do Reino, Zaqueu empenha-se por suprir as necessidades daqueles que anteriormente ignorava os sofrimentos e precisões. A partir de seu entendimento e compromisso com o Evangelho, Zaqueu percebeu que acolher Jesus em casa implicava também em acolher aquele que estava em pobreza na rua e que ele ajudava a empobrecer.
A pregação de Jesus era comprometida com os marginalizados, doentes e pecadores chamados à conversão (STEGEMANN, 2012, p. 72) foi entendida por Zaqueu. O que a religião oficial não pode fazer por este publicano e por aqueles que viviam com ele e por ele tinham sido defraudados, a anunciação da ética do Reino fez. Jesus lhe mostrou uma espiritualidade com profundas implicações éticas e esta nova percepção mudou sua vida e suas relações econômicas e sociais com o seu próximo.
Tendo anunciado sua nova postura para com os pobres, Zaqueu acrescenta mais um elemento ético às suas palavras: “[...] e, se tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais”. A respeito desta disposição Stöger (1974, p.141-142) afirma:
A autenticidade da conversão revela-se na vontade de observar radicalmente as prescrições da lei. Não quer restituir apenas 120% do valor daquilo que adquiriu ilegitimamente (Lev 5,20-26), mas, além disso, o
quádruplo ou quíntuplo em reparação (cf. Êx 21,37). Os escribas exigem
que se dê também uma determinada soma em dinheiro aos pobres, em prova de que a penitência é autêntica. Propunham um quinto dos haveres como primeira prestação e a mesma porção do rendimento anual como segunda prestação (cf. Núm 5,6s). Também isso o publicano quer cumprir. Este resgate das exigências da Lei de Moisés evidencia a disposição de Zaqueu por uma ruptura radical com seu anterior sistema ético. Aqueles que haviam
sido enganados ou extorquidos por Zaqueu agora poderiam ter a esperança de uma reparação por seu delito. Segundo Richter Reimer (2006), as pessoas usurpadas, agora, poderiam ter a possibilidade de restabelecer uma vida mais digna, através da devolução de recursos retirados por Zaqueu, pela fraude, podendo assim, controlar seus meios de vida e conseguir quitar as dívidas, havendo, portanto, reabilitação de pessoas empobrecidas.
Esta nova postura ética era uma ação revolucionária no primeiro século, pois Zaqueu não apenas representava o Império Romano na região e colhia os impostos do povo. A posição de Zaqueu era estrategicamente política, ele era quem cuidava para que a estrutura de dominação romana permanecesse. Ele era um aliado do Império que recebia salário por isto e, em acréscimo a esta situação, ainda explorava o povo por meio de fraudes. Portanto, as palavras de Zaqueu representavam não somente uma radical ruptura com o seu estilo de vida anterior, mas também com a própria política de dominação romana. A visualização do pobre e a percepção das possibilidades da ajuda e restituição aos defraudados indicam que ele não mais era um aliado do Império Romano, mas sim do Reino de Deus e de suas implicações éticas.
Nesta nova situação, Zaqueu representa o valor igualitário do Reino de Deus. Nesta vida transformada, pobres, defraudados, pecadores, ricos e publicanos podem conviver na mesma casa e serem recebidos como irmãos (ãs).
Só depois disso e derivado disso a alegre mensagem vale para todos, também para “ricos” (plousioi), caso “se convertam” (se ganharam sua riqueza de forma injusta) e se comportem de forma “generosa”/”misericordiosa” em relação aos “pobres” (exemplo para esse grupo é Zaqueu, o maioral dos publicanos, em Lc 19.1ss). Em certo sentido poder-se-ia dizer: em Lucas os pobres/ptochoi e pecadores/harmatoloi constituem nada menos que os destinatários típicos do reino de Deus (STEGEMANN, 2012, p. 72).
