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Com o intuito de conhecer melhor a turma com que estamos a trabalhar, foram aplicados dois questionários no 1º período, o teste sociométrico e o teste de autoconceito, de forma a caracterizar detalhadamente os alunos, incluindo particularidades sociais e culturais, bem como psicológicas e de aprendizagem.

A elaboração do estudo iniciou-se logo nos primeiros dias de aulas tendo sido concluída no final do 2º período. Os procedimentos de elaboração do estudo compreenderam três fases distintas: fase da aplicação dos testes/questionários, fase da análise dos resultados e fase da apresentação dos mesmos.

A primeira fase correspondeu à aplicação das fichas de caracterização do aluno, dos testes sociométricos e dos testes de autoconceito. Uma das fichas de caracterização do aluno foi aplicada pela diretora de turma (DT), enquanto a outra, os testes sociométricos e de autoconceito foram aplicados no contexto da aula de EF.

A segunda fase correspondeu à análise cuidada, em Excel dos dados recolhidos na fase anterior.

Já a terceira e última fase, pode ser dividida em dois momentos distintos: um primeiro momento que correspondeu à apresentação dos resultados ao conselho de turma, através de um PowerPoint, e um segundo momento correspondente à redação do estudo de turma.

Após identificação das características da turma, os resultados foram apresentados em duas reuniões do conselho de turma tendo sido considerados bastante interessantes,

11 Citado por Santos, Durão, Navalho, Graça, Pereira & Ferreira (2003:65) 12 Idem

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pertinentes e elucidativos pelos professores presentes. Em seguida foi elaborada a análise escrita do mesmo tendo sido formalizada em documento escrito.

As informações recolhidas foram de grande utilidade para mim enquanto professor, pois pude utilizá-las para melhorar a intervenção junto da turma, não só em termos de formação de grupos, mas também de adequação do discurso ou feedback para determinados alunos mais suscetíveis. As informações recolhidas permitiram facilitar a inclusão dos alunos que foram mais rejeitados pelos colegas. Além disso, e após verificar que no 2º período havia um aluno que não se encontrava completamente integrado na turma, pude encontrar estratégias para o incluir, tarefa que foi dificultada por se tratar de um aluno com síndrome de DAMP, que tem brincadeiras muito pouco comuns para a sua idade, e, portanto, era um pouco excluído pelos colegas. Ainda assim, procurei integrá-lo no grupo de alunos que escolheu como preferidos no teste sociométrico.

Abordando todos os testes/questionários, salienta-se o papel dos testes sociométricos e de autoconceito, evidenciando maiores benefícios.

Os testes sociométricos dão muitas indicações acerca da estrutura social dos grupos e das relações sociais que existem entre as crianças que a eles pertencem. Eles localizam as crianças isoladas e as que são muito populares. Revelam os grupinhos fechados. Mostram as crianças que são populares e as que não são. (…) Os testes sociométricos em si não nos dizem o que devemos fazer às crianças: dão-nos informações e instruções. A maneira de utilizar essas informações depende de nós (…).

(Northway e Weld, 1999, p.64)

Como retirei conclusões satisfatórias e com informação pertinente deste estudo, enviei-o também para a DT para que ela pudesse enviar para os professores do conselho de turma. É um trabalho que tem informações bastante úteis e que poderão, à semelhança do que eu fiz, serem utilizadas por outros professores para melhorarem a sua intervenção junto da turma.

Ainda assim, penso que os benefícios poderiam ter sido superiores se tivesse adotado dois procedimentos diferentes: primeiramente deveria ter obtido os resultados mais cedo, o que seria possível com a aplicação de todos os testes no máximo na terceira semana após o início do ano letivo e, em segundo lugar, se tivesse repetido a aplicação dos testes, por exemplo no final do 1º período ou início do 2º, pois como referido por Northway e Weld (1999) se aplicarmos os testes em alturas diferentes podemos verificar como as relações têm evoluído, o que seria uma vantagem, podendo adequar novamente os grupos.

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Para além dos benefícios para os professores, considera-se que também os alunos beneficiam com este tipo de estudos. O facto de se adequar os grupos de trabalho, conjugando as tarefas com os colegas com os quais mais se identificam, poderá servir como estratégia de motivação, bem como poderá aumentar a cooperação e trazer vantagens ao nível das aprendizagens, rentabilizando a produtividade dos alunos nas várias disciplinas.

Contudo, este estudo de turma, apesar das enormes vantagens que poderá trazer, tem a desvantagem de ser trabalhoso, o que seria impossível fazê-lo para 6 turmas, isto é, para o número de turmas que tem um professor com horário completo.

(Estudo de Turma – 7º4ª)

No sentido da citação anterior, a solução que apresento para uma aplicação futura, seria que todos os DT realizassem o teste sociométrico, no entanto, com os atuais cortes que têm sido feitos aos professores, não creio que eles despendam mais tempo com a elaboração deste estudo, mesmo sabendo das vantagens que apresenta. Outra alternativa a considerar seria a aplicação dos testes, tirando as conclusões de forma simples, sem ser necessário elaborar um documento formal.

Refletindo sobre este estudo no âmbito de um estágio, considero que é de enorme pertinência, pois para um professor inexperiente, as informações recolhidas poderão facilitar e melhorar a intervenção e a lecionação da turma. Já para os professores do conselho de turma, aqueles que tiverem a sorte de ter um professor estagiário, é de aproveitar as informações facultadas pelo estudo de turma, o que foi salientado no conselho de turma onde apresentei os resultados, com vários professores a referirem a sua importância.