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Study 2: Longitudinal study

Tentando entender a influência destas três escolas no campo da EFA, identificam-se vários paralelismos entre algumas das práticas e teorias da mesma nestas correntes. O Pragmatismo é a corrente que surge da tradição da escola americana da Educação de Adultos. Teve como principais impulsionadores Dewey e Lindeman. Estes autores defenderam o papel da aprendizagem no processo de humanização do meio, como ferramenta para o crescimento e desenvolvimento. Dewey estabeleceu fortes comparações entre os processos educativos e a ciência, o que aliás é possível de confirmar ao se analisar o seu modelo de ciclo de aprendizagem, em que este impõe o conceito de habituação/observação que o indivíduo faz do que o envolve, evoluindo para a reflexão e a criação de hábitos face à sua interacção, passando para uma fase de transformação dos seus hábitos através da acção reflectida com o meio, ou seja, os ambientes em que está integrado. Este modelo de aprendizagem tem subjacentes alguns princípios de participação dos indivíduos na sua comunidade, encarando a diversidade de posturas e opiniões como um ponto de riqueza de todo o processo. Revela-se portanto uma visão bastante optimista de que a aprendizagem possibilitaria a participação e mudança, face ao desenvolvimento humanizado. Segundo Finger e Asún (2005), na perspectiva pragmatista de Dewey “compete à educação fazer com que as pessoas participem activamente na mudança através do aprender-fazendo (…) se queremos que o processo de desenvolvimento e crescimento avance à máxima potência e velocidade” (pp. 39 e 40). Esta referência demonstra claramente os ideais americanos do desenvolvimento e progresso económico, com a perspectiva tecnicista da aprendizagem na acção. Apesar disso, Dewey encarava a aprendizagem e a educação como um direito de todos, conferindo um certo carácter político aos modelos educativos, como uma oportunidade de afirmar a democracia. Defendeu também, de forma pioneira, a formação experiencial como prática de entender e actuar sobre o mundo. Por sua vez, Lindeman deu fortes contributos para a corrente pragmatista. Seguindo a filosofia de Dewey, Lindeman também defende a aprendizagem experiencial.

Muitos autores se aliaram a esta corrente, todos eles com contributos importantes na afirmação da EA em território americano. O conceito de interaccionismo simbólico, introduzido por Mezirow, revelou-se também bastante representativo desta doutrina, por entender que “ a resolução de problemas é aplicada ao auto desenvolvimento da identidade” (Finger e Asún, 2005: 58), contribuindo para o desenvolvimento do self, da identidade de cada indivíduo.

Outras das escolas que estão na origem da EA é o humanismo, corrente originária da psicologia humanista. Como um dos seus principais difusores teve Carl Rogers, que introduziu na EFA o conceito de andragogia. O aprendente (adulto) tem, segundo esta corrente, total controlo do seu processo de aprendizagem, sendo o educador de adultos responsável por criar condições para que esta ocorra. Esta filosofia destaca também o

papel da experiência na aprendizagem dos indivíduos, pelo que pode-se dizer que não se separa totalmente do anterior pragmatismo. “As experiências são (…) fontes de aprendizagem, sobretudo quando reflectimos sobre elas; mas (…) também são o resultado do processo de aprendizagem, o que contribui para as tornar mais congruentes com o seu significado interno e, portanto, mais significativas …” (Finger e Asún, 2005: 66). Nesta corrente destacam-se os conceitos de aprendizagem dirigida, reforçando mais uma vez o papel de sujeito que o indivíduo desempenha na sua própria aprendizagem e o papel de facilitador do educador de adultos; de andragogia, numa tentativa de diferenciar a educação das crianças e jovens da educação de adultos, quanto à abordagem e métodos aplicados. Porém afirmam Finger e Asún (2005) que “a andragogia é uma mera popularização de alguns conceitos da psicologia humanista. (…) o conceito de andragogia surge, sobretudo, como uma afirmação ideológica, uma espécie de sobreposição do desejo à realidade, misturando conceitos de psicologia humanista com elementos da prática educativa do pragmatismo” (p. 68). Um destes autores, Mathias Finger, faz noutra das suas obras, uma breve crítica à corrente humanista, por acreditar que esta é uma filosofia demasiado individualista, centrada no aprendente. Finger refere que “ são, regra geral, os indivíduos os que mudam, os indivíduos são os que aprendem. O cognitivismo e a psicologia humanista são teorias extremamente individualistas: os indivíduos compreendem e analisam, evoluem e, miraculosamente, as organizações e as instituições, a sociedade, mudarão em consequência da mudança dos indivíduos” (2008:25).

