4.2 Benchmarking Results and Analysis
4.2.4 Study the feasibility of using cloud storage system as a storage
A melhor eficiência do sistema foi referida (n=2) como uma das vantagens e oportunidades, dado o potencial destas tecnologias para reduzirem o número de intervenções no sistema de saúde, criando condições para serem obtidos melhores resultados, mas com menos recursos por parte do sistema de saúde.
Tal seria possível, de acordo com os experts, através da prevenção- por exemplo através da análise dos dados obtidos por ALT, que dariam origem pela qualidade e quantidade de informação, a modelos preditivos de doença, permitindo assim intervenções mais eficazes a montante. Mas também por exemplo, através do estímulo ao exercício físico ou mais genericamente à adoção e monitorização de estilos de vida saudáveis, aspectos que se são facilitados através da adoção de ALT.
Uma outra vertente possível de ser explorada com ALT é a oportunidade, identificada pelos entrevistados, que surge com a monitorização remota de outcomes de saúde, bem como do seguimento de consultas, reduzindo assim as deslocações dos doentes aos serviços de saúde, o que constitui uma poupança para os próprios e seu cuidadores, bem como para o sistema.
Uma outra área com potencial para aumentar a produtividade dos prestadores de cuidados de saúde é a comunicação diferenciada, como foi definida por um dos experts (E2). Através das ALT este especialista tem a oportunidade de estar próximo do doente, atuando quando é necessário, mas sem requerer um tempo excessivo de investimento profissional. Toda esta tecnologia é vista como potenciadora do tempo dos profissionais de saúde.
Um dos entrevistados (E3) identificou como oportunidade para a adoção das ALT o benefício que decorre da Coresponsabilização de doentes/cuidadores e mesmo da sociedade, dado que estas tecnologias dão-nos acesso a meios de monitorização e registo que nunca tivemos no passado. Estes meios permitem não apenas registar o
nível de adesão aos medicamentos, mas também o registo de outras medidas prescritas pelo médico, como por exemplo uma determinada atividade física ou estilo de vida, significando tal que estes elementos abrem também um novo domínio no campo da responsabilização do doente/cuidador. Foi referido que tal tendência já se verifica nos EUA, dado o modelo americano ser muito baseado nos seguros privados, com as seguradoras a desenvolverem aplicações para monitorizarem determinados comportamentos dos próprios segurados, no sentido de identificarem comportamentos desviantes daquilo que é protocolado pelos médicos e de assim não assumirem os custos decorrentes da falta de compliance. Isto é, se os médicos definem um determinado comportamento e ao doente não o assegura, as seguradoras vão começar a não querer pagar e a imputarem ao próprio doente determinadas responsabilidades.
Áreas de oportunidade no contínuo de cuidados
Os diferentes entrevistados identificaram oportunidades de introdução das ALT em diferentes fases do contínuo de cuidados dos doentes com demências.
Assim, foram identificadas como áreas de oportunidade as fases de Prevenção, Diagnóstico, Tratamento, Monitorização, Apoio ao Lazer e à Integração e Apoio à vida diária.
No que à Prevenção diz respeito, um dos participantes referiu que estas tecnologias permitirão o armazenamento de elevadas quantidades de dados, naquilo que é hoje frequentemente definido como Big Data. A análise e tratamento de tais dados poderão permitir a identificação de situações preditivas de um determinado outcome, assim justificando, com base na evidência, um determinado tipo de intervenção com vista a atuar preventivamente.
Na área do Diagnóstico, dois dos participantes (E3, E6) veem oportunidades a considerar. Um deles cita especificamente um projeto em curso, ainda em estudo, mas com evidente potencial para fazer rastreio cognitivo em massa, através de um exame, fácil de completar e disponível através da internet. Tal tipo de rastreio substituiria os exames neuro psicológicos que são caros e morosos para doentes, cuidadores e profissionais de saúde.
No que diz respeito à Terapêutica, foram identificadas duas áreas com potencial de utilização no âmbito das ALT. A estimulação cognitiva referenciada por 4 dos 6 entrevistados (E1, E2, E4, E5) e a compliance medicamentosa (E2, E5).
