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Styring og kontroll i virksomheten

In document Årsrapport 2016 (sider 97-108)

Não foi só em Portugal que a rádio passou por várias fases de evolução. Este meio de comunicação tem-se transformado e adaptado desde sempre aos diversos desafios presentes na

sociedade e aos avanços tecnológicos. “Como la energia, la radio ni se crea ni se destruye, sólo se transforma, adaptándose a los tiempos, manteniendo intacta su magia” (Tenorio, 2008). Neste sentido, torna-se importante perceber como é que a rádio tem conseguido “sobreviver” aos vários processos de mudança.

Os anos de ouro da rádio10 começaram essencialmente em 1925 e durariam até ao início dos anos 50. Durante esses anos de sucesso tornou-se hábito as pessoas juntarem-se na sala, na cozinha ou nos cafés para ouvirem a emissão radiofónica. Muitas vezes estavam à espera de ouvir as notícias, alguma informação mais pertinente, ou faziam-no simplesmente porque viam na rádio uma forma de se distraírem. Tal como afirma Portela (2006), “No nosso país, e um pouco por todo o mundo, eram frequentes as reuniões de amigos ou vizinhos, para se dedicarem à escuta da sua grande paixão radiofónica: a música, as radionovelas e o teatro radiofónico.” O que fez com que a rádio alcançasse tamanho sucesso foi a sua capacidade de ajudar as pessoas a distraírem-se do seu dia-a-dia e das suas rotinas. Todavia, o aparecimento da televisão, depois do final da Segunda Guerra Mundial, alterou de forma bastante significativa o ecossistema mediático e a própria rádio (Oliveira, 2016). A chegada da “caixa-mágica” retirou grande parte do protagonismo que a esta possuía até então, desviando os seus ouvintes e anunciantes. Segundo Travassos (2008), “Com o surgimento da televisão, os teóricos mais apocalípticos acreditavam que o rádio não se sustentaria diante da caixa iluminada que colocava pessoas dentro de nossas casas.” A criação da televisão e a sua quase imediata popularização modificou a forma de ouvir rádio visto que esta deixou de estar na sala-de-estar e passou a ser usada em acumulação com outras tarefas como estudar, fazer desporto, conduzir e lides domésticas (Meneses, 2010).

O facto de a televisão conseguir aliar o som à imagem fez com que a rádio passasse para segundo plano e muitos dos seus ouvintes deixaram de lhe prestar a mesma atenção. Porém, Portela (2006) corrobora a ideia de Meneses (2010) e defende que a rádio passa a estar presente em diferentes horas do dia “ (…) procurando responder de modo abrangente às necessidades individuais dos ouvintes e inscrevendo-se de um modo muito efetivo na sua vida quotidiana, dando origem a uma nova função que lhe passou a ser atribuída: a rádio companhia”.

Por outro lado, a televisão também conquistou uma parte considerável do mercado publicitário e por isso as diferentes emissoras viram-se obrigadas a reinventar os seus modelos de negócio. Perante o impacto que a “caixa-mágica” teve na sociedade, mais do que evoluir, a rádio teve que se adaptar e aproveitar algumas das suas características a seu favor. Potenciou o facto de exigir apenas um sentido, a audição, ao contrário da televisão que exigia tanto a audição como a visão (Meneses, 2010).

10 Segundo classifica Pedro Portela (2006) em “Rádio na Internet em Portugal: A abertura à participação

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De acordo com Jorge Vieira et al. (s.d.):

(…) a perda de centralidade da rádio deu-se em muito por este media reivindicar apenas o sentido auditivo – esta seria uma vulnerabilidade numa era em que a imagem animada triunfou mas que, numa era saturada de informação, poderá ser entendida como um dos seus maiores trunfos.

Por esse motivo a rádio passou a ser muito mais musical uma vez que a música é propícia a um consumo secundário, onde é exigida somente a nossa audição, mas também porque fica mais barato fazer rádio dedicando muitos dos espaços à música.

O surgimento da frequência modulada (FM) veio beneficiar algumas emissoras radiofónicas visto que a transmissão em FM detém uma qualidade sonora superior e, desta forma, não só conseguiam manter, como conquistar novos ouvintes. Um outro fator que a rádio teve a seu favor foi o preço das televisões. Inicialmente, por serem uma tecnologia recente, estas apresentavam um preço elevado para as possibilidades da maior parte da população.

No entanto, houve uma invenção tecnológica que foi realmente decisiva “ (…) para que a rádio conseguisse encontrar o seu espaço na era da imagem, provocando uma mudança importante no seu papel social e individual: a invenção do rádio transístores” (Portela, 2006). É indubitável que a invenção dos transístores foi o avanço tecnológico mais relevante para a rádio e fez com que esta ficasse conhecida por umas das características que até aos dias de hoje a distingue dos outros meios: o facto de ser uma tecnologia móvel (Magnoni & Rodrigues, 2013).

A elaboração de transístores cada vez mais pequenos e o seu baixo custo contribuiu para a sua portabilidade permitindo assim que estivéssemos sempre acompanhados pela rádio. Essa mesma portabilidade permitiu a individualização do processo de escuta o que “(…) conduziu a audição radiofónica do salão (…) para o quarto e deste para qualquer lado, com a ajuda de pequenos auriculares” (Portela, 2006).

