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A Missão Antropológica da Timor, por sua vez, é criada em 19 de Maio de 1953 por deliberação da Junta das Missões Geográficas e das Investigações do Ultramar, tendo também como chefe António de Almeida. Conforme o projecto apresentado pelo autor no mesmo ano, os trabalhos deveriam compreender “(…) investigações

antropológicas, etnográficas e pré-históricas nessa província” (Almeida, 1953).

Nesse caso, apesar da Missão ser chefiada pelo mesmo investigador responsável pela Missão de Angola, a Arqueologia, no caso, pré-histórica, aparece claramente discriminada entre os principais objectivos desse projecto.

A primeira campanha da Missão tem início em Julho de 1953 e encerra-se em Janeiro de 1954. Almeida viaja, novamente, a fim de dar prosseguimento aos trabalhos em 1957, dessa vez aproveitando a viagem para também participar do IX Congresso Internacional das Ciências do Pacifico, em Bangkok (Costa, 1957). Em Julho de 1958, pede autorização para participar do V Congresso Internacional de proto e pré-história, em Hamburgo, com trabalho acerca do Neolítico de Timor (Almeida, 1958) e em Julho de 1962 é convidado a tomar parte do conselho da Associação de Pré-História do Extremo Oriente como representante de Timor e Macau (JIU, 1962).

Ainda em 1962 é nomeado director do recém-criado Centro de Estudos de Antropobiologia, através da Portaria 19.210 de 30 de Maio. Essa portaria, busca esclarecer o papel das ciências humanas no contexto ultramarino da seguinte forma:

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No vastíssimo campo das ciências humanas contam-se outros complexos problemas intimamente relacionados com a sobrevivência e a aclimatação das vastas etnias portuguesas nos territórios onde vivam ou pretendam fixar-se; o condicionalismo geoclimático e social das regiões tropicais em particular incide grandemente sobre as populações e, de acordo com as leis da genética, pode implicar sensíveis alterações somato-fisiológicas e psicológicas nos naturais e imigrados, comprometendo a vitalidade dos respectivos descendentes. Para o estudo dessas relevantes questões torna-se indispensável o conhecimento da antropologia morfológica, fisiológica e psicológica e do concurso de outras disciplinas humanas como a paleontologia, a pré-história e a etnologia (Portugal, 1962).

Novamente nota-se a prevalência dos interesses relacionados à interferência directa sobre a vida do nativo, e mesmo sobre o ambiente, de forma a beneficiar interesses metropolitanos. Para esse fim a Antropologia aparece mais uma vez em posição de dominância em relação a outros campos científicos, mas a Arqueologia, pré- histórica no caso, continua a merecer importância, embora secundária. Nesse sentido, tal descrição nos alerta que nesse novo Centro, dirigido pelo chefe das Missões a Angola e a Timor, a Arqueologia continua a ter um espaço reservado nas pesquisas ali produzidas.

No ano seguinte à criação desse Centro, Almeida consegue autorização do Ministro do Ultramar para realizar uma nova viagem a Timor com o intuito de participar dos exames de aptidão à Universidade e de admissão às escolas técnicas e de Magistério primário e de, segundo ele, “(…) completar a prospecção antropobiológica dos grupos

étnicos locais, designadamente os Isnis (…), estudo iniciado pela Missão Antropológica

de Timor, que chefiei (…)” (Almeida, 1963b). Em outro documento diz ter a intenção

165 da Pré-história para, assim, obter material para duas publicações de vulto sobre os assuntos (Almeida, 1963a).

O primeiro documento parece indicar ter a Missão de Timor já se encerrado. Entretanto, os trabalhos e as viagens têm prosseguimento e mais nenhum documento faz crer que algum constrangimento dos trabalhos na colónia se tenha imposto, por decisão estatal, enquanto Almeida continuou a ocupar o cargo de director do Centro de Antropobiologia.

Assim, em Agosto de 1964, viaja novamente a Timor a fim de presidir aos exames de aptidão e admissão e de dar prosseguimento aos trabalhos investigativos (Almeida, 1964a). Em Setembro de 1968 pede novamente autorização à Junta para presidir aos mesmos júris, e para ali permanecer por alguns dias a fim de realizar investigações antropobiológicas na província (Cardim, 1968).

Em 1969 é incumbido, por proposta do Governo de Timor e aprovação do Ministério do Ultramar, a elaborar uma “Carta Étnica de Timor” (Almeida, 1973a). Viaja no mesmo ano à província sob convite da Direcção Geral de Educação, a fim de participar novamente do júri dos exames de aptidão e admissão e de dar continuidade aos trabalhos da Carta (SGE, 1969; Almeida, 1969).