Relativamente à estimulação cognitiva, os entrevistados referidos referem como útil e passível de ser feita através de meios remotos, recorrendo a um computador, utilizando sons e cores ou jogos de internet. Dessa forma é possível trabalhar, não apenas a estimulação, mas também a monitorização do impacto. Contudo, verifiquei que o tópico da estimulação não parece ser um tema pacífico na comunidade médica, apresentando diferentes níveis de aceitação, sendo que um dos entrevistados referiu mesmo não depositar grande esperança no impacto de tal tipo de intervenção.
No que à compliance de natureza medicamentosa diz respeito, houve muita unanimidade no potencial desta opção. Não apenas numa fase inicial da doença, como apoio para o próprio doente, mas também para o cuidador que, dada a frequente polimedicação, a sobrecarga física e psicológica e, frequentemente a sua própria idade, necessita de apoio para melhor prestação de cuidados ao doente com demência. Um dos entrevistados valorizou o desgaste a que os cuidadores são submetidos, referindo que também estes se desorientam com a medicação, dando como exemplo chegar a ver listas de 20 medicamentos para uma pessoa com demência ao qual à que acrescentar mais 10 do cuidador! A utilização de ALT para apoio à compliance medicamentosa, não tendo grande potencial para o próprio doente, dado o impacto cognitivo da demência, tem muita utilidade, como é referido pelos entrevistados, para o cuidador.
De todas as áreas mencionadas como de potencial interesse, aquela que foi mais frequentemente referida, tendo-o sido por todos os entrevistados, foi a Monitorização. Monitorização que passa pela avaliação dos progressos terapêuticos, a partir do registo e armazenagem de dados, que se torna agora possível, sendo que também a sua transmissão passa a poder ser feita remotamente e, se pretendido, até em tempo real.
Dois dos entrevistados (E1, E5) também identificaram como oportunidade para as ALT a área do Apoio à Vida Diária. Um dos depoimentos destaca importância da fase da doença para que se valorize ou não a intervenção das ALT, manifestando a ideia de
que a sua utilização fará sentido numa fase mais ligeira/moderada, em que o doente ainda tem alguma autonomia. Também no caso do apoio à vida diária, foi salientada a sua utilidade na melhoria da segurança, como seja a sua utilização em alarmes para fugas de gás, sensores de quedas, etc.
Algumas das respostas foram no sentido de considerarem que também no caso da
Integração e do Lazer há oportunidades para a utilização de ALT.
Contudo surgiu alguma diversidade nas respostas, parecendo evidenciar que não há um pensamento comum nesta área.
Desde logo, porque a sua utilização dependerá, mais uma vez, do estadio da doença, segundo um dos entrevistados. Um dos intervenientes (E3) também referiu a potencial que as tecnologias e a sua utilização abrem em termos de integração social via redes socias, numa ótica de partilha de experiências. Pensa que num curto prazo teremos grupos ativos ou plataformas ativas de partilha entre diferentes utilizadores ou doentes de uma determinada comunidade de interesses de uma dada patologia, e tal será um novo facebook a curto prazo.
Sobre este mesmo tópico um outro interveniente (E5) não vê aí vantagens, pelo contrário. Este entrevistado prefere que as pessoas frequentem o centro de dia, ou que “vão à mercearia tomar o cafezinho com o vizinho de há 30 anos, em lugar de estarem a fazer um jogo on-line com alguém à distância. Dessa forma podem desenvolver competências sociais e no computador não”- acrescenta.
Um dos exemplos citados, capaz de ajudar a Integração Social e o Lazer, foi a geolocalização, enquanto tecnologia muito útil e com elevado potencial, evitando assim que os doentes se percam nos seus trajetos. Para metade dos experts este tipo de solução tem muita utilidade no caso das demências (E1, E4, E6). Contudo, um outro elemento identificou esta tecnologia como um exemplo de falta de adequação entre aquilo que é a necessidade e a oferta, dado que estes doentes vão progressivamente reduzindo a sua esfera de atuação e de autonomia, não correndo portanto, na prática, esse risco.
Trata-se de uma área de intervenção, correspondendo curiosamente a uma oferta com bastante notoriedade, em que foram registadas opiniões completamente díspares, sobre a utilidade ou não da solução ALT. Este fato confirma mais uma vez, a
complexidade da perceção da criação de valor, dada a heterogeneidade de entendimentos.