Segundo Nair Prata (2008):

(…) livrou o aparelho de fios e tomadas, proporcionando a criação de uma nova linguagem, apropriada para um veículo com alta mobilidade, que acompanha o ouvinte onde quer que ele esteja. Assim, a partir do transistor, o público pressuposto da rádio passou a ser um ouvinte móvel, o que não acontecia anteriormente quando as famílias se reuniam na sala ao redor de um garboso aparelho.

Os pequenos aparelhos recetores fizeram com que surgisse uma nova forma de ouvir rádio tornando-se muito mais individualizada e particular. Não interessava mais se nos encontrávamos no meio de uma multidão ou sozinhos no quarto, pois através dos pequenos recetores e auriculares tornamos a experiência de ouvir rádio em algo só nosso e pessoal. Assim, esta mudança “fez com que os locutores deixassem de falar com a família toda e passassem a conversar com cada ouvinte” (Magnoni & Rodrigues, 2013). Significa isto que os locutores

tiveram que se adaptar e utilizar um outro tipo de linguagem para que o diálogo fosse dirigido a cada ouvinte em particular.

O aparecimento e a crescente popularidade dos smartphones e tablets representaram mais um desafio para a rádio. Se antes os telemóveis eram uma tecnologia exclusiva de “uma elite empresarial na década de 1990”(Fidalgo & Canavilhas, 2009), cedo se popularizaram e mesmo as pessoas de uma classe social mais baixa possuíam esta nova tecnologia. “As pessoas podem habitar em condições precárias, sem saneamento básico, mas fazem questão muitas vezes de ter um celular de última geração (ibid.) ”. Neste sentido, é cada vez mais comum entre os ouvintes “ (…) de la radio de disfrutar sus espácios a través de dispositivos como el móvil, el Mp3, el iPhone, los smartphones, las tablets, que no sólo modifican la forma de escuchar la radio” (Vidales, 2011), como também influenciam inevitavelmente o modo de produzir os futuros conteúdos. Numa era em que são cada vez menos aqueles que não possuem estes dispositivos, existe uma maior preocupação por parte das diferentes emissoras em criar novos mecanismos, conteúdos e aplicações, possíveis de adaptar a estes equipamentos.

De acordo com Cebrián Herreros (2008):

Además de estas vinculaciones con la radio tradicional y la ciberradio, la telefonía móvil aporta otras peculiaridades proprias y diferentes a las anteriores. Nace la auténtica radio móvil que requiere también otro tipo de producción, de ofertas y de tratamientos.

A rápida difusão dos smartphones e tablets começou a ser vista por muitas rádios como uma oportunidade para que as suas emissões e programas estivessem cada vez mais presentes na vida quotidiana dos seus ouvintes. Assim sendo, as várias emissoras radiofónicas viram-se obrigadas a alterar o tipo de linguagem utilizada, as sínteses e os ritmos (Cebrián Herreros, 2008, p.260). Contudo, essa adaptação ao mobile nem sempre tem sido bem conseguida, uma vez que “Elaborar una estrategia acertada de difusión de contenidos de calidad a través de los nuevos dispositivos móviles requiere superar complejidades técnicas e investir recursos humanos y económicos (Lacasa Mas & Victoria-Mas, 2013).”

Tal como os transístores, os dispositivos móveis reforçaram o facto de hoje ouvirmos rádio de uma forma muito mais particular e individual. Conforme Gutiérrez e Castillo (2011), “ (…) hace tiempo que la radio pasó de ser un medio escuchado coletivamente a ser un medio individual y móvil.” Sendo o smartphone e o tablet dois dispositivos pessoais que podemos levar para qualquer lugar, faz com que cada proprietário desses equipamentos possa aceder às ofertas radiofónicas sem necessidade de o fazer em simultâneo com outros indivíduos.

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Segundo Cebrián Herreros (2008):

La radio tradicional pertenece al campo de la radiofusión hertziana abierto a todo aquel que lo desee y disponga de un receptor, ha sido un servicio abierto al público. La telefonia fija y móvil se ubican en el sector de la radiocomunicación o servicios para usos personales a los cuales nadie, excepto la persona particular, puede tener acceso a las mismas. La radio pertenece al campo de lo público y es masiva. La telefonía móvil al de lo privado y es individual. Pero la nueva situación modifica tal planteamiento y hace posible la combinación de ambos usos (…).

Apesar destes novos dispositivos exigirem às várias rádios um trabalho constante de adaptação e inovação, trazem também outros benefícios. O trabalho dos jornalistas, por exemplo, é facilitado através do uso de um smartphone. Com os seus telemóveis, estes podem gravar vários sons, entrevistas e intervenções e enviar alguns fragmentos a uma emissora para que esta os difunda da forma mais imediata possível, revelando informações importantes e pertinentes. De acordo com Carmen Saiz (2011, p. 65), “With hi-tech phones which can record and even edit, people can write and send information to the radio instantly.” Por outro lado, os dispositivos móveis, especialmente os smartphones, permitiram uma maior interatividade. O ouvinte, ao aceder à internet através destes equipamentos, pode participar e trocar mensagens com os locutores da rádio em tempo real no site, nas redes sociais ou nos chats. Com o importante contributo dos smartphones e tablets, a rádio é hoje um meio muito mais interativo com o ouvinte que também acaba por se converter num usuário das diferentes redes sociais. Ainda assim, a adaptação e uso dos dispositivos móveis por parte da rádio será um assunto abordado e mais aprofundado adiante no seguinte capítulo.

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Cap. III- Das ondas hertzianas à rádio na

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