Pela análise de Stegemann, o Reino de Deus abraça todas as classes sociais a partir do princípio da conversão, tão essencial no anúncio do Evangelho. No caso de Zaqueu, ele que estava anteriormente comprometido com o processo de expropriação de pessoas e manutenção do poder de dominação romana, a conversão foi o passo inicial para uma nova vida, para a qual Jesus testemunha de sua verdade ao dizer: “Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão” (Lc 19,9).
Esta declaração é importante na perícope, pois associa a salvação à conduta ética e insere as pessoas convertidas à filiação abraâmica Esta perícope de Lucas expõe a necessidade de se refletir sobre o que é salvação no contexto da anunciação do Evangelho no diálogo entre Jesus e Zaqueu. O que dele se pode concluir é que salvação, em Lucas, não é uma mera condição etérea, subjetiva e desvinculada das realidades sócio-históricas.
A salvação significa uma nova postura ética frente às terríveis relações de exploração presentes no primeiro século, significa a condição de estar livre das próprias ganâncias e comprometido em suprir as necessidades dos pobres; denota a consciência de que os antigos caminhos eram errados e que é preciso construir pontes de acesso ao pobre, ao defraudado, à mulher etc., e suprir-lhes as necessidades.
A salvação é a presença amante de Jesus, que se deteve especialmente para esse pecador desprezado. A salvação é também a mudança de vida que dela decorre, a “reviravolta” de Zaqueu em sua relação com os outros, mudança essa atestada pela partilha dos bens” (L’EPLATTENIER, 1993, p.177).
Outra expressão importante que se refere a Zaqueu, feita por Jesus é “[...] pois que também este é filho de Abraão” (Lc 19,9). Desta simples declaração temos dois elementos que tornam as palavras de Jesus revestidas de grande importância para os seus ouvintes. O primeiro elemento é a afirmação de que Zaqueu, a partir deste momento, também era filho de Abraão, não no sentido biológico, mas na acepção espiritual da expressão. Assim como Abraão teve fé em Deus e ocupou-se nos cuidados e proteção de seu sobrinho Ló, Zaqueu, pela mensagem de Jesus, decidiu por cuidar dos pobres e defraudados. Assim como a fé de Abraão foi evidenciada por sentimentos e ações éticas, Zaqueu mostrou possuir a mesma disposição no coração, como o seu ‘pai na fé’.
Segundo Stöger (1974, p. 142) “ao publicano não competia mais ser filho
de Abraão, mas sua fé e seu acolhimento a Jesus o evidenciaram como autêntico
filho de Abraão.”. Na mesma linha de pensamento, L’Eplattenier (1993, p. 177-178) afirma:
Outra qualificação da salvação: Zaqueu é declarado autêntico “filho de Abraão”, o que significa sua reintegração no povo de Deus. Quando reclamava frutos autênticos de conversão, o Batista fustigou os pretensos
filhos de Abraão por não viverem de acordo com a fé e as obras do “pai dos crentes”. E acrescentou esse desafio: “Dessas pedras Deus pode suscitar filhos de Abraão” (3,8). Ora, eis que Deus acaba de realizar algo tão miraculoso como a “impossível salvação de um rico” (cf. 18,27) e, mais ainda, coletor de impostos.
O segundo elemento da declaração é o advérbio “também” que dá a ideia de inclusão, ou seja, a partir da conversão, Zaqueu se torna filho de Abraão como tantas outras pessoas que andavam nas mesmas pegadas éticas do patriarca. Nesse sentido, ele representava todos os marginalizados israelitas (RIUS-CAMPS, 1995, p. 286) acolhidos por Jesus. Pela decisão de dar aos pobres parte de seus bens e restituir aos defraudados, Zaqueu é recebido no Reino de Deus; ele agora pertence efetivamente a uma comunidade. As portas do Reino foram abertas para ele no momento em que se decidiu por viver sob a ética de Jesus. Ao final de sua narrativa, Lucas atribui uma última sentença de Jesus sobre Zaqueu: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19,10). Com esta declaração Jesus considera que sua missão na casa de Zaqueu havia sido cumprida.