ACADÊMICAS
Dalésio Ostrovski46
Crizieli Silveira Ostrovski47
Amanda Gasparim48
Eixo Temático e Tema: Eixo 01 – Educação ambiental na construção de sociedades
sustentáveis. Tema: Educação ambiental, Meio ambiente e Saúde.
Palavras-Chave: Relatividade; Evolução; Psicanálise.
Resumo Expandido: Os anos 1990 foram marcados pela consagração do consumo no
mundo e no Brasil. Segundo Ribas (2006, p.68), “a estabilidade monetária conquistada pelo Plano Real em 1994 inseriu o país no paraíso dos consumidores”. Lá estas encontraram um universo em expansão, repleto de possibilidades. Para Campbell (2006), as atividades geralmente associadas ao termo “consumo” são a procura, compra e utilização de bens e serviços que atendam as necessidades ou satisfaçam os desejos das pessoas. O lugar central ocupado pela emoção, desejo e imaginação enfatiza a tese do consumismo moderno, os processos de querer e desejar estão no cerne do fenômeno. Isso não quer dizer que questões referentes a necessidades estejam ausentes, ou que outras questões, tais quais institucionais e organizacionais significativas, não sejam importantes. Nesse sentido, são nossos estados emocionais (habilidade de “querer”, “desejar” e “ansiar por alguma coisa”) que sustentam a economia das sociedades modernas. Um segundo aspecto ligado ao anterior é o individualismo. Segundo Campbell (2006, p.48), “está bem claro que um aspecto característico do consumo moderno é a extensão em que os produtos e serviços são comprados pelos indivíduos para uso próprio”. A associação desses dois aspectos relacionados ao consumo define a natureza do consumo moderno. Enquanto as necessidades geralmente possuem caráter objetivo, as vontades são subjetivas. Porém, a própria pessoa está em posição de decidir o que realmente deseja (CAMPBELL, 2006).”. O consumo pode ser entendido como algo ambíguo. Significados positivos e negativos que se entrelaçam a fim de explicar como nos apropriamos, usufruímos e utilizamos o universo a nossa volta. (BARBOSA, 2006). Para que toda sociedade se reproduza de forma física e social, do ponto de vista empírico, se faz necessário o uso do universo material a sua volta. Os mesmos objetos, bens e serviços que saciam nossas necessidades físicas e biológicas, são consumidos no sentido de “esgotamento”, e utilizados também para mediar nossas relações sociais, nos conferir status, estabelecer fronteiras entre grupos e pessoas. (BARBOSA, 2006). Ao customizarmos uma roupa, ouvirmos certo tipo de música, dentre outras atividades comuns do nosso dia a dia, podemos estar tanto “consumindo” no sentido de uma experiência, quanto “construindo”, por meio de produtos uma determinada identidade. (BARBOSA, 2006). Para perceber-se a relação do consumismo e a percepção de acadêmicos universitários, foi aplicado um questionários em sala de aula. Gil (2010), afirma que a pesquisa exploratória tem com objetivo proporcionar familiaridade com o
46 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. E-mail: [email protected]
47 Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR. E-mail: [email protected]
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o revista brasileira deeducação
ambiental
problema e aprimoramento de ideias, sendo, portanto, seu planejamento flexível e que engloba levantamento bibliográfico e entrevistas de pessoas que tiveram envolvimento prático e direto com o tema. O questionário foi constituído por questões, com os seguintes temas: consumo e consumismo, motivadores da compra, sentimento ao consumir um produto, atitudes para reduzir o consumo, ter ou ser o que é mais importante e finalmente a percepção frente a sociedade na valoração do ter do ser. No que diz respeito ao consumo e consumismo, nota-se nas repostas que existe uma ampla clareza do conceito, onde a maioria absoluta consegue distinguir de forma empírica, mas satisfatória, a compreensão das distinções destes termos. Já os motivadores de compra são variados, como pode-se perceber na fala de T.S, 25 anos, “Na maioria das vezes o que me faz comprar é a propaganda, daquele certo produto”. Já G.M. L 21 anos afirma: “satisfação em estar com algo novo”. Neste mesmo segmento, M.W. 22 anos em sua afirmação traz algo novo: “A compulsividade, as propagandas, acabo comprando e nem sempre tudo tem alguma função, muitas vezes acaba ficando jogado sem uso”. No entanto, percebe comportamentos distintos, D.B, 19 anos: “Hoje o que me faz comprar é a necessidade. Só compro se for realmente importante ter aquele produto”. A. S. F, 20 anos e J. C. S 19 anos afirma, colaboram com a afirmativa anterior, quando dizem: “a necessidade de vestir, comer, se locomover, é isso me faz consumir” e “quando eu realmente estou precisando de algo, se não coisas básicas de uso diário. Quando questionados sobre o sentimento no ato da compra, A.C. B, 21 anos nos coloca em uma situação de confronto e contradição geradores da culpa: “bom, se é um produto que eu realmente esteja precisando, fico muito feliz e realizada, agora se foi um produto que eu não estava precisando, depois que eu compro fico me julgando o porque de ter comprado”. J.C.S 19 anos expõem o mesmo conflito: “dependendo da situação, se eu adquiro um produto que depois, de comprado eu vejo que não era necessário eu me decepciono”. Na contramão destas afirmativas temos o apontamento de T.S 19 anos: “sinto prazer, felicidade em saber que estou adquirindo um produto que esta em alta no mercado, está na moda”. A situação financeira é apontada por S.T.M 18 anos: “quando posso adquirir algo me sinto feliz, não apenas por comprar algo que quero, mas também por poder compra-lo”. Quanto as atitudes em reduzir o consumo, percebe-se nas repostas que a maioria dos entrevistados tomam atitudes que podem levar a redução do consumo, como por exemplo, o reuso da água da lavagem de roupas, a doação de roupas, calçados e acessórios para campanhas sociais, a destinação correta do resíduo doméstico, auxiliando no processo de reciclagem, uso de lâmpadas eficientes, entre outros. No então, não percebeu-se, de forma significativa, mudanças no padrão do consumo, no ato da compra, com atitudes de recusar determinados produtos por não adequarem-se a normas ambientais, destacando-se o preço como o maior direcionador da aquisição. Na percepção social dita como Ter e Ser, notadamente o Ser mereceu destaque em mais de 95% dos entrevistados, afirmando que esta é sua postura social, conflitando com a percepção do outro, que para mais de 90% dos entrevistados, o outro, ou seja, a sociedade só valoriza o Ter, entregando-se a todas as tendências capitalistas existentes. Para concluir percebe-se a necessidade do aprofundamento de estratégias educativas que colaborem com o processo de repensar o consumo, tornando-o mais sustentável e abrangente no cenário social atual.
Agradecimentos
A Universidade Tecnológica Federal do Paraná, pela oferta da iniciação cientifica voluntária, por intermédio da Diretoria de Pesquisa e Pós Graduação.
Referências
BARBOSA, Lívia; CAMPBELL, Colin. Cultura, consumo e identidade. FGV Editora 2006.
BOAS, Sergio Vilas. Formação & Informação. Summus Editorial, 2006.