Com vista à determinação dos objetivos estabelecidos foi realizado um conjunto de cinco entrevistas, em função do seu grau de envolvimento nas Festas Nicolinas (vide em anexo I). O guião de entrevista contém sete questões e visa dar resposta à questão de partida. Os entrevistados foram recetivos ao estudo e colaboradores (vide em anexo II).
As Festas Nicolinas são consideradas um evento local, isto é, são pequenas em tamanho mas, com muito significado para comunidade local realizando-se todos os anos (Dimmock & Tiyce, 2001; Marques, 2011). Nas entrevistas realizadas, verificamos que a organização das Festas Nicolinas compete à comissão de estudantes, apesar de existirem entidades de apoio às Festas Nicolinas, como AAELG/VN (Associação de Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães/Velhos Nicolino)31, Irmandade de S. Nicolau32, ACFN (Associação de Comissões de Festas Nicolinas) 33e a Câmara Municipal de Guimarães34.
Nesse sentido, de forma a garantir a melhor organização e funcionamento das festas é realizada uma reunião como forma de distribuir a responsabilidade e as funções de cada entidade. Principalmente, no número do Pinheiro pois é aquele que atrai um maior fluxo de pessoas e por isso tem que ser estabelecida uma estratégia para mobilizar meios necessários para garantir o melhor funcionamento e segurança. Onde a Câmara Municipal de Guimarães faz a ponte e reúnem-se com o responsável pela PSP, dos bombeiros de Guimarães, da polícia municipal de Guimarães. Nesse encontro os membros da comissão terão de se apresentar devidamente trajados com o uso de um pin próprio para ser mais fácil identifica-los caso seja necessário. Existe um empenho importante e significativo entre as diferentes entidades envolventes. O envolvimento e empenho constante e dedicado, como referiu André Coelho Lima (Presidente da
30 Anotações do diário de bordo.
31 Te como objetivo a preservação e conservação das Festas Nicolinas e apoiar a sua organização. 32 Responsável pelo culto religioso a S. Nicolau.
33 Participação em números nicolinos (Posses e magusto e Danças de S. Nicolau) e nas Moinas. 34 Apoio logístico e atribuição de subsidio
Assembleia-geral da ACFN – Associação da Comissões das Festas Nicolinas) “quando chega o frio ocupa-nos a alma”.
A Entrevista realizada à direção da AAELG/VN, onde as respostas foram dadas em conjunto, nomeadamente por Augusto de Castro e Costa (Presidente da direção da AAELG), Miguel Bastos (primeiro secretário da direção da AAELG) e Ricardo Gonçalves (2º vogal, da direção da AAELG), averiguamos que a AAELG/VN ocupa um papel importante na preservação e conservação das Festas Nicolinas, sendo o principal objetivo da associação. Como referiu Augusto de Castro e Costa (Presidente da direção da AAELG), “tenta que a tradição não se perca, respeitando as ideias dos novos Nicolinos, mas não deixar que a essência das festas seja transformada ou se perca”. Ricardo Gonçalves (2º vogal, da direção da AAELG) salientou ainda que “o papel da associação é preservar e conservar a tradição Nicolina (…). E a entidade superentende a tradição Nicolina.”.
Isto é, acompanha e supervisora o trabalho da comissão sem querer interferir intensivamente na forma como as festas são organizadas, como referiu Ricardo Gonçalves (2º vogal, da direção da AAELG) como “ (…) exemplo e exagerando, se nas maçãzinhas em vez de maças usarem bananas.”. Porque também considera que a existência de uma interferência intensiva dos velhos nicolinos poderia dificultar “(…) uma atualização relativa a comportamentos das gerações que vieram a seguir (…)”. Importa salientar que as festas têm um carater religioso, ou seja, têm um culto associado e isso tem que ser preservado. Como diz Ricardo Gonçalves “ (…) são festas dos estudantes a S. Nicolau, desde o séc. XVIII (tradição ao culto), com a construção da capela é que nos faz acreditar que o culto já existiria anteriormente e nós somos os fiéis depositários dessa tradição. ”. Com os factos supramencionados, que a AAELG/VN tem uma intervenção positiva apesar de ser à distância nas Nicolinas.
Relativamente à ACFN (Associação de Comissões de Festas Nicolinas), nas entrevistas realizadas a Miguel Coelho Lima (Presidente da direção) e André Coelho Lima (Presidente da Assembleia-geral) aferimos que o seu envolvimento é apenas participativo nos números nicolinos, nas Moinas Nicolinas e oferece um cabaz nas Posses. Paralelamente, organiza um “Jantar das Instituições” e a Gala Nicolinos D’ouro com o objetivo de premiar as personalidades Nicolinas e elementos da comissão que se destacaram nesse ano. A intervenção é positiva e tem o objetivo de garantir a independência da comissão de festas e garantir as tradições e o espirito nicolino, ou seja, incentivar a partilha de experiências através do contacto inter-geracional.
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Quanto à Câmara Municipal de Guimarães, na entrevista realizada à vereadora da cultura, Francisca Abreu, aferimos que a entidade está envolvida através de apoios logísticos e financeiros, ou seja, atribui um subsídio para a organização das festas (que é aproximadamente 5% das despesas das festas, ou seja, não existe um envolvimento monetário elevado), cedência de equipamentos e infraestruturas, viaturas, vigilância da Polícia Municipal e condicionamento ao trânsito, como forma de garantir o melhor funcionamento das Festas Nicolinas. Como incentivo à participação do número das Maçãzinhas, a Câmara Municipal de Guimarães atribui um prémio, em livros, à escola que apresentar o melhor carro das Maçãzinhas. Sendo uma intervenção positiva e relevante para a realização e valorização das expressões tradicionais e identitárias do concelho vimaranense no sentido de preservar a memória e atratividade da cidade como cidade turística e de cultura.
A Câmara Municipal de Guimarães não quer ser o principal mentor das festas porque enquanto as pessoas se interessarem as festas têm sucesso, caso contrário as festas perdiam a sua essência, ou seja, são do povo para o povo e por isso se a Câmara Municipal de Guimarães apoia-se demasiado a tradição ia perdendo-se e ficando dependente da entidade pública.
Na entrevista realizada ao responsável técnico do Turismo de Guimarães, Vítor Marques salientou que “as Nicolinas têm um espírito local que é promovido pelos estudantes. As Festas Nicolinas são festas que por alguma razão a organização não conseguir realizar a Câmara Municipal dará o suporte base para que nunca se deixem de realizar. Podem ser melhores ou piores, maiores ou menores, mas vai existir sempre festas. E esta chama e esta vontade é que lhe dá o valor”. Na análise das entrevistas supramencionadas, verificamos que tanto o Turismo de Guimarães como o Turismo do Porto e Norte Portugal não têm qualquer envolvimento ou contributo nas Festas Nicolinas.