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2. TEORI

2.2 N ORMATIV ØKONOMISTYRING

2.2.2 Styringssystemet som en pakke

Com o objetivo de saber se os docentes acreditam que os alunos que saem da graduação em enfermagem estão preparados para lidar com casos de violência fizemos a pergunta “Os alunos que concluem o curso de enfermagem estão preparados para prestar assistência e acompanhar vítimas de violência?”, e encontramos quatro agrupamentos de respostas:

IC. A- Não estão preparados.

IC. B- Os alunos têm preparo teórico. IC. C- Depende do aluno.

IC. D- Não sabe.

A- Não estão preparados (D1, D3, D4, D6, D8, D9, D12, D13, D14)

DSC: Não, como não estão bem preparados para assumir outras coisas também, porque

realmente tem muita coisa envolvida por trás disso, então não estão preparados. Eles também não estão preparados para lidar com problemas de usuário de álcool e drogas, assim como eles não estão preparados para lidar com pacientes que tentam suicídio. Eu acho que a escola não está preparada, como não está preparada para outros temas, por exemplo, com a morte, então não posso falar que ele vai dar conta, porque a questão da violência é muito complexa, é multifatorial, então não é por aí que é a formação dele, não é na graduação que ele vai sair. Mas, com certeza, os retornos que eu tenho assim, estão sensibilizados sim, acho que não dá, é muito pouco para preparar, né? Estão sensibilizados, estão alertas, mas isso precisa ter uma formação específica, eu acho que não dá, não dá você se formar e ir para essa área sem ter qualquer outro tipo de formação. Acho que não dá para ir só com o que aprendeu na graduação não, a graduação é só uma sensibilização, até mesmo porque tanto a violência doméstica quanto sexual exigem também algum tempo de atuação na área maior, e isso ainda não foi possível proporcionar aos alunos ainda. Eu acho

que falta um bom passo, porque eu acho que o nosso curso não prepara, não prepara mesmo, acho que a gente precisa de um plus, para preparar um pouco mais. A gente tem que instrumentalizar mais, acho que... acho não, tenho certeza que falta, pois em quatro horas, só pela nossa disciplina não está, é toda uma formação, a gente pincela informação, isso a gente não tem como garantir que ele vai sair preparado. É difícil falar que eles estão preparados, acho que eles estão sensibilizados, eles estão sensibilizados sim, sem dúvida, mas preparados mesmo eu acredito que é difícil, eu acredito que não. Não sei se dá fazer isso num curso de graduação, apenas.

IC1. Não estão preparados.

IC2. Não estão preparados para lidar com a violência, assim como não estão preparados para lidar com outras situações profissionais.

IC3. Não estão preparados, seria necessário haver formação específica para tal. IC4. Não estão preparados, e graduação nenhuma prepara.

Não encontramos artigos que falassem sobre a abordagem da violência na graduação e a relação com a atuação nos casos de violência enquanto profissional, mas vários estudos que verificaram a atuação dos profissionais de enfermagem nos casos de violência enfatizam que não há preparo adequado, o que pode ser devido à não adequação da abordagem na graduação (WOISKI; ROCHA, 2010; SARAIVA et al., 2012; LEAL; LOPES; GASPAR, 2011).

Em pesquisa sobre o atendimento de enfermagem às crianças vítimas de violência sexual Woiski e Rocha (2010) encontraram que os enfermeiros afirmaram não estarem preparados para prestar atendimento adequado às vítimas de violência. Em revisão bibliográfica sobre a atuação do enfermeiro, também em casos de violência infantil, Saraiva et al. (2012) enfatizam que alguns enfermeiros não estão qualificados para atuar, até mesmo porque suas ações não estão implicadas socialmente como devem ser nesses casos, sendo que é dever de todo profissional envolvido nesse tipo de atendimento estar qualificado e apto para intervir.

Em relação às representações sociais que a violência contra a mulher tem para enfermeiras, alunas de uma Escola Superior de Lisboa- Portugal, foi constatado que a violência é entendida como um problema social, mas não é entendida como um problema de saúde pública (LEAL; LOPES; GASPAR, 2011).

A literatura pesquisada destaca que os profissionais enfermeiros não estão preparados para lidar com a violência, e que não a reconhecem como um problema de saúde pública. Para

que os profissionais estejam preparados para lidar com casos de violência, o tema precisa ser trabalhado nos cursos de graduação em enfermagem.

B- Os alunos têm preparo teórico (D2, D5, D10)

DSC: Não saberia realmente, assim, essa pergunta eu não saberia te dizer com certeza. A

gente pretende que sim, mas, realmente, a gente sabe que a realidade é muito diferente. Quando a pessoa sai numa realidade fica muito difícil falar se a pessoa está preparada ou não. Talvez teoricamente até sim, acredito que sim, mas na prática é diferente. A gente tem um trabalho bem direcionado, então eu acho que o aluno tem um suporte sim. Mas eu também acho que é uma coisa que a gente tem discutido muito na área de saúde coletiva, mas eu acho que o aluno tem um preparo, mas de uma certa forma é foco muito espalhado, sabe, então eu não sei como é que ficaria isso. Mas eu acredito que esta formação generalista que a gente tem aqui capacite ele sim para fazer esse tipo de atendimento, acho que ele consegue sim lidar com a questão da violência.

