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Styring, regulering og overvåkning

“A palavra complexidade só pode exprimir o nosso embaraço, a nossa confusão, a nossa incapacidade de definir de maneira simples, de nomear de maneira clara, de pôr ordem em nossas idéias”.(Morin, 1990:7)

A história da Complexidade remonta às pesquisas desenvolvidas no Biological Computer Laboratory na Universidade Illinois, fundado em 1956, por Heins von Foerster com quem trabalhou, entre outros, Humberto Maturana sobre temas como causalidade circular, auto-referência e o papel organizador do acaso, num hibridismo científico entre biologia e cibernética: à dinâmica operacional dos sistemas auto-organizadores, veio somar-se a descoberta do “programa genético” e dos mecanismos de autoconstrução dos organismos. Para tal entendimento, utilizou-se o conceitual da teoria da comunicação, programa, código, informação, mensagem etc, numa transdisciplinaridade tão desconcertante quanto o neonato paradigma:

“É primeiramente a física, a química e a termodinâmica, acompanhadas pela matemática, que descobrem, ou redescobrem que os movimentos espontâneos da matéria não a conduzem à indiferenciação: em certas circunstâncias, tudo se passa como se a matéria fosse capaz de se auto-organizar”(Serva, 1992:27)

Mas será com as pesquisas de Jacques Monod, na investigação de uma cibernética microscópica, que se desembocará numa vertente epistemológica revolucionária na medida em que ela enfatizará o papel do acaso como marca inicial de uma nova teoria evolucionista o que reitera e consagra a auto-organização, auto-poiesi, a ordem ou complexidade pelo ruído.

Pela própria etimologia do nome, evidencia-se o abandono ao simples das abordagens mutiladoras, no dizer de Morin e que, findam, por produzirem mais confusão (Morin, 1996); nesta era da Hipermodernidade, o real não se renderá ao “simplório matemático”; de há muito a capacidade de cálculo, elevada à enésima pelos ábacos eletrônicos, mostrou sua impotência ou, ao menos, sua inadequação em insistir dominar o real com o qual, doravante, há que se dialogar.

A obra de Morin constituiu-se num grande esforço transdisciplinar entre ciência e filosofia, num embricamento, no difícil mutualismo entre a fenomenologia, a dialética e a teoria dos sistemas: em essência, é crença inabalável na capacidade libertária do ser humano, que se fundamentaria no potencial de auto-organização dos organismos frente a perturbações aleatórias; crença na sobrevivência pela transformação auto- preservadora; “A organização não pode ser reduzida à ordem, embora comporte e produza a ordem.” (Morin,1996: 73)

Passa-se a ver a ordem enquanto um fator dinâmico, interativo e que, portanto, escapa do alcance do conservantismo, numa posição ideologicamente dicotômica do conceito

precedente de ordem: aqui, abrimos espaço para destacarmos um dos mais fortes traços do transe paradigmático assinalado pela Teoria da Complexidade e que é passível de constatação em parte nos seus autores. Mesmo em nossas limitações de iniciante ousamos apontar uma laivo “neo-renascentista” de fé sublimada na humanidade: é instigante como Ylia Prigogine, Prêmio Nobel de química, trabalhando a Teoria das Estruturas Dissipativas, busca restabelecer a ligação, a “nova aliança” entre cultura científica e cultura humanística, forçando a transposição de um espaço abissal que separava o mundo da matéria, cientificamente superior pois exato, do mundo inexato dos humanistas, da instabilidade e do indeterminismo agora, valorizados por essa imensa brecha, transitará um diálogo aproximativo secularmente bloqueado.

É quando submetidos a intenso ruído (perturbações, erros), afirma-se na Complexidade, que os sistemas complexos se recriam, se autocriam. Será Varella (Varella, 1983) que

designará por auto-poiesis a lógica funcional interna dos sistemas autoprodutores e assinalará que, acima de todos os sistemas complexos, temos o homem enquanto capacidade autônoma de conduzir a sua própria preservação e desenvolvimento e de, portanto, criar a si próprio não importando quão adversos possam parecer os ruídos e as estruturas por eles gerados.

Ainda enquanto defesa indireta da ímpar capacidade auto-poietica do “sistema complexo homem”, aparece o conceito de even o ou acontecimento onde o Pensamento Complexo, abandonando qualquer pretensão determinística, ressaltará o improvável, o

singular, o aleatório, ou seja, o essencialmente humano já que histórico, já que real e que, até então, não encontrava espaço na ortodoxia das “ciências sérias” mas que, sistemas complexos viabilizariam, processariam e superariam ao arrepio da normatividade cartesiana, já que fenômenos únicos e irreversíveis, não faziam parte de seu objeto de estudo: entender o irreversível e o único é buscar entender o homem que, nesse sentido, é anticientífico por representar uma negação intrínseca à harmonia da mecânica newtoniana.