Em 1970, Almeida é jubilado por limite de idade, ficando, entretanto, o trabalho da Carta Étnica entregue ainda a seu cargo. Com o propósito de terminá-la viaja ainda mais duas vezes a Timor, uma em 1974 e outra no ano seguinte (Almeida, 1973b). Tal trabalho nunca chega a ser, entretanto, publicado.

166 Das publicações de autoria de António de Almeida presentes no mesmo currículo analisado anteriormente (Almeida, 19--), entre os 1953 e de 1965, três são acerca de temas arqueológicos e sete em Antropologia/Etnologia timorenses. Ainda constam do mesmo documento quatro textos arqueológicos e quatro antropológicos, ainda em publicação.

Os três textos em Arqueologia são, “Découvertes Préhistoriques dans Timor Portugais, em colaboração com Mendes Correia e Camarate França em 1954, “Preliminary notice of Paleolithic Stations in Eastern Malaysian Archipelago (Portuguese Timor), com Mendes Correia e Ruy Cinatti, em 1955, e “Du Néolithique du Timor Portugais”, em 1959. Todos os textos são escritos em contexto de congressos internacionais.

Os textos em publicação na altura, por sua vez, são “Sobre Alguns Exemplares com Fácies Paleolítica de Timor Português”, com Mendes Correia e Camarate França, “Velhas indústrias de Pedra em Timor Português”, com Henri Breuil, “Novas prospecções pré-históricas em Timor Português” e “Materiais Líticos Achados na Gruta de Lene-Hara, em colaboração com Georges Zbyszewski.

Já com relação aos textos em Antropologia, daqueles já publicados na altura, três deles são resultados de eventos internacionais, sendo um título em Francês e dois em Inglês, enquanto os outros três representam produções estritamente nacionais. Além disso, são todos de autoria individual. Dos textos ainda por publicar, todos são produções nacionais em português, mas, diferente dos primeiros, dois deles têm co- autoria. Um deles com um pesquisador estrangeiro e outro com sua filha Maria Emília. Interessante ressaltar que os textos que resultam de colaboração com autores

167 estrangeiros ou de eventos internacionais são todos em Etnologia ou Linguística, enquanto aqueles em Antropologia Física são todos publicados em contexto nacional.

Já no currículo que abarca a obra de Almeida até 1980 (IICT, 19--), também já anteriormente citado, são 31 as obras enumeradas que dizem respeito a temas timorenses, dos quais apenas oito discorrem sobre Arqueologia. O texto “Du Néolithique du Timor Portugais”, presente no currículo anterior, não é aqui citado, ao passo que o texto “Contribuição para o Estudo do Neolítico do Timor Português”, publicado em 1960, nas Memórias da Junta de Investigação do Ultramar, e “Quelques notes su sujet du Néolithique du Timor Portugais”, publicado em Hamburgo, em 1958, e em Berlim, em 1961, nas actas do Congresso Internacional de Pré-História e Proto- História, são acrescentados à lista de publicações arqueológicas timorenses. Dos textos considerados em fase de publicação no currículo anterior, somente o primeiro deles, denominado “Sobre Alguns Exemplares com Fácies Paleolítica de Timor Português” consta deste como já publicado, neste caso, com colaboração de Mendes Correia e Camarate França, nos “Trabalhos do Centro de Antropobiologia, em 1964,”.

A partir de 1965 são citados os textos “A Contribution to the Study of Rock- Paintings, in Portugues Timor”, publicado em Tóquio, em 1966 e em Honolulu, em 1967, no “Asian and Pacific Archaeology Series”, do 11º Congresso de Ciências do Pacífico, ocorrido em Tóquio, “Contribution to the Study of the Prehistory of Portugue Timor – Lithic Industries”, em colaboração com Zbyszewski, também publicado nos mesmos anos, e no mesmo volume, e “Da Pré-História do Timor Português, sem data indicada, mas publicado nas “Memórias da Academia das Ciências de Lisboa”.

São, portanto, dois textos em francês, e três em inglês, todos publicados em congressos internacionais e mais três em português e publicados em revistas nacionais.

168 Desses, três têm co-autoria com colaboradores portugueses e um deles com Zbyszewski. Já no caso dos textos em Antropologia são 16 itens publicados em língua portuguesa e em revistas nacionais, quatro em francês e três em inglês, todos publicados em volumes internacionais. Desses, por sua vez, somente um teria parceria, neste caso, com sua filha, Maria Emília Almeida, e com Miguel Vieira.

Novamente, como no contexto angolano, podemos perceber que a Arqueologia ocupa uma situação secundária no processo de pesquisa, porém, ao mesmo tempo, dominada por uma maior articulação com colaborações e eventos, sobretudo em contextos internacionais, dando a esse campo uma posição bem sedimentada na comunidade científica nacional e estrangeira.

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CAPÍTULO XIII

O Actor e Sua Produção Científica: Santos Júnior, Amílcar Mateus,