IC1. Têm preparo teórico, mas não sabe dizer na prática.

Houve docentes que nos relataram que os alunos têm preparo teórico para lidar com a violência, porém não conseguem avaliar se o conhecimento teórico é o suficiente para lidar com a temática, enquanto profissional, o que demonstra haver necessidade de novas pesquisas com essa temática.

Os entrevistados destacaram a discrepância entre a teoria e o que o aluno encontra quando vai para a prática. Acreditamos que isso aconteça porque, muitas vezes, durante a formação parte-se da teoria para trabalhar todas as questões, como se depois fosse possível aplicar na prática exatamente aquilo que é falado na teoria; as discussões teóricas devem ser baseadas no que é vivenciado pelo aluno na prática.

Mais uma vez os entrevistados destacam o fato da formação ter focos separados, ou seja, cada docente trabalha dentro de sua disciplina, sem conexão ou conhecimento sobre as demais, o que não é o ideal; se o objetivo comum é a melhor formação dos graduandos, que reflita em uma prática comprometida com as questões sociais, é preciso que haja discussões sobre o tema entre todos os docentes.

C- Depende do aluno (D7, D11)

DSC: Eu acho que é muito singular, depende muito do aluno. Eu acho que assim, o conceito

básico, noção ele tem, agora eu acho que depende muito dele se conhecer para poder fazer esse trabalho. Então preparados eu não sei se eles estão, eu acredito que isso cabe... é muito individual do aluno, mas se a gente for falar que eles estão preparados para uma situação limite, que essa é uma, eu acredito que eles não estejam totalmente preparados. Eu acho que eles precisam ter a vontade pessoal de se preparar para isso, mesmo que seja durante o trabalho, pois isso vai ser da escolha dele, em disciplinas eletivas que abordam exclusivamente violência na mulher. Ela vai ser oferecida pela primeira vez agora, né, esse semestre, o semestre que vem, e aí acho que a gente consegue, vai conseguir visualizar um pouquinho melhor esse preparo ou não preparo.

IC1. Depende de cada aluno.

IC2. O curso oferece a teoria, mas a prática depende de cada aluno.

Novamente, como já discutido anteriormente, alguns docentes afirmam que a graduação oferece formação teórica, mas o estar preparado para lidar com casos de violência na prática depende de cada aluno. Discordamos dessa visão, pois afirmar que o aluno é o único responsável pela aplicação de algo trabalhado em teoria, ou seja, que a forma como o tema é abordado não tem influência, dependendo somente do aluno, é não assumir a responsabilidade pela formação profissional nos casos de violência, assim como não demonstra abertura para novas discussões sobre a abordagem do tema, o que é fundamental.

Uma das docentes fez referência à uma disciplina sobre violência na área de saúde da mulher, com início previsto para esse ano, na UNICAMP. Essa disciplina começaria a ser oferecida como eletiva, ou seja, os alunos poderiam cursá-la ou não. Reconhecemos que a criação de uma disciplina eletiva sobre violência já é um avanço no reconhecimento da importância da abordagem desse tema, porém o fato de ser eletiva torna a questão passível de críticas, uma vez que o aluno tem a opção de não cursá-la. Além disso, permanece a visão fragmentada onde cada área de ensino cuida de sua parte, pois apesar da violência estar presente em todas as áreas de atuação do enfermeiro a disciplina trata somente de uma delas, a saúde da mulher.

D- Não sabe (D15)

DSC: Olha, eu não sei, não posso te afirmar. Não sei no geral, como você me perguntar

assim: “O aluno que sai da graduação, ele é capaz de prestar uma assistência de qualidade?”. A gente dá o mínimo possível, mas eu não sei, eu não sei te responder isso, infelizmente eu não sei te responder isso.

IC1. Não sabe.

Para alguns docentes não foi possível afirmar se os alunos estão preparados para lidar com casos de violência, assim como não é possível afirmar se estão preparados para outras questões do trabalho do enfermeiro. Para Kurcgant (2011) a capacitação do enfermeiro para o trabalho é determinada pela formação profissional e pela capacitação permanente, sendo que, atualmente, a capacitação do enfermeiro deve seguir o desempenho de outras demandas que não se encontram no âmbito das competências técnico-científicas, mas no âmbito das competências sócio-educativas e ético-políticas. O fato de alguns docentes dizerem que não sabem se os alunos estão preparados para lidar com a violência pode dever-se ao fato de que essa é uma temática que exige capacitação técnica, mas também demanda competências sócio-educativas e ético-políticas. São novos olhares sobre as necessidades do profissional enfermeiro e, consequentemente, novas adaptações e reflexões que devem ser feitas pelos docentes dos cursos para que os alunos sejam profissionais capacitados.