Por último, a corrente marxista, considerada a terceira escola de pensamento da EA. Inspirada na luta de classes para a transformação social, esta filosofia assume a educação como uma arma política para a justiça social, para o fim da alienação e opressão dos mais pobres e mais fracos. A corrente marxista implementou a pedagogia crítica na educação dos adultos, uma acção educativa que impunha a instrução dos adultos e o desenvolvimento de um espírito crítico face à sua realidade, para que estes pudessem desenvolver com a Práxis, um mundo mais igualitário. Paulo Freire é um dos autores mais reconhecidos nesta corrente, desenvolvendo um notório trabalho ao nível da alfabetização de pessoas adultas, pouco escolarizadas, vítimas da sociedade, oprimidas pelas classes elitistas. Prática que através de processos envolventes, de pedagogia crítica e horizontal, despertavam as consciências dos alfabetizandos para a sua emancipação. Freire defendia uma educação libertadora, através da conscientização, que passasse de um estado de existência ingénuo para um estado de existência crítico. “ Se pretendemos a libertação dos homens não podemos começar por aliená-los ou mantê-los alienados. A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa que se deposita nos homens. (…) é praxis, que implica a acção e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo” (1970:67).

De um modo geral, as três correntes ou escolas surgiram numa época de expansão económica, de desenvolvimento, durante anos áureos do progresso e desenvolvimento industrial. Todas elas encaravam a educação como uma mais-valia para uma sociedade informada, formada e competente. No caso europeu, é o que mais directamente se encontra associado à nossa realidade, como referem Finger e Asún, a “educação de adultos europeia tem, por isso, duas ideias nucleares: emancipação e compensação. As práticas de educação de adultos foram, sobretudo, respostas variadas e contrastantes às lutas de grupos sociais e classes sociais, que aspiravam à emancipação na expectativa de uma sociedade melhor, mais justa, mais livre e mais democrática” (2005:88).

Pessoalmente, acredito que a educação é para qualquer indivíduo uma “arma” contra a alienação social, política; que a formação e aprendizagem ao longo da vida nos ajuda a realmente saber ser em sociedade, contribuindo para uma realidade mais justa. Defendo que pessoas mais instruídas, mais informadas, podem ser pessoas mais participativas, reivindicativas, activas no contexto em que se integram. Visualizo, portanto, uma grande ligação entre a educação e formação de adultos e a cidadania activa. Na base desta ideologia e na mesma linha de pensamento está o autor Paulo Freire, que na sua obra “Educação como prática da liberdade” problematiza, na realidade brasileira, o estado de alienação e subordinação dos indivíduos, estes acomodados, face a uma força maior. Freire refere que a existência do próprio Homem no mundo pressupõe que este exista no e com o mundo, não como mero espectador mas como um interveniente. O pedagogo continua afirmando que este deve integrar-se e não acomodar-se na sua comunidade, pelo que se verifica uma necessidade imprescindível deste adoptar uma atitude crítica a fim de agir e transformar o mundo. Freire caracteriza os conceitos de sociedade fechada (em que as elites dominam a dinâmica social através educação, propriedade, liberdade, etc.), sociedade em transição (aquela que passa por um processo de mudança baseado em novos anseios) e sociedade aberta (mais igualitária, justa, sem o domínio das elites e em que o indivíduo assume uma postura de optimismo crítico). É assim que Paulo Freire reclama “ uma educação capaz de corresponder a este fundamental desafio - o da ascensão da ingenuidade à criticidade” para contrariar o estado de massificação e domínio das elites sobre as massas populares (1965:64). Foi assim que este educador e formador de adultos pouco escolarizados levou a cabo o seu método de alfabetização, através da tomada de consciência na emersão da realidade.