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funeral do líder africano Nelson Mandela

Fonte: Revista Isto é Independente (2013)

Acrescenta-se que, os levantamentos realizados em torno dos números e elementos presentes nas redes sociais dão conta de que esse ambiente não só oferece possibilidades, como também passou nos últimos anos a servir de grande palco do narcisismo na Internet.

Milhões de usuários do mundo inteiro têm se apropriado das diversas ferramentas disponíveis on-line, e as utilizam para expor publicamente a própria intimidade: blogs, webcams, fotologs, YouTube, Orkut... Trata-se de

41 Estabelecimento comercial no qual os clientes podem pagar para utilizar um computador com acesso à Internet, por um tempo determinado.

um verdadeiro festival de vidas privadas, que se oferecem despudoradamente a quem quiser dar uma olhada. (LEAL, 2010, p. 1).

O que outrora poderia ser espetacularizado através de performances interpessoais ou de uma mídia tradicional, atingindo um número limitado de pessoas, na atualidade, com a utilização das redes sociais, chega a atingir todo o mundo, ganhando proporções inimagináveis. Se levarmos em consideração a pesquisa sobre abrangência das redes sociais mais utilizadas da Internet, perceberemos que o Facebook, com seus recursos de autogerenciamento de informações e compartilhamento de imagens, constitui-se uma das maiores, mais influentes e importantes ferramentas do hiperespetáculo na contemporaneidade.

5.2 FACEBOOK: O LAGO DO HIPERNARCISO

Nem nos seus melhores sonhos os narcisistas poderiam imaginar um cenário tão promissor. Se o Narciso da mitologia grega dependia de um lago para admirar sua beleza, o Narciso dos tempos hipermodernos tem à sua disposição o maior e mais encantador dos lagos. Aquele que possibilita a exposição da melhor, mais bonita, e mais sedutora imagem. O lago que garante a maior visibilidade, a maior popularidade e a melhor audiência: o Facebook.

O Facebook pode ser identificado como um site de rede social criado pelos alunos da Universidade de Harvard cujo histórico se confunde com o de um dos seus principais idealizadores, Mark Zuckerberg. Todo o processo, que culminou no paradigma de interação e relacionamento dos tempos atuais, teve início em 2003, quando, por pura diversão, Zuckerberg resolveu criar em seu quarto, em Harvard, um software com o objetivo de auxiliar os estudantes da Universidade a escolher quais aulas iriam frequentar. O software denominado “Course

Match” possibilitava que as pessoas conhecessem seus colegas de sala de aula antes de se

inscreverem nas disciplinas, para então, definirem se valia ou não a pena matricular-se.

Logo na primeira semana, Zuckerberg improvisou um software para internet que chamou de ‘Course Match’, um projeto bastante inocente, que ele fez apenas por diversão. A ideia era ajudar os alunos a escolher as matérias com base em quem já estivesse matriculado nos cursos. Você podia clicar em um curso para ver quem estava na turma ou clicar no nome da pessoa para ver os cursos que ela estava fazendo. [...] centenas de estudantes imediatamente começaram a usar o Course Match. Os alunos de Havard, conscientes de seu próprio status, tinham sentimentos bastante diferentes a respeito de um curso dependendo de quem estivesse matriculado nele. E Zuckerberg havia escrito um programa que eles queriam usar. (KIRKPATRICK, 2011, p. 27-28).

Com o sucesso do projeto, Zuckerberg decidiu criar outro software, dessa vez o “Facemash”, que objetivava promover votações para eleger a pessoa mais sexy do campus. Esse software foi ainda mais bem-sucedido, porém foi também muito criticado pela forma irresponsável como estava sendo utilizado pelos alunos. De acordo com Kirkipatrick (2011) as críticas deviam-se às reclamações da comunidade em torno do aumento repentino de sexismo e racismo na cidade, após a existência do site. De tão criticado, o Conselho de Administração Disciplinar de Havard decidiu desligar o acesso de Zuckerberg à web e deixá-lo sob observação, acusado de violar o código de conduta da Universidade. Mesmo sob observação, o estudante não parou de criar pequenos programas do gênero, até que, em janeiro de 2004, registrou o endereço eletrônico Thefacebook.com.

O Thefacebook.com foi criado agregando as funções do Course Mach, do

Facemach e do Friendster42. Foi um projeto idealizado por Zuckerberg e seus colegas de quarto

Dustin Moskovitz, Chris Hughes e Eduardo Saverin, com o objetivo de configurar um espaço onde pessoas pudessem se encontrar virtualmente, para interagir, dividir opiniões e trocar fotografias.

Eles sempre diziam que iam fazer um Facebook centralizado, mas tinham todas aquelas preocupações sobre quais seriam as informações. Pensavam que haveria questões legais. Mark simplesmente sacou que [...] podia deixar que as pessoas carregassem suas próprias informações [...]. Essa visão simples, combinada com o desejo [...] de criar um diretório confiável com base em informações reais sobre os alunos, tornou-se o conceito central do Thefacebook. ‘Nosso projeto foi posto em ação como uma maneira de ajudar as pessoas a compartilhar mais coisas em Harvard’ diz Zuckerberg. (KIRKPATRICK, 2011, p. 37).

Lançado em 04 de fevereiro de 2004, com o nome original Thefacebook, a rede concebida inicialmente para os alunos de Harvard aos poucos foi se expandindo, sendo logo estendida ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts, à Universidade de Boston, ao Boston College e aos alunos das universidades de Stanford, Columbia e Yale. De acordo com Sbarai (2014, p. 3), “[...] desde o seu processo de expansão, a rede já era um sucesso, era desejada pela maioria do corpo estudantil das universidades e escolas norte-americanas”.

Com a fama circulando por todo o mundo, vários estudantes foram convidados a integrar a Rede. Com o objetivo de crescer e se desenvolver ainda mais, o site especializado em relacionamentos mudou-se para um escritório alugado em Palo Alto, na Califórnia e lançou

42 Rede social criada por Jonathan Abrams, pioneira no gênero de promover relacionamentos entre amigos pela Internet.

nesse ano o mural, um espaço criado para que os usuários deixassem mensagens aos seus amigos, conforme mostra a foto 23. Começava assim a tomar forma um antigo sonho de Zuckerberg, o de criar uma máquina de relacionamentos.