A forma de solução de problemas mais comum, e que tem se mostrado mais eficiente é o uso das heurísticas. A heurística é uma estratégia que [...] é uma regra geral, normalmente correta [...] em que ignoramos algumas alternativas para explorar somente a uelasà ueàt à aisàp o a ilidadeàdeàofe e e àu aàsoluç oà[...] àMáTLIN,à ,àp.à . As três heurísticas mais conhecidas são: a heurística da subida-de-morro, de meios e fins e a analogia. (MATLIN, 2004).
4.6.2.1.1 A heurística da subida-de-morro: o atalho
Esta é a heurística que assume a solução mais direta possível, como quem deseja subir o morro e segue a estrada que aponta para o alto. Se não temos muitas informações, esta heurística é especialmente útil, entretanto, como todo recurso humano, pode induzir ao erro.
Ao escolher sempre o caminho mais direto e imediato, talvez haja prejuízos em longo prazo ou perda de ganhos. Este é o principal limite desta heurística, que precisa ser bem aplicada para ser eficaz. Um exemplo de falácia da heurística da subida de morro é um estudante brilhante deixar um curso superior para assumir um emprego onde os salários são atribuídos por nível de escolaridade. Mesmo que o salário inicial seja bom, em longo prazo, haverá prejuízo, pois sem o curso superior não será promovido nunca. Seria mais interessante manter-se em um emprego de menor remuneração e terminar seu curso, pleiteando uma vaga com melhor salário após a titulação necessária. As possibilidades seriam bem maiores e mais duradouras. Às vezes, a melhor solução para um problema exige que se ande temporariamente para trás – pa aàlo geàdoào jetivo. à(MATLIN, 2004, p. 242).
4.6.2.1.2 A heurística de meios e fins: vamos por partes...
Certamente, em ciência, esta é a heurística mais utilizada e tem sido reputada como a mais eficiente. Observe o seu funcionamento:
A heurística de meios e fins tem dois componentes importantes: (1) primeiro, divide- se o problema em vários subproblemas, ou problemas menores, e (2) depois tenta- se reduzir a diferença entre o estado inicial e o estado meta para cada um dos su p o le as.à[...]àexigeà ueàide tifi ue osàosà fi s à ueà ue e osàpa aàe t oà imaginar os meios que empregaremos para alcançá-los. (MATLIN, 2004, p. 242)
Precisamos escrever um trabalho sobre competência em informação e metacognição, como? Uma olhada no índice deste texto pode dar uma boa ideia de como encontrar a solução. Pode chegar a um momento em que você perceba que, para realizar a análise de dados será necessário referencial teórico ainda não listado, ou que ele é insuficiente para explicar os dados, então, será necessário um desvio temporário, retornando ao referencial teórico. Entretanto,
As pesquisas confirmam que as pessoas relutam em se afastar do estado meta – mesmo que a solução correta dependa, em última análise, desse desvio temporário [...] Na vida real, [...] o modo mais eficaz de avançar é, às vezes, voltar temporariamente.(MATLIN, 2004, p. 243)
4.6.2.1.3 A abordagem da analogia: reaproveitando conhecimento
A analogia tem sido companheira da ciência há muito tempo. Ela é uma heurística extremamente útil no reaproveitamento do conhecimento, pois
Quando empregamos a abordagem da analogia na resolução de problemas, usamos a solução de um problema anterior para nos ajudar a resolver um problema novo. As analogias estão em todo o pensamento humano. (MATLIN, 2004, p. 244)
Encontramos um exemplo do uso intuitivo da analogia em uma das nossas pesquisadas ao buscar uma metodologia para estudar o tema de seu interesse. Vejamos o relato e observemos como uma analogia pode ser o primeiro elo de uma cadeia rica de descobertas:
Eu tinha que criar uma tese. Aí, a tese é que [descrição da tese], comprovar isso. Aí, de repente... Eu comecei:...àEuàp e isoàdeàteo ia,àp aào p ova àisso. àáí,àeuào eçoà a estudar [método 1]. A [método 1], nos autores que eu fui buscando, começou a me dar um remoído aqui dentro porque ela é , de certo modo, colocada de forma linear e eu via [o tema da tese] como movimento. Aí, eu disse: Não, não é [metodologia 1] que eu quero. Aí, fui catar na internet. Aí, botei [como termo de busca no engenho de busca] dissertações que tratassem sobre [problemas similares ao da tese] ... Aí, depois, fui pra livraria cultura, ... Aí, descobri um livro [com temática p xi a].àáí,àeuàdisse:à Euàvouàpega àesseàliv o,àpo ueàeleàj à[es]t àdife e teà[...]à Issoà àu aàp ovo aç o!à àáí,à o p eià....à[...]àaíàeuàj à o e eiàaài -me embora pelos franceses!... Aí, eu descobri [o método utilizado na tese]. Que, por acaso, eu consegui o livro em Portugal e comprei. Aí, eu comecei a ler. [...] Aí, eu descobri [uma autora brasileira no tema]. (Professora 2)
Intuitivamente, nossa professora participante utilizou a analogia e destravou o seu problema no processo de busca de informação, liberando os demais encadeamentos até encontrar a metodologia que necessitava. Tendo a percepção do problema central do enigma subjacente à questão problema, ela encontrou um problema semelhante (denominado problema isomórfico) e, então, a analogia pode ser aplicada e uma solução análoga eficaz e o t ada.àE àsu a,àaoàutiliza àa alogiasà para resolver o problema-meta, você deve procurar um problema semelhante resolvido no passado, chamado problema-fonte. à (MATLIN, 2004, p. 244).
É essencial ao utilizar esta abordagem de solução de problemas descartar as características superficiais do problema e focar as características estruturais. Esta é uma dificuldade bem comum entre os solucionadores de problemas, às vezes, só por uma apresentação diferente não são percebidas as semelhanças.
Em outras palavras, o conhecimento fica muitas vezes preso de forma rígida ao contexto em que é aprendido. Pessoas com habilidades de resolução de problemas e capacidade metacognitiva limitadas são especialmente propensas a ter dificuldade para usar analogias [...] (MATLIN, 2004, p. 244).
Podemos dizer que a analogia trabalha essencialmente com transferência de conhecimento. Como podemos ajudar as pessoas a utilizar-se de analogias com mais eficiência para que elas consultem um problema-fonte com base na semelhança estrutural e não na semelhança superficial? Os pesquisadores descobriram que as pessoas tendem a usar analogias de maneira eficiente nas seguintes circunstâncias:
1. Quando recebem a instrução específica de comparar dois problemas que de início parecem não ser relacionados por terem uma estrutura superficial diferente [...];
2. Quando têm contato com diversos problemas com estrutura semelhante antes de resolverem o problema-meta [...];
3. Quando de fato tentam resolver o problema-fonte e não simplesmente observam-no [...];
4. Quando recebem a sugestão de que a estratégia empregada em um problema específico anterior pode também ser útil na solução do problema-meta [...] (MATLIN, 2004, p. 244)
Podemos perceber que este tipo de solução de problemas pode ser incentivada e exe itadaàeà a a e teà àdese volvidaà atu al e te ,àdese volve do-se em alguns casos quando há um tipo de experiência repetida na prática de um profissional.