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Na avaliação do “odor”, da “textura”, do “sabor” e do “sabor que fica na boca 2 minutos após a toma” com a escala de Likert de 5 níveis, a maior frequência de respostas foi nos níveis 4 (odor e textura) ou 3 (sabor e sabor que fica na boca), o que indica que os veículos têm boa aceitabilidade, superior ao veículo anteriormente desenvolvido por Marisa Castro.

Também se pôde constar que ambos os SEDDS não foram considerados diferentes, o que demonstra que os óleos usados em cada um, não alteraram significativamente a sua palatabilidade. A estratégia do uso de um óleo natural no SEDDS 2 (veículo 10), com um sabor mais agradável, na perceção da investigadora, não veio a confirmar-se superior aquando a aplicação dos questionários, pois a população não preferiu o SEDDS que possuía o óleo de rícino, na sua constituição, em detrimento do outro.

Relativamente à avaliação da aceitabilidade de cada parâmetro da palatabilidade dos veículos, não existe um protocolo definido, daí a necessidade do estabelecimento de critérios de aceitabilidade. Contudo, o critério é difícil de estabelecer; no presente caso, considerou-se simplesmente que a maioria das respostas (mais de 50%) devia estar nos 3 níveis superiores da escala utilizada, o que foi verificado para os presentes veículos. Este pode ser considerado um nível de aceitação relativamente baixo, no entanto, não existem critérios de aceitabilidade considerados cientificamente corretos pela literatura.

Ao longo da pesquisa e da leitura de alguns estudos realizados (43–45), foi-se verificando que o critério limite de aceitação, estabelecido em cada trabalho de investigação, dependia de um numeroso conjunto de fatores. Estes fatores compreendem o modo de administração dos medicamentos, uma vez que, um medicamento que necessite de ser administrado 3 vezes ao dia requer um maior critério limite de aceitação do que um que necessite de uma administração

diária, semanal ou mesmo mensal. Compreende igualmente as características do fármaco e os riscos que advém da má ou até falta de adesão à terapêutica. Um medicamento no qual a sua “não toma” resulte na hospitalização ou agravamento do estado de saúde do doente, por exemplo, necessitará de um estabelecimento de um critério limite de aceitação maior do que um no qual apenas resulte mau controlo de sintomas ligeiros. Pode envolver também as condições do utilizador do medicamento, uma vez que, um medicamento que se destine a alguém institucionalizado, necessita de um critério limite de aceitação menor (pois receberá o medicamento a horas) do que alguém que se encontre a viver sozinho, isto aplicado ao caso dos idosos. O mesmo acontece com o estado de debilidade do doente, pois um medicamento destinado a doentes mais débeis requer um critério limite de aceitação maior do que um que se destine a doentes cuja condição seja menos comprometedora.

A aceitabilidade dos veículos não garante ainda a aceitabilidade (quanto à palatabilidade) do medicamento final, pois poderá ser afetada pelo fármaco que afete o sabor do veículo desenvolvido, pois um sabor desagradável irá condicionar negativamente a toma do medicamento e a adesão à terapêutica.

Analisando as percentagens obtidas no grupo de aceitação de cada parâmetro, verificou-se que para o odor e para a textura, nos dois SEDDS, se obtiveram valores muito elevados e próximos de 100% (entre 89 e 97%). Isto mostra que, à semelhança do SEDDS anteriormente estudado por Marisa Castro (relativamente ao odor o SEDDS teve uma percentagem de 84%; quanto à textura teve 92%) (34), não são necessárias alterações no odor nem a textura para que os veículos em estudo sejam aceites.

No que concerne ao sabor e ao sabor que ficou na boca 2 minutos após a toma, os presentes veículos foram aparentemente melhor aceites que o SEDDS anteriormente estudado por Marisa Castro, em que apenas 40% e 44% dos inquiridos aceitaram estes atributos.

A pergunta “Aceitaria tomar 3 vezes ao dia, todos os dias?” avalia uma aceitabilidade global num cenário de toma frequente. Pode dizer-se que a maioria das pessoas aceitaria tomar ambas as formulações, caso se tratasse de um tratamento prolongado. Adicionalmente, quando se compararam os resultados obtidos nesta pergunta, com os resultados da aceitabilidade do sabor e sabor que fica na boca, deu-se conta de uma semelhança nas percentagens obtidas. Portanto, levantou-se a hipótese, que foi confirmada, de associação entre as duas perguntas. Uma vez que grande parte das pessoas que responderam que não aceitariam tomar a preparação 3 vezes ao dia, todos os dias, também responderam negativamente às questões relativas ao sabor e ao sabor que ficou na boca, demonstra que, embora as duas formulações tivessem sido bem aceites, ainda possuem problemas no que toca ao sabor.

Com o objetivo de melhorar o sabor das formulações, sustentado no feedback da população inquirida, sugere-se a modificação do aromatizante, dado que nem todas as pessoas gostam do sabor a banana. Neste âmbito a vanilina pode ser uma sugestão de um aromatizante a ser usado. Com a finalidade de se melhorar o sabor geral da formulação, de modo a que se tente obter

os edulcorantes são geralmente substâncias hidrofílicas, não sendo óbvia a sua solubilização num veículo lipídico. O uso de glicosídeos de steviol, recentemente descobertos e que possuem pobre solubilidade em água, podem constituir uma opção a testar (46,47), não só porque não causam cáries, mas também porque podem ser consumidos pelos diabéticos com moderação e supervisão médica.

Outra forma de melhorar o sabor das formulações prende-se no uso de outros excipientes com sabor adocicado, suave ou insípido. Assim, como óleos podem ser usados o oleato de etilo e o óleo de milho, o azeite, os óleos de coco e de amendoim. Como tensioativo propõe-se tentar o uso de lecitina ou de Cremophor® EL, o primeiro com bom sabor, o segundo insípido. Sugere-

se como co-solvente o butilenoglicol, que possui sabor doce (48).

Outra forma de contornar o problema do mau sabor, passa pela dispersão do SEDDS em sumo de fruta ou outro alimento. Para isso, são necessários estudos de compatibilidade entre o fármaco que venha ser considerado e o alimento. No entanto, existem alguns entraves relativamente a esta abordagem, pois a dose total do fármaco pode não ser tomada (se for usada a totalidade do alimento da refeição) e pode criar-se aversão à comida se esta ficar com um sabor desagradável ou muito acentuado. Para as crianças, a maçã, a pera e a banana são dos primeiros frutos a ser introduzidos, pelo que haveria interesse no estudo da dispersão em sumo de maçã ou de pera (49,50).