1. Estudantes universitários com má qualidade do sono apresentam maior prevalência de SM.
4 JUSTIFICATIVA
Em virtude da globalização de diversos problemas de saúde, as ações de educação em saúde e promoção da saúde internacional vêm sofrendo crescente impacto para que competências, habilidades e atitudes sejam disseminadas no enfrentamento de problemas de saúde mundial como HIV/Aids, malária, SM, DCV, obesidade e DM 2. Enquanto em boa parte da Europa, da América do Norte e da Austrália esse fato já é uma realidade, em países como Espanha, Holanda, Japão, Israel, China, Índia e Taiwan há um movimento crescente a respeito do assunto. Por sua vez, na África, na América Latina e no Pacífico Asiático essas ações de promoção da saúde precisam ser melhoradas (ALLEGRANTE et al., 2009).
Tratando-se da cidade de Fortaleza-Brasil, a busca à literatura revelou que até o presente momento não existem pesquisas com foco na SM. Consequentemente, não se conhece sua prevalência nessa capital, nem a prevalência da SM em populações específicas. Ao se considerar as informações descritas anteriormente sobre os possíveis agravos decorrentes da SM, a associação às DCV e ao DM 2 e, pela inexistência de dados sobre o assunto na referida metrópole, a pesquisa ora apresentada é relevante pois traz dados iniciais sobre a SM, os quais futuramente poderão suscitar o planejamento e a implementação de ações que tenham impacto na promoção da saúde dos universitários.
No concernente à temática do sono, o Brasil é reconhecido internacionalmente como um dos principais sítios de pesquisa científica, de alta qualidade, em medicina e biologia do sono. Desde a década de 60 do século passado, há pesquisadores preocupados em desvelar os mistérios e repercussões do sono para a saúde humana. Como evidenciado, hoje o país já é o terceiro no mundo em número de clínicas especializadas em saúde do sono (TUKIF, 2008).
Apesar disto, no Brasil, segundo estudiosos da saúde do sono, a carência de estudos nessa área é uma lacuna a ser preenchida, pois, ao se estudar fenômenos associados à saúde do sono, será possível se encontrar respostas para problemas psíquicos, clínicos, de hábitos alimentares e de distúrbios metabólicos na população brasileira (MELLO et al., 2009).
É importante ressaltar que tanto a SM como o sono não são temáticas distantes da vivência profissional do enfermeiro. No caso da SM, por exemplo, consoante com a literatura, a principal terapêutica diante desse problema mundial é a modificação dos hábitos de vida, os quais, por sua vez, são determinados por vários fatores, entre estes, aspectos nutricionais, psicológicos, sociais e relativos à atividade física. Tal panorama, portanto, requer uma intervenção complexa baseada, fundamentalmente, em programas interdisciplinares focados na mudança de estilo de vida, contribuindo assim para a redução da incidência de complicações decorrentes da SM (RÄIKKÖNEN et al., 2002; DEEN, 2004; SHAROVSKY et al., 2005). Nesse âmbito, o enfermeiro pode ajudar no empoderamento dos sujeitos acometidos desta síndrome, ao colaborar na atenuação, modificação ou prevenção dos componentes da SM.
Somado a isto, sobressaem na literatura científica investigações realizadas por enfermeiras brasileiras e estrangeiras acerca da SM e suas implicações para a prática (FRISMAN e BERTERÖ, 2008; FELISBINO-MENDES et
al., 2006; BINDLER et al., 2007; PIMENTA, 2008).
O sono, por sua vez, também é um tema bem próximo da prática da enfermagem. É dever do enfermeiro indagar os seus clientes acerca das intercorrências em sua vigília e correlacionar essas dificuldades com seu estado de saúde. Contudo, o registro oficial desse problema está na elaboração dos diagnósticos de enfermagem Disposição para o sono melhorado e Privação de sono que geram intervenções e resultados específicos como propõe a sistematização da assistência de enfermagem (JHONSON, 2008).
Com fundamento na literatura científica consultada acerca do sono e suas implicações metabólicas, é necessário aprofundar a investigação deste tema, com vistas a oferecer bases científicas para o planejamento das ações de enfermagem (CUNHA, 2006). Somente assim, o enfermeiro pode lançar mão de ações de promoção da saúde, seja na esfera da prevenção, da educação em saúde, da intervenção e/ou da reabilitação.
Somado a isto, apenas nos últimos vinte anos o mistério do ritmo circadiano começou a ser desvendado; portanto, ainda há lacunas quanto à interação entre o ritmo circadiano e a fisiologia humana. Relações entre cronobiologia e perturbações do sono, e a relação entre o estado nutricional e a homeostase circadiana precisam ser ainda elucidados. Dessa forma, pesquisas
nessa temática precisam ser desenvolvidas para que novas interligações entre ritmo circadiano e doenças metabólicas sejam conhecidas (BASS; TAKAHASHI, 2010).
Logo, estudar a qualidade do sono dos universitários é importante pois, ao se avaliar o sono está-se a avaliar uma parte da vida desses sujeitos, porquanto adversidades do sono podem trazer consequências como diminuição da produtividade, aumento do risco para psicopatias, cardiopatias, absenteísmo e má qualidade de vida. Por fim, os universitários representam o capital nacional e o investimento para o futuro de uma nação. Assim, é fundamental serem pessoas saudáveis, capazes de contrinuir para o desenvolvimento do país (OLIVEIRA, 2010).
Diante dessa realidade, esta pesquisa pretende analisar a relação entre a qualidade do sono e a prevalência da SM em estudantes universitários de Fortaleza- CE.
5. OBJETIVOS
5.1 Geral
Analisar a relação entre a qualidade do sono e a presença da SM em universitários de Fortaleza-CE.
5.2 Específico
Avaliar a qualidade do sono de universitários de Fortaleza - CE
Verificar a associação entre qualidade do sono de universitários de Fortaleza - CE e indicadores de saúde (sedentarismo, tabagismo, etilismo, estado nutricional, LDL-C e cortisol).
Verificar a associação entre qualidade do sono de universitários de Fortaleza - CE e indicadores sociodemográficos (sexo, idade, cor, situação laboral, renda familiar, classe econômica, com quem mora, escolaridade, período do curso e área do conhecimento).