Assim, numa certa medida, a Complexidade seria o esboço de uma ciência do devir, não no sentido da ciência histórica tradicional, mas de uma ciência da evolução humana enquanto sistema complexo em seu processo de enfrentamento e superação dos ruídos ou dos eventos enfim, de perpetuação por autoconstrução, de criação de uma ordem qualitativamente diferente. Será, retomando, Prigogine, na Física Quântica que, ao falar de ordem por flutuação, de assimetria temporal, de evolução por bifurcações, inaugurará o reino das turbulências, o domínio da instabilidade: bifurcação é o ponto crítico a partir do qual um estado novo se faz possível e o diagrama dessas bifurcações é a história desse sistema, de sistemas que se fazem marcados pela superação do ruído; a partir daí, concluirá, o estado de um sistema não pode ser deduzido de sua estrutura sendo que, sua única explicação, está na sua genética, na sua história.

Num outro sentido, a associação da denominação de sistemas complexos aos sistemas de resposta não linear, ou seja, de respostas não proporcionais ao estímulo aplicado,

remetendo ao imprevisível, anulando o tradicional conforto da causalidade, a segurança conferida pela solidez do empirismo, constituir-se-á na aceitação e na complicada convivência com a incerteza já que assevera, em última instância, que a desordem é o móvel para a construção da ordem, ou seja, um paradigma de paradoxos.

Nesse contexto nada geométrico de ordem e desordem, de sistema e ruídos, de história e incerteza, a Complexidade contesta o reducionismo que afirmava a compreensão do todo pela descrição das partes, já que, sistema, exprime o todo enquanto fenômeno, enquanto unidade complexa, bem como interdependência entre o todo e as partes; supera o holismo simplificador que avilta o complexo pela valorização do todo em detrimento das partes; supera, enfim, o hierarquismo que, de forma semelhante, dá supremacia ao todo, já que a complexidade enfatiza a existência infinita de sistemas englobando sistemas, onde a partes também correspondem a interações entre unidades complexas.

Há que se mencionar que, antes mesmo da abordagem da Complexidade, a Teoria dos Sistemas antecipava de forma indireta, não apenas a integração entre as ciências, mas também, aceitava a existência interna de um sistema em outro e a organicidade deles, o que conduziu à idéia de sistema aberto enquanto um conjunto interdependente de partes, em constante reciprocidade e aberto ao exterior num todo cinérgico voltado à obtenção de objetivos pré-estabelecidos.Tais conceitos, por muito importantes tanto

para a compreensão das bases da Complexidade o seriam, muito mais, para o entendimento das organizações complexas num mundo complexo.

Ainda que de forma canhestra e descosida, trouxemos o viés da Complexidade apenas para o atendimento de nossas específicas necessidades o que, também significa, para a subseqüente condução do discurso para a confluência com os estudos organizacionais que é, insistimos, um dos últimos e resistentes redutos do “cartesianismo de resultados” o que, conforme foi sendo pouco resultante, facilitou aos estudiosos o diálogo com a “realidade organizacional” no sentido de sensibilizá-la para a Complexidade enquanto não apenas um exotismo teórico, mas como uma abordagem revolucionária às práticas organizacionais, sobretudo, quando se verifica a falência dos modelos incrementais, gradualistas e, portanto, incapazes de encarar uma mudança descontínua e acelerada.

Falar da Complexidade e não mencionar a sua irmã siamesa a Teoria do Caos, se é solução de continuidade a toda a construção da arquitetura científica contemporânea, é também, em nosso caso, risco de um tratamento leviano mas irrecusável que, mesmo justificado pelo nosso escopo, será sempre aviltante ante à importância do movimento.

Coube à Teoria do Caos como resultante de um denso e extenso processo de desbravamento dos alicerces do método científico e da ortodoxia deste, entre muitos novos postulados, inverter a noção de imprevisibilidade, conferindo-lhe um sentido intrínseco e não mais a vendo como uma decorrência de nossas limitações

epistemológicas: a imprevisibilidade passa a ser aceita como tal, por si mesma; o acaso puro, aquilo que não é aparentemente aleatório não estão mais à espera que

desenvolvamos competências para os sujeitarmos às normas, não serão mais filhos de nossa incompetência científica.

Outro conceito que nasce com os estudos do Caos, é o de caos determinístico, o que

demonstra bem essa marca fronteiriça da teoria: é um esforço de superação do conceito de um caos simultaneamente representativo de ordem, porque matematicamente descritível, e de desordem, porque ainda impossível de determinação; se o atrator fractal é o delimitador do espaço de possibilidades para a ocorrência de um fenômeno, enquanto elas são as formas de um todo em movimento e não uma coleção de partes, elas compõem uma compreensão qualitativa do fenômeno analisado; tais modelos tem sido utilizados com freqüência nas aplicações financeiras, campo onde a ótica utilitarista e os riscos concretos dispensam qualquer comentário sobre “modismos intelectuais”.